PRESIDENTE LULA - Inteligência Ltda. Podcast #1894
Lula · 30/07/2026 · 121 min · Inteligência Ltda
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▶ 00:00:11 Olá, terraquos. Olha, é o seguinte, antes de começar o episódio, vou dar um recadinho, aliás, alguns recadinhos aí. Deixa eu te contar uma coisa que muita gente não sabe. Você provavelmente já ouviu falar dos grandes concursos, aqueles que aparecem toda hora nas notícias, Polícia Federal, Receita Federal, INSS, Banco do Brasil, mas aqui vai um dado que quase ninguém para para pensar. Enquanto você espera esses editais grandes saírem, dezenas de outros concursos estão abrindo o Brasil todo mês. Prefeituras, câmaras municipais, tribunais estaduais,
▶ 00:00:42 secretarias, autarquias, muitos deles pagando bem, com um número bem razoável de vagas e com muito menos concorrência do que os grandes que a gente vê na TV. E olha só, é bem provável que tenha um concurso aí na sua cidade, no seu estado, na sua área de interesse acontecendo agora ou previsto nos próximos meses, que passou completamente desapercebido. Sabe por quê? Porque não tem propaganda em rede nacional, porque é edital regional, porque não vira manchete. Nosso parceiro Estratégia
▶ 00:01:13 Concursos, que é líder em aprovações do Brasil, criou uma ferramenta gratuita para ajudar você a encontrar oportunidades como esta, o mapa dos concursos. É um mapa interativo com todos os concursos abertos, previstos e autorizados em todo o país. Você filtra por região, por área, por nível de escolaridade e descobre o que tá rolando perto de você. Sem propaganda no meio, sem clickbait, só o cenário real de concursos disponíveis. Talvez a sua vaga esteja logo ali a uma cidade de
▶ 00:01:43 distância e você nem sabia. Acesse o link na descrição ou QR code aqui na tela para conhecer o mapa dos concursos, encontrar o concurso mais próximo de você. Beleza? Quero falar também dessa cadeira que eu estou usando e o o bem que ela está me fazendo. A gente gosta de performance vive otimizando coisa: sono, alimentação, rotina, ferramenta, método. Mas tem um ponto cego que a maioria deixa passar, que é a cadeira. Você pode ter o melhor método do mundo e ainda assim estar pagando um custo
▶ 00:02:13 físico enorme por sentar errado horas por dia. Eu comecei a usar a cadeira da Elements e entendi o que tava deixando na mesa. Apoio lombar ajustável, braços 4D, apoio de cabeça e reclinação. É a cadeira que pensa junto com você. Ou melhor, cuida do corpo para que você possa pensar melhor. Toca no link na descrição, use o cupom inteligência. cadeira é elements. E atenção donos da faxina pesada, é com vocês que eu quero falar, ó. Mais uma vez a Embalicho
▶ 00:02:43 chegou trazendo novidade para vocês. E olha, dessa vez é coisa de respeito. Chegou a nova linha Embalicho ultra reforçado, feita para quem encara aquela faxina de fim de semana, reforma, churrasco em família ou para quem trabalha pesado em restaurantes, hotéis, lanchonetes e comércios. Sabe aquele saco que rasga bem na hora de tirar o lixo, que fura, pinga no chão e faz você limpar tudo duas vezes? Esquece isso, porque convenhamos, ninguém merece deixar um rastro de chorume pela casa, né? Então já sabe, quer evitar passar
▶ 00:03:13 raiva, vai de embalicho ultra reforçado. Peça no supermercado, na vendinha do bairro ou onde você costuma comprar, porque saco para lixo tem nome e é em Balicho. Com vocês em todos os lugares e em todos os momentos. Ah, espera mais um recadinho último, prometo. Cara, deixa eu dar um recado rápido para você que está assistindo e tem uma empresa. O que mais trava o crescimento de um negócio hoje no Brasil não é a falta de vontade ou de mercado, é a falta de método de
▶ 00:03:44 processo redondo. Se eu fizer uma pergunta aqui no estúdio, ó, se a nossa audiência aí, ó, cair pela metade amanhã, pessoal tá ouvindo aqui e o caixa apertar, qual é o plano de ação exato que eu devo executar no primeiro minuto? Silêncio aqui no estúdio. Tá vendo? É difícil. E não é porque você aí de casa é ruim ou eles são ruim ou eu sou ruim. É porque ninguém deu o processo. E a maioria dos donos de empresa vive assim no improviso, apagando incêndio todo santo dia. É exatamente aí que o G4 entra. E o que eu
▶ 00:04:14 gosto é que eles não te jogam mais um monte de curso na cara, não. Eles pegam a tua empresa, fazem um diagnóstico e te falam exatamente onde apertar o parafuso. Tem monitoria mensal com gente que constrói empresa de verdade do outro lado te dando direção. É isso que muda o jogo. E olha o time, o G4 tá disponibilizando a bússola, um curso gratuito de gestão, inteligência artificial aplicada e focada para donos de empresa. Para de operar no amadorismo, cara. Escane o QR code que tá na tela ou clica no link da descrição
▶ 00:04:45 e garanta já o seu acesso. G4 para quem guer mais. Roda vinheta e vamos pra entrevista. Rquios, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vila, tá começando mais um Inteligência Limitado, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. sempre estará com pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais presidenciável do que a mim e do que a sua. Ô, ô, querido Léo,
▶ 00:05:17 >> presidenciável. Ô, Vilela, o o inteligente sempre muito colorido, mas pode dizer que a mesa hoje está alv negra. >> Exatamente. Hoje está preto e branca essa mesa. Dois corintianos, dois caras que tm história em São Bernardo do Campo. Então, temos muita história para trocar hoje, hein, presidente? muita história >> já. A já gastou muito papo aqui. Eu vou relembrar umas histórias que a gente tava contando aqui, mas obrigado por ter aceitado o convite antes de mais nada. Esse papo já era para ter acontecido há 4 anos atrás, não deu e eu tô feliz que aconteceu agora. Obrigado. >> Mas é a culpa é da minha fessoria que
▶ 00:05:48 não marcou [risadas] ele. Não é >> quem que eu co. >> Não eram esses eram. Eram outros. >> Eram outros. Mas eles eles fizeram um esforço muito legal e deu tudo certo aqui. Então seja bem-vindo à sua casa. Tudo bem? É um prazer, um prazer ter essa conversa. Eh, eu só quero te dizer o seguinte, que só queria que você fizesse a entrevista, que você considerasse depois a melhor da sua vida, porque >> da minha parte eu quero que você seja,
▶ 00:06:19 sabe, o jornalista que pergunta o que você quiser. Todas as as entrevistas da não tem veto, >> tá? Se você tiver vontade de perguntar alguma coisa que tá te incomodando, pergunte. >> Perguntarei. >> Se eu souber, responderei. Se eu não souber, não respondo. Sabe? >> Mas é um bate-papo. >> O que é importante é que o povo perceba que é uma coisa sincera. >> É porque o pessoal acha que que eh a sua assessoria pede para mim mandar as perguntas antes, combinar pergunta. Não existe isso. Eu não não fiz isso com nenhum convidado, onde iria fazer
▶ 00:06:49 contigo. Então, deixar muito claro isso, de verdade. >> Eu eu jamais jamais pediria para um jornalista fazer a pergunta que eu gostaria de responder. >> É, >> a pergunta boa é aquela que a gente não sabe responder e tem que pensar para responder a pergunta. >> Pois é. Pois é. Mas eu a gente tava conversando antes de começar aqui a a as câmeras, a gente ligar a luz e tudo, como que como que ia viver aqui? Porque porque o Neymar quando projetou isso, né, ele projetou pela beleza, pela estrutura. A gente acabou de ver um pô
▶ 00:07:19 do sol maravilhoso aqui. A gente filmou é o reflexo na o reflexo da água, tudo é lindo, mas me parece uma casa fria, uma casa tudo é distante, né? Como que é? Você vai pegar uma água, tem que andar. É, é no andar de cima que vocês moram. Não, a a você tem a parte de cima, que é a parte íntima da casa onde tem o quarto, a sala cozinha, quarto de hóspede. A, eu acho que quando Osmar, o Oscar Nemaia pensou isso aqui, a, do ponto de
▶ 00:07:49 vista arquitetônico, é uma obra extraordinária. >> Eu digo sempre que isso aqui é muito belle para tirar fotografia. Agora para morar é muito desumano, >> não é aconchegante, >> é muito desumano, porque quase todos presidentes que vem aqui não tem uma penca de filho, 5, 6, 7, 8, no filhos, isso aqui, aí o cara vem para cá já com uma certa idade, com 50, com 60 anos, já tem os filhos. Fal tem muitos quadros quartos >> não tem poucos quartos. Poucos. Acho que são oito quartos ao todo, mas é distante
▶ 00:08:20 um do outro, tá? >> A cozinha fica numa ponta, o quarto fica na outra. Se você tiver que pedir café, o café chega frio. Se você pedir uma cerveja, já ela chega quente, sabe? Então, >> tá com vontade de tá com vontade de mijar até chegar lá já. >> Ah, não, não. Aí não tem no quarto. Aí tem no quarto. Você vai no beiro íntimo também. >> Mas você veja uma coisa, a piscina é aqui. >> É aqui fora. >> A piscina, o lugar que as pessoas têm para para ficar e aqui tem uma coberturazinha, certo? Mas se você quiser pedir algum petisco, vem lá do
▶ 00:08:51 outro lado até o cara chegar aqui, o cara já chega cansado. >> Mas de qualquer forma é um palácio bonito. As pessoas que vê aqui ficam muito muito essa bibloteca, essa biblioteca é maravilhosa. >> Para ser presidente tem que ler três vezes esse livro. >> Já leu? >> Já li. >> Já terceira vez. >> Já sou pela terceira vez. Pô, >> já sabe de corda para >> Mas eu eu eu a minha a minha missão aqui, como a gente não conseguiu conversar aquela vez e a primeiro primeiro papo, a gente não vai conversar eh muito, eu não quero saber muito eh eh
▶ 00:09:24 como candidato, eu quero eu quero entender a tua trajetória até aqui. Eh, até porque isso a gente vai se encontrar outra vez já falando sobre sobre a eleição quando tiver mais perto, né? Eu queria entender porque eu também nasci no interior, fui criado em São Bernardo até os 17 lá, meu pai trabalhou na Scânia e e a gente tem aquela lembrança de greves. Eu lembro eu lembro de fotos, se o pessoal pode ilustrar enquanto a gente já vai falando, o que foi aquele momento eh
▶ 00:09:55 de São Bernardo e antes disso, a tua lembrança mais antiga, vamos começar tua tua lembrança mais antiga. Qual a tua lembrança de infância mais antiga antes de chegar em São Bernardo? [roncando] >> Olha, a minha infância mais antiga, minha lembrança, Vilela, eu nasci e em Gareiuns, que hoje não não é mais Gunes, hoje é Caité, porque em 60 52 era uma uma um subdistrito, digaremos, eu vivi lá até 7 anos.
▶ 00:10:25 >> Como que era a vida lá? Ou seja, é uma vida. Eu eu eu sempre digo que uma criança pobre que nasce no Nordeste, ele não tem infância, porque a gente não tinha nada que fazer. A situação era de muita pobreza. A gente veio para São Paulo para tentar escapar da fome. >> Mas você fica >> porque o meu pai, o meu pai tinha vindo, meu pai tinha vindo de Pernambuco em 1945, quando ele engravidou a minha mãe dessa beleza aqui. Ele veio embora e deixou minha mãe lá. Ele só foi votar Pernambuco em 1950. Eu já tinha 5 anos
▶ 00:10:57 de idade e depois ele trouxe um outro irmão meu e nós viamos em 52. Então eu não tive infância. Eu lembro de umas coisas que eu fazia lá lá onde eu morava era que quando tinha tanajura, a gente catar tanajura. Você sabe o que é tanajura? Aquela bundia, aquela aquela aquele a gente come aquilo. >> É, >> a gente come aquilo. E para nós nordestina é um prato gostoso. Ou seja, eu fui agora, eu fui agora em Campina Grande, tem gente vendendo aquilo na rua, no saquinho como se fosse pipoca,
▶ 00:11:27 >> uma coisa crocante, né? >> Sabe? >> Mas você não lembra de brincar na Não tinha que brincar. Não tinha o que brincar, cara. Não tinha o que brincar. >> Como que passava o tempo? Era, >> mas você passa o tempo como toda criança passa quando mora num lugar que não tem vizinho, não tinha casa perto, >> não. >> Não tinha casa perto. Ou seja, eu lembro que a gente ia buscar água numa su água muito suja pra gente beber. >> Nossa. >> Eh, eu lembro que pra gente na casa de um parente tinha que fazer umas tochas de fogo, molhar de queroso pra gente
▶ 00:11:58 poder iluminando a rua. Foi a lembrança que eu tenho. >> Mas rádio, como que era? Nada que rádio, rádio, rádio, >> nada, >> nada. Eu lembro, sabe de uma coisa? Da Copa do Mundo de 1950, teve Copa do Mundo, >> teve >> em que meus irmãos mais velhos foram na casa de um dono de uma bodega que tinha um rádio. Mas você não ouviu o rádio, era um chiado que você ouvia mais um chiado do que o locutor e pouquíssima gente tinha, >> he? Pouquíssima gente tinha rádio. >> É, pouquíssima gente, mas pouquíssima
▶ 00:12:30 gente não, quase ninguém tinha rádio. >> E a televisão vai vir muito tempo depois. >> A televisão começou a vir. >> É. >> Ô, ô, Vilela, no Brasil em 1 a Copa do Mundo de 1966, a gente não via televisão. Tinha até ficava preta, tinha uma bolinha branca que corria, mas você não via jogador, só via a marca da bolinha correndo. >> Sabe o que eu lembro? Eu lembro que tinha umas televisões que tinha uma tela, a televisão era preto e branco, o pessoal coloca uma tela de degradê na frente azul e
▶ 00:13:00 >> Mas isso já foi na 10, foi 69. É lá para 70. É, >> tinha um, tinha uma televisão que tinha um um pap um um canário, [risadas] era um papel colorido na frente. >> Então você sai, você vem para São Paulo que época? >> Dezembro de 1952. Eu saí de Pernambuco, dia 13 de dezembro eu saí de Pernambuco, viajamos 13 dias de caminhão de pau de arara. >> Caramba. >> O que a gente tinha para comer era
▶ 00:13:30 farinha de mandioca rapadura. >> Você tinha quantos anos? >> 7 anos. >> Você lembra bem disso? >> Lembro bem. >> E como foi a tua chegada em São Paulo? Que que que você lembra visualmente assim? Foi uma decepção muito grande. Nós chegamos em São Paulo, meu pai morava em Santos de >> E a minha mãe veio porque ela tinha recebido uma carta e meu pai convidando ela para vir aqui. >> Foi assim? >> Então ela veio atrás do amor dela e santo. Quando chegamos em Santos, nós descobrimos que meu pai tinha outra
▶ 00:14:00 mulher. >> Ué. E aí? E aí quando ele veio de Pernambuco em 1945, ele trouxe uma prima da minha mãe que tinha desaparecido. >> Nossa, que desaparecido, então, e já tinha quatro ou cinco filhos com ela. >> E aí, tomei tomisão, >> uma decepção muito grande, >> sabe? >> Certo. >> Ah, nós ficamos morando com ele, minha mãe foi morar na casa de um compadre dele, >> depois ele saiu da casa mesmo ou não em Santos? Aí >> em Santos. em Sant Vicente de Carvalho.
