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O FRACASSO DA CIDADE CRIADA PELA FORD NA AMAZÔNIA
Renan Santos · 01/07/2026 · 19 min · Renan Santos
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▶ 00:00:00 Estamos nas ruínas [música] de Fordlândia. Ele falou assim: "Meu pai, expulsões americanos, filha daqui". >> São só cruzes de crianças. Vem [música] ver isso aqui. A malária gerou um morticinho aqui, cara. Muito maior do que a gente poderia imaginar. É, galera, acho que essa aqui é a mais insólita de todas as nossas aventuras aí na na pré-campanha, né? A gente tá num absoluto meio do nada. Meus amigos, eu estou na cidade de Fordlândia. Você vai falar: "O que que é Fordlândia? Tá vendo o nome aí? Conhece
▶ 00:00:31 aquele F?" É a Ford. Sabe a Ford que faz o carro, faz o Fiesta? [música] Pois bem, a Ford resolveu instalar aqui no meio do Pará uma fábrica produtora de borracha. Eles instaliam a borracha, né, o látex das seringueiras. Eles processariam nessa cidade que é uma cidade barra fábrica. E ali eles fariam basicamente essa borracha condensada que era depois vulcanizada nos Estados Unidos. E é muito louco. Você olha para lá, toda a fábrica foi montada por ali, ó. Os barcos chegavam pelo rio, vinham
▶ 00:01:01 pelo rio com os equipamentos, instalaram tudo isso por aqui para tudo depois ser montado, né? A gente vai ver as instalações aqui. E aqui se é a expedição, ou seja, [música] aqui era exportada a borracha que era produzida, produzida aqui em Fordlândia. Tudo muito louco, né? Porque você tenta imaginar, estamos nos anos 30, 100 anos atrás, praticamente os Estados Unidos estão no auge da sua expansão, [música] saindo da crise econômica que eles tiveram, a crise de 29. E o homem mais rico do mundo, talvez ele começa, né, a
▶ 00:01:31 imaginar, não preciso preciso de borracha, né? Ele tava naquela pira de e verticalizar praticamente toda a produção. E aí ele queria ter a borracha pro pneu para ter todos os componentes do famoso Ford T, o carro que ele fazia em série. Então, dentro daquela pira dele, ele acabou sendo enganado por um brasileiro. Um brasileiro que era parente do Santos Tumon. Esse cara enfiou umas terras nele, achou que ia dar tudo certo. Só que a história não foi exatamente assim. Bora conferir. Aqui é um dos galpões que ficava a operação da Ford. Aqui você olhar ali
▶ 00:02:03 pela janela, dá para ver a caixa d'água grandona ali, ó. E a gente ainda tem resquícios da dessa ocupação deles, né? Tudo muito maluco. Isso aqui parece filme de ficção científica, mas distópico. Hoje já assistiram Lost, né? Parece Lost. Os caras montando no negócio tropical uma >> operação meio industrial, né? Tem umas caixas aqui e eles largaram, largaram >> largaram mão apenas. Chegou a ver aqui
▶ 00:02:34 embaixo o falou que as peças todas aqui. >> Será? >> Chegou a ver as peças produzidas aqui embaixo? Estão tudo em estoque aqui. >> Peça produzida? >> Tá aqui, ó. Vai entrar. Tá tudo, tá tudo guardado. As peças abandonado. Tá aqui, ó. Vai entrar nos estoques aqui. >> Aqui devia ser a ferramentaria deles, né? dos tornos e tal, porque de >> movimento de rodando, de tudinho, só tem roupa da época, tem um monte de coisa. >> Ah, não vai ter roupa da época, >> não. >> Tipo assim, isso aqui é do quê? >> Isso aqui é o desenvolvia as peças e
▶ 00:03:04 guardava. Olha lá, rodando tudo, nada do nada e vai embora. >> Ah, que doid as peças das peças. Esse aqui ainda tá do tempo que eu vi 10 anos atrás. Esse aqui é o material que foi produzido para venda. Aí eles abandonaram do nada. Isso aqui tudo isso aqui é material que foi produzido para
▶ 00:03:34 para envio. Tudo isso aqui. >> Material peça de carro aqui. >> Isso aqui são sa tudo foi produzido. >> Escapamento. É escapamento daí. >> Não, é impossível porque aqui era borracha. >> Não, os caras produziam peças aqui também. Tinha maquinário para produzir. >> Sério? >> É tudinho. >> Isso aqui é muito maluco, cara. Galpão da fábrica da Ford na meio da [ __ ] pariu. Por exemplo, ó. Realmente maquinário de época tudo os Estados Unidos.
