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LULA PARTICIPA DO ENCONTRO DE ALTO NÍVEL DA AMÉRICA LATINA NO PARLAMENTO EUROPEU EM BRUXELAS

Lula · 15/11/2021 · 110 min · Lula
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▶ 00:00:00 é a vida ao povo brasileiro. [Aplausos] Vivemos num mundo em que nenhum país pode se permitir de viver isolado. E é por essa razão que nós queremos continuar a trabalhar junto com o Brasil para um futuro melhor. A história ensinou-nos que quando a União Europeia e a América Latina trabalham de mãos dadas, tem uma grande

▶ 00:00:31 influência, influência decisiva no mundo. Juntos trabalhamos em pró da paz na Colômbia, ajudando o povo colombiano e o presidente Santos em todo o seu compromisso para poder acabar eh com aqueles episódios sangrentos da sua história. Juntos trabalhamos para lutar contra a ébola na África e juntos estamos combatendo a pandemia, o que nos permitiu até agora poder fornecer 40 milhões de vacinas à América Latina e ao Caribe por meio do COVAX. E também com o

▶ 00:01:02 acordo de Paris sobre as alterações climáticas. Juntos estamos trabalhando para poder alcançar o os objetivos de desenvolvimento sustentado das Ações Unidas. Apenas alguns dias voltamos a demonstrar a nossa força de negociação com o imposto mínimo global de 15% para as multinacionais que foi retificado pelo G20 Roma e o acordo para reduzir as emissões de metano na COP 26 de Glasgo. Os progressistas dos dois lados do Atlântico queremos uma cooperação

▶ 00:01:32 internacional e a solidariedade. A nossa cooperação melhora a vida dos nossos povos. A União Europeia é o principal motor na América Latina e no Caribe e com grande ajuda ao desenvolvimento e ajuda humanitária. Nós acreditamos no poder da mediação e para poder solucionar todos os tipos de conflito. Caro amigo sapateiro, teu fiel compromisso com o diálogo, a negociação

▶ 00:02:03 e a busca de consenso em circunstâncias extremamente difíceis merece todo o nosso reconhecimento. Como progressistas, consideramos que a única alternativa ao desordem atual vigente no mundo é uma ordem mundial mais cooperativa, mais justa, mais solidária, que se baseia no multilateralismo e no sistema das Nações Unidas. Temos a certeza que o desenvolvimento sustentável e incluente é o grande desafio do ano, desses nossos século que temos à frente

▶ 00:02:35 e tem efeitos diretos da nossa segurança. Presidente Lula, há 18 anos o seu programa Bolsa Família nasceu para revolucionar a vida de milhões de pessoas necessitadas daquilo que é o mais básico. Mas 30 milhões de brasileiras e brasileiros eh foram retirados da pobreza. extrema, melhorou a desigualdade, aumentou a educação, melhorou a saúde e criou empregos.

▶ 00:03:05 Maravilha este investimento e assim como os progressistas sociais democratas, é assim que nós mudamos a vida das pessoas e fazemos história e sabemos que logo você voltará a fazer os equilíbrios da globalização. Não tem como solução estar isolados. A única resposta que pode merecer nossa atenção é melhorar as regras mundiais. Essas regras devem proteger as pessoas das injustiças.

▶ 00:03:35 aumente os seus direitos. As mulheres latino-americanas e europeias deverão, continuaremos a levantar as vozes nas ruas e instituições públicas até que haja total igualdade de gênero, que não haja mais violência, que não haja mais feminicídio e que participem na vida produtiva e que os direitos dos LGBTI também sejam uma realidade.

▶ 00:04:05 Presidente Sapateiro, você iniciou o caminho e o seu legado em prol dos direitos civis sempre será um farol que inspirará a todos nós. Os progressistas também trabalham contra a corrupção e de boas relações econômicas baseadas na ética e que sejam justas. O comércio internacional também mais justo, com mais direito para os trabalhadores e mais proteção para o meio ambiente. Chegou a hora a de passar

▶ 00:04:35 das palavras aos feitos e esses últimos tratados de última geração, os acordos de associação com México Chile e o acordo com Mércoo Sul. As lacunas estão sendo preenchidas. Não podemos querer ser um ator global sem a presença da América Latina e do Caribe. Vamos aproveitar o fim da pandemia, o novo ciclo político para revitalizar as nossas relações. Já passou tempo demais. 2015 foi realizada a última reunião de

▶ 00:05:06 cúpula, União Europeia, América Latina no seu mais alto nível. Nós queremos influir agora na configuração do equilíbrio do poder entre os principais atores globais. Chegou a hora eh de lançar novamente os nossos encontros do mais alto nível institucional. Nós, povos da Europa, acreditamos na integração e na cooperação regional. Somos a região onde nasceram as guerras mais devastadoras da história da humanidade. Há 70 anos atrás, nós tomamos a decisão de pôr um ponto final

▶ 00:05:36 nas guerras e dedicarm-nos a construir uma Europa unida. É por essa razão que é natural que nós queiramos cooperar com outras regiões, nesse caso América Latina. É natural que demos o nosso apoio no seu próprio caminho para a integração regional, sem nenhuma pretensão, claro, eh que a integração da América Latina seja igual à nossa, pois cada continente, cada país pode e deve encontrar o seu próprio caminho, caminho rumo à paz, rumo ao crescimento e a

▶ 00:06:07 integração. E nesse caminho não podemos esquecer das instâncias locais que são realmente atores fundamentais porque os nossos povos, cidades, regiões são chave para estreitar os nossos laços e melhorar a vida dos nossos cidadãos. Por isso, nós também estamos orgulhosos do fato de termos hoje o testemunho de uma grande referência que está na chefia de uma das grandes cidades europeias, que é a prefeita Cláudia Shemb da cidade do México. Não podemos esquecer das

▶ 00:06:38 lideranças progressistas dos dois lados do Atlântico. Tem cada vez mais um rosto feminino. Durante muitos anos estivemos em desvantagem, mas somos a metade da população e queremos também a metade do poder, porque não há socialismo sem feminismo. Tenhamos sempre presente, sempre tenhamos sempre presente que o laço entre América Latina e a União Europeia é profundo, não é superficial,

▶ 00:07:12 é atemporal, não é conjuntural. E é cada vez mais humano entre povos e sociedades ou 6 milhões de sociedades de duas duas regiões que vivem das duas marchas do Atlântico são a expressão viva do muito que une os nossos povos. Por isso, nada do que acontece na América Latina é alheio à União Europeia e nada do que vai ocorrer na União Europeia é alheio a América Latina, o que nos une e resiste à distância e resiste ao tempo. Gabriel Garcia Marcos

▶ 00:07:44 recordava que não é verdade que as pessoas deixem de seguir os seus sonhos porque envelhece, ao contrário, envelhece porque deixa de seguir os seus sonhos. As palavras do Gabo deixa-nos entender porque a democracia continua viva, mais viva do que nunca. E porque devemos continuar trabalhar juntos para convertir os sonos em sociedades mais justas. Muito obrigada. [Aplausos]

▶ 00:08:22 E agora tenho o prazer de passar a palavra ao presidente Inácio Lula da Silva. Tenha bondade. [Aplausos]

▶ 00:09:10 Eu vou começar quebrando o protocolo aqui e falando o nome de um companheiro que me dá muita alegria de ver sua presença aqui, o nosso querido companheiro Rafael Correia, ex-presidente do Equador. [Aplausos]

▶ 00:09:48 Bom te ver, Rafael. Quero cumprimentar a companheira Irate Garcia, presidente do grupo de socialistas e democráticos do Parlamento Europeu. Cumprimentar o querido companheiro José Luiz Sapateiro, ex-preiro ministro da Espanha. Cumprimentar a companheira Cláudia Pardo, prefeita da cidade do México, que me parece que vai falar aqui num numa

▶ 00:10:19 gravação. Companheiro Pedro Marqu, vice-presidente do grupo SD. Companheira Maria Manuel Leitão Marques, coordenadora da Assembleia Eurolat, com Pedro Chave Lopes, copresente da Assembleia Lat, companheiro Pedro da Silva Pereira, vice-presidente do Parlamento Europeu e Andreia Sheider, copresente do Fórumo Progressista Mundial. Quero cumprimentar alguns companheiros

▶ 00:10:49 brasileiros que vieram na minha delegação. O companheiro Aloísio Mercadante, que é ex-senador, ex-ministro, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, ex-ministro da educação, ex-ministro chefe da Casa Civil, ex-líder do governo, ex-deputado federal, ex-economista da Unicamp, ex-assessor do movimento sindical e um grande companheiro hoje presidente da Fundação Perceu Abramo. Quero cumprimentar o companheiro Celso Amurim,

▶ 00:11:19 embaixador que foi ministro no tempo em que o Itamar Franco era presidente da República e foi 8 anos meu chancelé e depois foi ministro da defesa da Dilma. Quero cumprimentar o querido companheiro senador Humberto Costa, companheiro do meu partido, senador da República pelo estado de Pernambuco. Quero companhar o companheiro, cumprimentar o companheiro Arlindo Chinagria, que é o companheiro deputado federal, médico pelo Partido dos

▶ 00:11:51 Trabalhadores, meus queridos companheiros e queridas companheiras, as minhas primeiras palavras são de agradecimento. agradecimento e recon reconhecimento da solidariedade extraordinária que vocês tiveram enquanto campo progressista aqui nesse parlamento, na luta contra o golpe que foi dado na

▶ 00:12:22 presidenta Dilma Russef, com impeachment que não tinha nenhuma motivação e depois com a minha prisão, os processos contra o PT, os processos contra mim e outros companheiros. E no final a minha proibição de ser candidato a presidente da República em 2018 e possivelmente sabe a o impedimento do nosso partido de votar a governar o Brasil.

