Presidente Lula concede entrevista para o Jornal da Manhã Bahia
Lula · 05/07/2026 · 34 min · Lula
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▶ 00:00:00 E no início do jornal da manhã, começamos aqui o nosso JM, como sempre, eu e Ricardo Ismael, mas ele saiu do estúdio para assumir um compromisso de trazer ao vivo a palavra do presidente Lula que está aqui em Salvador. Então agora eu quero chamar ao vivo Ricardo Ismael ao lado do nosso presidente. Rique já consegue me ouvir. Bom dia, bem-vindo novamente. Já sim, Camila, te ouço, te escuto bem. Estava aqui conversando com o presidente, né, antes de entrar ao vivo. Estamos na Praça do Campo Grande, quase
▶ 00:00:30 que aos pés do cabôo, como se fala. Aqui a Praça 2 de Julho, no hotel em que o presidente está hospedado, que gentilmente nos atende logo cedo. Presidente, muito obrigado por nos atender. Prazer tê-lo conosco aqui no Jornal da Manhã, conversar com o nosso público. O prazer é meu, Ricardo. A contar uma história sugênica aqui. Esse hotel aqui, a primeira vez que eu tive aqui em 1978. A primeira vez que eu tive a ideia de construir o PT, eu estava aqui, estava aqui Fernando Henrique Cardoso, estava
▶ 00:01:00 Almino Afonso, estava Jaque Wagner, acho que estava Rui Corta, que era um congresso do setor petroquímico. E eu fui convidado pelo Wagner para vir aqui, tava o Jacobar e aqui tava o Fernanda Henrique Cardoso, tudo. E foi aqui que a primeira vez que eu tive a ideia de que era preciso criar um partido de trabalhadores nesse mesmo hotel. Olha aí. Estamos cá aqui então mais uma vez agora começando essa nossa entrevista presidente falando 2 de julho, né? Estamos na data cívica mais importante paraa Bahia, pros baianos e baianas, o senhor pelo quarto ano consecutivo aqui
▶ 00:01:32 em Salvador no 2 de julho e ontem assina o decreto encaminha pro Congresso que torna o 2 de julho esta o dia nacional da Consolidação da Independência do Brasil. O senhor acredita que o Congresso aprova, presidente, o decreto e em aprovando que importância terá para Bahia e para o próprio Brasil? Olha, eu acho que tem muita importância pra Bahia porque é valorizar a história do povo baiano e tem muita importância pro Brasil porque você vai colocar isso nos livros de história do Brasil. você vai colocar isso no livro didático que você distribui nas escolas, sobretudo para as
▶ 00:02:03 crianças e pro ensino médio. Ou seja, as pessoas vão perceber que a independência do Brasil, com todo o respeito que eu tenho ao 7 de setembro decretado pelo pelo imperador Dom Pedro I, ou seja, o dado concreto é que apenas, sabe, eh, em 2 de julho de 1823 é que o povo baiano expulsou definitivamente os portugueses do Brasil. Então eu digo sempre pela mesma porta que entraram eles saíram e foi a Bahia que fez esse mar que é importante o povo conhecer a história
▶ 00:02:33 verdadeira do Brasil porque muitas vezes a história é contada apenas por quem ganha e não é contado por quem lutou que muitas vezes lutou, perdeu e é mais importante do que quem ganhou. Então eu estou inclusive trabalhando, Ricardo agora, já falei com a nossa querida ministra Margarete Menedes, já falei com alguns cineastas, eu tô querendo incentivar a produção de uns 10 filmes históricos do Brasil. para que o povo conheça a história que foi motivadora de muita luta nesse país e de muita conquista que ninguém sabe porque o
▶ 00:03:03 pessoal só sabe a história que é contada oficialmente. Então o 2 de julho para mim é um dia muito, mas muito importante, porque foi o dia definitivo que os baianos disseram: "Olhe, o Dom Pedro já diz que eu tô a independência, vocês, ó, pira daqui, pira daqui que nós queremos ser dono do Brasil". Essa é uma coisa fantástica que o povo tem que saber. Então é um reconhecimento histórico. Agora, presidente, entra no calendário nacional, mas não se torna feriado nacional, né? Veja, eu não entro em feriado nacional porque eu acho que o
▶ 00:03:34 Brasil já tem muito feriado. Eu não não queria criar mais um feriado, porque nós temos dia para tudo nesse país. Ou seja, na verdade, eu acho que o reconhecimento já é feriado na Bahia. O reconhecimento é uma coisa muito mais importante do que um feriado. Ou seja, o reconhecimento é que vai levar o povo brasileiro a fazer uma reflexão o que foi o 2 de julho aqui. O que foi, porque a maioria do povo do país, do Brasil não sabe. Se você fizer uma pesquisa, você vai entender que 90% do povo não sabe o que
