← Renan Santos, vídeos de 2026
RENAN SANTOS VISITA UMA FAZENDA NO PANTANAL
Renan Santos · 10/08/2026 · 64 min · Renan Santos
↗ assistir na fonte original
▶ 00:00:10 Vamos. >> Hoje nós teremos um dia de pantaneiro aqui no Mato Grosso do Sul. Roupa de pantaneiro, [música] passeio a cavalo, conhecimento histórica, entendimento, inclusive, dos povos originários. Vem conhecer como vai ser a vida aqui no local e como foi ao longo da história. Tinha uma tribo indígena aqui na região que há muito tempo atrás ela era andava a cavalo. Eu não lembro o nome desses caras. Então, o os remanescentes do dos guaranis, que foram os índios que
▶ 00:00:42 participaram da guerra da triíplice aliança, hoje são os povos caduelos que estão ali na fronteira a um pouco depois e de Bonito Bodoquena, eles estão na fronteira com o Paraguai. As margens ali do rio Paraguai tem hoje um um uma extensão ali de 500.000 ha de reserva caduel, né? Mas não tinha um que era um que andava a cavalo, tinha até umas estátuas deles. >> Então são os guaranis. >> É guaranis. Certeza que é guarani. >> Guarani. Os que que foram os índios, os índios guerreiros, né?
▶ 00:01:12 >> É os guaicurus. Guarani. Isso que aí >> é é guarani. >> É guarani. >> O guaurus eram o considerados índios cavaleiros mesmo, que que eles >> aprenderam a usar o cavalo de europeu, né? aprenderam a usar o cavalo. Inclusive isso fez toda uma diferença durante o período da guerra, né, que eles era do dos poucos povos originários aí que tinha essa habilidade, né?
▶ 00:01:42 >> Então fez uma uma diferença grande. E hoje o os remanescentes deles são esses carels que estão ali na na linha de fronteira. É como se eles hoje é como se eles fossem a primeira linha de defesa. Estão lá bem próximo da do Paraguai. Eu gostei de ter um que chama uma tri que chama Paiaguás também. Então >> o nome é muito parecido de Paraguai, né? >> O Paaguá ele é muito muitos povos aí
▶ 00:02:13 originários eles eles foram eh extintos. Acho que o paraguá foi extinto. >> Foi extinto. E uma um um uma outra etnia que que continua famoso assim, mudou um pouquinho a forma de de dizer, é os eh xarais, xarais que falavam, né? Que hoje tem muita coisa é que falam xarais. Esses eram eram um povo muito grande.
▶ 00:02:45 Eles dominavam a planícia pantaneira. Então com isso veio aquela expressão é mar de xaraés da Já ouviu falar? Não, >> mas quando se refere a ao Pantanal, eles a algumas pessoas usam a expressão de mar de xarais, que na verdade eh faz com que algumas pessoas acreditam que isso aqui já foi mar um dia, né? >> E >> é uma hipótese aí descartada até mesmo
▶ 00:03:16 pelas pesquisas. >> Sim. Então, eh, quando você se refere a mar de xaraés, você tá se referindo à dominação. Então, eh, os xaraés, que na verdade era xaraês, eles eram um povo que dominava toda a planície. Então, como alagava, aí falava que era de domínio deles, né? Não sei se impulsiona para cima dele. Agora a gente vai ajustar aí o
▶ 00:03:47 como que tá para você o estribo? >> Bem tranquilo. Bemquilo. Bem tranquilo. >> Tranquilo. Tá. Que esse cavalo, o esse cavalo ele, a até a doma dele, ele sempre vai te obedecer com as duas canas da rédia numa mão só, tá? E aí você toca ele, ele é um cavalo leve de boca, manso, de de bastante confiança. E quem vai fazer ele é você. >> Maravilhoso. >> Do jeito que você tocar, ele vai. Se você quiser ele pangarel, ele vai ser. Se você quiser ele mais ágil, ele também vai ser. >> Então vamos, vamos.
▶ 00:04:17 >> Tranquilo. Quer montar você? >> Deixa eu pegar para você. Pera aí. Ah, >> foi, >> foi. >> Ela vai meio que acompanhando os outros também. >> Conseguiu todo mundo, né?
▶ 00:04:48 >> É só tocar aí, ó, batendo na barriga, deixa a rédia mais solta um pouquinho que eles vão acompanhar o outro. Faz eles andar, que se vocês deixar eles à vontade, eles vão ficar pangaré. Aqui a fazenda, ela é uma fazenda produtora de peixe. São 23 tanques de criação de pacu. >> Hum. >> Aí produz produz o o pacu comercial, né, que vai pros restaurantes, hotéis, principalmente da cidade de Bonito. >> Hum. >> O maior comprador hoje dos peixes produzidos aqui é a região de Bonito, os
▶ 00:05:18 hotéis e restaurantes de Bonito. >> E o boi para cá é tudo nelor? para cá. O que domina a região do Pantanal, principalmente da planície alagável do Pantanal, é o Nelore, >> porque o o boi taurino não aguenta, né? >> Então é >> raça europeia, >> as europeias, principalmente por causa do calor, né? A gente tem muito calor, as condições e da água, né? A adaptação, Nelor é um gado totalmente adaptado, né? O >> ele veio da Índia, é
▶ 00:05:48 >> da Índia. Isso é os Ebuínos, né? Origem indiana. Fala aqui pra câmera. >> Ó, galera, ó, ó, ó, ó. Como vocês podem ver, de acordo com ele, é uma jacaroa. Jacaré fêmea. E nós vamos ter o desafio hoje de atravessar o rio do jacaré. É grande desafio. E tá lá de boaça. >> Boaça. >> Ninguém falou isso pra gente, né? A gente descobriu. >> Pois é. Não houve onça na viagem até agora, mas houve um jacaré. Uma jacaroa ainda.