▶ 00:04:05 Aqui isso aqui é um torno. Aí tem fresa, tem retífica. Mantiveram essa bagaça toda aí. Made in USA. Oo tá de maneira absolutamente autista brincando aqui com a gente tá tentando esmagar alguma coisa. >> Esmague. >> Força, capataz. Força. >> Ô senhor,
▶ 00:04:38 >> que tristeza isso. Realmente é é quase uma arqueologia, né? A parte mais tétrica que tem aqui é esse caixão de metal. Claramente um caixão americano. Caixãozão reforçado. Nosso caixãozinho tudo pobre no Brasil. Será que meu >> ó,
▶ 00:05:08 caixãozão metálico mesmo. Não sei qual era deles. >> Será que tem a ver com alguma coisa sobre a malária, as doenças que aqui tinha? >> Sei lá, os que as mulher trazeram uns caixões dos Estados Unidos. Porque realmente, cara, o caixão, vou te falar, isso aqui é isso aqui foi estampado, cara. Uma fábrica de caixão. Claramente não. Aqui no Brasil. Que loucura. Ó, galera, para vocês verem
▶ 00:05:39 assim, né, que o negócio tá abandonado há quase um século. Isso aqui é a casca da seringa, tá? Onde basicamente se extraía o látex ali, certo? E aí eles traziam aqui para cima, não sei para qual motivo, que devia ser um estoque, não sei. E isso aqui tá meio, né, meio destruído, né? Destruído. É uma eufemismo que tá, o lugar tá, o prédio tá condenado, a gente que é meio maluco de vir aqui. >> Não, eu quero um presidente com a
▶ 00:06:09 coragem de entrar no galpão industrial >> de quase um século, >> de um quase um século abandonado e condenado. O mundo era um lugar muito estranho nessa época, né? O, a, os estavam com aquela imaginação da excepcionalidade deles em que eles se expandiam pelo mundo. Era um período pré-guerra pósquis de 29. E aí na pira, talvez a época o homem mais rico do mundo era ele o Rockfeller, o Henry Ford saindo montando operações ao redor do
▶ 00:06:39 planeta. Essa aqui com, volto a colocar, completamente perdido no meio do nada do Pará. Isso aqui foi uma iniciativa das mais malucas, se aproveitando ainda que o Brasil produzia muita borracha, né? Depois isso foi transferido pra Ásia. Eh, o Brasil, né? Houve o fungo e a gente nunca conseguiu repetir a produtividade que a Ásia tem, mas, né? Eles tentaram aqui, cara. Isso é uma das experiências mais malucas, mas mostra também muito assim como a cultura deles veio para cá e ela não sobreviveu. A
▶ 00:07:09 coisa mais maluca é a cultura capitalista não conseguiu derrotar o primitivismo dos habitantes locais. Essa aqui é um típico exemplar das casas dos americanos. Fordlândia era dividido em três bairros. um bairro pros operários, pra equipe que trabalhava com a coleta de seringa e manejava nos galpões, pros engenheiros, esses brasileiros que tinham algumas casas melhores. E aqui pros americanos. Os americanos tinham encamento de água completo, elas eram maiores, elas eram mais arejadas, elas eram feitas de acordo com o jeito
▶ 00:07:40 americano de se viver. Uma dessas casas é que, infelizmente, a gente não consegue mostrar direito para vocês, mas uma dessas casas tinha até piscina. Ali dá para ver no fundo tem uma piscina, tinha balanço, assim, era uma, eram casos agradáveis para que os administradores que ficaram aqui, pelo menos coisa de 10 a 15 anos, eles tivessem um estilo de vida decente, tá? Só que a vida começou a ficar tensa, a relação entre eles e os brasileiros começou a ficar não funcional e a
▶ 00:08:10 necessidade de aumentar a produção, coisa que não tava acontecendo aqui, começou a ser afetada pelas oportunidades de extração de látex na Ásia, Tailândia, dentre outras nações, elas acabaram roubando a produção brasileira de látex, né? Os ingleses levaram isso para lá e o látex começou a ser feito em outros lugares. Aqui, infelizmente, a praga, havia um fungo que atingia a o nosso lá, a nossas seringueiras, ele afetou a produção. E isso somado a essa crise cultural, a