▶ 00:04:04 aconteceu 2 de julho. Pensa que é uma festa junina, pensa que é uma festa de sabe, não é uma festa que comemora a bravura, sabe? do povo baiano e sobretudo de três mulheres que tiveram muita importância aqui na Bahia. É isso. Maria Felipa, Maria Quité e Joana Angélica, entre tantas outras, né, presidente, que nem aparece nos livros de história, mas deram protagonismo. Eu queria avançar aqui, temos temas importantes a tratar com o senhor, né, ao longo dessa entrevista e o setor automobilístico, presidente, falar sobre a BID. Ontem, né, a BID apresentou a
▶ 00:04:36 linha de produção aqui em Camaçari, região metropolitana. Essa montagem de veículos, ela passa a operar em fase de teste até a inauguração de fato, cuja data não tá definida. A minha pergunta é a seguinte: o senhor tem informação de quando de fato será essa inauguração, né? Há um prazo definido para isso e mais ainda, presidente, eu queria saber de que maneira BioID, essa montadora chinesa, ela vai contribuir pro desenvolvimento do polo industrial de Camaçari, pra própria Bahia e pra geração permanente de empregos? Não, já tá contribuindo. Vamos ser franco. Vamos
▶ 00:05:08 ser franco. Pouca gente esperava que depois da da falta de respeito que a Ford teve com a Bahia e com o Brasil, que a gente fosse colocar no lugar da Ford uma empresa chinesa para fazer uma revolução na indústria automobilística brasileira. É isso que a Biadil tá fazendo, uma revolução na indústria automobilística brasileira. o processo de inovação que ela traz, o processo de ser o primeiro carro elétrico aqui, o processo de ter uma empresa, sabe, que vai gerar muitos empregos na Bahia, que
▶ 00:05:39 vai gerar muito desenvolvimento na Bahia, sabe? E vai fazer inovação na política. É muito importante. Eu vou lhe dizer uma coisa. Depois que a Badil veio aqui pra Bahia, que ela se instalou, eu recebi anúncio de investimento de 130 bilhões de reais da nova indústria automobilística no Brasil inteiro, coisa que fazia mais de 10 anos que não tinha um modelo novo no Brasil. Só para você ter ideia o que aconteceu com a indúta automobilística. Quando eu deixei a presidência em 2010, a indulta automobilística brasileira vendia 3.600.000
▶ 00:06:10 carros. Quando eu votei em 2023, a indústria brasileira só vendia 1.600.000 carros. caiu mais da metade, graças ao nosso governo e graças à vinda da Bia Dil, ou seja, a indúta automobilística brasileira ressurgiu e nós já temos hoje muito investimento, muito carro novo, a disputa quem vai ser o melhor carro elétrico, quem vai ser o o carro híbrido, quem vai fazer é uma coisa extraordinária. A Biandil, ela vai começar fazendo montagem de carro, depois ela vai começar a produzir peça
▶ 00:06:41 aqui e depois o carro vai ser feito feito inteiramente aqui. O senhor tem informações sobre inauguração? Presidente, já olha, eu eu na verdade tava para vir aqui na inauguração ontem, acho que era ontem, hoje, mas não foi possível, mas possivelmente em agosto eu volto aqui. Posivelmente em agosto eu volto aqui para inaugurar. Eu tenho o maior prazer de ter trazendo indústria automobilística, sabe? No momento em que eu governava esse país. A Bahia merece. Quando a Ford foi embora, ficou um vazio na Bahia e um vazio em Camaçari. E eu
▶ 00:07:13 acho que a Biail traz vida para o desenvolvimento industrial da Bahia. A Bahia merece isso e merece mais. Me permita falar um pouco mais sobre a Ford, porque a Bio chega a Bahia com a saída da Ford de fato em 2021. Eh, e o impacto foi muito grande, né, na geração de empregos, na economia. O que é que se faz? O que é que pode se fazer para evitar que isso volte a acontecer? Presente. Olha, veja, é, é muito difícil você evitar que uma empresa tome decisões de sair para um país ou para outro país. O que que você tem que
▶ 00:07:43 garantir? O que você precisa garantir para essas pessoas é que o povo tenha um poder executivo razoável que possa comprar os carros que são produzidos aqui. O que traz uma indústria para um país é o mercado. Se uma indústria não vê possibilidade de alguém consumir o produto que ela vai fabricar, ela não vem pro país. Então, nós temos duas coisas. Nós temos um mercado interno brasileiro que é forte, importante e nós temos a capacidade de produzir para exportar para toda a América Latina. O que o Brasil precisa trabalhar é