▶ 00:06:18 >> Ela come filhote de outros. Eles são predadores da própria espécie. Tá vendo? Um bem bebezinho aqui, ó. Aonde? No meio de >> ali, ó, na pontinha do aqui, ó, da vegetação, tem um pequenininho. É o filhote desse ano. Ó lá, ó. Dela. >> Ali >> é parece um galinho de pau. A gente vai passar ali, você vai olhando. Vendo, vendo. >> Bora lá. >> Tô vendo ali, ó. >> Vamos. Vamos lá, hein? Bora lá. Ó lá, ele se mexendo, ó. Eu
▶ 00:06:49 tô atravessando um rio cheio de jacaré só para você doar pra minha vaquinha. E aí que você não doi, hein? Quando pego o galope, te fazer uma pergunta. >> Hã? >> Você deixa solto e e e escora no estribo ou você também prende com a coxa no na cela? Não, você vai usar o estribo. O a sua base de apoio no cavalo é é o estribo >> aqui mesmo. Não força nada
▶ 00:07:19 >> não. Você vai deixa o porque se você forçar você não aguenta de dor. >> Então aí aí quando você galopa, você firma o pé, né? E você tem todo o apoio. Aí seu corpo fica relaxado em cima. Só acompanha, >> acompanha o movimento. É, >> cara. Eh, aquela coisa da cavalaria montar, o cara tem uma espingarda [música] e atirar com precisão em cima de um cavalo no galope, cara. Tem que
▶ 00:07:50 ser >> É muito treino, né? [música] >> É, é muito treino. Um treino. >> E os mongóis, cara, que eles atiravam com o arco, né? >> É >> arco e flecha. Tá, tem campeonato até [música] hoje na Mongólia de cavaria montada. Índio também, né? Aprendeu a tirar a flecha por cima do >> Vai lá, faz ele galopar. >> Irro, >> irra.
▶ 00:08:21 >> Você que essa mochila aí, você galopar, vai corre o risco de cair. Tá com muita bagagem aí. Se galopar não vai dar. >> Só cai meu chapéu. >> É. Ah, você pegou [música] um galope também. Legal com câmera. Grande canu
▶ 00:08:53 >> aqui, ó. >> Aqui é o seguinte, a gente vai lá no fundo, vamos bater num lote de gado que tá lá e trazer ele para cá. >> Legal. Bora lá. Arara azul aqui, ó. Nossa, filma, [música] pelo amor de Deus. Ali, ali, ali, ali. >> Tá filmando, [música] Que bicho lindo.
▶ 00:09:26 >> Eles são monogâmicos, né? >> São monogâmicos. Retardo é fodeu. Po, deixar comer? [grito] >> Pode, só que você deixar comer, ela vai querer ficar só comendo agora. Agora tem que chegar a tarca nela. [música] >> Deixa comer um pouquinho. Amanda sempre protegendo os direitos animais.
▶ 00:09:58 O boi v o a gente montado, ele já sabe que é para levar ele, né? >> Isso. Já [música] vai, já >> já vai. Tem muita por aqui ou não? >> Oi? >> Tem. >> E tem que sempre ter cuidado, né? Tem que fazer o >> fazer. Edon. Oi. Só para fazer um vídeo aqui do rio da Ren rapidão. >> Quer fazer perto do gado?
▶ 00:10:29 >> Que que é para fazer? >> Não, mas quer fazer perto do gado? >> Porque o gado vai reunir tudo aqui, ó. >> Vou sóar >> aqui. >> Você consegue trazer pr cá? >> Eu >> aqui tem a região. >> Dá pr É, dá pra gente chegar >> fazer mais perto de lá. >> Beleza. Beleza. >> Perto do gado. >> Então vamos lá. Vamos lá. >> Vamos lá. A cá. 아,
▶ 00:11:14 >> eu faço aqui na frente deles >> ou é só levando aqui. Vai, vai. >> Oi, boi, boi. Vai, vai, vai, >> vai, boi. Vamos lá. >> Vamos, boi. Vai, vai, vai, vai, vai. >> Vamos. Vai, vai, vai, vai, vai. >> Se correr eles saber, viu? >> É, se correr eles vão correr. >> Correr, v correr também. de lado.