▶ 00:12:55 É, é importante apenas um reconhecimento que há uma razão pela qual uma parte da elite brasileira, sobretudo a elite política, a elite econômica, tem um problema sério com relação ao PT. É porque o PT, com apenas 9 anos de existência, o PT na sua primeira disputa à presidência da República, o PT foi o segundo colocado em 89.

▶ 00:13:25 Em 94, o PT outra vez foi o segundo colocado. Em 98, outra vez o PT foi o segundo colocado. Em 2002 o PT foi o primeiro colocado. Em 2006, o PT foi o primeiro colocado. Em 2010, o PT outra vez foi o primeiro colocado. Em 2014, o PT outra vez foi o primeiro colocado. Em 2018, o PT seria outra vez o primeiro colocado. Lamentavelmente eu fui proibido de

▶ 00:13:55 concorrer e o companheiro Fernando Hadade foi outra vez o segundo colocado e nós estamos trabalhando fortemente, Rafael, para que em 2022 sejamos outra vez o primeiro colocado e possamos recuperar a democracia no nosso país. E e os meus agradecimentos não não não tem não tem como ah eu agradecer o que vocês fizeram por nós, pela democracia,

▶ 00:14:26 pela luta do PT e das forças progressistas no Brasil. Meus parabéns a vocês e eu espero que nunca seja necessário retribuir solidariedade a vocês, porque eu espero que vocês nunca sejam vítima das atrocidades que eu fui no Brasil, que Rafael foi no Equador, que Lugo foi no Paraguai, que Evo foi na Bolívia e que outros companheiros que são perseguidos no nosso continente. Quero dizer para vocês que tenho a honra

▶ 00:14:58 de ter feito política no meu país no mais importante da esquerda e dos setores progressistas em toda a história da América Latina. No nosso tempo de governo, eu tive o privilégio de ser presidente do Brasil com Lagos e depois Michele Bachelê na presidência do Chile, com Kishner, depois Cristina na presidência da Argentina, com Tabaré e depois Pepo

▶ 00:15:28 Murrica, na presidência do Uruguai, com Conferiro Lugo na presidência do Paraguai, com Rafael na presidência do Equador, com mesmos companheiros de direita. Em alguns países, como a Colômbia, por exemplo, participavam ativamente das políticas da UNACU. Tive o prazer de junto com os companheiros criar a UNASul, criar a CELAC, expulsar a alca da América do Sul e e

▶ 00:15:58 criar e fortalecer o Mercosul. E tive o prazer de viver, possivelmente, o mais importante momento de ascensão social do povo pobre. da América do Sul e da América Latina. Essa é uma um um uma conquista que nós deveremos agradecer a todos os presidentes que governaram junto conosco. O Rafael sabe porque que ele foi afastado da política do Equador. O Rafael sabe porque que ele era

▶ 00:16:29 perseguido. que no mundo latino-americano, em toda a história da América Latina, todos os presidentes ou os governantes que resolveram ousar e dar ao pobre o direito de trabalhar, o direito de comer, o direito de estudar, o direito de ser respeitado, ou foram assassinados ou foram perseguidos politicamente. Qual é a razão para a perseguição ao companheiro Evo Morales?

▶ 00:16:59 Ah, o Evo não poderia concorrer um quarto mandato. Olha, é muito engraçado porque no regime presidencialista só o Rusivo concorreu a quatro mandatos, né? Mas no restante do mundo, todo mundo que pensa num terceiro mandato já é considerado ditador. E no parlamentarismo as pessoas governam 16 anos. Ângela América acaba de completar 16 anos no governo. Margarete Tamilton C. Toda essa gente fica dezenas e dezenas

▶ 00:17:30 de anos e não é ditadura, não é autoritarismo. Somente quando um de nós tenta concorrer a um terceiro mandato. Eu tô muito à vontade para falar porque na época eu tinha 87% de bom e ótimo nas encuestas e queriam aprovar um terceiro mandato para mim. E eu não aceitei. Eu disse ao bons som de que o Brasil tinha que ter alternância de poder e tinha que eleger outros companheiros.

▶ 00:18:02 Logicamente que eu nunca imaginei que o Brasil fosse eleger uma pessoa como Bolsonaro para presidir o Brasil. nunca me passou pela cabeça. De qualquer forma, se nós temos alguma responsabilidade enquanto esquerda, enquanto progressista, de alguns setores a direito governar o nosso país, nós temos agora o compromisso de tirá-los e devolver a democracia e o bem-estar social para o nosso povo.

▶ 00:18:34 Queria agradecer o convite do Parlamento Europeu. Sinceramente, eu não sei se estou habituado porque faz muito tempo que eu não participo de atividade como essa, companheiro sapateiro. Estou aqui fazendo um aprendizado porque durante 580 dias na cadeia eu não pude nem dar entrevista. E depois que eu saí da cadeia, eu fui visitar o Papa, fui visitar, fui a Berlim, fui a França e

▶ 00:19:07 depois eu entrei, depois eu entrei no lockdown, depois eu fiquei em casa durante quase 2 anos por conta da pandemia e agora que eu estou conseguindo fazer meu primeiro pronunciamento sem máscara. Isso é muito importante porque a máscara me aprisiona. Eu estou com muita vontade, mas muita vontade, Rafael, de viajar o Brasil

▶ 00:19:39 falando outra vez com o povo brasileiro sobre a importância do Brasil para o mundo e para a democracia. Queridos companheiros e companheiras, eu estou com um discurso escrito, espero que o tradutor, sabe, não se cansa. Eu vou tentar ler despaço aqui para que ele possa entender direito, a gente possa trabalhar em harmonia. Eu já vi em muito discurso o orador brigar com o tradutor.

▶ 00:20:10 Então eu prometo que não tem nenhuma confusão aqui, até porque eu não tô escutando a sua tradução. Os outros é que vão escutar. Queridos companheiros e companheiras, deputados e deputadas do Parlamento Europeu. Eu quero começar falando da América Latina, nem da União Europeia, nem de algum país, continente ou bloco econômico em particular, e fim do vasto mundo em que vivemos todos nós,

▶ 00:20:42 latino-americanos, europeus, africanos, asiáticos, seres humanos das mais diferentes origens. Vivemos em um planeta que tenta a todo momento nos alertar de que precisamos de novas atitudes e de um dos outros para sobrevivermos, que sozinho estamos vulneráveis às tragédias ambientais, sanitárias e econômicas, mas que juntos somos capazes

▶ 00:21:12 de construir um mundo melhor para todos nós. No entanto, ignoramos esses alertas, insistimos em não aprender com os erros do passado. O resultado da nossa falta de compreensão está à vista de todos. pandemia, desigualdade, fome, emergências, emergências climáticas que no futuro próximo poderão comprometer a

▶ 00:21:43 sobrevivência da espécie humana no planeta Terra. Apesar de tudo isso, quero retirar aqui minha crença inabalável na capacidade da humanidade. Não nasci otimista, aprendi a ver porque vi em vários momentos da minha vida o quanto um ser humano é capaz de realizar e o quanto um povo é capaz de construir quando existe

▶ 00:22:15 força de vontade e geração de oportunidades. Quem vive hoje no Brasil ou acompanha o noticiário sobre o país tem todos os motivos para estar pessimista. Mas onde quer que eu vá, faço questão de dizer que o Brasil tem jeito, apesar do projeto de destruição colocado em prática por um bando de extremistas de direita, sem a menor noção do que seja

▶ 00:22:48 cuidar de um país ou cuidar de um povo. O Brasil tem jeito, apesar de 19 milhões de brasileiros que passam fome, apesar dos 19 milhões de desempregados e desalentados que já desistiram de procurar um novo emprego, apesar dos ataques constantes contra a população negra e indígena, apesar do avanço da destruição do meio ambiente, inclusive na Amazônia.

▶ 00:23:18 E apesar de tudo da e apesar sobretudo das mortes de mais de 610.000 brasileiros, muitas delas evitáveis, caso houvesse por parte do atual governo, o interesse de combater com seriedade o coronavírus. Apesar de tudo, digo com total convicção, o Brasil tem jeito. Sei disso porque num passado muito recente, nós

▶ 00:23:49 fomos capazes de reconstruir e transformar o país e temos plena capacidade de reconstruí-lo outra vez. Da mesma forma que acredito que o Brasil tem jeito, acredito que o mundo tem jeito, apesar dos 750 milhões de pessoas que passam fome, apesar dos 5 milhões de mortes pelo Covid-19, apesar da desigualdade que não para de crescer, apesar dos conflitos éticos,

▶ 00:24:19 religiosos e geopolíticos que não raros alimentam guerras. Como disse no início desta fala, meu otimismo não nasce do acaso, mas da experiência. Acredito que a humanidade tem jeito, porque estou aqui hoje neste Parlamento Europeu, reunido com representantes de países que em meados do século XX eram inimigos ferozes no campo de batalha

▶ 00:24:49 numa das maiores carnicinas da história da humanidade. 60 milhões de pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial. E é bem provável que os antepassados de vocês tenham lutados em lados opostos, que tenham matado e morrido e sofrido na pele as atrocidades da guerra. Vocês e seus países teriam, portanto, razões para se odiarem uns aos outros. No entanto, são protagonistas de uma das

▶ 00:25:22 mais extraordinárias experiências da história moderna, que foi a construção da União Europeia. Vocês estão hoje aqui, vocês estão hoje aqui neste Parlamento Europeu em clima de paz, buscando juntas soluções para a construção de uma Europa cada vez melhor. Conhecemos o imenso

▶ 00:25:52 poder de destruir que o ser humano tem em suas mãos e que ele tantas vezes não hesitou em usar. Mas não podemos jamais esquecer que a humanidade tem também uma extraordinária capacidade de construir e reconstruir. A União Europeia, o Parlamento Europeu e vocês, companheiros e companheiras, eurodeputados e deputadas, são, portanto, exemplos dessa virtude humana.