▶ 00:08:14 construir parceria com a América Latina. Isso aqui é um mercado importante para Biadil e eu acho que é o que eles querem na verdade. Ou seja, você pode produzir carro aqui, pode produzir carro em outro país. Você pode produzir uma parte aqui, pode produzir em outro país. O que é importante é que ela está revolucionando o comportamento da indústria automobilística brasileira. E viva Camaçari, viva a Bahia, sabe? E vive o nosso governador Jerônimo que é um felizado com isso. Bom, e a lei a lei a lei da da da finalmente saiu a ponte de
▶ 00:08:47 Taparica. Essa ponte foi um parto difícil. O o Ricota sabe o quanto ele sofreu. Quantas vezes eu falei com o Ciping, quantas vezes eu falei: "Ô, ô, meu amigo, e a nossa ponte? E a nossa ponte? A nossa ponte tá acertada, a ponte vai ser construída. O estudo da fundação da 105 estaca já tá pronto. Essa vai começar o investimento de R$ 11 bilhões de reais e vai ser uma outra revolução para o desenvolvimento da Bahia. Mas eu queria aproveitar essa essas perguntas sua,
▶ 00:09:18 Ricardo, e fazer uma coisa que ninguém pergunta. Eu preciso falar, se você permitir, aqui a entrevista é minha, mas eu eu eu vou falar uma coisa para você. É só para dizer pro povo baiano o momento que tá vivendo o Brasil. Eu sei que a gente ainda não fez tudo e tem muita coisa para fazer e sempre haverá muita coisa para fazer no Brasil. Mas vamos pegar o 2 de julho de hoje, como é que tá a situação do Brasil? Nós temos a menor taxa de desemprego da história do Brasil. Nós temos o maior estoque de emprego formal. É o maior da história.
▶ 00:09:51 48 milhões de trabalhadores. Nós temos o rendimento real do trabalhador que chegou ao maior valor da féria histórica desde 2012. Nós temos a massa salarial que alcançou o maior patamar histórico desde 2014. Nós temos um í de gênio que de rendimento domiciliar per capta que é o menor da história. Nós temos o í da extrema pobreza, caiu para o menor nível da história. Nós temos a exportação da indulta que foi o maior da história. Nós temos o número de turistas estrangeiros que vai chegar a 10 milhões este ano e
▶ 00:10:22 já bateu o recorde de 7 milhões em 2024. Nós temos o plano SASF que é o maior da história. O maior. Ontem nós assumí ontem anunciamos o do agronegócio e ontem de ontem anunciamos o pequeno negócio. Os dois juntos são 605 bilhões de reais nos 3 anos do nosso governo. R 1 trhão700 bilhões deais. No governo passado, nos 3 anos foram apenas R 800 bilhões deais. Mas ainda nós temos o Enem é recorde da outra vez na
▶ 00:10:53 história do Brasil de alunos escrito Enem e nós temos pela primeira vez mais de 20% da população de 25 anos que tem ensino superior. Tudo isso, cara é motivo de orgulho para um presidente da República que não tem diploma universitário e que é o presidente que mais fez universidade na história do Brasil. Presidente, eu queria aproveitar, já já a gente fala sobre as universidades também, mas eu queria no tocante a questão do IOF agora avançar conversando com o senhor, né? Um dos assuntos mais comentados hoje do Brasil, né? Eh, a questão do imposto sobre as
▶ 00:11:24 operações financeiras. A AGU já disse ontem, inclusive, que vai recorrer, né, a contra a derrubada do aumento anunciada. Exatamente. Já recorreu hoje, inclusive, né? Bom, essa é derrubada parti do Congresso e é preciso lembrar que a votação na Câmara foi expressiva. Tem uns dados aqui, foram 383 votos contra 98. O texto foi confirmado pelo Senado. E minha pergunta é, presidente, não há uma outra saída que não seja a judicialização, né? Até porque isso causade maior? Deixa, deixa
▶ 00:11:54 te dizer uma coisa, Ricardo, porque muitas vezes as pessoas fazem uma tormenta desnecessária. Veja, o presidente da República tem que governar o país e decreto é uma coisa, sabe, do presidente da República. Você pode ter um decreto legislativo quando você tem alguma coisa que fira muito a Constituição, o que não é o caso. O governo brasileiro tem o direito de propor o F, sim. E nós não estamos
▶ 00:12:24 propondo um aumento de imposto, não. Nós estamos fazendo um ajuste tributário nesse país para que os mais ricos parem um pouco, para que a gente não precise cortar dinheiro da educação ou da saúde. É isso que nós estamos fazendo. Ou seja, houve uma pressão das bets, houve uma pressão das fintex, eu não sei se houve pressão do sistema financeiro. O dado concreto é que os interesses de poucos prevaleceram dentro da Câmara e do Senado. Porque eu acho absurdo. E veja, eu sou um cara agradecido ao Congresso.