▶ 00:11:46 Parte. >> Vamosidade. É isso. >> Pode ir, pode ir aí de boa. >> Vamos lá. >> Vamos cá. Lado, lado >> oi pega lá dentro. >> Que que ele falou?
▶ 00:12:17 >> Vamos. >> Bora. Vamos, boy.
▶ 00:12:50 >> [risadas] >> Ô, posso falar? Deve ser uma profissão legal ser boiadeiro, velho. isso é vida. A gente não vive, velho. >> Eu fui colocar o ch, né? Não vive ainda, >> não. A gente vive igual uns idiotas lá em São Paulo lá, tipo no trânsito. Ihu. O alerta, né? Modo alerta.
▶ 00:13:33 Uhu. [roncando] Grande botina. Eh, parte das regras é que o peão ele não pode chegar eh se eu chegar na sua casa, você tá chegando, eu chegar na sua casa, se eu chegar e fazer isso aqui com você, >> tô fazendo certo. >> Se eu cheguei, >> é, tô chegando. Tradicionalmente, >> agora você falou, >> tradicionalmente tem que tirar o chapéu. Isso aqui, ó, é respeito. Aí eu vou te dar a mão, te cumprimentar, certo? Hum.
▶ 00:14:03 >> Tô te respeitando. Tá em cima do tá em cima do peito, né? tá respeitando. Mas aqui, ó, eh, na cultura [limpando a garganta] do peão, eles não pode chegar perto do fogão sem o chapéu na cabeça. Porque o que a Amanda me perguntou, quanto tempo de de viagem, às vezes 30, 40 dias, o cara tá cabiludo, tá barbudo. Se ele chegar sem chapéu, ele vai derrubar cabelo na comida. Então, uma das regras é chapéu na cabeça, tolado na cabeça para servir a comida. Aí, aí o cara vai pegar lá o pratinho dele, o peão, vai fazer isso aqui, ó. Abre a mão, espalma a mão, põe
▶ 00:14:34 o prato aqui, ó. Vai pegar aqui, ó. Normalmente é colher na comitiva. Colher não comer rápido, não. Aí, ó, fez isso daqui. >> Ah, tem uma uma um grampo. Você faz ali. >> Vem aqui, ó. E ó, tenho três dedos sobrando embaixo. Para que que seria, né? Três dedos sobrando embaixo. É isso aqui, ó. Vou chegar aqui, ó. Vou vir aqui pinçar a tampa da panela. Aí, ó. Não posso garimpar, tá? Escolhi a minha porção. É a minha porção. É aquela ali, ó. Aí eu coloco aqui no prato.
▶ 00:15:05 Sobrou arroz aqui. Que que eu tenho que fazer com esse arroz aqui? >> Devolve pro >> Como eu vou devolver aqui? >> Batidinha >> aqui, ó. 1 2 3. São três cervejas que vocês têm que me pagar se bater, tá? É infração bater aqui não pode, porque senão quebra, né? Todos os peão batendo vai acabar com isso aqui. Então é uma das regras, não pode bater. Aí o cara vai tirando, servindo com cuidado, né? Vai, vai colocando a a comida dele aqui no no prato sem garimpar. Garimpar é o cara
▶ 00:15:35 ficar escolhendo. >> Odeio pessoas que garimpa no self service. Tá certíssimo. [risadas] Olha, cara, eu amo essa sabedoria. >> Tem coisa mais chata do que a gente no sal ficar lá escolhendo o tomatinho assim. >> Bom, eu falei que não pode ficar com chapéu, mas aí eu já servi minha comida, digamos que servi tudo. O que que eu vou fazer? E eu não vou ter mesa, não vou ter banquinho lá no campo, né? Eu vou me afastar, ó, e vou fazer a a minha estrutura toda. Tá aqui, ó. >> Hum. >> Minha mesa, ó. Aqui, ó. Chapéu.
▶ 00:16:05 >> Ah, é sério? >> É, que legal >> isso aí. Só que eu não vou comer em pé, né? Aí tá aqui. Aí eu ponho meu pé direito aqui pra frente um pouquinho, ó. Busco uma um apoio. Aí eu vou fazer >> um apoio. Aqui é onde o peão come, ó. Você pode ver aí nos no nos filmes documentário, o cara tá comendo aqui. Então aqui, ó. Tá, não pode pôr bumbu no chão que você senta no formigueiro tá ferrado, né? Então, >> ó, qualquer coisa aqui o cara, ó, >> já levanta, olha o gado. Ah, tá beleza o gado.
▶ 00:16:35 >> Hum. >> Cara, as coisas t uma ritualística própria, né? Muito legal, muito legal. >> Ô, Amanda, você foi muito boa lá no cavalo. Eu vou facilitar para você. Eu vou tirar as tampas que estão muito quentes, queimando a mão, tá? Tá. >> Aí você >> vou deixar vou deixar facilitado. Eu vou deixar uma tampinha aqui para você treinar, >> tá? Tá, tá valendo para todos aí, tá? Ó, essa tampinha aqui é mais fácil de pegar e não tá tão quente. Se você quiser praticar, >> então assim, né, te dar oi assim?