▶ 00:08:41 treta aqui entre os americanos e os ribeirinhos, entre os paraenses, a gente começou a ver a derrocada. Mas é muito maluco para imaginar, né? Eh, século XX, americanos se instalando aqui, né? É no meio do Pará. No meio do Pará. Se é difícil para vir para cá, eu vim de Santaarém de carro até aqui demorou 5 horas com estados horríveis. Imaginem eles naquela época. Deslocamento de barco com água, picada no meio da floresta. Teve que fazer acordos junto com o governo brasileiro. Foi uma loucura muito grande. Mas isso tem a
▶ 00:09:12 ver, isso traz alguns sinais que eu acho que são bem interessantes da gente colocar de de como é o desenvolvimento econômico, como funciona o próprio capitalismo, né? E como esses choques culturais, infelizmente, eles vão acontecer. E eles podem não necessariamente ser benéficos para ambas as partes. A Ford, né, assim como outras empresas industriais americanas, se instalou eh no Brasil, só que ela se instalou no centro sul em São Paulo, um lugar mais metropolitano, em que as pessoas já estavam adequadas a uma cultura de trabalho diferente. Aqui não. Só para dar um exemplo, aqui eles instituíram o regime de trabalho das 9 da manhã às 17 horas.
▶ 00:09:44 Os moradores locais não queriam, eles gostavam de trabalhar quando tava mais escuro, gostavam de extrair o láx em outros horários que não queriam trabalhar no período mais quente. Então, todas essas tensões foram minando as relações entre eles e impedindo que a coisa funcionasse. O problema é que isso foi dando treta, né? Foi dando treta a ponto de eh teve algum momento, um dos momentos de tensão que eu acho que eles chamavam de panelada, os americanos fugirem. Teve que tiveram que fugir pro mato ali, pra floresta para não ser pego na porrada pelos locais. O Ford ele tentou se adaptar e ser generoso com a
▶ 00:10:15 cultura local, né? Eles eram os famosos nos Estados Unidos wasps, né? White, anglosexon and Protestant, ou seja, branco, anglossaxônico e protestante. E ele ergueu uma igreja católica aqui. A população local sempre foi católica. Aqui é um convento para freiras católicas. Então, eh, ele fez uma espécie de um mix cultural em que a cultura de trabalho e alimentar e era americana, mas respeitando, dizer valores religiosos aqui da população. O que acontecia nesse sentido é que a
▶ 00:10:46 população não conseguia se adaptar por várias razões. Você imagina você pegar uma população, uma parte dela ribeirinha, outra parte que vivia, vamos dizer, distração da floresta, completamente alheia a um capitalismo industrial do século XX. Aí você coloca eles num regime de trabalho do século XX. Essas pessoas não se adaptaram. E não é que pessoas oriundas, vamos dizer, de modos de vida mais primitivos não conseguem se adaptar. Conseguem, as daqui não se adaptaram. E eu acho uma pena. Eu acho uma pena coisas que ele trouxe, tá? Que ele tinha nas empresas dele nos Estados Unidos, uma ideia muito
▶ 00:11:17 clara de proibição da bebida é trazer a cultura da lei seca que havia num começo do século XX muito puritano ali nos Estados Unidos. Tinha uma coisa que era um trend também em parte da elite americana, que é evitar certos alimentos que, vamos dizer, eh, davam aso ali a um comportamento mais luxurioso, mais sexual. Então, até o Kellogs tinha tinha isso, como vamos comer grãos, vamos comer aveia, vamos comer milho e isso vai fazer com que você segure seus instintos. Ele tinha uma um tipo de alimentação mais ao padrão norte-americano. Também proibiu festas e
▶ 00:11:49 prostituição nos arredores. E a galera daqui, os locais não gostaram muito. Houve uma revolta que foi conhecida como a revolta das panelas, que eles destruíram o refeitório e sério, perseguindo os engenheiros e os administradores americanos que tiveram que inclusive fugir pra floresta porque eh eles não gostavam de certas práticas. E qual as práticas? Um exemplo, você tinha o o horário do almoço. Horário do almoço, cara, qualquer fábrica é um horário restrito, uma hora para almoço.