▶ 00:14:31 Sei, sei. >> Ali perto do Guará. >> É, tem uma, eu tenho família lá, >> sabe? Aí a gente morou ali muito tempo. Depois ele pegou a casa que ele morava, levou a minha mãe para morar lá e pegou a outra mulher dele, levou para outro pro fim do bairro. Era uma aqui, outra aqui. E era e era assim, foi essa decepção. E a minha mãe então tomou, >> minha mãe tomou atitude de se separar dele. Eu tenho a minha mãe como uma uma heroína, porque você imagina, a minha mãe era uma mulher que veio com oito filhos pequenos para cá,
▶ 00:15:01 >> pro mundo ela descob, quando ela descobre que meu pai toda mulher, ela largou do meu pai, foi morar num barraco, todo mundo trabalhava. Eu vendia tapioca, media minuir, vendia pipoca, meus irmãos vendia carvão, outro vendia sardinha, sabe? Todo mundo foi trabalhar, mas minha mãe nunca mais aceitou votar com meu pai. Então eu digo sempre que a minha mãe é o exemplo de mulher, >> com certeza. >> Sabe que não aceitou o desafio do marido e muito menos ser traída
▶ 00:15:31 >> do jeito que meu pai fez com ela, sabe? Então eu fiquei em fiquei em São Paulo em Santos até 10 anos. Tá. >> Aí depois minha mãe subiu para São Paulo. >> E aí, qual foi a história aqui em São Paulo? Como >> aí a história meus irmãos todos arrumaram emprego, >> tá? >> Eu fui morar numa rua na vila carioca, sabe, chamada eh, meu esqueço o nome da rua, mas nessa [roncando] rua a gente morava no fundo de um bar, era um quarto de cozinha e a gente morava em 13 pessoas nesse quarto de cozinha. Tu
▶ 00:16:01 >> se virava lá? se virava não, a gente rolava porque 13 pessoas dentro de um quarto de cozinha. >> Nossa! >> E ainda com o banheiro para fora, >> banheiro fora da casa. >> Fora da casa é frequentado pelos clientes do bar. >> Nossa, >> sabe? Então foi uma vida de muita penúria, de muito sofrimento. Mas uma coisa que guiou a minha vida, Vilela, foi que a minha mãe, ela nunca reclamou. A minha mãe, quando a situação tava mais grave, ela dizia assim: "Hoje não tem,
▶ 00:16:31 mas amanhã vai ter." E foi assim que eu fui criado. É por isso que eu sou um cara otimista. É por isso que eu não sou um cara que ficou reclamando das coisas que eu não consegui fazer. Se você não conseguiu fazer hoje, tenta fazer amanhã. O que não dá para desistir. >> E dessa época, você lembra por a escolha do Corinthians? Porque você veio aqui? Como foi essa? >> É, o Corinthians foi porque o Corinthians foi campeão do quarto centenário >> nessa época. Nessa época, em 1954, o Corinthians ganhou do Palmeiras, não empatou 1 a 1, [limpando a garganta]
▶ 00:17:01 acho que gol nos pênalti. >> E era o São Paulo, São Paulo completava 400 anos e foi o grande título, quarto centenário, a disputa entre o Corinthians e Palmeiras >> e aquilo >> e o Santos já estava em ascensão porque em 55 o Santos foi campeão paulista. Mas eu virei corintiano, não virei santista e >> sofredor. >> E sofredor, mas é porque o pessoal tem razão. Ser corintiano não é torcer. >> É, é mais do que isso. >> É uma causa. >> Exatamente.
▶ 00:17:31 >> É uma causa, sabe? Ser corintiano. Qual torcida >> você não sabe se dói no como é bom ser corintiano. >> É. É. Qual qual time que cresce quando o time tá mal? É isso. >> Quanto pior, >> eu vivi, cara, eu vivi 23 anos sem o Corinthians ganhar um campeonato. >> Eu lembro quando caiu o tabu, eu em cima de um Chevete bege no na como que chama aquela rua principal do centro de São Bernardo, em cima do capô do carro do meu pai, a gente comemorando Maria Deodoro, a bandeira. Eu eu tinha um quadro no na na no meu quarto que era um ovo, uma criança com a uniforme do
▶ 00:18:01 Graças a Deus nasce corintiano, né? 1977 contra Ponte Preta. Basílio o que você tava lá, >> tava no Murvê. >> Nossa, cara, deve ter sido aquele >> um negócio maluco. Impressionante porque o Corinthians tinha mais torcida quando perdi. >> É, então >> e ficaram uma vez sair da Vila Carioca para ir ver o Corinthians jogar no Parque São Jorge na fazendinha, cara. >> Que era um campo muito pequeno. [ __ ] quase 2 horas para chegar lá, cara. Quando eu cheguei, o jogo tinha começado, um tal de Mendes da Portuguesa
▶ 00:18:33 de 10 pontos, acho que só fez aquele jogo, >> arrebentou, >> marcou três gol no Corinthians. [ __ ] >> é o o Juventus, todo mundo resolvia jogar contra o Corinthians, né? >> Mas você jogava futebol também ou não? >> Jogava. Era bom. >> Eu quase fui bom de bola. >> Quase, >> quase, quase. Não sei se bom. >> Se fosse, se fosse o jogador, >> fosse bom, teria sido não, não foi. >> Jogava de quê? >> Mas eu gostava de jogar de minha direita. Minha direita era bom, era, era técnico. >> Eu era um dos caras escolhidos para tirar para o ípa. >> Era um dos primeiros, não era aquele último que tudo fala vai para lá. Aquele que ninguém quer
▶ 00:19:03 >> café com leite. >> Aquele que ninguém quer. >> Ou o dono da bola, né? Que [risadas] >> não brinca não >> mas jogava, jogava >> somente, somente quem não ficou esperando para o IPA é que não sabe o sofrimento. >> Você fica descobrindo que teus colegas acham que você não vale nada. >> É exato. Mas você chegou a tirar o tampão do dedo jogando na rua? >> É. Não, não, não, não. Eu tirei na praia. >> Na praia, >> na praia. Com a bola molhada na areia. Uma vez, arrancou a inteira, cara. >> Eu sei.
▶ 00:19:33 Pô, jogar na praia é muito bom, né? >> Muito bom. E eu eu tô vendo que você tem lembranças boas, então, apesar de toda essa dificuldade, tinha lembrança. Por que que eu tenho lembrança boa, ô Vilela? Essa essa história que eu te contei da minha mãe. >> Sei. >> Ou seja, você veja um negócio em 1954, 55, quando a gente subiu para Não, eu subi para São Paulo em 56. Ah, eu tava numa escola, eu só tinha uma calça, eu só tinha uma calça curta marrom com suspens azul e o outro
▶ 00:20:03 amarelo, porque eu não tinha pano para fazer os dois do mesmo pano. Eu utilizava essa calça de segunda a sexta na escola. Quando chegava na sexta-feira, eu chegava da escola, tirava a calça, colocava um short azul, que também só tinha ele e ficava sábado e domingo com meu short azul. Minha mãe lavava minha calça e o suspensol na segunda-feira, o homem da calça marrom e do suspensol azul amarelo voltava pra escola com a mesma roupa. Eu não >> aprendi. Até sabe que eu não aprendi a ficar com raiva. Eu não aprendi a ter
▶ 00:20:33 raiva porque a minha mãe, a minha mãe era muito otimista. Eu conto uma história, Vilel. Eu conto uma história que é é a coisa mais profunda da minha vida. É a coisa mais profunda da minha vida. Ou seja, eu nunca tive dinheiro para comprar um chiclete de bola. Naquele tempo a gente chamava chiclete pingpong. E a molecada que tinha mais dinheiro comprava aquele chiclete, ficava o dia inteiro mais bola. >> E eu só vendo a bola estourar na boca deles. >> Eu nunca tive, eu nunca tive. >> E eu tinha um tio que tinha um bar e
▶ 00:21:04 quando ele ia no banheiro eu ia ajudar ele no bar. Eu até poderia pegar um chiclete escondido. Eu não pegava com medo da minha mãe saber. Não era porque minha mãe ia me bater, não. Era de vergonha de envergonhar minha mãe. >> Então eu tinha um amigo chamado Boquita. >> Boquita. >> Boquita que tinha boca. Então [risadas] era filho, era filho de um fez de pano lá de Aracaju. Ele chupava o chiclete dele o dia inteiro, cara. >> Até dá raiva para gastar. Já que >> quando ele ia terminar, sabe o que ele
▶ 00:21:35 fazia? Ele me dava. >> Ah, não. Você pegava sem gosto o negócio, aquela borracha. >> Eu pegava aquele chiclete que ele tinha bascado o dia inteiro, levava para casa, ficava embaixo da torela lá uns 10 minutos lavando aquele chiclete, colocava um pouco de açúcar e pá, chutava meu chiclete. >> Só para ter a sensação de >> Não tenho vergonha, não tenho vergonha de contar isso. Tenho vergonha. Conto com o maior, sabe? >> É, mas é essas coisas que deixa a casca na gente, né? É, mas eu eu então eu devo muito a minha mãe porque eu nunca fui um cara ressentido porque eu notei as
▶ 00:22:06 coisas. >> Mas como que que ela ela falava o que sobre futuro para vocês? Assim, ela falava e a sua mãe que que ela falava? >> Olha naquele tempo. Ô Vilel, >> você tinha o que que você tinha de de horizonte para você? Então, >> nada, nada, nada. >> Era o dia a dia, trabalhar. >> Horizonte da minha mãe, o horizonte da minha mãe era que eu tivesse uma profissão. E >> e o que que ela faz? A maior alegria dela, a maior alegria dela é que quando surgiu uma vaga na fábrica de parafuso Martes, lá na vila carioca mesmo, que eu trabalhei 4 anos e meio, sabe que ela
▶ 00:22:37 passou na porta da fábrica e viu a possibilidade de eu ir pro SENAI? >> Pô, >> era como se ela tivesse formando o filho dela em engenharia ou em medicina. >> Eu fui pro SENAI, fiz o curso de torneiro mecânico, sabe? E essa fábrica de parafuso Marte era tão, era [limpando a garganta] uma metalúrgica pequena que fazia parafuso. >> Você sabe que não tinha restaurante, então >> dentro da dentro da fábrica a gente comia com marmita, levava marmita de casa
▶ 00:23:07 >> e não tinha lugar para sentar também. Sabe o que eu fazia? >> Como >> ia no banheiro, >> comia no banheiro, sentada na privada sentário lá e ficava comendo, sabe? Isso foi 4 anos e meio dentro dessa fábrica. Mas eu agradeço porque eu fiz o curso do torneiro mecânico >> por causa desse emprego. >> E graças e graças a o curso do torneiro mecânico, Vilela, eu fui o primeiro filho da minha mãe a ganhar mais que o salário mínimo. Eu fui o primeiro filho da minha mãe a ter uma geladeira, a ter um televisor, a ter um carro, a ter uma
▶ 00:23:38 casa. >> Irmãos, seus irmãos faziam o quê? Trabalhavam com quê? Meus irmã, meus irmãos, o meu irmão, um era soldador, o outro trabalhava na Ford, o outro trabalhava numa padaria, o outro trabalhava de mecânico de caminhão. >> E nessa época você imaginava alguma coisa? Um dia eu vou fazer tal coisa, tinha planos ou era só viver o dia? >> O plano era vencer o dia. >> Vencer o dia, >> sabe? Esperar um dia arrumar namorada, casar, sabe? E ter família. >> É >> uma uma coisa que eu tive, uma das marcas que eu tenho na vida é o seguinte. Naquele tempo a gente tinha,
▶ 00:24:08 você tava parado num bar, eh, e a polícia passava 8, 9 horas da noite e você saia correndo para casa. >> E o dia que eu completei 18 anos, eu fui na rua Martim Fontes tirar minha carteira profissional. >> E aí? E aí eu fiquei esperando a polícia aparecer por ali. >> Quando a polícia apareceu, >> eu se me dá o rabo de galo. >> Aí seus car deu rabo de galo. Eu fiquei lá com até a polícia chegar. Cadê o
▶ 00:24:38 documento? >> Olha aqui. [risadas] >> Aqui era cara de moleque ainda, né? >> O dia mais orgulhosa. >> Você tinha cara de moleque. Os 18. >> Eu tinha virado homem. >> É. Agora sou homem. >> Tinha virado homem. >> Que doideira. Essas coisas para mim, eu sempre tive muitos amigos. Eu sempre tive os amigos. Uma coisa que acontecia na minha vida de bom era que mesmo os times de outra vila >> tinham amizade comigo. >> Eu sempre mantive uma relação da amizade muito forte. >> Isso te ajudou >> com as pessoas. É porque eu gosto de
▶ 00:25:09 gente, eu gosto de tratar as pessoas boas, eu gosto de estar atenção, eu gosto de ouvir, >> tá rodeado de de >> sa e isso sempre me fez, sabe, ter muitos amigos, muitos muitos amigos. >> E como tua história te leva até ABC, todo aquele aquele furacão de greves, todo aquele momento que a gente estamos falando de ditadura, certo? A gente tá no no em que governo essa época que você faz 18 anos, quem tá no poder você lembra? Não, quando eu fiz 18 anos em 190 [roncando]
▶ 00:25:39 1955 195, >> tá? >> Que momento que o Brasil tava? >> Eu eu tava, eu tinha 17 anos que eu tive golpe militar, >> tá? >> Eu trabalhava na Metalúrgica Independência, era uma fábrica que fazia botão de cofre, sabe? >> De cofre. Cofre >> de cofre. Botão. Botão de cofre. Esses botão cheio de número. >> Ah, sim. O >> fazia. Ah, eu trabalhava lá e foi engraçado porque quando teve o golpe no dia 31 de março, a gente tinha meia hora para jantar, certo? comia quase que em
▶ 00:26:09 pé. E aí as pessoas mais velhas do que eu, que eu chamava de velhinho, mas tinha 40 anos, 50 anos, as pessoas, eu tinha 17 ainda. E os caras falavam: "É, graças a Deus o exército tomou conta do país, porque senão os comunistas ia tomar conta do país." Eu fiquei com aquilo na cabeça há muito tempo, >> não sabia, >> não tinha noção do que tava acontecendo. Aí eu trabalhei nessa fábrica também, depois eu fui mandado embora. Ah, e comecei a trabalhar. Aí fiquei
▶ 00:26:40 desempregado um ano e pouco. Era duro ficar desempregado, cara. >> Como você sobrevive? >> Eu andava de São Bernardo, eu andava de São Caetano na Vila São José até a Folkswagen a pé, procurando emprego, quase que batendo palma em cada fábrica. O cara pegava a carteira profissional, ficava duas horas com a carteira e falava: "Não tem vaga". Putz, >> tava aí a nota. Eu lembro que na Mercedes-Benz, cara, eu fiquei quase 3 horas esperando. Naquele tempo eu fumava e eu vi os caras fumar e eu não tinha cigarro, não tinha dinheiro para comprar
▶ 00:27:10 cigarro. Os cara fumava, jogava aquele bitucão perto de mim. >> Você ia pegando os bituc? >> Não, não ia pegando, mas eu vi ele queimar na minha frente, rapaz. >> Ah, >> vi ele queimar. E uma vez, uma vez eh, eu tava na porta da Mercedes, eu pensei que eu ia ser contratado. Eu tava com sapato bem vagabundo, sapato de couro. Eu tirei o sapato, cara. Quando eu fui calçar o pé, não entrou mais no sapato. Aí eu voltei para casa com o sapato pendurado no pescoço. >> Cheguei em casa, meu irmão me chamou de
▶ 00:27:40 vagabundo. Você não arrumou emprego, você é vagabundo. Eu meti o sapato na cara dele e no dia seguinte suja a vaga na Vilares. >> São Bernardo. >> É, sei. >> Aí eu fui na Vilares, cheguei lá, o cara falou: "Tamos precisando de torneiro, faz um teste". Eu fiz um teste e trabalhei 17 anos e meio lá. >> Deixa eu avisar o pessoal que a gente tá ao vivo, tá? Então pode mandar perguntas aqui pelo chat, né, Léo? Não falou no começo, mas >> exatamente, você manda que eu vou separar aqui pra gente dar presidente. >> Isso. Manda o super chat. O Léo tá separando lá. Aí você você tá Vilares
▶ 00:28:10 essa época da Vilares eu fui >> mas consciência política ainda não existia. >> Não, não tinha consciência política. Eu lia, na verdade, a coluna do Guzma no Diário da Noite, 20 notícias sobre esporte. Era o que eu lia. >> Era o que você lia. Bem, aí o meu irmão já o meu irmão Fre Chico, ele era ligado ao Partido Comunista Brasileiro, mas ninguém sabia e ele era sindicalista, sabe? E ele me levou no sindicato, ele me levou numa assembleia que tava escolhendo o delegado para ir num
▶ 00:28:40 congresso em Ribeirão Preto e houve uma briga e a briga era contra o meu irmão, porque meu irmão foi escolhido com delegado e o pessoal não queria que ele fosse delegado. >> Sim. Aí eu passei a gostar do sindicato por causa dessa briga. >> Foi, foi essa por >> aí. Aí fiquei só do sindicato em 1968. Eu já tinha 23 anos de idade. E aí quando foi em 1979 chamaram meu irmão para ser diretor do sindicato. O meu irmão não quis porque na fábrica dele já tinha um diretor.