▶ 00:17:05 >> Não, aqui é não. Aqui para comer você pode aqui não, eu tava explicando para ele, mas pode para servir é isso aí. Vai lá, >> fica à vontade aí para servir. >> Três dedos para baixo. Não, você fez certo. >> É porque eu peguei o >> Isso aí, ó. Trava ele aí. Beleza. >> Não, mas ele tá travando com o mendinho por cima. Mendinho por cima dele aqui, ó. Lógico. >> Aí ele por baixo não.
▶ 00:17:36 >> Ele já tá dando aí. Aprende rápido demais. >> Gravei um vídeo não. Falei com ele meia hora e ele 30 segundos ele viu. E esse negócio aqui pessoal tá preocupado. Mirandoo. Cara, assim, eh, esses e assuntos, essas coisas aí, né? Sempre preocupa, né? Sempre com um negócio aqui. >> Olha, o par tá feio, >> ó. >> É, >> par tá feio. 90 anos de propriedade. Chegou um caçar
▶ 00:18:08 aqui agora indígena. Saiu dá os gatos. Prendeu tudo. Tomou os gatos. Ninguém sabe da >> Ó, Amanda gabaritou, tá? >> E aí? Errei certinho, sem prenda. Beleza. >> Agora tem que ver se eu vou saber comer. Calma aí que a experiência completa é assim, né? >> É. >> Não, mas tem que botar ele no chapéu. >> Pode colocar dentro. E segura aí. Segura o chapéu. >> Segura chapéu. >> Caramba, >> viu só? >> Na colher era mais fácil mesmo. >> Na colher é aí, ó.
▶ 00:18:39 >> Bom, >> já perdeu o emprego lá, já vai >> pia, né? Essa bola para quê? Serve para cagar. >> Pega os três dedos para cá. >> Só não deixa na castela ver isso aí. Quer copiar, hein? >> Saiu já a gravação. >> Éim.
▶ 00:19:09 >> Ela tá meio desequilibrada. Você tá marcando aí, né? Ó, tô tô tô de tô tô de olho aí que eu >> tô de olho que eu tô que eu tô numa sede, rapaz para tomar uma cerveja. >> Eu errei. >> É, falou >> aí. Aí >> o que o barulho não. Ah, meu Deus. Tinha que devolver calmamente. >> Uma cerveja. >> Tá uma cerveja. Tô devendo pra casa. Tu vai tá com fogo. Tu tá com fome? Eu tô não. >> Ai, aqui tá queimando. [risadas]
▶ 00:19:40 É, eu não vou conseguir pegar a mandioca. Consegue ele? >> Não tá queimando mesmo. >> Não, vai. A gente vai dar um desconto. Pode, pode destampar aí. >> Pode destampar. >> Pode. >> Não, tá muito quente. >> A tampa queimou. Queimou a minha mão. >> Tem que pegar ela aqui. >> É, você tem que pinçar com >> Ah, tá ligado. >> Ó ovo frito, peixe. >> É, vou pegar aquele ovinho doido ali. Vou pegar mais. >> Ó, ó, ó, ó.
▶ 00:20:10 Então eu tive só uma prenda de de acho que duas, né? Bateu e não conseguiu tirar tampa. >> Hum. Mexinha boa aquela ali também. Hum. Muito boa a comida. >> Muito bom. >> Muito bom. Feijão excelente. >> É uma antiga olaria, né? Uma antiga, >> é bem bem legal aqui. >> Cerâmica, onde o porte dessa cerâmica era produção de telhas, né? Hum.
▶ 00:20:40 >> E remetendo a a tudo isso, né, desde lá do do princípio, a gente tem aqui um fogão feito com a base de do cupinzeiro. >> Que legal. Então, a gente serve sempre um café de boas-vindas aqui, né, com eh café, leite, tem alguns sucos, alguns biscoitos, mas eh a pegada de de desse fogão aqui é trazer, resgatar um pouco da cultura, né, da cultura do do dos povos originários e também do do homem
▶ 00:21:10 pantaneiro, né, que >> os índios usavam, né, >> usavam e ainda usam, né, o usam hoje e essa técnica na queima da da cerâmica que eles produzem e mesmo com outro formato. A gente a gente tá com com esse formato exatamente como é um cupinzeiro, né, para arremeter a >> a isso daí, né, que >> que é feito a argila, né, o cupim ele tem como matériapra para ele fazer matéria orgânica, argila e uma uma
▶ 00:21:41 secreçãozinha como a saliva dele que dá essa impermeabilização na argila. >> Ah, legal. E aqui, ó, se tocar aqui, aqui tá quente, mas se você tocar, pode tocar bem bem próximo aqui, ó. Pode manter a mão que você vai ver que que é térmico. >> É mesmo, tá >> vendo? >> É, aqui já tá frio. >> Já, já aqui em cima, se você colocar a mão, ó, você vai sentir que tá Só cuidado com >> Ah, >> então mantém a comida do pantaneiro, né?