▶ 00:12:56 Eu não sou um cara que tenho rivalidade com o Congresso. O Congresso aprovou muitas coisas que a gente queria. No mesmo dia que ele sabe aprovou o decreto legislativo derrubando o que nós apresentamos, ele aprovou uma série de coisas. Eu sou agradecido. Mas se eu não entrar com recurso no poder judiciário, se eu não for Suprema Corte, ou seja, eu não governo mais o país, cara. Esse é o problema. Cada macaco no seu galho, ele legisla e ao governo. Sabe, eu mando um projeto de lei, eles
▶ 00:13:26 podem vetar, eles podem aprovar ou não. Se eu vetar, eles podem derrubar meu veto e se eu não gostar, eu vou no poder judiciário. Ora, qual é o erro nisso? O erro, na minha, na minha opinião, foi, sabe, o descumprimento de um acordo que tinha sido feito no domingo à meia-noite na casa do presidente Hugo Mota. Lá estavam vários ministros, lá estavam vários deputados, lá estava o companheiro Fernando Hadade com a sua equipe. Festejaram o acordo, festejar o acordo. Um domingo eu estava início no
▶ 00:13:57 Congresso dos Oceanos na França. Eu liguei para Gate Hoff e perguntei como é que foi a reunião. Ela tava maravilhada com a reunião. Nunca vi tanto abraço, tanto carinho, tanta concordância. Quando chega na terça-feira, o presidente da Câmara tomou uma decisão que eu considerei absurda. Agora isso você pode perguntar, tem um rompimento com o Congresso? Não. O presidente da República não rompe com o Congresso. O presidente da República reconhece o papel que o Congresso tem. Ele tem os seus direitos e eu tenho os meus direitos. Nem eu me meto no direito deles, nem eles se metem no meu direito.
▶ 00:14:28 E quando os dois não se entenderem, a justiça resolve. Agora, presidente, do ponto de vista técnico, ou seja, do ponto de vista do impacto do IOF, né, o entendimento é de que o aumento no imposto ele impactará tanto os mais ricos quanto os mais pobres, até porque ele tem sdes sobre operações gerais, o financiamento, o cito, inflação, ou seja, justo é que você pode falar, como é que você pode falar em corte de gasto, de despesa, sabe, tentando mexer na educação. Você sabe qual foi a proposta
▶ 00:14:59 que eu fiz? é que a gente poderia cortar 10% linear de todos os benefícios fiscais que nós damos no Brasil. Você sabe quanto que tem de invenção e desoneração nesse país? Sabe quanto que se deixa de pagar imposto nesse país? R60 bilhões deais. Ora, se você tirar 10% linear, o cara que tem tem ficar com 90. Ele vai continuar rico, vai continuar benefício e você não precisaria cortar dinheiro da educação ou da saúde. Ou seja, eles
▶ 00:15:29 querem que eu corte benefício, eles querem que eu não dê aumento de salário mínimo, eles querem que eu corte o quê? Nós temos que cortar em quem tem gordura. Nós temos que fazer uma bariátrica em quem tem muita gordura. Ou seja, tirar um pouco para que a gente possa atender as pessoas mais necessitadas. Foi isso que nós fizemos. Agora teve festa de São João, todo mundo foi pra festa de São João. Depois teve a festa lá de Goiás, do de de Parentins, todo mundo foi. Eu vou para Argentina agora fazer o o
▶ 00:15:59 receber a presidência do Mercos Sul. Eh, depois eu vou participar dos bicos no Rio de Janeiro. Quando eu voltar, eu tranquilamente vou conversar com o Hugo, vou conversar com o o o Davi O Columbre e vamos votar à normalidade política desse país. Senhor, pensa, presidente, o se o governo pensa de repente rever a questão dos benefícios fiscais no Brasil? Veja, o problema do Brasil é o seguinte. Eu quando fui presidente em 2010 eu fiz R 47 bilhões de reais de de de
▶ 00:16:30 desoneração. E quando eu fazia a desoneração, você tinha contrapartida, você dava desoneração, o empresário tinha que assumir um compromisso. Ou ele dava estabilidade para os trabalhadores, ou ele contratava mais trabalhadores para justificar. Porque desoneração, a desoneração significa que ele vai deixar de pagar um aposto, vai ganhar mais dinheiro. E vai para qu esse dinheiro? Só para ele não tem que ter um benefício. Desta vez o que acontece é que quando você dá um benefício por 5 anos, quando vai terminando, o cara quer mais cinco. Quando vai terminando o cara
▶ 00:17:01 quer mais cinco. E quando vai terminando, ou seja, uma coisa que é temporário fica definitivo. E não é possível esse país continuar assim. Não é possível. Nós precisamos trabalhar para levar o país a ser um país de padrão, de classe média. Nós não podemos ser um país que um dia o povo tá bem, no outro dia o povo tá mal. Um dia o povo tá bem, no outro dia o povo tá mal. Veja, nós tínhamos acabado com a fome nesse país em 2014. Quando eu voltei em 2023 tinha 33 milhões de pessoas passando fome. Tem justificativa isso?