▶ 00:29:10 >> Aí meu irmão me levou lá e aí eu virei diretor do sindicato. >> E aí que que muda? Eu virei diretor do sindicato. Eu comecei a aprender um pouco, ter consciência política e comecei a conhecer um pouco, sabe, o mundo político, o mundo sindical. Eh, em 1972 eu fui, eu virei diretor executivo, ou seja, eu virei, fui trabalhar no sindicato, me afastei da Vilares e fui cuidar do departamento jurídico do sindicato. Então, eu cuidava de departamento jurídico, da previdência social, da aposentadoria, de habit de de
▶ 00:29:41 processos que os trabalhadores queriam abrir, do fundo de garantia. Eh, em 1985 eu virei presidente. >> Mas eu queria falar dessa época, então, dessa época eh turbulenta das greves. O que que leva até as greves? Qual é o o momento que a gente estava vivendo no país, >> Não, as greves, as greves era um processo naquele tempo era muito difícil pensar em greve. >> Não, não existiam greves ou existiam greve desde 1968. >> Por quê? A última greve tinha sido em Osasco e em Contagio Osasco em São Paulo
▶ 00:30:13 e Contágio de Minas Gerais, >> tá? >> E e o governo foi muito duro com a greve, prendeu muita gente, então e prendeu muito dirigente sindicais e depois do golpe militar de 64. Então o movimento sindical enfraqueceu muito e o movimento sindical foi virando pelegão. Ninguém queria mais fazer greve. Eu entrei no sindicato [roncando] e quando em 75 eu fiz uma descoberta muito grande. Eu falei o seguinte: "O sindicato não é o prédio, o sindicato é a fábrica". E aí, ao invés de fazer assembleia no sindicato, eu ia na porta da fábrica.
▶ 00:30:44 >> E aí, >> se teu pai trabalhou na Scânia entre 1975, >> 1980, ele me viu muitas vezes na porta da Scânia, em cima do caminão fazendo da assembleia. >> Então você convocava o trabalhador para ir pro sindicato de noite. Ele tinha trabalhado o dia inteiro, sabe? Quando chegava no hora da saída tinha um ônibus da fábrica para levar ele para casa. Ele preferia ir para casa. O que que ele é pro sindicato? Então eu falei, sabe de uma coisa? Não é o trabalhador que tem que vir aqui, eu tenho que ir até ele. >> Entendi. >> Aí eu passei, >> essa foi a mudança.
▶ 00:31:14 >> Eu passei 5 horas da manhã na porta da fábrica, 6 horas da manhã, 7 hor, 8 horas da manhã, 11 horas, meio-dia, 2 horas. Eu ia em todos os horários de entrada e saída, eu ia na porta da fábrica. Até na saída da Volkswagen. 2:20 da manhã eu tava na porta da fábrica. Aí mudou, o sindicato ganhou confiança, sabe? E foi aí que a gente começou a ver as coisas acontecer. >> E aí veio a greve de 1978. Isso, isso o que que é, Lula? Ó,
▶ 00:31:45 >> isso foi em 79, essa greve. Aí eu tô acho que na matriz de Santo André, >> na >> anunciando que eu que eu eu tinha me eu tinha sido caçado do sindicato, fiquei em casa três dias, eu voltei para assumir a greve, >> tá? Mas a gente estava vivendo no mundo, se não me engano, também o Levalça em na Polônia em 80. Em 80. >> Os movimentos foram mais ou menos ao mesmo tempo aqui. Lá quando eu tava em greve em São Bernardo, o Valesca tava em
▶ 00:32:16 greve em Guidansk, >> tá? >> Qual era a vantagem? A vantagem é que o Valesca tinha um movimento muito grande para derrubar o regime comunista que tinha na na Polônia. E ele tinha do lado dele uma pessoa muita muito famosa que era o Papa João Paulo II. Verdade. Polonês. >> E tinha uma uma influência ocidental. Toda a Europa era favorável a derrubada do governo da Polônia. Então o Valesca teve um apoio enorme. Aqui no Brasil não. >> Aqui no Brasil em 1980 o Papa João Paulo
▶ 00:32:46 II veio ao Brasil. >> E aí >> eu fui chamado para ir, sabe, no encontro com Papa e aí >> num colégio, no no num no casa paroquial. Os militares não deixaram entrar até 3 horas da manhã. Cara, chovendo, eu do lado de fora embaixo de um todo, sabe? >> E o papa lá querendo me receber e os militares não deixava. Aí de repente abriram, acho que foi 3 e pouco da manhã, eu consegui ver o papa. >> Mas você tinha medo dessa época de de alguma coisa em relação à sua vida, de
▶ 00:33:17 ser preso? Reg, não tinha. >> Por quê? Porque você ficou grande demais para ser calado. É isso. >> Ah, mas eu fiquei grande. Uma coisa importante, vi que eu fiquei fiquei grande e fiquei respeitado. Porque tem uma coisa que eu também aprendi de berço. Eu gosto de ser respeitado e gosto de respeitar, sabe? Isso me fez o seguinte, eu vou lhe contar uma história. >> 1978, >> Luiz Eulário Guano Vidigal, presidente da FIESP, ele era o empresário de Osasco, ele era
▶ 00:33:48 presidente da Cobrasma, ele foi no comando do segundo exército em São Paulo se queixar da greve, falar para greve. Se eu fosse um outro cara que tivesse uma outra formação, eu não viria, não iria pro sindicato, eu correria para me esconder. Eu fui pro sindicato, cheguei no sindicato, peguei um jornal A foi São Paulo, uma manchete grande. Luiz Eulário Vidigal procura o comandante do segundo deserto para fazer queixa da greve. Sabe
▶ 00:34:19 o que eu fiz? >> Hã? >> Peguei o telefone e liguei para vocês no exército. Atendeu um coronel. Falei aqui é o presidente do sindicato. Eu tô lendo no jornal que a FIET foi aí falar mentira. Eu quero ir aí para contar a minha verdade. E o general de Lermando Monteiro me recebeu e >> conversou comigo 3 horas, cara. Aí eu contei minha história para ele de Pernambuco, da fome que eu passei, contei tudo do desemprego. Ele falou para mim: "Senor Luiz Inácio, enquanto
▶ 00:34:49 eu for comandante do segundo exército, o exército não se meterá em greve de trabalhador." >> E cumpriu. >> Cumpriu. Depois ele saiu e aí entrou o Caveirinha. Aí o Caveirinha aquele que em 80 sobrevoava o estado da Vilaclit com helicóptero com com metralhadora apontando pra gente. >> Nossa. >> Tá. Mas nós fomos presos dia 27, dia 17 de abril de 80.
▶ 00:35:19 Nós fomos presos, ficamos 31 dias presos, sabe? >> E o e o que aconteceu na >> Eu eu eu não não tinha medo, >> mas foi >> eu eu tinha confiando. >> Mas mas era torturado, eraão. >> Não, não, não chegamos. Nós não fomos torturados porque nós fomos presos numa época em que a sociedade já tava em manifestação. Não era mais só o sindicato. >> A sociedade civil tava solidária, >> sabe? As universidades, a Igreja Católica teve um papel muito importante nisso. Então a gente não foi torturado, a gente foi preso, entramos em greve de
▶ 00:35:51 fome. Nós entramos em greve, eu era contra greve de fome. Nós entramos em greve de fome porque todo mundo entrou. A gente tava em 13 noela, 13 noela, >> 13 homens no cela. Um banheiro só, sem tampa. Quando você ia no banheiro, a gente ficava ouvindo, sabe, a loucura que você fazia no banheiro. >> E um cano d'água gelado que caía em cima do vaso sanitário. Então você tomava banho gelado. E nós fomos e nós fomos, nós ficamos lá 31 dias. Ah, e foi um aprendizado também.
▶ 00:36:22 O pessoal queria que eu acabasse com a greve. Falava: "Não acabo com a greve porque vão dizer que eu acabei com a greve de medo. Portanto, não vão ficar aqui até". Então aí eu entrei em greve de fome. Eu era contra greve de fome porque eu era contra judiar do próprio corpo >> para arrumar causa. >> E aí tinham levado para mim umas balas paulistinhas. Não sei se você conheceu bala paulistinha. >> Sim. Sim. >> Aí eu peguei as balas paulistinha tinha guardado embaixo do do na fronha do meu c do meu travesseiro >> para ninguém pegar minhas balas. Aí quando eu foi de noite, eu imaginei que
▶ 00:36:53 todo mundo tava dormindo, eu fui sorradeiramente, peguei minha bala, quando eu fui desembrar >> aquele barulhinho, [risadas] >> os 12 companheiros que tava dormindo já, todo mundo acordou, foram em cima de mim, tomaram a minha bala e deram descarga. >> Não deu para para furar a greve, quase >> deu para furar a greve. >> E qual foi a importância da da greve olhando para trás? da greve é que ela criou um um um empresários não tiveram nenhuma dó de nós e nenhum respeito. Eu lembro que a
▶ 00:37:23 FET falou o seguinte: "Olha, eles estão de greve de fome, então se eles aguentar um ano de greve de fome, eu não quis a gente negocia". >> Falaram isso. >> Mas aí o Dom Cláudio Humes era o bispo de São Bernardo, ele foi me visitar e eu falei para ele, ó: "Dom Cláudio, não há hipótese de acabar com essa greve". A única hipótese é se os trabalhadores exigiram que a gente pare com a greve de fome. Ele foi na assembleia, propôs votação o fim da greve, os trabalhadores votaram para acabar com a greve. Aí eu acabei. Aí eu imaginava quando eu acabei com a greve,
▶ 00:37:53 eu imaginei que o Tuma, que era o diretor da delegacia ia trazer um frango assado. Nós ficamos, nós ficamos, a greve de fome durou seis dias. >> Sonhava com frango? >> Eu sonhava com um frango, aquele de padaria, tá b? Aquele que fica cachorro fica sentado na [risadas] frente aqui. [limpando a garganta] Eu tinha uma vontade >> e quando acabou chamei a turma. Turma nós queremos comer o frango. Veio o médico. Sabe o que que deu para nós? Um copinho com tanto assim de suco de mamão. >> E era isso. >> Porque a gente tinha ficado muito tempo
▶ 00:38:23 de não podia comer muito. Só fui comer frango no dia seguinte. Mas eu eu tava falando da da importância desse movimento de greve do ABC em relação a a o que mudou que isso virou isso acaba desvaguando depois o PT daí para um movimento os trabalhadores. Como que que as as greves do ABC? as greves do ABC, ela elas tiveram um um padrão muito grande de responsabilidade na conquista da democracia, porque a partir
▶ 00:38:53 da greve do ABC, outras categorias começaram a fazer greve pelo Brasil inteiro. Então, o movimento sindical quase que ressurgiu das cinzas, virou uma coisa muito forte. Nós criamos a CUT, que foi muito forte durante um monte de de anos. Aí criamos o PT, sabe? Criamos o PT. >> Quem que cria o PT? Qual? Qual que é a base dele, qual que era o >> Eu vou te contar por que eu criei o PT, >> tá? >> 1978. 1978
▶ 00:39:23 o ministro do trabalho era Arnaldo da Costa Prieto, um gaúcho. O governo acho que era o Gaisel em 1978. Eu >> eu acho que sim. E eles fizeram uma lei proibindo bancário fazer greve, professor fazer greve, frentista de posto de gasolina fazer greve. E eu não quis aceitar aquilo. >> Eu fui paraa Brasília para conversar no Congresso Nacional, conversar com deputado. E qual foi a grande descoberta
▶ 00:39:53 da minha vida? É que não tinha trabalhador no Congresso Nacional. Aí eu fiquei pensando como nós somos imbecis. A gente quer que esse congresso faça uma lei para beneficiar a gente. Não tem ninguém novo aqui. >> Foi aí que aí caiu a ficha. >> É tudo empresário, é tudo intelectual, é tudo gente. Aí resolvi criar um partido. >> E como que foi essa criação? >> Ah, foi >> quem quem que tava nessa? >> O cara lá em São Bernardo, eu acabava de almoçar de sábado e domingo, eu pegava um fusquinha com uma corneta,
▶ 00:40:25 >> corneta, >> corneta em cima da do Fusquinha, >> sabe? E ficava lá, companheiros e companheiras, aqui quem tá falando é o Lula, o presidente do sindicato dos metalúrgicos. Eu tô querendo criar um partido político, eu preciso fazer filiação. Quem quiser se filiar, vem aqui. Aí de vez em quando vinha um, vinha dois, vinha três, sabe? E assim eu criei o maior partido político da América Latina. >> Mas quem que tava lá junto contigo? naquele eu entrevistei um pessoal que que teve junto nesse começo. >> Naquele tempo tava o pessoal do
▶ 00:40:55 sindicato comigo, tava o sindicato dos bancários de Porto Alegre, tava o sindicato dos petroleiros. >> Mas vocês vocês imaginaram um caminho até poder e e mudar de dentro? >> A gente a gente imaginava, >> mas mas era uma coisa muito sonhadora ou era uma coisa concreta que você achava sonhadoraí? Ô cara, quando eu fui lançado candidato a presidente em 89 e pelo PT, eu tava aqui em Brasília, eu não acreditava, eu falei: "Es caras são louco tá do outro lado Guimarães, tá do
▶ 00:41:27 outro lado, Aureliano Chaves, tá do outro lado, Brizola tá do outro lado, Paulo Maruf tá do outro lado. Esses caras me lança candidato um peão metalúrgico >> para você. Achei que era essa foto, quem que tá nessa foto? Você lembra? >> Ah, não lembro que tá nessa foto. >> Mas é o comecinho, né? >> Não, mas é o comecinho. >> Comecinho. >> Então, então foi meio na loucura te te lançar, tipo, não tem chance. >> O cara, a coisa tava tão ruim que eu fui
▶ 00:41:58 para Manaus em julho como candidato. Cheguei em Manaus, eu fui visitar, eu fui visitar Itaparica. Taparica não, a hidrelétrica >> de Balbina. >> Balbina >> é uma hidrelétrica grande. >> Pessoal, soprou errado ainda. Falei Taipu. Itaipu. >> Uma grande uma grande hidralétrica com muito lago grande, >> mas que produz pouco MW. Eu chamava aquilo de monumento da insanidade. Eu
▶ 00:42:29 fui lá, quando eu volto para Mana, eu compro o jornal Estado de São Paulo. Cara, eu tinha caído na pesquisa de três para 2,75. Eu falei: [risadas] >> "Pronto". Não. Aí eu peguei o avião, voltei para São Paulo, eu falei: "Eu vou desistir porque eu vou terminar a campanha devendo pro Ibop com ponto negativo." >> Aí eu pensei e dá para Luiz Herondina ser candidata, que ele era prefeita de São Paulo, era. >> Mas por que que o senhor nunca pensou em escalar assim, por exemplo, prefeito,
▶ 00:43:00 governador, por que foi direto para pr as coisas na política não acontece quando a gente pensa. Eu jamais imaginei ser presidente do sindicato. >> Não, >> jamais imaginei. >> Foi só porque seu irmão não quis e acabou. Jamais não imaginei se jamais. Tudo na minha vida aconteceu. Eu digo porque Deus quis. Jamais imaginei. Jamais imaginei ser presidente do sindicato, vi presidente do sindicato. Jamais imaginei participar de política. Só para você ter ideia, ô Vilela, em junho de de 78, o Fernando Henrique Cardoso foi candidato ao candidato ao Senado, sabe,
▶ 00:43:32 na sublegenda contra o Montoro, >> certo? >> E eu dizia assim, a imprensa, a imprensa adorava quando eu mostrava minha ignorância. Eu dizia assim: "Eu não gosto de política, não gosto de quem gosta de política". O pessoal achava o máximo que é operário, genuinamente operário, um operário, sabe? Livre da política tudo. >> Dois meses depois, >> lança, >> eu tava fazendo campanha pro Fernando Henrique Cardoso.