▶ 00:22:12 O o aí dentro você tirando a brasa, você pode assar. Pode assar bolo, chipa, sopa paraguaia, que é tradicional da região, mas também você pode assar um pernil aí de de >> Sim, sim, sim. >> de um porquinho. >> É verdade. Dá fazer um, né? É, dá meter uma qualquer coisa para assar aí mesmo. >> Fazer um assado aí. Então, e a gente tem eh aqui, né, a parte dos fornos, né, esse esse forno foi transformado em um pequeno museu com a história >> dessa olaria, com a história da da
▶ 00:22:42 família, né, que foi um os primeiros a começar esse trabalho aqui, que vocês querem olhar um pouquinho lá dentro. >> Claro, vamos lá. >> Tem um pouquinho um pouquinho da história, >> eh, de como tudo começou aqui na na região, né? Um é um pequeno museu que hoje chamado museu do Hashi. >> Ah, japoneses. >> Japoneses. Esses japoneses eles eh são imigrantes da do período da Primeira
▶ 00:23:12 Guerra ainda, né? pro Brasil, >> família Terruta. >> E aí eles começaram com esse esse trabalho, né, de de olar eh trouxeram para cá pra época lá quando eles começaram, no início era tudo artesanal feito nas formas. Aí sabe a expressão feito nas coxas? >> Hum. Aquela expressão quando a pessoa faz um negócio meio >> e irregular, fala feito nas coxas, porque antigamente as telhas elas
▶ 00:23:42 começou assim feito nas coxas, colocava argila e ia moldando. A a coxa da pessoa é formato, então ninguém tinha coxa parecida, então ficava igual, não ficava igual. Mas aí lá no início dos anos 50 eles trouxeram uma tecnologia para cá do do das máquinas a vapor. Eles começaram a imprimir essa dele. Hum. >> Pega, sente o peso dela. >> Nossa, >> mas porque é uma tecnologia muito avançada também, >> porque ela tem essa >> eh circulação de ar, né?
▶ 00:24:14 >> Uhum. Então, se você olhar depois ali no telhado nosso, ali no barracão principal, você vai sentir essa pegada da das casas japonesas, daquele telhado de casa japonesa, porque legal, >> uso dessa telha aí. >> Agora aqui o que o que impressiona engenheiro, arquiteto, é esse formato da cúpula, né? >> Sim. >> Então, um negócio pra época, isso aqui 1, a gente tá falando de 1919, 1920, né? Uhum. Então, uma única pessoa fazia isso. Tinha e não era engenheiro, não
▶ 00:24:45 era nada. Ele só tinha o conhecimento mesmo. >> Foram japas, foram japonês. >> Índio. >> Quem fazia essa cúpula aqui era um índio. E aqui, ó, cada boquinha dessa que você vê é é entrada de uma fornalha. Então, colocava-se o fogo lá fora na na nas fornalhas e entrava aqui só o calor. >> Tudo isso porque aqui embaixo da gente tem um túnel >> e esse túnel é ligado nessas chaminés altas que você viu aí. Então, a chaminés, ela tem aquele aquele sentido
▶ 00:25:16 do balão de puxar o ar quente. Então, ela puxava e levava embora toda a fumaça e o e o calor excedente lá fora que eles tinha uma uma chapa, aquela chapa lá, ó, que fazia toda a regulagem. Então, para você ter ideia, aqui chegava 900º aqui dentro para fazer o a etapa final de queima era 900º. Então, era muito quente a ponto de de e diluir a sílica, ó, e transformar em vidro. Isso que você vê ali que parece uma gelatina. >> Verdade. Tá vitrificado, né?
▶ 00:25:47 >> Isso é vitrificação da sílica. Então, e era tão alta a temperatura, né, que transformava sílica em vidro. E chegou a formar, ó, dá para ver que quase que todo o interior aqui na parte alta foi vitrificado. >> Hoje com o tempo, né, faz 9 anos que que deixou de de queimar aqui, então já foi perdendo eh as películas, né? >> Uhum. >> E hoje tem um pouquinho. A gente tem o
▶ 00:26:19 morador aí é um o morcego. >> Morinho >> que é um um dos nossos aliados, né? Esse é o morcego incetívoro, né? Então só se alimenta mesmo de insetos. Mosquitos >> maravilhoso, né? Uhum. Bicho muito bom mesmo. >> Isso aí. Aqui, ó, dá para você tocar e sentir, ó, que é realmente uma película de vidro. >> Aí, Mouri. Até era até os japas aí, viu? >> Tinha, né? >> Tinha. Tem uma comunidade de japa
▶ 00:26:49 enorme. >> É eles que construíram ali. >> Foi. >> Ah, foi, foi. Eu vi outra vez. >> É. E aí a gente tem a toda a antiga olaria que a gente usa hoje é a nossa base do turismo, né? A gente tem o salão principal que é o restaurante, tem >> a parte da da cozinha funcionando e uma parte ainda para ser restaurada, né? Uma parte que >> precisa de restaurar. Pode pegar um cafezinho, >> pode, pode ficar à vontade. As canecas, então tudo aqui a a o nosso propósito é
▶ 00:27:20 fazer é remeter os nossos visitantes a a vida, ao cotidiano do homem pantaneiro, do do peão de comitiva, do peão pantaneiro. Então, as canecas, a os pratos, eles são esmaltados porque eles, é, originalmente andam dentro das brucas, né, da e e as brucas vai no lombo ali da mula, do burro, e elas dá esses sacolejo. Agora você imagina se isso aqui fosse louça, era no primeiro dia já não tinha nada, não era sempre