▶ 00:26:24 A União Europeia não é perfeita como nada é, mas é um patrimônio da humanidade como exemplo de cooperação e construção da paz entre os povos. Senhoras e senhores deputados e deputadas, somos 7 bilhões 600 milhões de seres humanos habitando esse planeta. Homens, mulheres, crianças e velhos, ricos e

▶ 00:26:54 pobres, pretos e brancos, gente de todas as cores. Cada um de nós carrega dentro de si o seu universo particular. Somos diferentes um dos outros, cada qual sua individualidade, mas unidos todos por uma certeza ancestral, o ser humano não nasceu para ser sozinho. O que me faz lembrar do pequeno trecho

▶ 00:27:24 de um das grandes obras primas da Bossa Nova, esse gênero musical brasileiro tão ouvido no mundo que conquistou muitos de vocês. Um verso que dizia o seguinte: "É impossível ser feliz sozinho". Isso é do nosso querido Antônio Carlos Jobim, um dos músicos mais extraordinários do nosso continente.

▶ 00:27:57 A verdade, a verdade é que não é possível sermos felizes, enquanto milhões de crianças ao redor do mundo vão dormir esta noite com fome e acordarão amanhã sem saber se terão que comer. Não é possível sermos felizes em meio à tamanha desigualdade que cresceu de forma inaceitável em plena pandemia. Os ricos ficaram muito mais ricos e os pobres ainda mais

▶ 00:28:27 pobres. A desigualdade entre ricos e pobres manifesta-se até mesmo nos esforços para a redução das mudanças climáticas. O 1% mais rico da população do planeta vai ultrapassar em 30 vezes o limite necessário para evitar que um aumento da temperatura global ultrapasse a meta de 1,5 C até 2030. O 1% mais rico que corresponde a uma

▶ 00:28:58 população menor que a Alemanha está a caminho de emitir 70 toneladas de gás carbônico per captas ao ano. Enquanto isso, os 50% mais pobres do mundo emitirão em média apenas uma tonelada per capita por ano. Segundo estudo produzido pela Oxfan ONG e apresentado a semana passada na COP 26. A luta, portanto, pela preservação do

▶ 00:29:29 meio ambiente para mim é indissociável da luta contra a pobreza e por um mundo menos desigual e mais justo. Queridas deputados e deputados, é preciso deixar é preciso deixar bem claro que o otimismo, a esperança e a fé não pode ser jamais sinônimo de resignação. Por conta disso, eu me considero um otimista indignado.

▶ 00:29:59 Em 2009, os países ricos se comprometeram em aumentar para 100 bilhões de dólares ao ano a partir de 2020, a conta partida para os países em desenvolvimento preservar a natureza e enfrentar as mudanças climáticas. Esse compromisso não foi cumprido e agora está sendo postegado para mais 2 anos, ou seja, a partir de 2023, a transferência de 100 bilhões ao ano para

▶ 00:30:29 enfrentar a emergência climática. Iniciativa louvável que merece ser celebrada. Mas não podemos esquecer que na crise de 2008 só os Estados Unidos destinaram 700 bilhões de dólares para salvar da falência bancos que de forma irresponsável investiram em títulos imobiliários podres. Na mesma época, o G20 destinou mais de 1 trhão1 bilhões de dólares aos

▶ 00:31:01 países emergentes e ao comércio mundial para combater os efeitos da crise. É preciso lembrar também que os Estados Unidos gastaram 8 trilhões de dólares nas guerras pós 11 de setembro. Contia suficiente para eliminar a fome no mundo e preparar o planeta para lidar melhor com as mudanças climáticas e que, no entanto, foi usada para custear a morte direta de mais de 900.000 pessoas em países como Iraque, Afeguiristão, Síria,

▶ 00:31:32 Iem Paquistão, sem contar as mortes provocadas pela perda de água, esgoto e infraestrutura relacionados às guerras. Ou seja, não faltam recursos para salvar bancos e para causar a morte ou deslocamento forçado de milhões de seres humanos. Mas na hora de salvar vidas humanas ou próprio planeta em que vivemos, a solidariedade dos países ricos às vezes é dezenas de vezes menor.

▶ 00:32:04 Senhoras e senhores, uma das maiores alegrias que tive quando o presidente do Brasil e mesmo depois de deixar a presidência foi percorrer o mundo a convite dos mais diferentes países para falar dos nossos extraordinários avanços econômicos e sociais. Tive a honra de ser presidente do Brasil quando o Brasil ocupou a sexta maior economia do mundo e de fazer do país um exemplo para o mundo de como é possível

▶ 00:32:34 superar a extrema pobreza e a fome, com total respeito à democracia, em um curto espaço de tempo. Vocês podem, portanto, vocês podem, portanto, imaginar o quanto dói participar de grandes eventos internacionais como este e ter que declarar o quanto o Brasil andou para

▶ 00:33:04 trás desde o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Roussef e a chegada da extrema direita ao poder. O Brasil vive hoje uma tragédia social, econômica, ambiental e sanitária sem precedentes. Temos apenas 2.7% da população mundial. No entanto, respondemos por 12% das mortes pelo COVID registradas no mundo. Choramos a morte de mais de 610.000

▶ 00:33:34 brasileiros. Não chegamos a essa tragédia estatística por alguma fatalidade e sim pela atitude criminosa do atual governo. O atual presidente do Brasil ironizou a gravidade da doença, zombou dos mortos, atrasou o quanto pôde a compra das vacinas, fez propaganda enganosa e destruiu medicamentos comprovadamente ineficazes contra o vírus.

▶ 00:34:05 deixou faltar o oxigênio em hospitais, incentivou e promoveu aglomerações, induziu a população a desconfiança contra a eficácia das máscaras, ajudou a espalhar fake news contra as vacinas, chegando a dizer que elas podem levar as pessoas com HIV a desenvolver o aides. experiências com medicamentos ineficáveis, usando seres humanos como cobaia

▶ 00:34:36 involuntárias, chegaram a ser realizada no Brasil, reditando rosor, horrores do nazismo. Além disso, cerca de 116 milhões de brasileiros, metade da nossa população, vive hoje em situação de insegurança alimentar e de moderada a muito grave. desses, cerca de 19 milhões, quase duas vezes a população da Bélgica chegou a passar um dia inteiro

▶ 00:35:06 sem ter o que comer. Isso está acontecendo no Brasil, que é o terceiro maior produtor de alimento do mundo. E está acontecendo porque o Brasil, que em 2014 saiu do mapa da fome da ONU, pela primeira vez na história, hoje copia o que o neoliberalismo trouxe de pior ao mundo. Alta concentração de renda, baixa geração de empregos, destruição de direitos trabalhistas, desmonte das

▶ 00:35:36 políticas sociais, ausência do Estado, abandono dos mais pobres à própria sorte. O resultado dessa tragédia, o resultado dessa tragédia equação não poderia ser outro: Miséria, fome e desesperança. Mas eu estou aqui para dizer outra vez a vocês e ao mundo: o Brasil tem jeito porque ele é muito maior do que qualquer pessoa que tente destruí-lo. O Brasil.

▶ 00:36:14 O Brasil é o país que num passado muito recente encantou o mundo com as suas políticas inovadoras, que retiraram da extrema pobreza 36 milhões de pessoas, o equivalente à soma das populações inteiras de Portugal, Suécia, Dinamarca e Irlanda. O Brasil é o país que assumiu voluntariamente diante do mundo o compromisso de reduzir em 75% o desmatamento na Amazônia como forma de

▶ 00:36:44 conter a emissão de gases poluentes. E cumprimos antecipadamente essa promessa entre 2004 e 2012. Nós de fato reduzimos 80% de desmatamento da Amazônia, contribuindo para minimizar o avanço das mudanças climáticas. Infelizmente, os países ricos, justamente os principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, não cumprir a sua parte. Talvez porque ainda tenha gente rica que

▶ 00:37:15 acredite que tenha como se proteger e as mudanças climáticas afetarão com maior intensidade apenas as pessoas pobres, o que é uma triste realidade. Mas o que eles esqueceram é que todos nós, ricos e pobres, precisamos do mesmo oxigênio para respirar. Precisamos de água limpa para sobreviver. Precisamos de um planeta saudável, onde os nossos filhos possam viver com saúde e paz.