▶ 00:44:02 >> Dois meses depois. E aí eu entrei na política, fui candidato a presidente, ou seja, fui pro segundo, >> mas o movimento direta já você tava tava lá, >> tava em 84, tava em 84 já tinha o PT. Aliás, a história não conta, tá? Mas se você pegar a revista isto é de 1983, de novembro de 83, >> se você pegar vai ter uma matéria pequena, sabe, dizendo o primeiro ato pelas diiretas já desse país foi feito
▶ 00:44:34 pelo PT em novembro de 1983, na frente do Pacaembu. >> Ah, é. tá na frente do Paqu >> e depois naquele movimento grande que tem em janeiro de em janeiro de 2000 de de de 85 de 84, sabe? De 1984 em em novembro de 84 nós fizemos o primeiro ato. Eu lembro como se fosse hoje. O Montoro foi convidado para ele não foi porque ele tava não sei aonde
▶ 00:45:04 ele mandou o Fernando Henrique Cardoso representá-lo. Fernando Henrique foi representar. Não quis nem falar. A aí, >> mas por medo ou não? Não quis falar, não sei porquê, >> mas eu não quis falar. Aí nós fizemos o ata, a imprensa não deu nenhuma cobertura, nenhuma. Em janeiro de 25, em janeiro de 85, >> essa manchete foi a primeira. Não parecia o Rivelino. >> Parecia, [limpando a garganta] parecia. >> É mais bonito que o Rivelino. >> Aí a gente bonito. Aí aí >> aí aí o pessoal de
▶ 00:45:34 >> aí. Aí depois desse de >> desses movimentos de do direto, >> depois de 25 de janeiro de 84, o montor era governador. O PMDB assumiu. Olí Guimarães teve um papel extraordinariamente importante que ele foi o cara que puxou de verdade essa campanha. Aí eu viajei o Brasil inteiro com eles fazendo campanha. >> O Montoro não queria que eu fosse. O Montoro chegava dizer: "O tá fazendo campanha da direta pro Lula ser aplaudido em praça pública". Porque eu
▶ 00:46:05 falava a linguagem da peãozada. >> Ah sim. >> Sabe, >> ele tinha uma linguagem mais intelectual e o pessoal faz. >> Por isso que eles se levavam, hein? >> Por isso que eles se levavam para falar com o povo. >> Também ele levava porque o Gu era um um bom um bom homem. >> É mesmo. >> Era um bom homem. Era um democrata de verdade. O Guimar respeitava o PT, embora fosse um partido adversário do partido dele. >> Pois é. >> Sabe? >> Era outra época. Eu gostava muito do Luís Guimarães, foi presidente da constituinte, eu fui deputado constituinte, um homem de bem íntegro,
▶ 00:46:36 >> coitado, foi candidato a presidente da República, teve menos que 5% de voto. >> E aí um metalúrgico sem diploma universitário, peão de fábrica, vai pro segundo turno. >> Com quem? Com Fernando. >> Com Colon nessa época. >> Com essa é a revolução que aconteceu nesse país. >> Qual como que tava o país nessa época? E eu lembro que o Colar apareceu do nada, era o caçador de Marajás, eh, veio, foi meteórico, ninguém conhecia, de repente ele ele tá lá na frente. Que que
▶ 00:47:06 aconteceu? >> Não, o que aconteceu é que ele começou sendo candidato com apoio dos meios de comunicação >> maciço, >> sabe? Ele era contra o Brisola, que era era amaldiçoado pelo empresariado brasileiro, era contra o Lula, era contra Ul Guimarães. Então era a novidade, a novidade que foi adotada pelo meios de pelos meios de comunicação e pela elite financeira desse país. Ele não tinha conteúdo nenhum e foi pro segundo turno, sabe?
▶ 00:47:37 >> É. E aconteceu aquilo, né? E ele ganhou no segundo turno porque a Globo manobrou >> o debate debate e teve e teve aquele golpe sujo, né? >> É, mas de qualquer forma, deixa eu lhe contar uma história, de qualquer forma, eu de vez em quando o pessoal não entende quando eu falo, >> tá? Eu às vezes acho que foi coisa de Deus eu ter perdido aquela eleição. >> É, foi melhor, >> porque eu aprendi muito nos 12 anos que eu esperi. >> Talvez você não tivesse tão preparado. É isso. >> Não, talvez eu fosse caçado logo, porque eu não governava com o discurso que eu tinha,
▶ 00:48:07 >> que era muito, era muito sectário. Ah, >> sabe, eu queria só falava estatizar banco, você falava estatizar, sabe? Não cabia o discurso naquele negócio. Então eu acho que foi muito importante a lição que eu tinha. Mas eu não tinha ouvo, eu não tinha ouvido o senhor falar ainda nessa, nessa visão aí. Eu de vez em quando acho que eu não ganhar as eleições foi uma coisa de Deus, sabe? >> Se prepare, meu filho, que quando você ganhar você vai poder resolver o problema. E foi o que aconteceu. Como que quando eu ganhei, eu cheguei aqui
▶ 00:48:38 preparado. >> Mas como te bateu aquela aquela declaração que ele pegou tua ex-mulher falando sobre aborto, sobre aquela coisa? Mulher, cara, >> era, era quem? >> A mãe da Luri? >> Isso. Mas, mas >> mulher era Mas aquilo ninguém soube, foi pego de surpresa e aquilo mudou o >> Não, não foi pego de surpresa. Aquilo tá na na constituinte, no livro da constituição, >> sabe? Tá lá. Eu declarei a Lurian. >> Não, eu sei, mas ele ele levar isso pra televisão foi uma coisa suja, né? Porque na política brasileira sabe,
▶ 00:49:10 >> dessa valia tudo. >> Não, não vale tudo e você não tem qualidade. No Brasil o problema da política é que muitas vezes a podridão toma lugar da verdade. Então o cara acha que dizer que você é gay, dizer que você eh sabe, vai te prejudicar. Eh, eu acho que aquilo não me prejudicou. >> Você acha que não aquilo não não mudou não não mudou a aud resultado? É mesmo? mudou. Eu achei na época que o que mudou foi a canalista do debate
▶ 00:49:40 >> a partir daquilo. Você acha que que desandou >> isso? >> Porque eu via debates, o Brizola eh você tinha era o debate era diferente antigamente, né? Existia um respeito, apesar das das ideias diferentes. >> Era uma coisa mais séria. >> É, >> era uma coisa mais séria. Por isso que eu tô te dizendo, a política vem apodrecendo ano a ano. >> Ano, >> a quantidade de mentiras, a utilização da internet como uma uma fábrica de mentir, uma fábrica de contar em
▶ 00:50:10 verdade, uma fábrica de denegrir as imagens dos outros. Aliás, não pode falar a palavra denegrir, mas tem que criar imagem negativa contra as pessoas. É muito grande, >> porque para depois para você desmentir é muito mais difícil. >> Ou seja, porque tem muita gente que se guia por algoritmos agora. >> É, >> sabe? Então, >> mas o que que muda tua vida então com essa com essa derrota? Que que que que pata na sua na tua cabeça de de vou me preparar mais? Vou me preparar mais. Aí aí eu tomei a ideia mais inteligente da minha vida. Resolvi fazer caravana da cidadania. Naquela campanha eu descobri
▶ 00:50:41 que nenhum candidato conhece o Brasil. Porque você sabe da onde você mora, pega um avião, desce na capital, faz um comício, volta pro avião, vai para outra capital. Ou seja, você não conhece nem as pessoas que estão no palanque. >> É. >> Aí eu resolvi que um dia eu ia governar o Brasil. Eu queria conhecer as entreias do país. Eu queria fazer uma ressonância magnética do país. >> Ressonância magnética boa, >> sabe? Eu queria conhecer o Brasil por dentro. Andei 92.000 km de carro. de
▶ 00:51:13 trem, de ônibus e de bar >> conversando, >> sabe? Parando em muita cidade, parando em comunidade, conversando, ouvindo as pessoas e aprendendo, sabe? Andava eu, o meu querido e saudoso amigo Avisabs Saber, um dos grandes intelectuais, sabe, da questão ambiental nesse país. Andava com o Zé Graziano, ou seja, eu tinha uma turma preparada. A caravana da Amazônia. A gente foi 15 dias de barco parando de comunidade e cada vez que eu
▶ 00:51:43 ia chegar numa comunidade, a gente parava o bar que tinha uma hora de aula. Alguém dava uma aula pra gente sobre o tipo de floresta que tinha a água, o tipo de peixe que tinha, sabe? Então, quando a gente chegava na comunidade, a gente era quase que professor da realidade daquela comunidade. Então, eu aprendi muito sobre o Brasil, muito, muito, muito, muito. >> E aí vem a segunda eleição, já é com Fernando Henrique. >> Aí vem com Ser Henrique Cardoso, a segunda em 94. >> E o que que você aprendeu dessa?
▶ 00:52:13 >> Não, que não aprendi. Aprendi que ninguém ganha o jogo antes da hora, porque em março de 94 eu tinha 40%, Fernand Cardoso tinha 12. >> Caramba. Mas acontece que o plano real foi um sucesso extraordinário. >> Foi, eu >> ele estabilizou a inflação, era hiper >> estabilizou [limpando a garganta] o preço. >> E aí o Fernando Henrique Cadoso também, eu era sozinho, era só o PT e o PC do B contra o mundo. Eu ainda tinha que falar mal do real.
▶ 00:52:45 >> Mas você era você, você era contra ou era a favor? >> Eu era contra >> porque tinha que ser ou porque via problemas? Porque eu achava que o real não resolvia o problema. É >> porque tu foste favorável para que ser candidato? Eu tinha que defender o candidate. >> Defend você. Então vota nele. >> Então tinha que ser contra >> Entendi. >> Sabe aí. Eh, mas foi uma bela. Mas deu aí eu saí saí de 17% que eu tive 89 para 24, 94 já cresci. >> É. >> Aí quando foi em 98 eu fui candidato,
▶ 00:53:17 cresci de 24 para 32%. E aí em 2002 eu ganhei. >> E como foi essa eleição para você? >> Você ganha é meio um um círculo se fechando. É uma >> Você sabe que você sabe que chegou um momento em que eu pensei em deixar de ser candidato. Senão >> é mesmo? Ah, não é para mim. Isso é o campeão da derrota. Lulinha perde perde. >> Entendi. >> É. Nunca gera o Lulinha ganha ganha. Aí >> e o pessoal insistindo. Mais uma.
▶ 00:53:48 >> Aí você veja de uma coisa como é difícil. Eu eu fazia discurso assim, nós fizemos pesquisa. Então, uma vez eu tava num palanque no Rio de Janeiro e eu fui falar sobre a reforma agrária e eu falava tão bravo, eu falava reforma agrária ampla e radical sobre o controle dos trabalhadores. Chegava a babá. Aí quando eu desço do palanque, uma senhora de cabelo branco fala assim para mim: "Lula, eu gosto tanto de você, mas você me assusta quando você fala muito
▶ 00:54:19 bravo." >> Ah, você tinha uma imagem muito >> você me assusta. Você fala a mesma coisa, mas calmo. Aí [risadas] aí a >> falar a mesma coisa, mas calmo, sem babar. E aí nós fizemos uma pesquisa se o povo queria a reforma agrária ampla e radical sobre o contorno dos trabalhadores, ele queria reforma agrária tranquila e pacífica. >> E aí >> 90% queria tranquilo e pacífico. >> Então
▶ 00:54:49 >> e para mim mudar o discurso, >> foi daí que veio o ter >> para mim colocar dentro da minha boca, >> foi daí que veio o Lulinha Paz e amor que falou. >> É para mim colocar na minha boca palavra tranquilo e papí porque eu não sabia. >> [risadas] >> ficava estranho. >> Mas aí eu coloquei, sabe? Então, >> e fez diferença. >> É, então essa essa na verdade essa eleição de 2002, você sabe, ô Vila, quando você vai para uma campanha sabendo que você vai ganhar? >> Ah, é? >> Eu nunca tive medo daquela eleição. >> É mesmo. >> Eu tinha quase como se fosse um uma
▶ 00:55:21 ordem de Deus. É a tua vez, cara. Quando eu não foi não ganhei no primeiro turno, todo mundo ficou nervoso com o segundo turno. Eu falava: "Fique tranquilo que a gente vai ganhar, >> não há como eu perder. A seleição é minha". Sabe? E fom pro debate com Serra, muito respeitoso, um debate em alto nível, sabe? E eu ganhei as eleições. >> E como você encontra o país? >> Sério? E eu encontro o país numa situação difícil, mas muito melhor do que eu recebi do Bolsonaro. Muito melhor. >> É, vamos falar dessa época então, comparar depois com que tava o Brasil.
▶ 00:55:51 Então o Brasil tava com a inflação crescendo. O Brasil tinha uma dívida de 30 bilhões de dólar no FMI. Você vê que o Malã não era respeitado no FMI. Ninguém recebia uma lã. >> Falam que era uma dívida impagável. >> Todo ano vinha dois, todo ano vinha dois membros do FMI no Brasil, sabe? Fiscalizar as monas. É, eu lembro, >> sabe? >> E e quando eu cheguei lá, eu cheguei com compromisso. Eu falei, eu vou acabar com esse negócio com o FMI. >> Como >> sabe? Chamei o FMI e falei o seguinte: "Olha, eu
▶ 00:56:22 sou filho de uma mulher analfabeta que me ensinou que a gente só pode gastar aquilo que a gente tem e eu vou pagar vocês porque eu não quero ficar devendo para vocês." E o cara não, Lula, não precisa, não precisa. Então falei, nós vamos pagar. O que aconteceu em 2005? Eu paguei o FMI 30 bilhões em 2008 emprestei 15 bilhões para eles e fiz uma reserva de 270 bilhões, que hoje tá 200 milhões.
▶ 00:56:54 >> Chateia quando o pessoal fala que você teve sorte porque foi surpou nas comies e tal. >> Eu se for contratar um jogador, um goleiro, eu vou perguntar: "Esse cara tem sorte ou não? Temarado tiver pro adversário. >> A sorte faz parte. >> É, o problema é o seguinte, cara. Sabe tudo que eu faço? O Pedal Luna tem sorte. >> Seu viste. >> Só para você saber uma coisa, Vilela. Você saber uma coisa. Você sabe que eu saí da presidência em 2010, >> certo? >> O país tava crescendo 7,5% ao ano.