▶ 00:12:19 A galera tinha, porém, uma cultura de alimentação, uma cultura, vamos dizer, alheia a a do capitalismo industrial, em que eles queriam passar mais tempo comendo. Aí os americanos instituíram o modelo self service, ou seja, tipo um bandejão. Você retirava comida ali, tum tum tum, colocava com do prato, comia e voltava pro trabalho. E eles se rebelaram com o sério, destruindo as panelas, destruindo os equipamentos. não gostaram daquilo, tá? E aí aquilo começou a gerar uma tensão muito grande, mas não foi exatamente aí que o projeto acabou. >> É que um senhorzinho que acho que
▶ 00:12:49 invadiu aqui, >> é, [risadas] >> e a gente perguntou: "E aí, se tinha algum parente e tudo?" Ele falou assim: "Meu pai expulsou esses americanos, filha da [ __ ] daqui e e ele junto a Getúlio Vargas expulsou esses graduados de merda e tal. >> E aí, enfim, ou seja, deixou marcas a guerra. Houve realmente uma guerra aqui. >> Tá rolando. Isso aqui é muito maluco, cara. Isso aqui é muito maluco. Só para vocês que estão assistindo entenderem, né? Aqui era o cemitério eh que foi feito à época. Claramente teve um surto de malária. E por quê? As pessoas, como
▶ 00:13:20 a gente vai vindo pelas cruzes da época, elas morreram basicamente das na mesma época. Então você pega aqui essa americana, a Sara. A Sara, Sara K Cit, ela morreu em 30. Esse aqui o John Chickan morreu em 34, né? Dá para pegar aqui o nome deles. >> Só que eles fiziam, faziam cruzes para todo mundo, né? Então, eh, aqui já é uma pessoa brasileira, é o
▶ 00:13:52 Inácio José da Silva, ele morreu em 33. E para para até a necessidade de construir um cemitério para as pessoas que estavam aqui, tá, e ter uma área tão grande, eh, dá para perceber que o problema era enorme. Uma coisa muito triste que acontece, né, que é basicamente desrespeitar os cadáveres. Como os locais não conseguiram construir outro cemitério, então eles foram tirando as cruzes, ou seja, violando, né, o sepulcro aqui da de quem tava enterrado para colocarem outros mortos por cima. Então, as cruzes das pessoas
▶ 00:14:22 foram sendo jogadas. Essas cruzes menores, como vocês podem ver, são cruzes de crianças. E aí tem uma das cenas, parece de filme de terror, tá? Isso aqui é cena de filme de terror. Parece que você vai invocar um espírito ali. São só cruzes de crianças. Vem ver isso aqui. Filho de Francisco Chaves, morto em 33. 30 de setembro de 33. Muito louco. 55 anos. exatos 55 anos antes do meu irmão nascer, que ele nasceu em 88, no dia 30 de setembro.