▶ 00:37:47 Queridas companheiros e queridos companheiros, felizmente essa era de trevas que se abateu sobre o planeta por conta da ascensão de governo de extrema direita pelo mundo afora, emite claros sinais de que está chegando ao fim. Partidos e candidatos progressistas vem conquistando importantes vitórias. Isso está acontecendo em vários países e estou certo de que vai acontecer também no Brasil a partir da eleição

▶ 00:38:19 presidencial do próximo ano. O Brasil, o Brasil voltará a ser uma força positiva no mundo. Voltaremos a ser criadores de políticas públicas capazes de mudar para melhor o nosso planeta. Acreditamos no mundo multipolar. Voltaremos a ter uma política externa ativa e altiva. Vamos fortalecer o Mercosul. Vamos reconstruir a União das

▶ 00:38:51 Nações Sul-Americanas. Vamos reconstruir e ampliar as parcerias com a União Europeia. Vamos aperfeiçoar o externos do acordo Mercúul União Europeia. Não queremos uma América Latina voltada exclusivamente para o agronegócio e a mineração. Temos total capacidade de sermos países industrializados, tecnologicamente avançados. O acordo hoje se encontra paralisado por conta da desconfiança

▶ 00:39:21 de países europeus quanto ao cumprimento dos compromissos ambientais assumidos pelo governo brasileiro. Nós temos imensas extensões de terras agricultáveis, temos tecnologia, pesquisa agropecuárias avançadas. Nossa produção de alimento não precisa desmatar a Amazônia para exportar soja ou criar gado. As atividades criminosas do que destrói o meio ambiente devem ser punidas e não pode prejudicar toda a

▶ 00:39:52 economia brasileira. Temos uma biodiversidade, temos uma biodiversidade extraordinária e os nossos biomas haverão de se regenerar após a extinção do atual governo, que estimula o desmatamento e as queimadas, o avanço do garimpe em terra de proteção ambiental e os ataques aos povos indígenas. O povo brasileiro não quer mais que essa destruição

▶ 00:40:25 continue. Os brasileiros e as brasileiras querem a Amazônia viva e de pé. E para isso é necessário construir alternativas sociais e de desenvolvimento, consciência, tecnologia e o protagonismo e respeito aos povos que vivem nas florestas e seus saberes e sua cultura. Meus amigos e minhas amigas, acreditamos no mundo cada vez mais plural, unido em torno de valores como solidariedade,

▶ 00:40:55 cooperação, humanismo e justiça social. Acreditamos numa nova governança mundial, começando pela ampliação do Conselho de Segurança da ONU e vamos continuar lutando por ela. Acreditamos que somos capazes de construir no mundo uma economia justa, movida a energia limpa, sem a destruição do meio ambiente e livre da exploração desumana da força de trabalho. Acreditamos que outro

▶ 00:41:26 Brasil é possível. Outra Europa é possível, outro mundo é possível, porque num passado muito recente fomos capazes de construí-los. Nós podemos ser felizes juntos e eu tenho certeza que seremos. Por isso, a esquerda, os socialistas do mundo inteiro precisam se unir, discutir aonde em algum momento cometemos alguns erros.

▶ 00:41:59 Por que a extrema direita se fortaleceu tanto em alguns países e nós temos que ir pra rua para derrotá-los? Porque o mundo não suporta mais fascismo. O mundo não suporta mais nazismo. O mundo precisa de democracia. O mundo precisa de paz e não de guerra. O mundo precisa de livros e não de armas. O mundo precisa de amor e não de ódio. E esse mundo nós seremos capazes de construir. Um abraço e muito obrigado.

▶ 00:42:29 [Aplausos]

▶ 00:43:39 Muito obrigado à nossa presidente do grupo Irado Garcia Perez, ao presidente Lula da Silva. Foram palavras inspiradoras de ambos que nos trouxeram uma ideia forte que muito aproxima a Europa e a América do Sul, a América Latina. muito aproxima, certamente as famílias progressistas da Europa e da América Latina, podemos construir, de facto, um futuro melhor para os nossos povos, sabendo também as dificuldades grandes que enfrentamos também aqui na

▶ 00:44:10 Europa e não apenas na América Latina e não apenas no Brasil, presidente Lula, de facto, mas saberemos enfrentar essas dificuldades, estas famílias políticas certamente juntas. H, nesta fase tenho o maior prazer em apresentar-vos Cláudia Pardo, me da cidade do México, primeira mulher eleita meia da cidade do México, uma cidade de 20 milhões de habitantes, é sempre bom recordar, uma ambientalista empenhada que fez parte do grupo peridos das peritos das Nações Unidas que vieram a

▶ 00:44:42 ser e laureados com o Prémio Nobel da Paz em 2007, tem lutado politicamente contra um dos fenómenos mais perigosos das democracias. que já tanto falamos aqui hoje, os populismos. Peço-vos a vossa atenção para a intervenção de Cláudia Pardo. Intervenção essa gravada previamente a que vamos agora assistir. por favor. México está México está passando por uma época extraordinária que a me versa um exemplo

▶ 00:45:14 para muitos outros países. És uma ruptura com o modelo neoliberal. Apesar da pandemia da Covid-19 e apesar do sofrimento imposto ao nosso país e ao mundo inteiro, apesar disso, o México demonstrou que está saindo rapidamente da crise sem dívidas, porque nós optamos para fazê-lo. Isso foi optado não só

▶ 00:45:44 pela presidência da República, nem pela capital, e sim o povo mexicano optou por uma outra via. Há uma desigualdade que reino no mundo com milhões e milhões de pobres. Nós no México estamos mostrando que temos um modelo diferente, um modelo de economia moral que se baseia no estado de bem-estar, na recuperação do estado de bem-estar, na educação como um direito, na educação como um direito, no acesso à

▶ 00:46:14 moradia como um direito e poder dar aqueles que nunca tiveram naturalmente uma possibilidade de viver uma vida digna através de um programa que fomentem direta amente o desenvolvimento, dando recursos diretos que permitam melhorar as condições de vidas através de grandes direitos, como o direito a uma pensão universal, como um direito de

▶ 00:46:44 uma pensão direta para crianças com deficiência. E este, essa visão diferente mostra que podemos ter um México melhor e um mundo melhor. Da onde vem todos estes recursos para permitir que o povo mexicano viva uma vida dign? Hora de um modelo econômico que quer erradicar a corrupção, acabar com os privilégios do governo e utilizar estes recursos em prol do povo. É algo que

▶ 00:47:15 advém da nossa história, da nossa história ruarista, ou seja, do governo na justa medida. Não poderá haver um povo pobre e um governo rico. Estes recursos pertencem ao povo e têm que ser devolvidos ao povo. É a melhor maneira de distribuir a riqueza. A, precisamos de investimentos privados também para recuperar o estado de bem-estar através dos grandes direitos, direitos

▶ 00:47:45 individuais, sociais e o direito a uma sociedade justa. Estamos resgatando a democracia no nosso país durante muitos períodos, inclusive no período em que tivemos governos neoliberais. A democracia foi arrasada, o povo foi deprimido e vivenciamos fraudes eleitorais que não permitiram ao povo mexicano ter o governo que tinha eleito. Pela primeira vez, um governo

▶ 00:48:15 eleito está promovendo a democracia, não meramente eleitoral, porém participativa. o presidente da República se continuar vai ser, ou seja, o seu destino vai ser definido pelo povo. O povo é que vai decidir se vai cumprir mais 3 anos no mandato ou não. saberá o povo mexicano decidir se quer continuar com esse modelo de democracia participativa, de igualdade social e de

▶ 00:48:47 cuidados com aqueles que são os mais desprovidos ou se quer retornar ao modelo anterior. A maioria do povo mexicano quer este governo, elegeu este governo, está saindo fortalecido da crise da COVID-19. No meu governo, o governo da cidade do México, nós promovemos a quarta transformação da vida pública do México e a nossa cidade está contribuindo para

▶ 00:49:17 isso. Como é que estamos fazendo isso? Criando possibilidade de acesso aos direitos. Neste período de 3 anos em que estamos governando a cidade, consideramos que a educação faz parte do âmago do nosso projeto. Todas as crianças que vão a uma escola pública têm uma bolsa que lhes permite ter acesso à educação, uma bolsa universal mensal que lhes ajuda a ter acesso a material escolar e a uniforme

▶ 00:49:48 escolar. se está investindo na infraestrutura, nas bolsas, contando com a participação dos pais e mães de família e os próprios professores, estamos dando recursos diretamente para a manutenção das escolhas. Também criamos cinco escolas preparatórias para os jovens da nossa cidade e em 3 anos fundamos duas novas universidades públicas, a Universidade Rosário Castelhanos e a Universidade da Saúde,

▶ 00:50:20 que dão a possibilidade aos jovens de cursarem uma universidade. Era um direito que não tinham. Estou falando de 29.000 jovens e no futuro vamos ter 30.000 1 jovens que terão acesso à educação. E vamos considerar também que a saúde é um direito não só em matéria de combate e prevenção da pandemia, estamos também criando um programa que chamamos de saúde para o bem-estar. Este

▶ 00:50:50 programa trata da prevenção até os cuidados e o acesso gratuito à saúde. Durante muitos anos se tentou privatizar o setor da saúde no meu país, mas também queremos promover o acesso à habitação sustentável, ao transporte, à cultura, à mobilidade, a um preço aceitável. Criamos teleféricos que transportam os cidadãos

▶ 00:51:20 mais pobres da cidade rumo ao centro da cidade, ou seja, da periferia ao centro, dando aos cidadãos muitos direitos. O nosso projeto é um projeto de justiça social e a questão do meio ambiente faz parte da nossa agenda. Chamamos isso de quarta transformação da vida pública do México. A primeira transformação foi a independência, a segunda a reforma presidida por Benito

▶ 00:51:52 Ruares e os grandes liberais mexicanos. A terceira foi a revolução mexicana que termina com Lázaro Cárdenas, repartindo as terras e permitindo o desenvolvimento nacional a partir dos recursos naturais que são da nação. E a quarta revolução é promovida pelo nosso presidente. A cidade é uma cidade inovadora. A cidade do México é uma cidade de

▶ 00:52:23 direitos. Nós utilizamos a cidade republicana como uma forma de governo. Nós queremos acabar com a corrupção, com os privilégios dos governantes. Nós temos salários justos, salários que correspondem a uma média que nos parece justa. Nós nos comportamos como cidadãos, como cidadãs, governando cidadãos e cidadãs. Não há um distanciamento entre a classe política e o povo. Nós somos um governo próximo às