▶ 00:27:50 metal mesmo, >> sempre metal. E aí tem as questões, né, da da conservação do alimento quente, né, e e as coisas de como o pantaneiro usa todo esse material, né? Então a gente tenta trazer aqui bastante o resgate dessa cultura mesmo, né? >> Pode pegar um >> Pode, fica à vontade. Fica à vontade. Essa aqui é a sopa paraguaia. >> Ah, é >> é a sopa paraguai, apesar do nome é um bolo, né? salgado. >> A sopa paraguai originalmente era era
▶ 00:28:22 uma sopa, né? E aí no que nos períodos de guerra o transporte do material era difícil e eles foram acrescentando a amido de de milho e ela ficou mais sólida. >> A gente costuma, a gente costuma dizer que isso é a herança da guerra, né? De de de lá para cá. A gente a gente tem aqui é algumas coisas que a gente considera herança da guerra, a sopa paraguaia, a a chipa e por exemplo o porco Monteiro, o boi maruá, né? O boi bagual. Eh,
▶ 00:28:53 >> que que é? Explica, calão, por favor. >> O cavalo pantaneiro. >> Cavalo pantaneiro. Conheço. >> Então, o boi maruá, existe boi bagual e boi maruá, né? O o bagual é o boi que ele se perdeu, ele ele é de uma propriedade e ele se perdeu ali, ele foi ficando o o que a gente fala bagual, foi ficando selvagem, >> selvagem, >> mas ele pode ser um boi que ele tem marca, pode ser um boi que ele tem divisa, né? E ele ele só tá ali alongado
▶ 00:29:23 no mato. Já o marroá é aquele que nasceu selvagem. Ele ele pode ser filhos de de boi bagual, mas que ele nasceu lá no mato, ele não tem divisa, ele não tem marca, nunca soube o que que é uma vacina, nada. Então esse é o é o marroá, né? Ele nasceu lá num >> E ainda existem os os bois soltos ou >> ó o o bagual existe agora o o agora o marroá se você deixar ele vai voltar nessa deixa, né? Então hoje a gente tem aí a questão de de grandes fazendas que
▶ 00:29:54 que tem gado se perdendo, vai ficando bagual, né, que a gente fala. E o marroá vem. >> E o porco monteiro o que é o porco que fugiu? O porco Monteiro, ele é um porco que a gente tem, ele eh desde lá da colonização eh começou a surgir. O que que o que que é o quando vieram para cá os espanhóis, eles trouxeram para cá o porco, trouxeram o boi, trouxeram o cavalo na colonização. E aí durante o período da guerra, esses animais se perderam. Na loucura de uma guerra,
▶ 00:30:26 vários animais se perderam. E o boi, o boi, o porco, eh, principalmente o porco que tava aqui com os espanhóis, o Monteiro, ele é o mais próximo possível do que chama lá na Europa de pata negra, >> porque foram trazido com é o porco >> e aí com essa coisa de animais ficar selvagem. >> Sim. Então, mas tem aí é porco porque é a melhor raça de porco que tem. >> Tem, tem. E aí hoje o que que o o que que o peão pantaneiro lá, o homem pantaneiro faz? tá na lida com gado, tá ali no campo, ele vê um um um lote de
▶ 00:30:58 porco, ele vai lá, ele pega os machinhos, laça, castra lá no campo e vai na orelha esquerda e corta a pontinha e larga o bicho lá. Ele vai se curar e vai começar a engordar lá, que é o que o pantaneiro come aí dos porcos de de do mato aí, né? Então é uma carne excelente, né? Porque ele vem desse, desse porco lá que é extremamente famoso do pata negra e tá vivendo aí comendo só fruta, só raiz, né? >> É diferente do do javali, né? Diferente do >> É, isso é uma praga, né?
▶ 00:31:28 >> Diferente do javali do >> Agora apareceu, apareceu ele aí, já tá tendo por aí. E e é o que você acabou de dizer, para pro produtor é uma praga, né? Porque ele come bezerro, ele come potro, ele come ovelha, ele come o que ele achar, >> ele come tudo. Só tipo um um inferno >> e não tem o o >> pior de tudo é é a falta do predador para >> a onça não consegue pegar ele. A onça, onça é um é um bicho assim eh que ele ela vai se envolver com o que ela
▶ 00:31:59 considera comida fácil. >> Hum. >> E o javali, o Java porco, esses aí não é comida fácil, né? Ele, ele, o bicho tem umas presas enormes para ela. É, é um perigo. Então, ela vai evitar o perigo. A onça vai evitar o perigo. Ela vai comer um bezerro que não oferece resistência. O jacaré, a capivara, o jacaré entra outra questão, entra o sabor da carne, né, também, né? >> Então, ela gosta de comer jacaré porque a onça é um gato gigante. Gato gosta de peixe. Peixe que mais se assemelha o
▶ 00:32:29 peixe é o jacaré. Então, um dos animais mais predado hoje na natureza pela onça é o jacaré. Depois a capivara, aí o porco e depois só que vem os bolvinos. >> Hum. >> Olha só aqui. >> Aqui, Renan, tem uma coisa bem interessante de ver, ó. É, eu tenho essa palmeira aqui. Ela é a palmeira do Acuri, tá? Lembrando bem que é Acuri. >> Acuri.