▶ 00:57:27 7,5% ao ano. Depois que eu deixei a presidência, >> foi para quanto? >> O partido em 2011 caiu para três, já com a companheira Dilma. Em 2012 caiu para dois, em 2013 caiu para um. >> Caramba. >> Ou seja, ele só voltou a crescer acima de 3% quando eu votei em 2023. >> Sorte. >> Em 2023. Então o Brasil precisa de alguém que tenha sorte, gente. [ __ ] Zag chega, vai pros outros, >> vai pra Copa junto com a seleção. Então
▶ 00:57:58 >> vai pra Copa. Então eu eu tenho uma coisa que eu f eu tenho uma teda, Vilela, que nunca um economista falou para mim. Hã, >> que é a minha vida, sabe? Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza de todos e muito dinheiro na mão de poucos é pobreza de todos. >> Faz sentido. >> É porque todo mundo, o dinheiro tem que circular, cara. Claro. >> O se se você tiver R$ 1.000, você der para um cara só, ele vai colocar no
▶ 00:58:29 banco. Mas se você tiver R$ 1.000 e der para 100 pessoas, cada um pegar R$ 10, vai pro comércio. É, >> o dinheiro circula. >> Exato. >> Aquilo gera um emprego. Vende um p a mais, um cafezinho, uma cerveja. >> Essa é a lógica que a elite brasileira não quer compreender, cara. O dinheiro tem que circular. E é isso que esse é o milagre meu. >> Mas você encontrou que resistência nesse primeiro governo ou ou foi mais fácil? É, é resistência porque você tem uma máquina. >> Então é isso que eu não entendo. Todo
▶ 00:58:59 mundo que entra fala dessa máquina, do sistema que é difícil. Isso como que briga com esse sistema? Sistema é difícil. O sistema é difícil >> porque tá lá desde sempre. >> O sistema é difícil. O sistema você tem você tem o sistema que são os cargos de estado, de carreira. É, >> são pessoas que não dependem do governo, >> então >> são pessoas concursadas que estão lá de alto nível na Receita Federal, na fazenda, sabe, no Itamarati, na na na justiça, na na no poder judiciário,
▶ 00:59:31 sabe? São gente que não depende de governo. Então chega o presidente gritando, cara, ouve, fala: "Tá, eu vou fazer, eu vou fazer, eu vou fazer anos tem outro." Aí o cara que tá na máquina, o cara fala babaca acha que vai falar comigo daqui 14 ele tá embora. Eu já tô a 30 aqui, vou ficar mais 20. >> Exato. Exato. >> Então essa é uma coisa que a gente fala que tem que mudar e você muda com paciência, você muda discutindo com as pessoas. >> Claro, democraticamente, >> sabe? Muda discutir. Eu brigo muito,
▶ 01:00:02 cara. Eu brigo muito porque a máquina pública, ela tem um manual, sabe? Todo mundo tem medo de ser denunciado de corrupção. Então, o cara que tá na Caixa Econômica, o cara que tá no Banco do Brasil, o cara que tá na receita, o cara que tá, sabe, na numa num numa repartição pública, ele sabe na hora que ele vai liberar um dinheiro para uma obra, ele vai contar até 1000, cara. Porque ele fala, e se tiver alguma denúncia? >> Mas sabe, mas sabe o que me parece fora
▶ 01:00:33 o o povo comum? É que essas pessoas não têm medo, >> não tem? Tem medo? >> Tem, tem medo, tem medo. Dizer porque se um funcionário público, quer dier que quem não tem medo é o ladrão. >> Então é isso que eu tô falando. >> Mas nem todo mundo é ladrão. Tá cheio de gente boa. >> Ah, os tá falando dos honestos. Ah, tá claro. O honesto morre de medo de ser pessoa, eu vou ser contatar advogado. Eu vou ter. Sim, sim. >> Agora o ladrão, é, o ladrão é >> e não tem disfarçatez, faz o que quiser, sabe quer? Mas vamos continuar na linha
▶ 01:01:04 do tempo. Então, aí dois mandatos. O segundo mandato seu, qual é a diferença do primeiro? Ah, >> a reeleição >> é o seguinte, meu caro. >> Primeiro, você sai bem. >> O primeiro O primeiro foi um bom mandato porque a gente arrumou o país. >> Isso. E o segundo, qual é desafio? >> É, e o segundo porque a gente conseguiu fazer as coisas acontecer. >> Ah, no primeiro não deu tempo. >> No primeiro nós plantamos, >> no segundo não acolhemos. É, veja, nós geramos 22 milhões de emprego nesse país, cara.
▶ 01:01:36 Nós recuperamos mais de 1 milhão de emprego no setor metalúrgico desse país. Nós fizemos só no meu mandato de 8 anos, nós assentamos 59% de toda a terra brasileira disponibilizada paraa reforma GA foi feita nos meus 8 anos de governo. Mas e toda essa esperança, toda essa esse esse essa ascendência, que que aconteceu que o Brasil começou a dar errado ou a cair depois mesmo com o governo do PT? >> Ah, pois é. Deixa eu dizer porque
▶ 01:02:06 começou a cair. Eu eu acho eu acho que você teve a crise de 2008, >> que foi, lembra pra gente o que que foi? >> A crise 2008 foi a chamada crise do subprime nos Estados Unidos. Estados Unidos >> houve um rombo, sabe? >> Afetou o mundo inteiro, >> não? Que afetou a o processo habitacional dos Estados Unidos. Eh, mais de 10 milhões de pessoas perderam as casas, ficaram devendo. Eh, e eu disse o seguinte: "Essa onda não vai chegar no Brasil. Essa onda, ela é uma marolinha,
▶ 01:02:36 >> marolinha." >> E foi o que aconteceu. Nós fomos o último país a receber a crise e o primeiro a sair dela e saímos crescendo de 7,5% ao ano. E no comércio deita a gente tava crescendo a 13%. com milhões de emprego criado nesse país. Então eu deixei o país, sabe, muito arrumado para Dilma. >> E o que que acontece no >> Não, o que aconteceu é que a economia mundial ela foi se desfazendo e o Brasil não tá fora disso. O Brasil tá, sabe, nesse rolo. Eh, eu eu não sei.
▶ 01:03:06 >> Eu falo porque países como China, como Índia, conseguiram achar um caminho. Por que que o Brasil não conseguiu achar esse caminho? >> O Brasil achou o caminho. >> Você acha? Acho o Brasil. É que o Brasil depois que eu saí depois do impeachment da Dilma deu uma recaída. O que que aconteceu depois do imp? >> Ou seja, veio um tema e vem Bolsonaro. Só isso já é uma desgraça. >> Mas economicamente? economicamente, ou seja, você parou os investimentos, você criou teto de gasto, você foi criando impecífílio, porque no país o
▶ 01:03:37 grande problema é que tudo é feito em função da necessidade do mercado. O mercado como começa o ano falando, não sabe, é preciso que tenha um ajuste fiscal, é preciso que não gaste mais, sabe? E você precisa gastar dinheiro para você melhorar as coisas. Você não faz educação com discurso, você não faz saúde com discurso, você não faz desenvolvimento com discurso, você faz com dinheiro. E não tem nenhum problema você fazer uma dívida se você vai construir um ativo novo. Uma coisa, Vilela, é você famoso
▶ 01:04:09 do jeito que você tá, sabe? Pegar, achar que você vai ser o dono de um poder como, sabe? [limpando a garganta] >> Sim. >> Vamos pegar a Rede Globo de televisão, >> tá? E você sabe fazer uma dívida >> pensando nesse >> pensando nisso e você não consegue, aí você vai se quebrar. >> Mas se você tá crescendo e você vai medindo o teu tamanho e todo ano você fala: "Eu vou fazer uma dívidazinha porque eu vou crescer mais 2%, mais 3%, uma dívida que eu possa pagar, você vai
▶ 01:04:39 embora, cara". Então, nesse país, quando você faz uma diva para construir uma estrada, você não tá fazendo uma dívida à toa, você tá aumentando o ativo desse país. Quando você faz um porto, você tá aumentando o ativo desse país. Quando você faz um aeroporto, você tá aumentando. Essa é uma dívida boa que você tem que fazer. Essa é uma dívida boa. E quando o que você não pode é gastar muito dinheiro em custeio para pagar, sabe, salário. Você tem que ter uma um certo controle, porque senão não soba dinheiro para você fazer
▶ 01:05:09 investimento. Você sabe quanto que nós fizemos de investimento nesse mandato? Quanto custou o PAC? 1 trilhão700 bilhões de dólares. E já aplicamos quase com 80% disso. Porque sabe o que acontece? Você tem que planejar. Ô, ô, Vilan, uma coisa que você aprende é o seguinte: governar é tomar decisão. >> Sim. >> Você toda decisão que você vai tomar, você tem um pró e um contra. Você tem alguém que vai beneficiar e alguém que
▶ 01:05:40 vai e você tem que escolher. >> É, >> quem é incompetente não toma decisão. >> Então, as coisas não acontecem. >> Mas vamos falar. Ô Vilanda, você já parou para te perguntar nesse teu programa que você entrevista tanta gente? >> Você já parou perguntar por que que a primeira universidade universidade federal brasileira só foi feita em 1920? >> Não. Por quê? >> É porque a elite que goberí não queria que o povo estudasse. Para que dar escola para índia e para negro?
▶ 01:06:12 >> Não queriam. Esse é o dado concreto. Eu conto um caso. Cristó Colombo chegou em Santo Domingo em 19 em 1492, >> certo? >> 30 40 30 anos não, 40 anos depois já tinha pela Universidade de Santo Domingo. 40 anos depois de 1532 Cabral chegou aqui 8 anos depois dele. >> Quanto tempo depois? >> 420 anos. Essa é a diferença do que que esse país é enrolado, cara.
▶ 01:06:42 Eh, ô, ô, Vilan, uma coisa que você tem que perguntar pros pessoas que você vai entrevistar, qual é a explicação que você pode dar pro teu filho? >> Você tem um menino de quantos anos? >> Vai fazer nove agora. >> Vai fazer novena. Você sabe, eu sou o primeiro operário a chegar na presidência. Você sabe que eu sou o primeiro cara a governar o país sem ter diploma universitário. Agora teu filho vai entender por que eu, que sou o primeiro operário e que não
▶ 01:07:12 tenho diploma, sou o presidente que mais fiz universidade na história do país. Fui o presidente que mais fiz institutos federais na história do país. E eu fui o cara que mais fiz extensões universitárias na história desse país para evitar que o menino do interior tivesse que ir pra capital. Por quê? Porque como eu não tive universidade, eu quero que as pessoas iguais a mim tenham. >> Sabe a falta que fez? >> Porque eu vi quando os filhos estudar no estrangeiro.
▶ 01:07:43 Então eu quero que as pessoas estud. Por que que nós criamos o Pro? Por que que nós criamos a cota para colocar os pobres da periferia que estuda escola pública na universidade? Para colocar o povo negro na universidade? Sabe? Porque se você não fizer isso, país vai ser sempre igual. Esse país era pensado, Vilela, para ser governado para 35% da população 65 que ficasse na miséria. E o difícil é você decidir governar para todos. Eu não quero tirar ninguém. Eu
▶ 01:08:16 não quero tirar nada de ninguém. Eu não quero que o filho do rico não vá paraa universidade, que o filho da classe média não vá paraa universidade. Eu não quero, ele tem que ir pra universidade. Agora, o que eu quero é que a filha da empregada doméstica, a patroa, tem a mesma chance de disputar uma vaga com a filha dela. >> E todo mundo tem que querer a mesma coisa. >> Esse é o papel do estado, é garantir que ela tem oportunidade e que vença o melhor, >> né? >> E que vence o melhor. Essa foi a revolução. Vou dar um outro dado para você.
▶ 01:08:47 para você, tá? Em 2002 a gente tinha nesse país trabalhando no mercado de trabalho com diploma universitário 5 milhões de pessoas. Hoje nós temos 25 milhões. Quintlicamos isso. E precisa quintuplicar outra vez, porque somente a educação é que vai permitir que esse país ganhe maioridade internacional. pra gente ficar competitivo do ponto de vista da
▶ 01:09:19 qualidade, do ponto de vista da produção. Se a gente tu investir educação não vai acontecer nada. Não tem exemplo na história da humanidade de alguém que evoluiu antes de fazer a lição de casa, que é investir na educação. >> Perfeito. >> Então é por isso, cara, é por isso que eu posso dizer para você. Quando eu cheguei aqui em 2003 na presidência durante 100 anos, a primeira escola, o primeiro instituto federal foi feito pelo presidente Nilo Pfanha em 1908.
▶ 01:09:50 De 1908 a 2003 foi feito nesse país 139 institutos. Sabe quantos institutos eu vou deixar? >> 802. >> E é pouco. Ah, mas tá gastando dinheiro? Eu não tô gastando dinheiro, eu tô investindo. Você sabe quanto custa um prisioneiro na delegacia em São Paulo na prisão? R$ 35.000 por ano. Sabe quanto custa um menino na Universidade Federal do ABC? Estudando engenharia espacial,
▶ 01:10:21 20.000. >> Olha aí, >> sabe quanto custa um preso na prisão máxima brasileira? Prisão de segurança máxima? 40.000 por mês. Sabe quanto ganha o menino no Instituto Federal? 16. Quanto custa? >> É. >> Ou então tá provado que é muito mais fácil investir em educação, porque se você não investe em educação, você vai ter que investir cadeia depois. Verdade. Então e essa é a pergunta que eu faço. Por que que essa gente que é tão estudada, tão diplomado, tdo cheio de diploma, de doutor, por que que essa
▶ 01:10:52 gente não fez a lição de casa? Por que que não fez? >> Lula, a gente tá percorrendo a tua história e é a do PT e não tem como a gente não falar da tua prisão, de tudo que aconteceu. Como foi isso na tua vida? que marca que deixou, que momento você tava vivendo. Eu também queria saber porque que o PT ou ou o senhor não não nunca falou abertamente sobre algum tipo
▶ 01:11:22 de arrependimento, algum tipo de culpa. Erramos aqui. Eu nunca vi esse esse tipo de discurso. Falar, ó, a gente errou onde? Porque existe o antipetismo, existe uma uma uma rejeição por esse período. E eu queria saber o que que você passou e por que não teve nunca esse esse esse meia culpa assim, o que que a gente >> deixa eu te perguntar uma coisa. Eu acho que você faz meia culpa quando você tem minha culpa. >> Mas mas e os faz aconteceu você não faz minha culpa porque alguém acha que ferrou. >> Eu vou lhe contar, v contar a história.
▶ 01:11:52 Que momento que era isso? >> Vou lhe contar três momentos, >> tá? Edu Vargas foi levado ao suicídio por denúncia de corrupção >> também. >> Você conhece >> sim >> alguma coisa de corrupção do Getúlio? >> Não. >> Alguém já mostrou? Não, Joselino Cubicheque foi proibido de ser candidato a presidente em 1965 porque diziam que ele tinha um prédio, um apartamento que ele ganhou não sei de quem, na rua principal do Rio de
▶ 01:12:23 Janeiro. Ele morreu em 74. Alguém já mostrou o apartamento? Eu fui acusado de ter um apartamento no Guarujá. Eu provei que não era meu. Os meus acusadores provaram que era meu. Provaram que era meu. Porque eles tinham que provar, tinha que ter algum documento ou na prefeitura ou no cartório. Alguém tinha que ter vendido para mim aquela desgraça, mas não venderam. >> Mas e o pessoal que teve que devolver
▶ 01:12:53 dinheiro, as empresas? Não, todo, todo. Eu, eu vou, eu vou. Não tem pergunta sem resposta comigo. >> Sim, sim. É o que eu queria entender realmente. >> Então veja aí vem a questão do Lava-Jato. >> Isso que momento que era aquele? >> 2014. Eu já tava fora do governo há 4 anos, >> tá? >> Tem todo aquele movimento, vem pra rua, toda aquela m >> tudo saiu aquele Lava- Jato. A Teresa Crufinel, que é uma grande jornalista que trabalhava no Globo, escreveu um artigo: "O objetivo da da Lavajat é
▶ 01:13:23 chegar no Lula". E eu tinha consciência que era para chegar em mim. >> Você sabia? >> Sabia. Eu tinha consciência que era >> por quê? >> Porque não tinha como inventar aquela mentira se não tivesse o objetivo político mais forte. >> Mas você já tava fora, >> hein? >> E por quê? Você já tava fora? >> Para mim não voltar. >> Ah, tá. >> Para mim não voltar, tá? Para mim não voltar, porque eu poderia ter votado na reeleição da Dilma. Não quis votar. Talvez não deixaram voltar em 2018 porque ele sabiam que eu ia ganhar mesmo preso. O Barroso não deixou ser candidato.
▶ 01:13:55 Mesmo quando a ONO mandou ser candidato, ele não deixou. Eu tava preso. Eu tive mais paciência. Fiquei 58 dias preso. Esperei. [limpando a garganta] Quando surgiu a Lava-Jato, eu poderia ter saído do Brasil. [tosse] >> Te ofereceram isso? Eu poderia ter feito como faz os >> os filhos do do oestos do filho do Bolsonaro. >> Bebe uma água. >> Eu poderia. >> Mas chegou a passar isso pela tua cabeça ou em nenhum momento passou pela tua
▶ 01:14:25 cabeça? >> Nunca. >> Por quê? >> Nunca. [limpando a garganta] Houve muita sugestão para mim sair do Brasil. Houve sugestão para mim paraa embaixada, mas a minha obsessão era provar que eu era inocente. A minha obsessão era provar que a Lava-Jato tinha sido a maior mentira desse país. Sabe o que que eu fico chateado? Sabe o que que eu fico chateado? O que me deixa triste é que aqueles que
▶ 01:14:56 endeusaram o Moro, aqueles que endeusaram o Dalanhol, quase fazendo eles virarem santo, não tem humildade de pedir desculpa. Esses deveriam pedir desculpa. >> Você sente essa mágoa >> profundamente? Sabe, não é uma mágoa, é um constrangimento de ver que esse país não é verdadeiro. >> O cara conta uma mentira durante 4, 5, 6 anos. >> Mesmo provando que é mentira, o cara não fala. >> Mas não houve nada de corrupção, não
▶ 01:15:27 houve nada de de coisas erradas. É isso que é isso, essa a questão que eu eu acho que todo mundo quer saber. Existe coisa errada. Deixa contar. Houve corrupção e a corrupção foi provada, >> sabe? Os caras pagaram o preço. Então é isso. >> Porque quando você tem em qualquer país do mundo uma denúncia de corrupção numa empresa, o que que você faz? >> Você prend corrupto. >> É óbvio. >> Aqui o que que eles tentaram fazer? Quebraram as empresas. Você sabe quantos milhões? >> E esse esse foi o problema. >> Você sabe quantos milhões de emprego esse país perdeu? 4 milhões de emprego.