▶ 00:52:55 pessoas, próximo ao povo. E graças a essa maneira de governar, poupamos recursos inclusivamente durante a pandemia. não nos endividamos e vamos canalizar estes recursos para o povo mexicano. É essa a maneira de promovermos uma economia moral, de promovermos fraternidade. Não é apenas uma questão econômica que tem a ver com o desenvolvimento social. que nós temos

▶ 00:53:25 é um modelo de desenvolvimento diferente. Pensamos nos elementos econômicos, sociais, ambientais, diminuindo as desigualdades tão trágicas que caracterizaram a América Latina e o México não é nenhuma exceção. Nós estamos não só erradicando a pobreza, como promovendo uma nova forma de pensamento. Estamos tentando conquistar consciências e corações para este

▶ 00:53:55 projeto, um projeto de fraternidade, de igualdade, em que ser feliz não significa acumular riqueza. Ser feliz significa fazer o bem para os demais. E é isso que o presidente da República, André Manuel López Obrador, apresentou no encontro de cúpula do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O que ele demonstrou é que não pode haver segurança, não pode haver paz entre as nações se não se erradicar a pobreza

▶ 00:54:28 profunda e as desigualdades. E a maneira de fazê-lo é distribuindo a riqueza em que as Nações Unidas esteja na dianteira do processo e que não aconteça como aconteceu durante a campanha de vacinação do mundo, em que os países mais ricos detém as vacinas e os países mais pobres, como sempre, são os últimos da fila, ou seja, transformar direitos em privilégios. E essa proposta de

▶ 00:54:58 fraternidade, de bem-estar da humanidade para acabar com os 120 milhões de pobres que vivem no planeta é a proposta de que as grandes corporações, os ricos e os 20 países mais ricos decidam distribuir riqueza, promover igualdade, equidade e a fraternidade da qual o nosso planeta tanto precisa. Quando a COP 26 foi concluída, vimos que houve pouco

▶ 00:55:31 comprometimento por parte de países no sentido de mitigar as gases de efreito de estufa que provocam o aquecimento global e ajudar os país mais pobres a se adaptarem às mudanças necessárias. As mudanças climáticas exigem tecnologias, recursos, mas não podemos lidar com as mudanças climáticas como se fossem um fenômeno isolado. Não, isso vai a par e passo com o desenvolvimento

▶ 00:56:03 sustentável. Não poderá haver desenvolvimento sustentável pensando apenas na medicação e adaptação às mudanças climáticas. Se não nos dermos conta que aquilo que precisamos é de um modelo diferente de desenvolvimento, o ambiental é uma parte, mas a dimensão social, a erradicação da pobreza e o modelo de desenvolvimento econômico diferente e uma filosofia diferente em que o outro e a outra

▶ 00:56:34 farão parte da nossa forma de pensar. E aí, se tivermos esse modelo, poderemos avançar. Se não o tivermos, não poderemos lidar com as mudanças climáticas. Portanto, é uma questão de desenvolvimento sustentável, de equidade, em que não falaremos só dos ricos e pobres, e sim em que falaremos da igualdade em todos os sentidos, na sua mais ampla concepção, entre homens, mulheres, entre pessoas das mais diferentes alternativas sexuais. No

▶ 00:57:04 mundo em que todos nos vemos como iguais, em pé de igualdade diante da economia. moral. É isso que o planeta precisa com urgência. [Aplausos] Agradecemos a Cláudia Pardo esta locução inspiradora sobre o grande projeto de combate às desigualdades do presidente López Obrador e dela enquanto alcaide na

▶ 00:57:34 cidade do México. H também nos recordou como este caminho progressista enfrenta muita resistência das forças conservadoras em tantos momentos. Foi também essa resistência que o próximo orador encontrou já vai para alguns anos, em 2004, quando desfiou o primeiro governo paritário em Espanha, quando fez aprovar a lei da igualdade de género, absolutamente progressistas, arrojadas à época, que hoje tendemos a achar natural naturais, mas veja-se o arrojo e o avanço para o

▶ 00:58:06 tempo de tais iniciativas. José Luís Rodriguez Sapatero, eleito secretário geral do Partido Socialista Operário Espanhol do PSOI em no ano 2000, foi presidente do governo de Espanha de 2004 a 2011. Um político sempre fortemente empenhado em construir pontos, em iniciativas de diálogo entre a Europa e a América Latina e promotor de iniciativas de diálogo hoje mesmo na própria América Latina. Caro presidente Zapatero, tenho a honra de lhe dar a palavra.

▶ 00:58:36 [Aplausos] Muitíssimas gracias, muitíssimo obrigado, Pedro, pelas palavras tão carinhosas. Em primeiro lugar, deixo aqui a minha gratidão à companheira Ira. É do fundo do coração que lhe agradeço por terme convidado a essa jornada da

▶ 00:59:06 maior importância e tenho três parabéns aqui a dar. O primeiro por ter sido reeleita. Com muita razão. Os socialistas e progressistas europeus podem estar orgulhosos, tranquilos e cheios de esperança, tendo-se na liderança. Parabéns, Ir. Uma salva de palmas. La segunda,

▶ 00:59:38 segundo, parabéns é pela sua intervenção, porque você teve o tom, o sentido e a prioridade com uma visão inteligente e sensível da América Latina. E terceiro, parabéns é por ter promovido, conjuntamente com o Ravi Lopes, esse encontro, essa jornada.

▶ 01:00:13 Sempre tive respeito e admiração pela instituição que é o Parlamento Europeu. Não é a primeira vez que eu me dirijo a parlamentares, amigas, amigos aqui a partir desta tribuna. Eu sempre considerei o Parlamento Europeu como a instituição que foi realmente

▶ 01:00:44 bem conseguida. Ela exprime o estádio mais avançado da civilização política. reúne 27 países que falam em inúmeros idiomas, com uma história de países com guerra, confronto, quase uma guerra eterna, uma guerra que desde o império

▶ 01:01:17 romano nunca conheceu um período de paz como o que está em vigor desde que existe a União Europeia. Por isso, meu maior respeito e confiança nesta instituição e na União Europeia e dentro da União Europeia, especialmente o Parlamento Europeu. E queria deixar aqui estes parabéns porque a União Europeia no futuro será

▶ 01:01:48 o que poderá oferecer ao mundo. O mais decisivo do futuro da União Europeia será o que poderá fazer para construir uma comunidade política internacional e deve continuar fiel aos valores fundadores que todos temos no coração. Valores fundadores da União Europeia. Primeiro é

▶ 01:02:18 esta vontade infinita de ter paz. Esta instituição e a União Europeia nasceram do horror, do horror, do drama, da guerra. duas guerras mundiais que se iniciaram, se desenvolveram no

▶ 01:02:51 nosso continente, a Europa. Isso sempre me fez pensar que a humildade é o que deve sempre nortear a União Europeia. Depois dessas duas guerras mundiais que foram criadas no nosso continente, que se alastraram pelo mundo, acho que a lição que temos que aprender de maneira inteligente nós na União Europeia é justamente não dar lição a ninguém.

▶ 01:03:24 é respeitar, ajudar e buscar com afã aquilo que tornou possível essa intuição, a paz, o entendimento, o diálogo. Se a União Europeia, discute com o mundo da contribuição que pode dar à política internacional e estará cumprindo uma missão histórica

▶ 01:03:56 que vai muito mais além do que do que conseguir apenas o entendimento, a paz e a democracia no nosso território, no nosso continente. Se a União Europeia, com vistas ao futuro, optar por guerras frias, por muros,

▶ 01:04:26 levará a Europa a uma situação de ansiedade e levará a Europa à agonia. Essa é a responsabilidade que tem a Europa. E é justamente transcendental ver que essa responsabilidade deva e queira ser dividida com a América Latina. É claro que os valores culturais, a proximidade histórica contam muito nesse diálogo, mas algo que vai muito mais

▶ 01:04:56 além. A América Latina, a Iberoamérica, é o continente que exprime da maneira mais fiel qual é a situação em toda a comunidade política internacional. É o continente que dá o tom. Se a América Latina tem um caminho de progresso, o mundo está progredindo

▶ 01:05:31 nesta região que a América Latina coincide fatores demográficos, históricos, políticos, geopolíticos que nos conduzem a este pensamento. Aí a importância que tem esse diálogo aberto e daí a importância é que a União Europeia e esse Parlamento ouçam, ouçam, como hoje estamos aqui ouvindo, ouvindo os líderes, os presidentes latino-americanos. Ou venha Lula,

▶ 01:06:03 presidente Lula. Eu visitei Lula alguns dias depois que ele saiu da prisão. Aliás, eu ia visitá-lo na prisão, mas ele teve a sorte de ter sido liberado, então pude ir visitar alguns dias depois que ele saiu da prisão. Eu sabia que ele era inocente. Eu sempre soube que ele era inocente. Eu reconhecia isso.

▶ 01:06:34 Mas a maior lição eu tive quando me encontrei com ele alguns dias depois que ele saiu da prisão, estava sereno, tranquilo, porque é um homem íntegro. Eu [Aplausos] tive a oportunidade e a sorte de trabalhar ao mesmo tempo que ele durante

▶ 01:07:04 um ano quando estava no governo e ele também. Homem que falou aos pobres. Quem viu isso na política? Um líder político que fala mais dos pobres, da pobreza, da injustiça, da miséria e da desigualdade. Lá onde estava quando assinamos a aliança contra a fome nas Nações Unidas com o presidente Shirrak. Quando te reunias com ele em privado, quando você se reunia com ele em privado, não em público. É um líder político contemporâneo que

▶ 01:07:35 mais fez em prol dos pobres para abolir a pobreza. Este é o presidente Lula. Pagou caro o seu compromisso com a justiça social, com a igualdade, como tanta gente na história, aliás. Mas presidente Lula,

▶ 01:08:09 a história nos faz otimista. Eu nasci otimista, bom, e também tornei-me mais com o tempo. E agora, uma das razões mais esperançosas que tem a comunidade política internacional pela frente é voltar a ver o presidente Lula no na liderança do Brasil.