▶ 00:32:59 >> Acuri. Muita gente na região chama de bacuri, mas essa é a palmeira do Acuri. Aqui, ó, eu tenho a floração dela. Abriu, provavelmente que essa noite ela rompeu a a vag aqui, ó. Uma espiga, saiu a floração, as abelhas vão vir pegar o pól e vai fecundar. E aí vai nascer o outro cacho já com com frutinho, tá vendo? Ah, >> então nasce flor e e fruto na mesma árvore em diferentes fases, porque ela é hemmafrodita. Ela tanto é uma palmeira
▶ 00:33:30 macho como fêmea. >> Tá. >> E é a base alimentar da arara azul. A arara azul é o único animal capaz de romper aquele coquinho que tem lá na frente para comer a castanha que tem dentro. >> Nossa, não sabia. >> Aqui, ó. Esse aqui é o coquinho do Acuri. É um coco mesmo. E dentro ele tem castanhas. Chega a ter até quatro castanhas. >> É, é o que a arara come. >> É o que a arara come. Ela é bem especialista tanto na alimentação como na nidificação, porque ela só faz ninho
▶ 00:34:01 é em duas árvores daqui do Pantanal, que é o Manduvi e a Ximbuva. Natural, ninhos natural, né? Hoje tem um projeto que ele instala ninhos artificiais. Aqui nessa trilha eu já vi onça pintada, sério, >> onça parda, anta, eh, cateto queixada, porco monteiro. Eh, mas algum alguns que me impressiona. Por exemplo, de toda a minha vida no Pantanal, são
▶ 00:34:33 poucos os lugares que eu vi cachorro vinagre. >> Ah, eu já vi esse cachorrinho. É um cachorrinho, né? >> É. E aqui, aqui eu tenho visto ele com uma certa frequência. Ele é bem raro, né? >> Vive no meio da mata. >> Vive no meio da mata. E é, é isso, é isso que você falou. Raro, extremamente raro. E a gente tem esse animal aqui. >> A, a onça parda, ela foge da pintada, >> elas elas não coabitam, né? Então ela é eles falam até que é o contrário, que é a onça pintada que foge dela, mas elas
▶ 00:35:03 estão sempre em ambientes bem diferentes, por exemplo. E >> elas são animais bem distantes um do outro, nãoé? Isso. Por exemplo, a onça parda você vai ver ela mais no campo aberto. >> Hum. >> É, é, é difícil você ver ela aqui dentro da mata. Já pintada, ela vai est sempre por aqui, sempre dentro. >> Mas tinha pegada de onça, então >> tinha, tinha pegada de onça pintada aqui ontem. Ela tinha andado aqui recentemente. É que os outros cavalos já apagou a pegada, né? >> Mas é um animal de hábito mais noturno, né? Então, eh, isso e varia bastante
▶ 00:35:37 aqui para mim. Aqui eu eu posso encontrar ela a qualquer momento, de dia, de noite, porque é área é área fresca, né? >> Uhum. >> Ela ela na verdade ela evita o calor >> e nada demais, né? É o melhor felino para nadar. Isso, exatamente. Ó, vou vou só dar uma dar uma paradinha aqui que aqui é um ponto legal de vocês entender. >> Bom, aqui e eh que nem eu tô dizendo pro Renan, esse é um ponto para mim aqui
▶ 00:36:08 sempre é é estratégia eu parar aqui por para vocês entender onde a gente tá, principalmente onde onde nós estamos no Pantanal. Então aqui, ó, se você olhar, você vai ver subida. >> Uhum. >> Então a gente tá subindo pro Planalto e para cá, para onde você imaginar aqui, até você chegar lá no Mato Grosso lá em cima, é planície. >> Isso aqui é a área plana, plana. Cada vez que você ir aí, você tá indo para dentro do Pantanal. Então esse riozinho, ó, ele tá escoando para lá. Então ele tá
▶ 00:36:39 levando o que sobrou das águas aqui. Mas no período de cheia, a água chega depois dessa árvore de aeira aí, ó. Então fica completamente alarado. Isso eu tô falando de 4 meses de alaramento, né? Então a gente tá num divisor, divisor de biomas, divisor de de situação. >> Para cá o bioma vai ficar diferente. >> Para aí o bioma já pega. Você vai ter muito mais mata de galeria, é mata úmida, mas não alagável. É área alta e você vai chegar no no serradão. Você vai
▶ 00:37:09 chegar na área de serrado, que hoje é a área as áreas mais comum de uso pra pecuária, pra agricultura, né? Uhum. >> E a daqui pra frente é mais a pecuária mesmo. E hoje o turismo usando partes que é possível o turismo usar. Mas aqui é bem é linha de linha um divisor de biomas. >> Uhum. >> Que interessante mesmo. >> Então é preciso como um convive com o outro, né? Vocês vai do Pantanal ali vai já já, sei lá, andar não sei 1 km. Começa >> uma coisa que é que é importante pro