▶ 00:14:58 Então, o que tem aqui são as as cruzes, né? Aqui essas pequenas das crianças. Então, foi um a malária gerou um morticinho aqui, cara, muito maior do que a gente poderia imaginar, tá? Para quem assistiu a série Lost sabe, né? Porque havia um no sé ló um experimento do projeto da arma numa ilha, um lugar tropical no meio do nada tocado por americanos. Não é mais ou menos isso, né? Não é mais ou menos isso que a gente tá vendo aqui ainda. Eles ainda preservam algumas das cruzes
▶ 00:15:31 da época. Então tá aqui em cima de uma cruz preexistente, colocaram aqui da Lúcia Castro Soledade, morreu em 2021, né? Ah, viveu quase 100 anos. É muito insano. E e é assim, a gente tá num absoluto meio do nada a gente imaginar que essas coisas eh aconteceram, né? Novamente a incrível capacidade humana de buscar uma aventura, porque o Brasil já é uma aventura muito estranha. Você pega um monte de português, sai lá da Europa, vem para esse lugar aqui. Isso aqui é um inferno verde, é muito calor,
▶ 00:16:03 é muito abafado. E monta um projeto nos trópicos. Aí você vai tendo as camadas que vão se sobrepondo aqui. A camada de, vamos dizer, capitalismo aventureiro americano, tentativa de colonização cultural, né? Eu tava vendo, é, realmente eles tentaram colocar só comida americana mesmo. Era pêsego em lata, feijão em lata, >> eh a o o arroz marrom, né? O brown rice, eh, pão integral. E os caras aqui não se adaptavam, o que é uma pena, porque havia carne, não muita, porque ele era
▶ 00:16:33 contra o consumo exagerado de carne, mas era uma era uma alimentação mais robusta. As pessoas aqui provavelmente eram subnutridas à época e as pessoas normalmente tinham superstições com relação à forma de trabalhar. Eles não se adaptaram, né? Eles não se adaptaram, o que é uma pena, apesar de que o problema cultura é só um dos problemas. Teve a malária, teve a teve a praga, >> foi uma várias camadas de cagada que >> e logisticamente era muito ruim, mas você tem que botar toda a produção num
▶ 00:17:03 barco, mandar o barco embora e o barco que tinha que ir até os Estados Unidos. Foi assim, foi a [ __ ] de uma cagada. >> Foi, foi. O Henry cometeu um erro muito básico que foi não mandar pessoas antes aqui pr para olhar e já chegaram com a estrutura toda montada. >> Ele só confiou e veio, né? E aí entra uma outra coisa, né? Ele acabou confiando num malandro, né? As coisas não foram exatamente como foram prometidas. E só para, né, arrematar isso que é interessante, eh, eles fizeram uma segunda tentativa que foi na
▶ 00:17:34 cidade de B >> Belterra, >> Belterra, que nós passamos lá até gravei um vídeo lá. Cidade muito bonitinha, parece que lá funcionou um pouco melhor por um tempo, mas também uma hora simplesmente não valia a pena porque era mais fácil estar em látex na Ásia e a Ásia deixou o Brasil muito para trás. nisso. Aliás, como em praticamente todo que interessa, a Ásia deixou a gente para trás. A gente até começa e a Ásia termina. Triste história aqui, tá? Mas assim, este aqui, o Pedrinho vive me zoando em todas essas viagens que a
▶ 00:18:04 gente faz sobre, ó, muito místico. Isso aqui é bem místico, tá? >> Não, isso aqui é eu eu estou no clima místico do Renan aqui hoje. Realmente isso aqui é >> porque é é realmente assim, um mundo gerado por americanos no meio de uma floresta no meio do Pará. Isto é isto é muito maluca. muito, muito estranho. Tenta imaginar o drama dessas pessoas naquela época. Imagina você em 1930 com um surto de malária. Você é um americano, tá perdido aqui. Você, né, não tem como se comunicar com a sua família no outro no outro continente.
▶ 00:18:35 Você só quer ir embora ou trabalhar ou que eles oravam muito, né, pessoas muito religiosas e aí não tinha como fugir, não tinha como fazer nada. Daí você próprio fabricava na fábrica as cruzes para enterrar seus colegas de trabalho. No caso aqui eu já identifiquei três cruzes com nome de americanos, né? Mas a maior parte das pessoas que morreram eram brasileiras. Então, eh, >> é, é surreal, >> né? Pesado, pesado. Foi muita gente, cara. Foram centenas de pessoas que morreram aqui. Não é não é brincadeira.
▶ 00:19:05 Pois é, amigos, encerramos aqui a nossa aventura em Fordlândia, uma das aventuras mais bizarras que nós fizemos. E aguardem que tem mais, talvez não tão bizarra, talvez não tão macabra, mas também divertida.