▶ 01:15:58 Você sabe que todas as empresas de engenharia que o Brasil tinha, que era empresas modelo no mundo inteiro, que tava na África, que estava na América do Sul, que tava construído o aeroporto de Miami, todas essas empresas foram destruídas. Todas. Poderia ter prendido o dono, >> é, >> e ter deixado essas empresas funcionando. >> É, concordo. >> Mas não fizeram assim. No mundo inteiro é assim, só aqui que não, porque o projeto era político. >> Então houve corrupção, houve coisa errada, >> houve que e quem fez a corrupção pagou o
▶ 01:16:29 preço, houve julgamento, as pessoas foram punidas. >> Mas você não sente falta de um porque agora a gente tá falando claro, houve, aconteceu, mas eu nunca vi isso, esse esse esse pedir desculpa, gente. Erramos em algum em algum >> Não, mas eu tô falando de mim agora. Não tô falando do do partido, do governo, não tô falando do senhor, tô falando a conção. No no no Brasil e no mundo houve há e haverá. >> Exato. Acontece no mundo inteiro, não acontece. >> Mas eu agora tô falando de mim, >> tá? >> Tá, >> tá. >> Tô falando de mim, >> tá?
▶ 01:16:59 >> Porque a acusação é sempre dizendo: "O Lula sabia, eu não sabia". Tá? >> É como se você soubesse o que seu filho tá fazendo agora. >> É. >> Tá. Então o que acontece? Eu precisava provar. Então eu recebi uma proposta >> de quem? >> Sabe de fazer um acordo quando eu tava preso. >> Qual? Qual era? >> Para ir para casa com Ton Zelena. >> E o que que você teria que fazer? >> Sabe? >> Assumir. >> Não, eu só tinha que sair. >> Que sair? >> Eu me recusei. >> Ah, é? >> Eu me recusei. O que que eu disse? Eu
▶ 01:17:29 não troco a minha dignidade pela minha liberdade. >> Te oferecendo, >> eu vou provar a minha inocência. te ofereceram a domiciliar com tornzeleira e era só sair, >> era só sair. >> Não tinha que assumir nenhuma culpa. >> Não tinha que assumir nada. Culpa de uma coisa que eu não tinha. Como é que eu pode assumir? >> Então, mas por que que te ofereceram isso então? Porque era melhor >> porque queriam me tirar da cadeia. >> Por quê? Porque tinha mais >> porque tava começando a haver muita manifestação internacional em minha defesa. >> Entendi. >> Então, a invés de criar uma coisa política maior, >> resolver então falar, vamos amenizar
▶ 01:18:00 isso, o Lula sai da cadeia, sabe? Eu não não aceitei. Eu não troco a minha dignidade pela liberdade. Não coloco toseleira porque eu não sou pombo correio >> e não vou paraa casa porque a minha casa não é prisão. Quem me pôs aqui vai ter que me tirar. >> Foi. Como foi vendo tua tua tua toda a tua biografia se vê preso, se vê eh não podendo ir em enterros? Eh, tudo aquilo que aconteceu, né? Toda. Como foi
▶ 01:18:30 esse drama? Como foi na tua cabeça, como que tava? Você tava bem de cabeça. >> Então, mas do drama não é meu, velho. O drama quem fez isso comigo. Imagino tua cabeça também. Eu >> Deixa eu lhe contar uma coisa. O Romeu Tuma era delegado geral do Dops quando eu fui preso na greve de 80, >> tá? >> O Romeu Tuma me tirava da prisão 11 horas da noite para eu visitar minha mãe na Pauliceia. Ou seja, >> tá, >> tinha tinha ele ele tinha humanidade, apesar >> tinha tinha um comportamento
▶ 01:19:00 humanístico. >> Exato. >> Quando a minha mãe morreu, que foi enterrada no cemitério da Vilaclides, tá? O Romeu Tuma, sabe, permitiu que eu fosse ao enterro da minha mãe. >> Claro. >> E chegou no enterro da minha mãe, a peãozada não queria que eu voltasse prisão. Eu tive que subir em cima do carro da polita e fazer um discurso que eu precisava voltar pra cadeia, que tinha três amigos presos lá, sabe? Inclusive o Gilson, que era da Scânia. >> Tá. >> Então veja, >> e em Curitiba,
▶ 01:19:31 >> hein? Não, aqui, aqui em São Paulo. Então veja, quando você >> é honesto, quando você tem consciência, porque só você sabe se você é honesto, Vilela, >> só você sabe. >> É lá no fundo, sim. >> Ninguém sabe, nem teu pai, nem tua mãe. Só você e Deus sabe se você fez a coisa certa ou errada. Como eu tinha convicção, eu não quis nem contratar advogado criminalista. Vilela, quem tá comigo aqui sabe a pressão que eu sofri porque eu contratei o Zaninho
▶ 01:20:03 para ser meu advogado. Ele não era criminalista. E pensula vai perder porque o Lula não tem criminalista. Sabe por que eu não contratei criminalista? Porque eu acho que o criminalista não sabe defender inocente. Criminalista defende bandido. E foi assim que eu venci com muita temos, cara. >> Então, mas o que >> minha mulher queria que eu saísse da cadeia fazendo acordo, meus filhos queriam que eu saísse. Eu falei: "Eu não saio."
▶ 01:20:33 >> Mas o que eu não saio, >> mas o que te passava na cabeça era uma obsessão de voltar? Você passava, vou voltar a ser presidente ou >> não era uma obsessão de provar minha inocência. Era isso, >> eração. >> E qual era o caminho, >> hein? >> E qual era o caminho? >> Era não aceitar nenhum acordo, era ficar esperando o o o o o o julgamento. Nós fomos para ONU, gamos na ONU. Nós fomos em Bruxel, gamos em Bruxela, sabe? Até que a Suprema Corte, que tinha uma
▶ 01:21:03 parte me condenado, reconheceu, sabe, que o processo era uma enganação. >> E e como foi teu esse teu caminho de volta à presidência? Como você encontra? >> Bom, deixa eu te contar uma história, Vilela. Eh, eu nós começamos essa entrevista dizendo que eu aprendi a ter paciência. >> Sim. Perdão. Uma vez duas vezes. >> Eu não tomo nenhuma decisão, sabe? Um calor de 39 de febre não to >> porque vai ser errado. >> Eu espero o dia seguinte para acalmar.
▶ 01:21:35 Gosto de ouvir algumas pessoa para tomar a decisão, >> que é o certo, né? >> E eu tenho consciência do que tem que ser feito nesse país. Eu tenho consciência do que que tem que ser feito nesse país. Eh, eu tenho consciência. Você tem muita assessoria. Não sei se você tem, sabe, algum desses gênios que assessou? Não, não sou só eu. Sabe o que até poderia encomendar uma pesquisa? >> Eu faço para todo mundo que quiser dizer que eu tô mentindo, eu falo: "Não acredita no Lula. As coisas que eu falo,
▶ 01:22:05 você não precisa acreditar. O que eu quero é que você prove." Então, eu tenho dito uma coisa. Você pode fazer uma pesquisa nesse país de 15 de novembro de 1889. >> 889 >> 1000 na proclamação da República >> que teve o Marechal Deodoro da Fonseca, presidente da República. E pesquise todos os presidentes que
▶ 01:22:35 houve até eu chegar na presidência. >> E aí? E veja se alguém fez metade das políticas de inclusão social que nós fizemos. O Brasil teve dois momentos de política de inclusão social para os pobres. Getúlio Vargas em 36 com a criação do salário mínimo. >> Sim. >> E em 43 com a criação da CLT. Hoje as pessoas mais modernas são contra a CLT, não é isso? É, >> mas em 43, quando ela foi criada, a
▶ 01:23:07 gente trabalhava quase com sistema de escravidão. A gente não tinha jornada de trabalho, a gente não tinha regra de salário, a gente não tinha férias, cara. Então, o que o Getúlio fez foi uma revolução com a caneta. É por isso que lá em São Paulo não tem uma viela com o nome do Getúlio, porque a elite paulista odeia o Getúlio. Por quê? Por conta disso. Ela gosta que não faz nada, cara. Porque a a elite paulista, a elite brasileira, ela fica olhando o seguinte: "Poxa, esse
▶ 01:23:38 Lula, ele tá gastando [risadas] 400 bilhões com pobre, esse ele poderia estar aqui no banco pra gente ganhar mais". E eu acho que fazer o que eu faço é investimento. Investir em educação é investimento, dinheiro na saúde é investimento. Então eu tenho consciência do que eu tô fazendo. Eu tenho consciência do que tá acontecendo no Brasil. Eu queria, eu falei pro meu assessor de imprensa, quando terminar isso, você vai entregar pro Vilela tudo que foi feito para ele
▶ 01:24:08 poder comparar. Compara, Vilel, se você achar o Lula mentiu para mim, me convida outra vez que eu vou para você. Você é mentiroso. Você disse tal coisa e você não fez. >> Tá convidado independente do que eu achava, já tá convidado. >> Já tá convidado. Mas sabe o que acontece? Porque é preciso esse país, esse país tem que fazer um pacto com a verdade. Esse país não pode viver na base da mentira. Você veja agora os filhos do Satanás foram pros Estados Unidos, sabe? Trabalhar contra o Brasil.
▶ 01:24:38 >> Como que tá essa questão da das taxas? >> Essa questão nós vamos enfrentar, cara. Nós vamos enfrentar ela. >> Como que tá a tua relação? >> Eu já disse muitas vezes, aqui no Brasil, aqui no Brasil a mentira não vai ganhar. >> Mas você tem medo de de uma uma algum tipo de interferência nos Estados Unidos na eleição? Porque agora tem essa, >> não que vai tentar interferir? Mas agora estão levantando de novo a questão das das urnas eletrônicas. >> Não, não. Veja essa ô se as urnas eletrônica. >> Então, mas você acha que mas você acha que já é uma preparação para uma derrota
▶ 01:25:09 e uma justificativa? >> Não, deixa eu te contar. Eles vão tentar interferir aqui. >> Como >> eles vão tentar tentando, sabe, ajudar o lado de lá ganhar as eleições. >> Você acha que o Trump prefere que o Flávio Bolsonaro ganhe? Não, ele já disse isso. >> Então, mas e ajudaria com >> ele e muito mais o Marco Rúbio, que é o secretário de estado dele. Eu, Vilela, não tô preocupado com isso. >> Mas quando você conversa com ele, o que o que que te passa? Não, na cometa comamp a relação minha pessoal com ele foi muito boa. >> Então, >> até agora, mas não é não é o que
▶ 01:25:40 acontece depois que a gente sai da reunião. >> Você acha que depois ele >> é porque depois o Marco Rub que não gosta da América Latina e que não gosta do Brasil sabe vai fazendo as coisas acontecer >> tratar aqui como quintal dos Estados Unidos. >> Eles querem que a América Latina volte a ser um quintal dos Estados Unidos. >> Sim, eles falaram isso. >> Tá aí. O que que eu tô dizendo claramente? Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós vamos ganhar na narrativa. >> Agora, cada mentira que contar a respeito do Brasil, nós vamos desmascarar. Eu fui na reunião com o
▶ 01:26:10 Trump, entreguei quatro documentos para ele >> que eram >> que era documento para combater o crime organizado, para combater o narcotráfico, pra questão do comércio, pra exploração de teas raras e e minérios críticos, >> que é a grande, >> não te resposta, cara. >> Não tem resposta. Entregar. Aí eu digo para ele, tramp, eu tô te entregando esse documento aqui, porque quando a gente é presidente, alguém entrega um documento pra gente, o assessor toma da mão da gente, >> a gente não vê mais. >> Ah, tá. >> É, é, é formalidade. >> Quero leve para casa e lê à noite,
▶ 01:26:40 >> tá? >> Sabe, eu tô aguardando ele me responder. Agora o que eu posso te dizer é que se ele quiser vir apoiar eleitoralmente, que venha. Se quiser, que venha. Agora nós vamos ganhar as eleições. Vamos ganhar as eleições. E quando fala da urna eletrônica, eu vou dizer uma coisa. Se a una eletrônica permitisse, faz jutage, esse ser humano que te fala que não seria presidente da República, porque jamais [limpando a garganta]
▶ 01:27:10 >> deix >> a elite política brasileira iria deixar um metalúo ganhar as eleições. Jamais. Então, a prova que eu tenho da seriedade da onda eletrônica é essa. Agora é engraçado que ele estiqueta, por que que eles não renunciaram à aqueles que foram eleitos que não se queixaram? >> Já que foram com a mesma urna, né? >> É mesma urna. >> Mas vocês comemora, dizem que o PT comemorou quando foi escolhido o Flávio Bolsonaro. Vocês acharam ele muito muito fraco para Não, não, eu não comemoro.
▶ 01:27:41 Não comemoro. Eu não escolho adversários. Eu não escolho. Quando eu ganhei as eleições, quando eu fui indicado em 89, as pessoas dizia: "Coitadinho do Lula, coitadinho, que que ele vem fazer no nosso meio?" Imagina uma fotografia minha, metalúrgico do lado tava lá Brisola, Ulit Guimarães, Mário Covas, Maruf, a FIFA Domingues, Arielano Chaves, coitadinho do lá, esses coitadinho que tá vendo esses peãozinho aqui? >> E o peãozinho ganhou. Posso?
▶ 01:28:11 >> Então eu não menosprezário. >> Posso fazer uma pergunta difícil? Porque o pessoal aqui no chat pergunta bastante. >> Po, é difícil, eu posso não saber. >> Claro, claro. Porque você falou dos filhos do Bolsonaro e o pessoal pergunta também sobre o Lulinha, né? Onde está o Lulinha? Qual a relação dele? Por que ele não não dá uma declaração? Porque a gente não tem da boca dele alguma coisa. >> Ele já tem professo? Deixa eu te contar uma coisa. Esse meu filho desde 80, desde 2006 ele vem sendo utilizado um contraponto.
▶ 01:28:41 Quem quer me atacar começa atacando ele. >> Eu já ouvi várias histórias. Você deve ter ouvido, né? É dono disso, é dono daquilo. >> Eu vou te contar. Ele era dono de todos os gados da Freeboy. Ele era dono de todos os gados da JBF. Ele era, sabe, >> ele tinha carro de ouro, >> sabe? Aparece um carro de ouro. Qual é a verdade? >> Então, deixa eu te contar uma coisa. Quando é de coração, o Roberto Tivita, o dono da revista Vejo, estava da >> no filho libanês internado, sabe?
▶ 01:29:11 >> Editor, >> eu fui fazer uma visita para ele. Em 2006, eles fizeram uma campanha defamatória contra o meu filho. Eu fui eu, a Marisa, o Dr. Cal e a assistente do Cali e eu fui, sabe, para fazer um gesto de humanidade, sabe? desejar breve restabelecimento dele. >> E aí >> a hora que ele me viu chegar, ele falou: "Ah, obrigado, presidente, ter vindo aqui". E a minha mulher ficou do lê
▶ 01:29:41 fora, Marisa. A dona Marisa não gosta de mim, né? Porque eu menti a respeito do filho dela e não provei nada. >> Ele falou, >> falou, falou na minha frente, na do Caliu, na da dele, na. Então, quando eu vejo essas barbaridades falada contra o meu filho, >> mas mas não ajudaria ele falar alguma coisa? ajuda. Deixa lhe falar uma coisa para você. >> Deixa falar uma coisa para você. Se o meu filho for [roncando] acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu.