▶ 00:17:33 Então, meu caro, o que nós estamos fazendo? E eu vou dizer uma coisa para você, Ricardo, você é um estudio, você é e é historiador, além de ter jornalista. Eu queria dizer para você, o Brasil nunca viveu o momento histórico de inclusão social que tá vivendo hoje. Nunca viveu o momento de inclusão social que tá vivendo hoje. Eu digo sempre, teve dois momentos históricos de inclusão social. Teve o Getúlio Vargas, que era ditador na época e fez a consolidação da lei do trabalho, que
▶ 00:18:04 tirou o trabalhador da semiravidão e deu jornada de trabalho para ele. E o salário mínimo que foi feito pelo Getúlio Vargas. Tá, que naquele tempo não tinha salário para ninguém, era o pagava o que queria pagar. E no nosso governo, cara, no nosso governo, nós conseguimos tirar 54 milhões da miséria e colocar a comida na mesa das pessoas. Você, Ricardo, um dia vai conhecer o que que é a transposição do São Francisco.
▶ 00:18:36 Você vai conhecer que é a maior obra hídrica do mundo, se não é a primeira e a segunda, para levar água para mais de 13 bilhões de pessoas que Dom Pedro tentou fazer em 1846 e não deixaram e que depois de 150 anos nós tomamos coragem e fizemos. E tem água. Você vai conhecer o que é o maior projeto hídrico do Brasil. levando água para quem dia de manhã, sabe? Seu filho queria um copo d'água para beber e não tinha. Eu com 7 anos de idade,
▶ 00:19:07 Ricardo, eu ia num açudo e pegar água para beber, pegar pote de água. Eu sei o que que é separar fese de vaca, xixi de cabrito, tudo para você poder pegar um copo d'água e tomar. Então nós estamos levando defensa ao povo brasileiro. Isso custa, custa. É como universidade. Ô, ô, Ricardo, é tão absurdo o negócio da universidade no Brasil que eu não consigo compreender porque tem que ser um torneiro mecânico que não tem diploma universitário, que tem que fazer as coisas. Santo Domingo, que foi
▶ 00:19:37 descoberto pelo navio do Cristó Colombo em 1492, teve a sua primeira universidade em 1532. Ricardo 1532. Ricardo, sabe quanto foi a primeira universidade brasileira em 1920? Presidente, deixa eu aproveitar já que o senhor traz essa questão da universidade para trazer uma pergunta aqui que é o seguinte: 80% das universidades brasileiras elas caíram num ranking global, né? Isso é um dado concreto. A UFBA, por exemplo, ficou com a pior posição dela desde o começo da medição.