▶ 01:08:41 Claro, porque presidente Lula porque o presidente Lula vai inaugurar um período para Latino-Arío, de integração, essa união das Nações Unidas Latino-Americanas, este compromisso com as gerações daqueles que superaram as etapas das ditaduras, aqueles que permitiram e favoreceram a educação dos

▶ 01:09:12 mais jovens, que a grande esperança é é a educação. Temos que fazer um processo de integração e de união latino-americana. Esta será a maior frente contra a pobreza, a maior força contra o golpismo e a afirmação mais séria em prol da liberdade das democracias. a união do continente latino-americano. [Aplausos]

▶ 01:09:43 Como foi o caso da Europa. Isso e uma esperança segura. Temos que incentivar, apoiar esse horizonte que leva-nos a a ver Lula novamente na liderança do Brasil. que se torne novamente numa nova potência para a União Latino-Americana. E o

▶ 01:10:13 México está justamente nessa posição. Temos que apoiá-lo da proposta que fez Nações Unidas para erradicar a províncias. Aquele 0,2% das 4.000 riquezas e as melhores empresas do mundo e os vadores do PIB para os países do G20. O que é que isso significa? O que que isso significa comparado com o que poderia representar para a história, para as nossas gerações, ver como não há 700 milhões de pessoas que hoje estão tentando

▶ 01:10:43 sobreviver, estão passando fome no mundo. Temos que dar apoio à proposta do presidente do México. Presidente Lula, você que tem essa grande autoridade moral no continente, preciso voltar a pôr na ordem do dia os consensos, o diálogo para a solução pacífica dos conflitos. O diálogo é um

▶ 01:11:16 fim em si mesmo, não é um caminho para um fim. O diálogo é um fim em si. Só podemos construir sociedades civilizadas mediante o diálogo. Diálogo para Venezuela. Acordo e não imposição. Para paz. Esta é a tarefa de cada um e de todos os países.

▶ 01:11:46 Houve momentos que puseram em causa este processo de democratização e de consolidação, como foi o que aconteceu na Bolívia. E parabéns ao grupo socialista pela reação que teve quanto a Bolívia. foi decisiva para que a afirmação eh do democrática desse país que mais viveu golpes do estado na história pudesse ser solucionado. Se não presidente o que queriam os bolivianos e não um golpe com aquele que os bolivianos não queriam.

▶ 01:12:19 Rabi, essa é a reflexão que temos ter aqui. E como temos uma sociedade global, como temos uma sociedade mundial, mas não temos o governo mundial, mas não temos um estado global, não temos uma governança global. Qual vai ser a meta do século XX? Se quisermos que seja um século de

▶ 01:12:49 progresso, temos que construir uma comunidade política internacional. E a responsabilidade incumbe a União Europeia neste diálogo e na construção da União Latino-Americana são mais prioritários do que nunca. dessa primeira parte do século XX deriva levado por negacionistas, por populistas e todos os que são deste campo, com países que perderam o seu ideal de

▶ 01:13:22 construir uma sociedade global mais justa. se a deriva é convocar a novas Guerras Frias no lugar de criar uma nova comunidade internacional com multilateralismo, com Nações Unidas cada vez mais poderosa, mais forte, com planos de recuperação para a América Latina. Eu me sinto orgulhoso da Europa justamente por tudo que faz, mas eu desejaria que a União Europeia

▶ 01:13:52 promovesse também um acordo de recuperação para a América Latina, unindo esforços com o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a CAF, as Nações Unidas, que houvesse um plano global pós pandemia para que a região que mais vai sofrer o impacto da COVID-19 vai ser a América Latina. A que mais vai dar marcha ré eh no

▶ 01:14:24 desenvolvimento sustentivo, a que mais vai tardar para recuperar o crescimento. Já mais 30 milhões de pessoas que caíram na pobreza. Nós deveríamos promover um plano que tem essa amba, um plano conjunto de todas as instituições financeiras, internacionais e regionais e com apoio da União Europeia e, claro, também dos Estados Unidos.

▶ 01:15:01 Essa é, essa é a orientação e a liderança que necessitamos nesse momento histórico. E realmente eu sou aferrado a essa esperança, a esperança que tenho na Europa, a esperança que tenho na Latinoamérica, onde aprendi tantas coisas. Irate citou a Garcia Lorca. Eu sempre cito Maria Sambrano. A

▶ 01:15:31 Maria Sambrano disse que a Espanha se descobre a partir da América. Se todos os espanhóis europeus levassem isso no coração e na cabeça, seria maravilhoso Oxalá fôssemos capazes de ver ressurgir construindo comunidade política internacional a partir dos grandes valores da paz, da compreensão e do

▶ 01:16:01 respeito das culturas das diferentes civilizações. e pudéssemos dizer que este século XX será diferente do século XX. Não faz tanto tempo assim. E quando voltamos a ver as duas primeiras décadas, onde já tinha havido uma guerra no século 20 e percebemos para onde as coisas derivaram,

▶ 01:16:31 qualquer fraqueza, insensatez ou falta de responsabilidade que nos levem a pensar em novas guerras frias seria totalmente imperdoável. quando foi criada, foram criadas Nações Unidas, quando aprovamos a Carta de São Francisco, quando conseguimos obter a decoração dos direitos humanos e dos cidadãos, pensamos que o Horizonte seria apenas de

▶ 01:17:02 progresso e paz, celebrando os objetivos do desenvolvimento sustentável, mas tudo ficaria automaticamente destruído. Se a violência, o instinto bélico que presidiu a história da humanidade voltasse a recuperar força no século XX. Esses objetivos do desenvolvimento sustentável são a grande tarefa que

▶ 01:17:33 temos. E a primeira delas na América Latina, para além da paz, temos que defender o direito das mulheres à igualdade de gênero. É um continente que sofre muita violência de gênero, muita demais. Penso que homens e mulheres, mas antes de mais homens da América Latina e sabemos do que estamos falando,

▶ 01:18:05 nós temos a responsabilidade, vocês têm a responsabilidade de condenar o machismo criminoso, o machismo criminoso e fazer do respeito à igualdade, uma forma de vida, uma forma de pensar, de aproximar-se. Por quê? O dia que as mulheres na América Latina conquistarem os seus plenos direitos, a paz e a igualdade estará mais próxima.

▶ 01:18:40 E eu concluo, presidente Lula, eu estou emocionado em vê-lo, em encontrá-lo e vejo muito bem, já ouvi bem quando saiu da prisão, mas vou conversar uma coisa, eu estou apaixonado e realmente fico contente. Eu vejo tão feliz. Então que continue assim, senhor

▶ 01:19:10 presidente. Nós vamos vê-lo, presidente novamente. Um homem que lutou a vida inteira, metalúrgico, trabalhador. Eu aprendi muito com ele. Aprendi com ele muito mais com ele do que muita outra gente que vá por aí. Não esqueçam disso. Tenham isso em mente. Sabe o que eu aprendi? Eu aprendi que o mais importante na vida

▶ 01:19:41 é trabalhar pelos outros, nunca renunciar, nunca se resignar, nunca. E em primeiro lugar ser corajoso. Se Lura não tivesse sido um métal corajoso, não teria tirado 30 milhões das pessoas da pobreza. Não teria colocado assim na liderança mundial como está. e não houveram, não teriam perseguido, mas se ele não fosse corajoso, não

▶ 01:20:12 votaria a ser presidente. E ele vai ser, por isso temos um grande dever histórico. O nosso dever histórico é que o século XX paz, de abolição da pobreza com os recursos que tem o mundo. E é por isso que temos que pensar que o século XX terá que ser o ciclo, século

▶ 01:20:44 da igualdade. Nunca foi na história. Nunca houve pequenas conquistas, alguns avanços, mas chegamos a um grau de civilização, de progresso e de desenvolvimento, onde como é possível assumir que haja uma riqueza ilimitada e uma pobreza ilimitada também? Como podemos pensar que tem pessoas que têm riqueza sem limite e outras pessoas têm pobreza sem limite nesse mundo? Não

▶ 01:21:16 é possível assumir isso. Quando vemos a história, dizemos: "Mas como é possível que podemos viver com escravidão? Como é possível que a democracia pudesse viver com escravidão? E como é possível? Quando houve a abolição da escravidão, países como a Inglaterra indenizaram os proprietários dos escravos no lugar de indenizar os escravos.

▶ 01:21:46 E nós vivemos com essa ideia. Não sei se vai levar 20, 30 anos, mas as gerações vindoras vão se perguntar: "Como é possível viver numa sociedade onde uma em cada quatro mulheres vai ser vítima de violência de gênero, onde a pobreza extrema, onde hoja há 21 milhões de crianças que como consequência das dificuldades da

▶ 01:22:16 pandemia, 21 milhões de crianças não vão poder ter vacinas, nem tuberculose, nem pólio e nem outras. Como é possível? Estamos aqui, estamos juntos, mas não podemos ficar sossegados. Eu não posso ficar sossegado, não posso. Espero que este seja o século XX da igualdade. O único caminho é a paz e pôr limites a essa riqueza, distribuir a

▶ 01:22:47 riqueza da saúde, da educação. Lula é o meu professor, é o grande professor, é o nosso mestre, é o mestre de como reduzir as desigualdades. Por isso, homens como Lula serão o que vão escrever o século XX, o século da igualdade. Eu espero que seja com a União Europeia à frente. Muito obrigado.