▶ 01:30:11 >> É o certo, >> sabe? Será tratado. Não haverá nenhum [limpando a garganta] privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele tiver certo, ele vai se ferrar. Ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer coisa errada, ele sabe que eu passei. >> Outra questão, >> ele viveu dentro da minha casa do que eu passei. Ele sabe o que é um pai vendo com cinco filhos, vem da televisão, chamar a família de ladrão o tempo inteiro. Ele sabe que a minha mulher morreu por
▶ 01:30:41 causa da desgraça da Lava-Jato. Ele sabe. Então ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso. Ele jura para mim todo dia. Jura para mim. E eu acredito nele. >> Ele tá onde? Tá na Espanha agora. Tá. Tá morando lá. Ele jura todo dia. Se for julgado, ele virá para cá. Não tem, não vai ficar escondido, não. Não vai ficar, não vou utilizar meu car para proteger. >> Ele vai vir para cá. Ele vai ter que provar que ele é inocente, como eu proveio. Vai ter que provar.
▶ 01:31:11 E se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quanto erra. Outra coisa, Lula, que eu queria ouvir olhando seus olhos, eu lembro na no debate da Globo, se eu não me engano, você falando: "A primeira coisa que eu vou fazer, vou derrubar o sigilo de 100 anos do Bolsonaro, tudo mais". Aí você, o senhor vem e faz a mesma coisa. Muita gente ficou decepcionado. Qual a explicação de colocar sigilo em tudo? >> Não, eu vou eu vou te dar um material para você ler, depois você comentar. Deixa eu contar uma coisa para você. Primeiro, eu sou radicalmente
▶ 01:31:43 contra sigilo de 100 anos. >> Então, >> eu tô radicalmente contra sigilo de 20 anos. Então, >> eu acho que deve ser sigilo só coisa de estado, >> coisa de segurança nacional >> ou ou coisa muito pessoal. Tô te dando, você vai receber a explicação, >> sabe, do que tá acontecendo. >> A primeira coisa que nós tentamos fazer era mudar a lei, mas não é simples de mudar. >> Não, mas como que funciona isso? Por por que que você coloca sigilo? Por por que se coloca sigilo em alguma coisa? Por que não eh deixar transparente seria melhor? Você sabe
▶ 01:32:14 quem criou a lei da transparência? Vamos nós. >> Então, mas por que não? O que te limita? >> Não, não é o que me limita porque não sou eu que decido. >> Não, >> isso nem chega na presidência que >> quem que escolhe o que vai ficar >> iso vai para CGU. Você tem você tem órgão de governo, sabe? Que apura essas coisas. >> Mas você não pode bater o pé e falar: "Não quero". >> Pode pode. Se tiver uma coisa, eu o que que eu disse hoje pro meu assessor? Se um jornalista pedir uma informação, se um jornalista pedir uma informação, sabe, >> sobre alguma coisa que tá em sigilo, >> sabe? E o [limpando a garganta]
▶ 01:32:44 responsável negar para ele, pergunto para mim o que eu vou dizer, porque não há nada nesse mundo, nada, nada que mereça ser. Recorda que ia ser muito muito melhor para todos se todos os presidentes tivessem tudo transparente. Ó, esse gasto foi para cá, cartão corporativo. Gastei nisso. Vilela, eu não vou achar o número, mas eu vou te dar, eu vou te dar porque é importante você saber, tá? >> Hoje aquilo que tem segredo de 20 anos,
▶ 01:33:14 de 30 anos, nem merecia ter. >> E por que tem? É isso que eu entendo. É, >> nem merecia ter, né? Mas eu vou te contar. Se alguém, eu não vou, não vou, não vou mudar a lei, tá? tá no vale lei. Ah, mas hoje eu fiz uma discussão sobre isso. Eu vou avisar publicamente aqui pro teus, sabe, >> por quem tá assistindo, >> pro dizer o seguinte, se alguém fizer uma pergunta e alguém dizer, tem sigido de 50 anos, tem de 20 anos ou tem de 30,
▶ 01:33:47 se não for uma coisa que envolva menor, se não for uma coisa que não possa ser dito, porque a segurança nacional, >> se não for, meu caro, pergunta para mim que eu vou lhe dizer. >> Olha, >> pode perguntar para mim, >> tá bom? >> Pode perguntar para mim >> outra coisa. Não há por, cara. Não [limpando a garganta] há porquê. >> Outra coisa, a gente tá chegando perto do final. Eh, como que o senhor vê essa essa essa reta final de campanha? Vai participar de debates? A gente tá organizando o debate? Posso contar com dep? Deixa eu te contar uma coisa. Deixa
▶ 01:34:18 eu te contar uma coisa. >> Ou você acha que vai ser muito sujo? Você vai ter muit >> Tem, tem tem uma coisa, ô Vilela, que você tem que fazer. >> Hã? >> Ah, eu tô vendo o quadro eleitoral, >> certo? Eu tô vendo o quadro eleitoral. Eu não sei quantos candidatos vão ter ainda. >> É, por enquanto a gente tem uns cinco, seis, né? >> Eu, como presidente da República não vou para debate para ouvir bobagem. >> Não, claro que não. >> Não vou. >> Depois que já tiver tudo organizado. >> Eu quero saber o seguinte, eu quero saber qual é o nível do debate.
▶ 01:34:48 >> Sim. >> Qual é o nível do debate? Porque se for para um debate, esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que que eu vou? >> Sim, como teve em São Paulo com cadeirada. >> Por que que eu vou responder sacanagem? >> Por que que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém? >> Entendi. >> Esses dias no Ceará, um cara foi candidato a prefeito, ele quase ganha. Sabe qual era o mote da campanha dele? >> Depilva depilar o anos.
▶ 01:35:18 >> O quê? >> É, é, é. Ah, para o anota o o anota. É, você acha que eu vou para um debate com nível de jeito desse jeito? Eu não vou >> Mas eu te garanto que faremos um bom debate. >> Bom debate. O cara tem que ter em conta o seguinte: quem tá assistindo a gente sabe, pode ser uma mulher, >> sim. >> Pode ser uma velha, pode ser um velhinho. >> Não, com certeza. Todo mundo, todo mundo. Tem. >> Então, se você não tiver uma relação de respeito com regras, regras firmes, >> por que que eu vou me subordinar isso?
▶ 01:35:49 Mas teremos, teremos. Eu, eu, eu sou otimista. Quer o cara querer crescer no Você veja que eu nunca me recusei para debate. Sim, >> nunca me recusei. >> Lembro de grandes debates. >> Não vou, não vou me prestar a dar colher de chá para quem não merece. Não vou. >> Lula, temos mais, a gente tem mais um tempinho. Eu tô tempo que você quiser, cara. A gente já até viajou, >> então >> pode >> traz mais café pra gente. Eu sempre peço pro pessoal presentes para deixar o meu cenário. Eu sei que tem aqui umas
▶ 01:36:20 coisas. O que que que são essas coisas aqui? Luló que o pessoal >> O quê? >> Aqui, ó. Presente. >> Ah, você quer presente? É, >> eu quero. Poxa, eu vim aqui, eu quero presente. Vou deixar lá no meu cenário. >> Você é famoso por dizer. >> Eu sou, eu sou interesseiro. >> Esse enquanto eu procuro aqui, acha aqui o negócio da lei do, >> do sigilo, >> tá? que esse monte de papel aí não me ajudou em nada. >> Que que que são essas coisas aqui, ó? >> Então, deixa eu te falar uma coisa, >> tá? Você é famoso por dizer: "Eu quero o presente inútil". >> Isso. Alguma coisa que não tem mais, que
▶ 01:36:50 você não vai mais usar. >> Você pode pedir isso para outro governo. >> Por quê? Tudo aqui tem, >> tudo tem utilidade, >> tá? O que que são essas coisas? >> Ó, primeiro isso aqui, ó. >> Olha, >> tá aqui câmera revolução verde brasileira. >> Aqui você tem biodiesel. Aqui você tem etanol e você tem saf, você tem combustível de avião, tudo renovável, tudo, tudo, sabe?
▶ 01:37:20 Tá >> tudo nosso. >> E vou tentar que o Biodiesel >> é >> foi criado em 2003 quando eu cheguei na presidência. >> Sim, lembro, >> tá? E vou tentar porque o o combustível do futuro vai fazer. Eu levei pra Alemanha na maior feira industrial do mundo. Eu queria provar pros alemães que o nosso biocombustível é menos emissor de gás de efeito estufa do que o deles. E fomos provar isso no caminhão Mercedes-Benz
▶ 01:37:50 na Alemanha andando 100 km. O cara que mediu e controlou era um técnico alemão, um especialista que que verifica todos os motores produzidos na Alemanha. >> Ouv combustível brasileiro é 67% menos emissor de gás de feituafa que o deles, tá? E >> esse aqui, meu caro, >> deixa eu ver, Bra. >> Tenho orgulho disso. Isso é o primeiro supersônico produzido
▶ 01:38:22 no Brasil. Então é o avião caça. >> Caramba. >> Tá. Esse é sueco que tá produzindo aqui no Brasil mesmo, hein? >> É teu. >> Tem a parte da fábrica que tá vai ser feita em São Bernardo. >> Ah, é? >> Sabe? Nós estamos fazendo aqui no Brasil, esperamos fazer para vender para outros países. >> E esse aqui é o rei que salva a vida, o Zé Gotinha. >> É, >> sabe? O Zé Gotinha que sido abandonada no governo passado, votou e tá fazendo
▶ 01:38:54 uma revolução, convencendo aquelas pessoas que foram induzidas a não vacinar as crianças porque virava jacaré, porque virava gay, a dizer que vacina salva vida. e muitas fitas. >> Passor, você já fez esse exercício do que você faria se tivesse naquela situação de pandemia? >> Eu tinha >> como um chefe de estado. >> Eu tinha muito tranquilo. Deixa euar. Eu nunca eu nunca cobrei do Bolsonaro dele saber tudo.
▶ 01:39:24 >> Não é obrigação também saber. >> A única coisa que ele ter feito era chamar quem sabia para cuidar. cercado de gente que sabe. >> Ele tem uma massa de cientista nesse país de pesquisadores, que poderiam, ele poderia ter criado um grupo, sabe, um grupo de crise, uma sala de crise, ter tradido dos melhores cientistas brasileiros para falar todo dia a nação. Ele arrumou um general médico que é um médico mequetref. Ele arrumou um outro que era um
▶ 01:39:55 mequetref. Você já arrumou um outro que, ou seja, ele não respeitou a população brasileira. Ele passou a contar mentira quando faltou gás em Manaus. Ele ficou, sabe, imitando uma pessoa morrendo afixiada. >> Então eu não acho que ele deveria saber não. >> Só se cercar de quem? Eu achava que ele deveria, como o presidente da República, ter a responsabilidade de montar um gabinete de crise, chamar os especialistas, sabe, para poder salvar esse país. E ele não fez. Por isso é que
▶ 01:40:27 eu digo que ele é culpado pela metade das mortes que esse cara tem. >> Esse cara um dia vai ser processado por gero >> só tá pedindo para encerrar. Eu só queria saber do presidência. >> É quando eu começo a gostar é assim. Você para >> Pode pode pegar. Eu nem falei de mim ainda. >> Pode pegar uma. [risadas] >> Nossa, imagina quando >> você nem falou de futebol, pô. >> Então, só pode uma pergunta pelo menos do pessoal do chat. Pode ser uma perguntinha do pessoal e vamos terminar com com o futebol. Falar do Corinthians que hoje tem jogo. Inclusive tem perguntas então do do pessoal Léo.
▶ 01:40:59 >> Vamos lá. Tem uma pergunta do Diego Souza que ele perguntou aqui: "Presidente, o senhor está indo paraa tentativa de um quarto mandado? Isso prova que o PT falhou em criar uma nova liderança hoje? e ainda é refém da sua imagem. O >> pessoal fala muito de não preparar um sucessor, né? Que que você tem falar sobre isso? >> Deixa contar uma coisa para você. Gente, eu preparo tanta gente. Ou seja, você veja o negócio. Eu fui um cara que lancei a primeira mulher presidenta [limpando a garganta] da história desse país.
▶ 01:41:30 >> Depois nós lançamos do Hadad em 2018. Acontece que tem momentos na política e no futebol que você não tem a quantidade de craque que você queria ter, né? Então você acha que eu sou candidato porque eu quero ser candidato outra vez. >> Eu tô com 80 anos, cara. >> O meu desejo, se eu pudesse era descansar com a minha namorada, com a minha Janjinha. >> Entendo. >> Mas seguinte, eu não vou deixar, não vou deixar a extrema direita voltar. >> Não vou deixar.
▶ 01:42:00 Mas você não via ninguém eh com com chance de derrotar que no momento a verdade é que no momento hoje não tem ninguém >> capaz de derrotar essa gente. >> Mas e no futuro? >> Não, no futuro. No futuro daqui 4 anos pode ter 10, pode ter 20. >> Nós vamos eleger um monte de governador. >> E aí tem aí tem você pode ter muita gente, sabe? Eu te confesso, eu tô dizendo aqui como se eu tivesse conversando com a Janja. Eu discuto muito com a Janja. >> É, >> sabe? Eu tinha vontade, tinha vontade de tirar umas longas férias com ela,
▶ 01:42:31 conhecer alguns lugar. >> Agora é o seguinte, eu não vou >> largar esse país na mão dessa gente, não vou. Por Deus do céu que eu não vou, sabe? Me preparo para isso. Me preparo. Hoje fisicamente eu tô melhor do que quando eu tinha 57 anos que eu ganhei a primeira eleição. >> É mesmo? >> Tá. Hoje eu tenho consciência que não tem nenhum desses candidatos que tenha competência de resolver os problemas desse país, que ganhe a respeitabilidade que nós ganhamos no mundo.
▶ 01:43:02 Meu caro, eu passei 2 anos e meio para recuperar esse país porque eles tinham desmontado esse país. Nós tivemos que recriar muitos ministério. Eu vou dar um dado para você que é de São Bernardo do Campo, >> tá? >> Tá. Teu pai foi da SC, ele vai saber. Quando eu deixei a presidência em 2010, a gente produzia 3.800.000 carro nesse país. Sabe qual é no sonho da indúta automobilística para 2015?
▶ 01:43:34 >> Produzir 6 milhões. >> Quando eu votei em 2023 >> era quanto? >> 1.600. caiu mais da metade. Em apenas 3 anos e meio já tá produzindo 3 milhões outra vez. Já recuperamos 1.400, tá? Só para você ter ideia do que é possível fazer nesse país, tá? Então esse país tava desmontado, totalmente desmontado. O minha cá da minha vida, ô Vilelo, o Mc da minha vida, que é o maior programacional já
▶ 01:44:05 feito na história desse país, eles não fizeram nada. Inventar uma casa verde amarela que não construíram uma procura no Brasil uma casa verde amarela. Inventar uma carteira profissional verde amarela. >> Denunciar o BNDS de Falcatua porque vou achar caixa preta. Caixa preta, caixa preta, o caixa preta tá dentro da casa dele. Porque na verdade o BNDS é o banco mais sério que a gente tem no Brasil. Sabe qual é a inade de impreta do BNDS? 0 1%.
▶ 01:44:35 Tá? Então esse cara fala m de B hoje. A Petrobras vai anunciar lucro esses dias. Eu vou contar uma coisa para você. A Petrobras esse ano ela vai dar mais lucro do que na época que eles venderam os ativos da Petrobras. Porque o cara que é governante, é incompetente, ele ao invés de arrumar ele tenta vender. Eu queria que você, como você usa carro, não usa? Eu queria que você me contasse o que que você ganhou com a venda da BR,
▶ 01:45:05 >> com a com a privatização da BR. >> Nada. >> Eu quero saber o que algum brasileiro ou brasileira ganhou com a venda da BR. Eu quero saber o que que nós ganhamos com a venda da Eletrobras. Eu quero saber porque não ganhou nada. Vendeu porque incompetente. Uns incompetentes. Ao invés de fazer eles vendem. Ao invés de fazer eles vendem. Por que que o Tarcido privatizou a Sabra graça? Uma empresa que era motivo de orgulho.