▶ 00:20:09 O principal fator apontado por especialistas, estudiosos, é a questão da queda em pesquisa, que teria puxado, portanto, esse esse percentual. Há planos para aumentar isso, presidente, do ponto de vista da pesquisa? E por que essa redução, presidente? Nós vamos dizer, a queda da pesquisa é por conta de redução de investimento. E a gente não pode discutir isso sem lembrar que esse país em 2016 teve um golpe e depois teve a loucura do presidente Bolsonaro, que praticamente não só destruiu as
▶ 00:20:39 universidades, como não fez nada paraas universidades brasileiras, não fez nada para as bolsas, não fez nada pra cultura, não fez nada paraa igualdade racial, não fez nada pros indígenas. Ou seja, as pessoas não podem se queixar sem lembrar o que aconteceu, o vendaval que aconteceu nesse país. Nós estamos retomando e não vai faltar dinheiro para pesquisa, não vai faltar dinheiro para fazer novos laboratórios, não vai fazer dinheiro para os hospitais universitários. Aliás, é importante lembrar que domingo vai ter uma ação a
▶ 00:21:11 nível nacional de todos os hospitais universitário fazendo cirurgia, sabe, no povo brasileiro para tentar diminuir a quantidade da fila das pessoas que esperam. Todos os hospitais universitários do Brasil vão se dedicar o domingo para para fazer cirurgias no povo brasileiro. Certamente aqui na Bahia vai ter Hospital da UFBA. Eh, o senhor menciona a questão dos povos indígenas. Essa é a minha próxima questão, presidente. Os povos
▶ 00:21:41 originários, né, da Bahia. Eu tenho uns dados aqui, eu quero trazer pro senhor, para nós, né? Existem quatro territórios hoje na Bahia, né, que são antigos, demarcados pela FUNAI há bastante tempo, mas as homologações de fato, né, feitas pelo Ministério da Justiça, elas não saem. E a justificativa é a seguinte do ministério, é que essa demora tá relacionada com a lei 14.701, né, que ficou conhecida como a lei do marco temporal, ainda que essas terras indígenas da Bahia elas sejam anteriores à Constituição de 88. Foi bem, o senhor
▶ 00:22:11 chegou inclusive a vetar a lei, mas o Congresso derrubou o veto. Na semana passada, eu trago esse dado aqui paraa nossa conversa, o STF, que se colocou o contrário, inclusive ao marco temporal, ao julgar o caso de uma terra indígena em Santa Catarina, fez uma última reunião na mesa de conciliação e mais uma vez sem acordo. pergunta a seguinte, presidente, como é que o governo pretende lidar com isso, com essa queda, né, de braços, eh, daqui paraa frente e mais, como é que as forças de segurança federais podem ser, podem atuar para que se evite novos conflitos, sobretudo no sul da Bahia? Deixa eu dar um dado para
▶ 00:22:42 você primeiro, né? Um dado muito importante. Nós tomamos posse em 2003. De lá para cá, nós já tivemos recorde de legalização de território quilombolas, 21 títulos e 32 decretos de declaração. É o maior da história do Brasil. Na questão indígena, nós já legalizamos 13 terras indígenas que foram homologadas definitivamente e foram 11 portarias declaratórias. É o
▶ 00:23:13 maior feita num único período de governo nesse país. Ora, o que que acontece de fato de direito? Veja, eu acho que eu eu quando o Congresso Nacional se comportou, sabe, tentando derrubar a a a questão do da da do marco do marco temporal, eh, que eu vetei, a maioria das coisas que foram feitas, ficou que tava aprovado no Congresso Nacional. Hum. Ficou que tá, o que tá valendo é o que foi aprovado no
▶ 00:23:44 Congresso Nacional. O ministro Jumá assumiu para ele a tarefa de tentar fazer acordo nacional sobre a questão indígena. Já foi negociado uma terra lá na questão do Mato Grosso do Sul, aonde o governo federal comprou 10.000 ha de terra para garantir que os índos do Guarani Kawai usassem o pedaço daquela terra. E nós vamos entender, sabe, que tem uma tem uma tem uma comissão de negociação que envolve os indígenas, que envolve a Câmara, que envolve o Supremo
▶ 00:24:14 Tribunal Federal e que envolve o governo que está discutindo essa questão do marco temporal. É importante resolver para que a gente possa tomar violência. Aqui na Bahia você tem um conflito que todo dia eu falar dele. Todo santo dia alguém me pergunta do conflito dos indah e você tem um conflito pobre. É um confidente imprório que você tem uma turma de indígenas pobres que querem ficar na sua terra, que historicamente é dele. E você tem pessoas que moram lá há dezenas de anos, há 50 anos, que acha