▶ 01:23:22 [Aplausos]

▶ 01:23:53 Muito obrigado, José Luís Zapatero. Palavras também inspiradoras que nos trouxe e de grande reflexão sobre o futuro. A o para o encerramento desta sessão, tenho que convidar a intervir com um gosto enorme os meus colegas eurodeputados, a Maria Manuel Leiton Marques, coordenadora SND para a Assembleia Parlamentar Eurolate, e o Ravi Lóz, copresidente desta assembleia parlamentar Eurolatino-Americana, que tem uma ligação à América Latina muito longa, empenham-se hoje pessoal e

▶ 01:24:25 politicamente no desenvolvimento das relações estreitas entre o projeto europeu e a América Latina, entre este Parlamento e as e assembleias parlamentares latino-americanas. Em primeiro lugar, dou a palavra à Maria Manuel Leiton Marques e depois encerrará o Ravi López. Maria Manuel, por favor. Caro presidente Lula da Silva, cara presidente Irat Garcia Peres, caros ministros, ex-ministros,

▶ 01:24:56 embaixadores do governo brasileiro que tanto gostei de conhecer, Celsa Amorim, Alis Mercandal, Humberto Costa, Erlindo Chinaga. Foi, foi um gosto muito grande, caras e caros colegas de trabalho, deputadas e muito em especial aquelas que comigo eh trabalham no grupo de trabalho do Eurolat, com sempre com grande colaboração e que hoje vejo aqui presentes.

▶ 01:25:26 Gostaria de começar por cumprimentar todos que estão aqui connosco a assistir a esta sessão nesta excelente iniciativa do nosso grupo político. A, e também agradecer muito em especial a todos os membros do secretariado do SNDI e do staff do Parlamento Europeu, com um destaque muito especial para a Teresa Mergulhão e para o David Capezuto, por todo o empenho que puseram nesta

▶ 01:25:56 organização, porque as coisas não acontecem por acaso e quando correm bem é porque alguém trabalhou muito para isso, bem como a toda a equipa de apoio, ao presidente Lula, a nossa comitiva, que também nos ajudou sempre cá e do outro lado do Atlântico. Foram também eles que tornaram este evento possível. Muito, muito obrigada pelo vosso trabalho. Deixem-me também por saudar os incríveis oradores que que tivemos hoje.

▶ 01:26:26 Uma mulher progressista, Claudia Shin Bomb, presidente da Câmara da cidade do México. Não preciso dizer mais porque creio que todos ficamos muito impressionados com o seu discurso. Esperamos tê-la aqui um dia no nosso parlamento. a ex-presidente do governo espanhol, José José Luís Zapatero, um grande amigo e conhecedor da América Latina. Já tive também a oportunidade de estar à distância numa reunião com ele

▶ 01:26:56 em Bogotá e naturalmente o presidente Lula da Silva. Obrigada pela vossa vinda pela vossa disponibilidade. E todas e todos que vos acompanharam também são fazem parte desta equipa. Infelizmente, e temos que ser honestos em relação a este ponto, a América, a América Latina não tem sido dada a importância que merece por todas as instituições europeias

▶ 01:27:26 e sobretudo para uma agenda de cooperação positiva. Por dois anos consecutivos, esta região foi deixada de fora do discurso de estado da união da presidente da Comissão Europeia, o Selav Len. E nós socialistas já o lamentamos numa carta que lhe foi enviada, a única região não referida. São 570 milhões de habitantes e 20 países não podem ser o parente pobre da

▶ 01:27:59 política externa europeia. Ainda para mais, como ouvi o primeiro-ministro português António Costa a dizer aqui no Parlamento, esta é a região com quem temos mais laços históricos, sociais e culturais. Juntos, a União e os países da América Latina representam 25% do PIB mundial. Esta foi uma das razões, não a única, porque organizamos este evento e estamos

▶ 01:28:29 a preparar a semana latino-americana, como a presidente já anunciou, para 2022. No nosso grupo, podem ter a certeza, encontrarão sempre o principal aliado deste parlamento. Sabemos das dificuldades e dos desafios que a América Latina enfrenta e sabemos

▶ 01:29:00 como a pandemia tornou algumas batalhas mais difíceis de travar. E uma delas, talvez a principal batalha, foi a batalha contra a pobreza e as desigualdades. Um em cada três latino-americanos vive em situação de pobreza. O cenário dramático que vemos surgir nesta região, a que se juntam os fluxos migratórios, é ainda mais assustador

▶ 01:29:31 quando contraposto com a subida de 40% dos bilionários desde o início de 2020. Este fosso crescente entre ricos e pobres torna às desigualdades a maior ademça à democracia e requere com urgência políticas mais progressistas capazes de o combater. Como pedir, como podemos pedir às pessoas que participem na vida democrática quando muitas não têm o que

▶ 01:30:03 comer e onde morar? Como podemos falar de educação para todos? quando não existe acesso à água para o consumo humano e o saneamento básico. Caro presidente Lula, uma das suas políticas mais importantes, já foi dito aqui muitas vezes, mas eu tenho que repetir, foi, sem dúvida, a Bolsa Família, um programa emblemático, não apenas no Brasil, a nível mundial, que os números dizem ter tirado da pobreza 30 milhões de brasileiros, três vezes

▶ 01:30:34 mais que a população de Portugal, no período de 2003. a 2014, um período curto, apesar disso, para tanta obra. Para além disso, era uma política que ajudava a independência das mulheres, visto que a transferência do dinheiro era feita para elas sempre que possível. São políticas estruturais como esta que podem combater este flagelo e dar outra esperança aos cidadãos. E são estas políticas progressistas que temos de

▶ 01:31:05 apoiar e incentivar, não só no Brasil, mas em toda a Europa e em toda a América Latina. Devemos juntos esforços para desenvolver soluções inovadoras. As do passado são boas, mas temos que pensar outras para este século, progressistas e humanistas, e cooperar na implantação das memos. Temos que marcar um ponto de viragem da nossa cooperação. A União Europeia está a fazer a sua recuperação com base no

▶ 01:31:35 financiamento público da economia e dos Estados, orientada pelas transições climática e digital, as gémeas, como lhe costumamos aqui chamar. Mas sem esquecer que ambas têm de ser justas e não deixar muitos para trás. Não há transições bem-sucedidas sem que incorporem as preocupações sociais. A América Latina é um parceiro natural deste ambicioso projeto de recuperação e

▶ 01:32:07 em conjunto com o Banco Europeu de Investimento, existem várias oportunidades de financiamento e cooperação nas mais diversas matérias, tanto na climática como digital. A transição digital, na verdade, é um dos grandes desafios que temos pela frente. E se não cuidarmos, que seja inclusiva, cavará ainda mais as desigualdades no mundo e dentro de cada um dos nossos

▶ 01:32:39 países e regiões. Em janeiro de 2021, a presidência portuguesa deste da do conselheiro do concelho lançou o Elalink, um cabo de interconexão entre a cidade de SES em Portugal e a cidade de Fortaleza na costa do Brasil. Uma iniciativa que certamente vocês todos bem conhecem. Ela permite um aumento mais rápido do tráfego de dados que são o ouro do século XX entre a América Latina e a

▶ 01:33:11 Europa, mais rápida e mais segura. Mas não se trata apenas de uma infraestrutura para a economia digital. tem que ser uma ligação para a ciência e esta para a inovação e para o desenvolvimento, para que a economia digital seja inclusiva e beneficie todos e todas cá como lá. Temos de pôr em prática programas de literacia digital,

▶ 01:33:42 principalmente para os mais desfavorecidos, idosos e mulheres, garantindo o acesso à internet como um serviço público, como foi a água potável e a eletricidade. Temos de criar programas de formação e especialização para os nossos trabalhadores e trabalhadoras, para os preparar para novos empregos e novas formas de exercerem a sua profissão. Temos que usar a tecnologia para o bem, para proteger a floresta, para melhorar

▶ 01:34:13 o acesso aos serviços públicos, incluindo os serviços públicos de saúde. Podemos cooperar muito neste domínio para não ficarmos para trás, nós e vocês, na economia do futuro, partilhando programas e soluções comuns adaptadas a cada realidade, mas também regulamentação, por exemplo, para combater a desinformação, as notícias falsas, cooperarmos para maximizarmos as oportunidades de novas tecnologias, como

▶ 01:34:45 a inteligência artificial e o 5G, podem trazer para o desenvolvimento. Consideramos também os progressistas latino-americanos e europeus são aliados no que naturais, no que toca à promoção dos direitos humanos, liberdades, justiça social, igualdade de género, que também já foi referida, mas que também não posso deixar de sublinhar. Nas últimas décadas, vários países da América Latina fizeram progressos

▶ 01:35:17 inspiradores no sentido da emancipação das mulheres e dos direitos à saúde sexual e reprodutiva, como aconteceu recentemente na Argentina e no México. Mas houve também retrocessos e temos assistido a vários ataques a estas conquistas, quer em países europeus, quer em países da América Latina. Precisamos, por isso, de nos manter unidos nesta luta e de juntos utilizarmos a nossa política externa

▶ 01:35:47 como arma de defesa destes direitos. Não devemos permitir que governos como de Michel Temer em 2016, sem mulheres na diversidade étnica, não gostamos de ver essa fotografia. Não podemos permitir que se repitam, ainda mais numa região com exemplos tão bons de mulheres líderes como Michel Bachelet e Dilma Russef. A América Latina é e de tem que ser e de continuar a ser um lugar de pluralidade

▶ 01:36:19 e um lugar de igualdade. Cara presidente Lula, gostava ainda de aproveitar esta ocasião para lhe dirigir umas palavras de incentivo e de coragem para as batalhas que se avizinham, que vão ser duras e de incitar que olhes para estes desafios e oportunidades como o pontos para a sua política e para o seu programa. O Brasil tem sofrido uma ameaça clara à sua democracia, ao estado de direito com o governo de Bolsonaro,

▶ 01:36:50 mas não só. O Brasil tem sofrido uma ameaça ao desenvolvimento da ciência, da medicina, da saúde, da cultura, que são o investimento no futuro durante estes anos. Para terminar, quero reforçar a determinação do nosso grupo em ser uma voz ativa e um incentivador do investimento comum nas nossas relações comerciais, nas nossas relações políticas e culturais, sempre com base

▶ 01:37:21 na proteção social e de direitos que alicerça todas as políticas progressistas e democratas. Este é o momento de inverter o caminho de distanciamento entre a União Europeia e a América Latina, inspirando-me nas palavras imortais de Vinícius de Morais que ilustram a canção de Tom Jubim, chega de saudade entre a União Europeia e a América Latina.