▶ 01:45:36 E sabe quem ganhou? O pessoal do Vocaro >> também. >> E não teve concorreta. Foi um cara só que ganhou. Então é essa gente >> é o sistema. >> E o mercado defende essa gente. O mercado defende porque o mercado tá pouco se lixando para pobre. O mercado não quer saber, sabe? O cara, você acha que o cara que é dono do banco, ele tá preocupado se a empregada dele tá doente? Se a menina tá doente, se a menina não tá estudando, ele tá preocupado. Ele tá preocupado é comos
▶ 01:46:06 dele no final do ano. Essa coisa que tem que mudar, Vilela. Essa coisa que tem que mudar, sabe? Eu acho que todo mundo tem um direito de ganhar bem, de morar bem. >> Eu não sou contra ninguém ganhar bem. Agora o que eu sou contra as pessoas não quererem que os pobres comam, se vistam, passeiem, estudem. Essa é a minha bronca. Eu só quero dar oportunidade e que vença o melhor. Assim eu penso no futebol, cara. >> É,
▶ 01:46:36 >> vou dizer uma coisa para você. Se me chamasse de técnico pra seleção, >> hã, >> eu vou até falar pro presidente da CBF, ele tá ouvindo agora. Ele vai te ouvir. V >> F Ancelote também. Eu vou dizer ao presidente da CBF, eu não tenho nada contra o Lcelot. Tu admirava ele como jogador. >> Sim, >> como técnico, ele foi muito bom. Mas também ser técnico Real Madrid é fácil ser contato com o melhor jogador do mundo. Eu quero vencer no Corinthians. >> É, >> eu quero ver no Corinthians. Então o que acontece? >> Mas o que você, se você fosse técnico, >> você sabe o que eu fazia? >> É,
▶ 01:47:06 >> eu só ia convocar jogador que joga no Brasil. Eu ia esperar terminar, >> como era antes, né? >> Eu ia ia esperar terminar o Campeonato Brasileiro, iria consultar, sabe, muita gente, técnico e jornalista para saber assim quais são os dois melhores jogadores em cada posição desse campeonato. E quando tivesse uma data FIFA, eu levaria essa seleção para jogar. Porque eu vou te falar uma coisa, não tem nenhum desses de fora jogando mais do que os nossos
▶ 01:47:37 aqui dentro. Sim, >> Lula. >> Agora sabe o que que eu acho triste, Vilela? É que termina a Copa do Mundo, >> o povo brasileiro chorando porque ele esperava ganhar. >> É, eu tava >> E só volta um jogador pro Brasil. Só volta um jogador. Oant foi embora. >> Não é cobrado nem. >> Eu vou te contar mais uma história. Em 2006, quando a gente perdeu pra França, >> Sim. >> O Roberto Carlos tava com o Ronaldão voltando paraa Espanha. >> Fenômeno. >> É. E o Roberto Car falou para mim: "Ô presidente, liga pro pro fenômeno que
▶ 01:48:10 ele tá depressivo." Eu falei: "Ô cara, depressivo tô eu, porra". >> Ele ele tem a vida [risadas] dele. >> Eu eu tô defendido porque eu achei que era a melhor seleção do mundo. >> Aquela seleção. >> Eu achei que a gente não tinha como perder a Copa do Mundo. A gente perdeu, cara. >> Até hoje eu fico pensando. >> Então, que tá depressivo sou eu. Eu sinceramente acho que a nossa seleção é muito fraca. Nós hoje não temos na seleção um craque na concepção da palavra. Sabe aquele craque? Aquele cara que tá acima dos outros. Um Romário, repul,
▶ 01:48:40 >> um líder, né? Um líder, cara. Tem, não tem. >> Então, >> ô Lulo, o pessoal tá pedindo para para encerrar. >> Eu sei. [ __ ] merda, parece sou um eleitor do adversário. >> Então aqui, ó. Tá tá tá. Não, ou eles não tão gostando e querem que eu pare, >> ou eles são eleitor do Bolsonaro. >> E aí podemos, >> ó, eu sempre termino aqui o papo. Eu quero agradecer demais o teu tempo. Espero continuar esse papo porque, pô, a gente pode conversar sobre outras coisas. Faltaram muitos assuntos, muitas coisas
▶ 01:49:10 legais. E esse foi o primeiro, uma primeira conversa, né? Eu sempre termino a primeira conversa fazendo três perguntas para todos os convidados e contigo não vai ser diferente. A primeira é o seguinte, queria saber qual foi o momento mais difícil da tua vida ou da tua carreira, L. Você pudesse colocar um momento. >> Ô cara, eu tive tanto momento difícil na minha vida. Você sabe o que que é perder três eleições, pô? >> Chegou, chegou na última, >> chegou na última e falou: "Não quero mais". [ __ ] merda, eu chegava em casa com desanimado, eu vou desistir, eu vou
▶ 01:49:40 desistir, eu vou desistir, vou desistir. Aí chegava e passando o tempo, eu tinha que continuar. Era, eu sofri muito quando eu perdi as eleições. >> Agora o maior sofrimento do meu coleição foi em 82 que eu fui candidato a governador. Cara, eu era, eu era metalúrgico, candidato a governador contra o Reinaldo de Barros, o Montouro e >> lembrava disso. 82. >> 82. Ô cara, eu juntava tanta gente na rua, eu tava dando eu tava dando, você achou que tava tava arrasando. >> [ __ ] eu achava que eu ia ganhar, cara.
▶ 01:50:13 Eu fui fazer um comício [limpando a garganta] em em Catanduva, era tanta gente pedindo autóf era multidões para ver o metalúrgico bonitão. [risadas] Aí e o pessoal pediu muit eu voltei para São Paulo certo que eu ia ganhar as eleições, cara. Aí o Estadão faz uma pesquisa, Luna vai ter 10%. Eu xinguei o Estadão. >> Tá errado. O comito que nós fizemos da despedida no Pacaembu, você tem que ver quanta gente, cara. Quanta gente. Eu falei, [ __ ] foi eleito. >> Ganhei, ganhei, >> [ __ ] 10%.
▶ 01:50:45 [risadas] >> Essa então foi o >> 10%. >> A ma tristeza >> foi. Eu queria desistir da política. Aí eu fui à culpa conversar com o Fidel. E aí >> em 85 eu falei Fidelã, eu tô parando com a política porque >> eu ganho, não tem jeito. >> Ô Lula, Lula, você conhece na história da humanidade um operário que teve 1.250.000 votos? Tá aqui eu fiz a revolução. Nenhum operário veio governar na Rússia.
▶ 01:51:16 Não teve operário na direção do partido, cara. Você teve 1.250.000 votos. É uma vitória extraordinária, cara. Aí eu voltei todo para um ponto. Falei: "Pô, aí você entendeu?" >> Eu entendi porque é difícil, cara. Eu ia para tava na classe média, a classe média fazia para mim. >> Aí eu ia lá pro interior de São Paulo, para Penápolis, ia lá no ver os cara cortar cana, caralão. [risadas] >> Passava na constução civil, o engenheiro, o chefe fazia a pãozada que
▶ 01:51:46 eu ficava banando. [ __ ] eu chegava em casa numa frustração, cara. Essa foi uma grande frustração. A outra frustração foi a a a mentira da Lava-Jato. Eu nunca imaginei que eu pudesse ser vítima de uma de uma sorte da conspiração, sabe, feita pelo Ministério Público e feita pelo por um juiz, sabe? E [limpando a garganta] a minha sorte é que eu logo intuí que aquilo era muito
▶ 01:52:17 mais um esquema político do que um esquema. Eles queriam o poder. Eles queriam o poder, sabe? Então, eh, graças a Deus também a minha perseverança, a minha vontade de brigar, sabe? Só eu acreditava que eu ia ganhar aquilo, cara. E eu falava o seguinte, gente, eu não posso. Eu não posso. Sabe quando eu saía de casa, Virela, eu passava num posto de gasolina, eu vi o coitado do frentista 5 horas da manhã para ganhar R$.500 R$ 500 e o Lula no cai fal para esse cara ladrão tá roubando o país.
▶ 01:52:48 Esse cara podia até me meter a bomba na cara. É, >> eu ficava pensando, pois não tenho direito de fazer isso comigo, então não vou desistir, cara, sabe? Eu vou aí criou o lema para mim mesmo, sabe? Lutar sempre, desistir jamais, sabe? E aí eu botei na cabeça, eu vou voltar e vou ganhar as eleições. Voltei e ganhei as eleições >> três vezes. >> Então, meu caro, é o seguinte. Ah, a vida da gente na política, Vilela, você entra como se você tivesse entrando
▶ 01:53:18 num canal, sabe, cheio de água num barco. Você não tem como votar. >> É, >> tem como votar. Eu acho acho que a política brasileira precisa ser renovada 100%. Também acho >> os partidos políticos tem que ser renovado. Hoje eu tava discutindo, quando eu criei o PT, vela, quando eu criei o PT, eu ia fazer comício no interior, sabe? Eu antes de pegar de falar o comisso, eu falava: "Gente, eu tô aqui, tô criando o partido político, eu sou candidato a governador. Eu queria
▶ 01:53:49 que vocês comprassem esse macacão, essa camiseta, essa bola, essa fita médica, tudo estrelinha do PT, que eu preciso juntar dinheiro para encher o tanque para ir para outra cidade." Assim eu fiz o PT. Assim eu fiz o PT, sabe? Então eu tenho saudade desse tempo. Era difícil, era difícil, mas era mais honesto. Eu >> concordo. >> Sabe, era uma coisa mais decente. A gente dormia com a contan. Hoje eu vejo aí os partidos com dinheiro, fundo partidário, fundo eleitoral, bilhões e bilhões, sabe? Então eu falo apodreceu a
▶ 01:54:20 política, todo mundo tem um preço. Ah, vou lá pedir voto pro vereador, quanto é que custa aquele vereador? Vou pedir voto pro deputado, quanto é que custa aquele deputado? >> Sabe? Então eu tô enojado nisso. Tem que mudar. E eu quero ver se eu mudo. E é importante todo mundo saber, sabe? Se eu ganhar as eleições, eu venho para mudar isso. >> Promessa, >> tá? >> Segunda pergunta é o seguinte: o senhor tá bem? Estamos bem, mas esse programa aqui vai ficar além da gente na
▶ 01:54:51 internet. Manda uma mensagem pro futuro daqui 200 anos. Quem tá assistindo esse programa, quais seriam suas últimas palavras, teu epitáfio? >> Olha, eu eu tenho eu carrego comigo um desejo, >> tá? Sabe, eu sou obsecado por investimento em educação, em ciência, em tecnologia para que esse país vire uma grande nação. Sabe, nós temos condição para isso. Nós temos condições de ter um país capaz de competir com qualquer país do mundo. >> Mas, mas é isso que eu sinto. A gente é o país do quase, né? A gente tá quase
▶ 01:55:22 chegando. A gente pode, a gente tá, a gente tem bacia hidrográfica, a gente tem terras ráas. Nós já demos o salto, inclusive nós temos que pensar muito seriamente em quatro coisas. Agora, >> a questão da defesa é uma coisa séria. O Brasil tem 16.800 km de fronteira seca, tem 8.000 km de fronteira, tem petróleo no fundo do mar, tem petróleo em terra, tem minério. A gente tem que tomar conta disso, cara. Senão qualquer um pode vir aqui querer tomar da gente. >> Sabe? Depois eu quero cuidar da educação. A educação é a minha obsessão,
▶ 01:55:52 sabe? Eu quero ser o maior formador de educação do mundo. >> Famí. Sou de família de professores mesmo. >> Primeira coisa, uma coisa que eu vou vou criar aí, vou falar pro teu pai, uma coisa que eu tô pensando em criar, que é o seguinte, eu quero criar uma política muito forte de cuidar das pessoas da terceira idade. >> Sim. >> Porque sabe o que acontece? Muitas vezes, >> muitas vezes o filho se esquece >> que o pai e a mãe tiveram muito trabalho quando ele era pequeno. >> Claro, >> sabe? E quando o pai e a mãe precisa, >> é, >> eles não dão o carinho que o pai e a mãe
▶ 01:56:22 precisa. Então, eu quero criar condições de dar decência ao fim da vida das pessoas que estão responsável pela nossa vida e pelo país. >> Mas quais seriam essas palavras que você queria deixar pro pessoal em relação à educação, em relação a qual seria? >> É, nós vamos anunciar três programas importantes da educação. Nós vamos fazer um plano para em 10 anos resolver o problema da educação nesse país. Resolver isso também. Escola de tempo integral no Brasil inteiro. Escola de
▶ 01:56:53 tempo integral. A gente vai fazer nesses 10 anos aumentar muito os os estudantes de engenharia, de matemática, sabe, para que a gente possa dar esse país a a capacidade competitiva. Depois eu vou até muito da questão da defesa. Eu tô obsecado pela defesa depois do Trump, cara. Depois do Trump eu tô obsecado pela defesa. Nós temos que cuidar do Brasil. E a terceira e última pergunta é: qual é a dúvida que você tem atual, que que você se pega pensando antes de dormir? Qual que é a
▶ 01:57:23 tua a pergunta que você se faz constantemente? Uma dúvida? >> A minha pergunta eu vou ter pergunto para mim todo dia. >> Sabe pergunar mandato? >> Exato. >> Sabe? E aí a minha resposta é simples. Porque eu não posso deixar a direita voltar >> do jeito que ela é. Não posso. Se fosse uma direita civilizada, sabe? Eu já disputei com Fernando Henrique Cado, já disputei com o Alc com Serra. >> Sim. >> Em que o tempo era civilidade, você perdia, você ganhava, governava. Não,
▶ 01:57:54 mas esses esses fascistas, esses destruidores negacionistas, esses caras que vivem da mentira, que não respeita nada, sabe? É, não vou deixar. Por Deus do céu, cara. Eu peço a Deus, >> Lula >> e a você que me ajude a >> Obgado. Desculpa. Olha a cara dele de Olha, ele tá bravo comigo. Olha só. >> Ele não, ele você viu, né? >> Então eu tô tranquilo porque a JA não tá aqui. A gente tá no Piauí [risadas] >> discutindo a questão do feminicídio.
▶ 01:58:24 >> Tá. >> Tá. Que essa é uma coisa se você puder no teu programa sempre que você tem falado, temos falado, temos falado, temos falado >> porque somos nós homens. Aliás, eu vi uma frase tua que nós homens é temos que brigar >> em defesa da mulher. >> Sim. Então eu acho que é o seguinte, quando eu propus o pacto contra o feminicídio, é por isso não é a mulher que tem que brigar por ela. Nós homens que somos agressores, é que temos que ter vergonha e parar de ser agressor. >> Claro. >> Tá. >> Tá bom. >> Então, >> obrigado demais, presidente. >> Boa sorte. >> Eh, posso ter uma promessa que aí você
▶ 01:58:55 vai na minha casa que é no meu estúdio? >> Pode. Quando eu for candidato, a partir do dia 16. Isso >> é dia 16 >> de agosto que eu vou fazer o lançamento. Aí nós vamos aí nós vamos discutir. >> Vai lá em São Paulo e a gente conversa mais. Obrigado demais por receber na tua casa. Obrigado vocês que estiveram aqui com a gente. Deixa o like, se inscreve no canal >> e é isso, né? >> Agora eu vou te contar uma coisa. >> Olha, >> eu te dei três presentes úteis. >> É. >> E você vai me e você vai me dar essa caneca de bala aqui.
▶ 01:59:25 >> Claro. >> Você não vai levar. >> É. É. Ficou barato. >> Eu adoro deitar e ficar chupando essas. [risadas] >> Valeu, Lula. Valeu. Obrigado, gente. >> Vê um abraço pro seu pai, pô. >> O seu Gilberto abraço. >> Pergunta pro Ô, Gilberto, você tem que contar pro teu filho se você em 78 tava na Scania. >> Tava. Ele fala, fala de você. Ele tava lá. >> Ah, então vai ver que você me conhece. Eu te conheço, cara. >> Vou, vou mostrar foto depois. Cuida do seu filho. Ei, agora eu tenho que cuidar dele. Levei ele pra Copa. Depois te conta a história. Valeu, gente. Tem um
▶ 01:59:55 tem tem podcast logo em seguida que já vai começar aqui. Valeu. Fiquem com Deus. Um beijo no Cutoveli. Tchau. Fui. As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não
▶ 02:00:25 sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor, entre em contato conosco para esclarecimentos. Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.