▶ 00:24:44 que a terra é sua. Nós não queremos que haja um conflito. Então nós vamos ter que perder mais tempo numa mesa de negociação para que a gente se coloque de acordo. Nós temos vários conflitos no Brasil dessa natureza, cidades construídas em terras indígenas e que nós vamos ter que encontrar um acordo, porque eu não posso tirar a cidade ou expulsar a cidade. Eu não posso expulsar as pessoas todas encontrar uma solução pacífica para que a gente possa resolver esse problema. É um problema sério. Sim. É um problema sério, mas que tem
▶ 00:25:14 solução. Se a gente sabe dedicar um tempo muito, mas muito auspicioso, para que a gente consiga negociar com as duas partes. Eu não quero pobre brigando com pobre. Eu não quero indígena brigando com com trabalhador rural que tá lá para sobreviver também com a sua família. Eu quero que se coloque de acordo e cada um fique num canto que a gente possa resolver isso pacificamente. Terra tem. Terra tem. que for preciso comprar, a gente tem dinheiro para comprar terra. O que precisa é se colocar de acordo na
▶ 00:25:45 política do tudo ou nada, a gente fica sem nada. Com relação ao uso das forças federais de segurança para eh na verdade a força de segurança ela só entra no estado quanto o estado precisa. Quando o estado ped, sabe? A gente não faz nenhuma intervenção com a fonte de segurança. Se tiver um conflito que a polícia local não está dando conta, em alguns estados a política se coloca do lado de um, sabe, de um dos lados. E normalmente do lado do mais forte, então a força nacional entra e aí quando for chamado, quando for pedido pelo
▶ 00:26:16 governador, a Força Nacional estará à disposição para fazer essa intervenção. Muito bem, presidente. A gente tem a questão da criminalidade no Brasil. Essa é uma realidade, infelizmente, nacional. os números na nossa realidade baiana, eles impactam muito a questão da guerra entre as facções eh inocentes no meio do fogo cruzado. Essa é uma questão sensível ao Brasil. Quero ouvi-lo a respeito disso. O que é que o senhor pensa a respeito disso? E efetivamente o
▶ 00:26:48 que é que do ponto de vista do governo federal pode ser feito, está sendo feito para que a gente consiga mudar essa realidade tão terrível para o país como todo? Olha, deixa deixa l dizer uma coisa, Ricardo. Durante muito tempo se teve no Brasil uma discussão que eu acho que não chegou a nada, que é quem é que manda na polícia, quem é que cuida da segurança? Se você for olhar a Constituição, a segurança em si, ela é da responsabilidade do governador do estado que tem a Polícia Militar, que tem a polícia civil. O governo federal tem a polícia federal, sabe? E as forças
▶ 00:27:20 armadas que não entra nesse nessa história. E a política rodovária federal. O ministro Lewandowski mandou uma PEC para o Congresso Nacional, uma PEC para definir melhor a participação do governo federal no combate ao crime organizado e no combate à criminalidade como um todo. Eu vi uma discussão do ministro Rui Costa com o ministro Lewandowski e o ministro Lewandowski dizendo pro Rio Costa que tinha no fundo nacional de segurança pública R bilhões deais que é o que tem o rifado. Brincadeira,
▶ 00:27:51 ministro, porque só na Bahia eu gasto 8 bilhões. Então, 2 bilhões pro Brasil inteiro não vai dar. É verdade. Então, o que que nós queremos discutir? Nós queremos discutir na P o seguinte. Nós fizemos já três reuniões com o governador de estados. Alguns são contas, outros são favoráveis. O que nós queremos construir é uma parceria civilizada entre o governo estadual e o governo federal para qual é o papel de cada um, aonde é que o governo federal entra. só para dar dinheiro ou ele tem uma
▶ 00:28:22 participação nas decisões políticas do combate à segurança. Nós vamos assumir responsabilidade mais pelo crime organizado pelas nossas fronteiras. Nós estamos estruturando a Polícia Federal, já montamos uma base da Polícia Federal em Manaus pra gente poder tomar conta, sabe, da Amazonas para enfrentar o garimpe legal, para enfrentar os madeireiros ilegais para vender o contrabando na na nossa fronteira. Mas é preciso muito mais. Então essa PEC, ela vai permitir que na discussão no Congresso Nacional a gente possa definir
▶ 00:28:52 claramente o seguinte: como é que o governo federal vai participar ativamente do combate ao crime organizado, do combate à crimin criminalidade e à violência no Brasil, porque ela cresce a cada dia que passa. Ela cresce a cada dia e cada dia mais também o povo vai perdendo confiança na polícia. Veja, a polícia deve ser uma espécie de um guardiã da sociedade. A sociedade quando vem um policial, ela tem que ver uma pessoa que vai lhe ajudar a fazer alguma coisa. Mas em alguns momentos no