▶ 01:37:51 A realidade, a realidade é que sem uma cooperação mais forte entre as duas regiões, não há passe, não há beleza. E certamente que trabalhando juntas poderão olhar para o mundo com muito menos tristeza e melancolia e muito mais confiança. Muito obrigada pela vossa atenção. [Aplausos]

▶ 01:38:40 Muito obrigado. Eu serei o último, embora muitas coisas já tenham sido ditas hoje à tarde, coisas relevantes para os socialistas, trabalhistas, democratas, socialdemocratas, todos aqueles que têm carinho pela América Latina. Antes de mais nada, quero dar quero agradecer ao presidente Lula. Para nós é um evento muito especial tê-lo aqui, não só pela sua figura, mas por tudo o que está por vir, não só em

▶ 01:39:10 função do passado, mas também para ter forças para o futuro. Quero agradecer ao presidente Zapater, uma inspiração para todos nós, o presidente do Diálogo da Paz e das Liberdades na Espanha e ao presidente do grupo SD do Parlamento Europeu. Irate Garcia Bank. Foi um prazer ouvir também a Dra. Cláudia Shinbaum. Essa iniciativa liderada pela IRAT é

▶ 01:39:41 fundamental porque isso é uma prioridade para os partidos progressistas europeus. Hoje estamos falando de uma agenda comum, uma agenda que socialdemocratas e a esquerda europeia querem construir junto com a esquerda latino-americana. E para essa conversa, muita gente trabalhou, muita gente trabalhou para organizar este evento. Eu quero agradecer a todos que estão atrás da organização deste evento, membros da

▶ 01:40:13 secretaria do grupo, mas muitas pessoas, quero mencionar a David Cabeçudo, mas há centenas de pessoas que trabalharam para tornar este evento uma realidade. Eu quero agradecer-les por isso. E por que que estamos aqui hoje? Vamos falar logo do Brasil, mas o que estamos fazendo aqui é reforçando os laços entre progressistas das duas regiões. Progressistas com particularidades, é claro, mas temos que

▶ 01:40:46 estreitar os nossos elos e construir uma agenda comum. Nós temos que ter relações mais estreitas baseadas no respeito, na pluralidade, na diversidade. Nós temos que desenvolver uma agenda comum para a esquerda para a próxima década. Uma agenda comum que permita abordar quatro grandes coisas. Em primeiro lugar, a justiça social hoje, no século XX,

▶ 01:41:17 o nosso projeto político sempre foi promover a justiça social, mas hoje a luta contra as desigualdades é um imperativo em termos éticos, mas também é uma necessidade econômica e institucional. Temos que crescer para distribuir, mas temos que distribuir para podermos crescer. E nós aprendemos que a desigualdade é como um cupim para desigualdade, uma termita, ela corrói e destrói a democracia.

▶ 01:41:49 A esquerda e os progressistas sempre falaram do Estado e o Estado saiu justificado nessa pandemia. Depois de 40 anos de neoliberalismo, a pandemia ocorreu para reivindicar aquilo que é de todos e como nunca tinha sido reivindicado antes, a igualdade de gênero também, porque nessa década não se pode falar de socialismo sem feminismo de esquerda. O feminismo,

▶ 01:42:20 hoje, diante dos movimentos autoritários na América Latina e na Europa, fez com que as mulheres foram aquelas que tiveram mais coragem de erguer a voz e condenar este autoritarismo. São elas que se pronunciaram e que nos estimularam a muitos de nós homens. uma agenda de gênero que coloque no âmago do debate as violências contra a mulher e a discriminação contra as

▶ 01:42:50 mulheres. E a nossa presidente está muito comprometida com essa agenda. Se alguém comprometido no Parlamento Europeu com isso é ela. E uma agenda em prol das mudanças climáticas. Se não agirmos, o as mudanças climáticas vão acentuar desigualdades. Nós temos que cumprir os nossos compromissos internacionais juntos com o acordo de Paris e temos que agir juntos, temos que promover uma transformação

▶ 01:43:21 para lidar melhor com as mudanças climáticas. E precisamos de uma agenda democrática para as instituições, porque não se pode escolher entre a democracia e a esquerda. Os dois avançam a par e passo. Nós queremos dialogar, queremos construir e forjar essa agenda entre sociais democratas e progressistas da América Latina. Porque a relação entre ambas as regiões é estratégica. Há três coisas que temos que mencionar. Não

▶ 01:43:51 poderemos impor uma regulamentação à globalização e um limite ao neolaberalismo, se os dois blocos não chegarem a um acordo. O mundo vai precisar da América Latina para combater as mudanças climáticas. A América Latina é o pulmão do planeta. É ali que reside a maior biodiversidade do planeta. E se não quisermos ficar presos num choque de trens entre a potência hegemônica e a potência ascendente, que

▶ 01:44:23 é o que poderia acontecer nas próximas décadas, se quisermos atenuar esse choque de trem, se quisermos ser um amortizador dessa colisão, a Europa e a América Latina tem que trabalhar de mãos dadas. Hoje temos um convidado muito especial que vem do Brasil. E falar do Brasil é falar de Lula, é falar dos anos da presidência Lula. Foi um líder que inspirou o mundo, que

▶ 01:44:54 foi protagonista do Brasil na cena internacional, que botou o Brasil no mapa mundi e que tirou milhões de pessoas da pobreza. Ele nos inspirou a todos nós. Porém, infelizmente, só se pode pensar no passado se pensarmos no futuro. E não há dúvida que a sua presença aqui é importante em função daquilo que tem que acontecer. O Brasil

▶ 01:45:25 está sofrendo as consequências do manual do autoritarismo. Nós conhecemos bem o manual do autoritarismo na Europa. Dividir e polarizar a sociedade, desprestigiar a política, toda a política. tirar a autoridade das instituições para finalmente acabar com uma solução mágica de um homem forte que vem para acabar com

▶ 01:45:56 tudo. Ignorar a verdade, transformar tudo em mentiras. É isso o que está acontecendo no Brasil. Infelizmente, há um livro famoso que se chama Como Morrem as democracias? É esse o título do livro. E as democracias morrem quando alguém tenta matá-las. Porque alguém que tenta matá-las, que é sempre um do sexo masculino, não uma.

▶ 01:46:28 Há alguns que querem sacar proveito disso, empresários, políticos, juízes que acham que podem sacar proveito deste fenômeno. E há outros, muitos que olham pro outro lado, que não encaram problemas. Cidadãos que fazem vistas grossas. Hoje o que queremos dizer é que os trabalhistas, os socialdemocratos, nós não olhamos pro outro lado diante daquilo que está acontecendo no Brasil.

▶ 01:47:00 Nós não desviamos a nossa atenção. Nós não desviamos a nossa atenção quando há uma presidência que desrespeita a vida humana, a ciência ou quando se insulta as mulheres. Não olhamos para o outro lado. Quando o discurso diante da população LGBTI, acaba promovendo a homofobia e leva alguns

▶ 01:47:30 deputados a buscarem asilo no exterior. Também não podemos fechar os olhos quando se destrui um dos um dos pulmões da Terra. Também não fechamos os olhos quando vemos milhões de brasileiros morrendo de fome quando se tenta acabar com a democracia do país. Achamos que precisamos de ações para futuro do Brasil, para o futuro da região e para as democracias do Ocidente. Precisamos então agir, mas

▶ 01:48:04 estamos tranquilas porque estamos em boas mãos. Estamos nas mãos de Lula. Muito obrigado. [Aplausos] Muito obrigado, Ravi. Quero agradecer a todos os participantes e dizer que penso que foi uma tarde de trabalho muito importante que nos trouxe muitas perspectivas de colaboração dentro da família progressista na Europa

▶ 01:48:35 e na América Latina. É uma oportunidade enorme que não devemos desperdiçar. Eh, falamos muito do Brasil hoje, mas muitos momentos decisivos produzirão na América Latina do ponto de vista eleitoral, desde logo, neste próximo ano, nestes próximos 2 anos. E cabe-nos nesta cooperação entre famílias progressistas a encontrar espaço para um desenvolvimento sustentado daquele continente e das relações com a Europa. Nada mais, foi uma grande tarde de trabalho, acho que valeu a pena para todos. Espero que tenham gostado. Convido apenas os oradores para uma foto

▶ 01:49:07 no final. Obrigado a todos. Boa tarde, [Aplausos] parece que queria que ser aqui em baixo. Sim aqui.

▶ 01:49:42 Mais para trás, mais para trás. Mais para trás.