▶ 00:29:23 Brasil o policial é visto como adversário da pessoa que tá precisando da polícia. Então o que nós precisamos é cuidar de encontrar uma fórmula que não tem mágica, é uma fórmula civilizatória, é entendimento entre o governo do estado e o governo federal para saber onde é que cada um participa. Eu acho que o crime organizado hoje é muito grave, Ricardo, porque o crime organizado é uma induta multinacional. Ele tem braço no poder judiciário, no poder político, no futebol, sabe? Tem braço em tudo quanto é lugar. Tava o
▶ 00:29:54 crime organizado, tá em tudo quanto é lugar. tem tudo quant é lugar, tem um braço internacional. Então, enfrentar o crime organizado é preciso que a gente seja mais profissional, investir muita inteligência para que a gente possa combater esse mal que é uma chaga no mundo inteiro e no Brasil ela cresce porque em alguns estados, muitas partes da polícia é convivente com isso. Presidente, eh estamos aqui caminhando por fim da nossa entrevista. Pois é, também precis tava no começo,
▶ 00:30:24 mas eu quero eh ainda ouvi-lo para finalizar eh quais são os projetos e oportunidades que o senhor pensa ainda no seu mandato para o estado da Bahia? Olha, deixa falar, nós temos um parque na Bahia que é um pack poderoso na Bahia, viu, Ricardo? O PAC na Bahia me parece que são 107 bilhões de reais, nos quais 32 bilhões já foram executados. Ou seja, tem muita coisa na Bahia. Tem muita coisa na Bahia. Tem coisa de de de adutora, tem coisa de
▶ 00:30:56 de de irrigação, tem a minha casa, minha vida, tem coisa na área da saúde, porque veja, nós agora criamos um programa, sabe, que é o seguinte, chamado agora ter especialista. Qual é o problema do Ricardo? O Ricardo sai do trabalho dele na Rede Globo e vai para casa e tem um malestar. Aí ele vai numa UPA, primeira que ele encontrar. Aí o médico atendo, o Ricardo e fala: "Olha, você tá precisando de um cardiologista". Aí o o Ricardo vai marcar o
▶ 00:31:27 cardiologista, demora 10 meses, 11 meses. Aí quando ele vai no cardiologista, o cardiologista pede uma ressonância magnética mais 10 meses. Ninguém espera 20 meses para se tratar. Agora vai ter, nós estamos trabalhando agora, sabe, num conjunto, inclusive com os hospitais particulares, para que a gente consiga fazer com que em menos de 30 dias a pessoa possa fazer os exames que tem que fazer. Se eu for no médico e ele pede o especialista, tem que ser imediato pro especialista. Se ele pede uma uma radiografia, tem que ser rápido.
▶ 00:31:59 A gente não pode. Esse é um programa novo que nós achamos que até o final de agosto ele vai estar concluído. E o que nós queremos, antigamente a pessoa morria com a receita em cima do criado porque ele não podia comprar remédio. A gente começou a dar 41 remédio de graça no farmácia popular. 41 remédio de graça para que ninguém morra por falta do remédio. Agora tem o especialista. Então nós vamos dar o especialista também, sabe? e dá e dá e dá a máquina para ele fazer a radiografia, a ronta magnética, fazer o que ele tiver. Tomografia saito.
▶ 00:32:31 E é isso que nós estamos fazendo agora. Ô Ricardo, esse país estava tão destroçado que quando nós chegamos na previdência tinha 12.000 médicos nacional. Hoje nós estamos com 28.000 médicos, cara. Ou seja, é o elementar que o povo precisa. É o elementar. Então, meu querido, é o seguinte. Eu estou convencido, Ricardo, estou convencido que a Bahia, não só a Bahia tem muita coisa, porque o Rui Costa é o chefe da Casa Civil, é ele que define prioridade, então fico só de olho. Ele
▶ 00:33:02 não tá puxando as coisas pra Bahia, coisa pra Bahia. Ficaríamos aqui conversando mais. O jornal tá chegando ao fim. Eu quero agradecê-lo mais uma vez nessa agenda apertada por nos receber aqui, enfim, no hotel. Vai agora, tem uma agenda lá no 2 de julho, em seguida viaja paraa Argentina, mais o fim da tarde. Eu vou, eu vou paraa Argentina amanhã e receber a presidência do Mercosul e lhe dizer uma novidade. Eu assinarei o acordo Mercul União Europeia nesse meu mandato de presidência do Mercúul. vai ser o
▶ 00:33:33 maior acordo comercial da história. São 722 milhões de habitantes nos dois blocos e um PIB de 27 trilhões de dólares. Ou seja, não vai faltar oportunidade pra gente fazer negócio no mundo. Muito obrigado, presidente. Obrigado a você, Ricardo. Obrigado. Camila Oliveira, segue daí. Muito obrigada, Ricardo Ismael, pela entrevista. O nosso presidente Luiz Inácio Lola da Silva. A gente também agradece daqui e a você pela companhia nesse dia simbólico e tão importante,
▶ 00:34:03 fundamental paraa nossa história.