▶ 00:37:39 pantaneiro, por exemplo, que eu costumo falar, o o fazendeiro pantaneiro é tradicional. Ele tem que ter por obrigação duas fazendas. >> Ele tem que ter uma no Pantanal e ele tem que ter uma no Planalto. >> Ah, por causa para para levar o boi na >> para levar o gado dele, porque senão ele não consegue trabalhar. Senão toda todo período de cheio ele tem que vender o rebanho, né? >> Uhum. >> Então é, fica meio inviável, né? Ó, dá para perceber, né, que é bem
▶ 00:38:10 agiloso. Lugar úmido, você consegue ver bem a argila. Magila forte, né? >> Uhum. >> E répteis que tem por aqui. >> A gente, então, eh, a gente tem uma variedade grande, né? Assim, répteis, a
▶ 00:38:40 gente tem quelônios, anfíbios, né? Então, e o mais famoso dos répteis aí que a gente tem é o jacaré, mas aí você vai ter o Lagarto Teu, você vai ter Mabuia, algumas eh famílias aí mais eh desconhecida, né, de de no caso das lagartas, das salamandras e até mesmo as as cobras, né? A gente vai tá num numa região aqui que a gente tem eh
▶ 00:39:10 muitas cobras peçonhentas, como jararaca, boca de sapo, a a jararacão, a gente vai ter coral, >> aquela urutu que tem para cá. >> A urutu não, a gente não tem a urutu, ela já vai ter aí para cima. No Mato Grosso já tem, mas aqui >> nessa nossa região aqui não tem. >> E a gibóia? A gibóia a gente tem ela por aqui. Giibóia. Sucuri. A gente >> sucuri tem para cá. >> Tem. >> Achei que era mais amazônico. Sucuri >> não. Sucuri a gente a gente tá no num bioma que tem muito sucuri.
▶ 00:39:41 >> E ela pega uns bichos aqui. >> Ela vai. A sucuri. Ela depende do tamanho dela para ser o tamanho da presa, né? >> Mas tem sucuri aí que é é capaz de de engolir uma capivara, vamos dizer assim, de médio porte. Então, a gente tem eh sucuris bem grandes aí, sucuris de até 8 m já pode ser encontrado aí, ó. Para vocês terem ideia do que que eu tô falando, ó, olha o capim que ficou na
▶ 00:40:11 cerca da última da última cheia que teve, tá vendo, ó? >> Ah, tá. Isso aqui é a água que subiu. >> Isso. A água subiu quando a água baixou ficou ficou a vegetação. >> Então, quem mora nessa região é muito assim, é um ciclo de estações de cheia, né? a tua vida varia de acordo com esse ciclo. >> Exatamente. A gente eh as nossas estações aqui elas são eh diferentes eh do restante do país. A nós temos quatro estações, chuva, cheia, vazante e seca.
▶ 00:40:42 >> São as nossas estações, >> porque o clima mesmo é quente o tempo todo. >> O clima é sempre quente. A gente tem clima a menos, né? Mas é períodos muito curtos. Mas >> não, hoje, por exemplo, tá bem a meno. >> Hoje tá, mas o que rege mesmo a vida do pantaneiro são as estações que que eu disse, né? As chuvas, a cheia, a vazante e a seca. >> Agora a gente tá na seca. E a a agora, por exemplo, setembro, agosto e setembro é o pico da seca, é o
▶ 00:41:13 auge. Aí essas árvores que ainda tem folha, você vai ver só os galhinhos dela, como se elas estivessem tudo mortas. Hum. >> Cai todas as folhas, então, eh, seca muito, principalmente aqui onde a gente tá, né, na mata de galeria aqui, aqui seca bastante, fica bem seco mesmo. Então, é um período crítico, né? É um período crítico porque a gente a aí de alguns anos para cá a gente tem tido os
▶ 00:41:44 grandes incêndios ambientais aí, né? >> Ah, se tá. E aí coincide com exatamente com esse período, né? O período de extrema seca, do período da seca mesmo. Ó, aqui é mata de galeria. Então você consegue ver algumas árvores diferente do que a gente vinha vendo lá atrás, ó. Tá vendo? Árvores de porte bem alto. >> Pois é, né? Aumentou a altura delas. >> Muito alto. Árvores que o Pantaneiro aprendeu a usar, né? Como o angico vermelho para fazer o costume, né? Dos
▶ 00:42:14 couros. >> Hum. Aquele ali é o anjico vermelho. Essa árvore aqui da frente é a aeira, né? O pau ferro. Essa árvore aqui é uma aeira. Aoeira a gente costuma dizer, para você ter ideia de quanto é forte, a gente costuma fazer uma brincadeira aqui que depois que ela acaba ainda ela dura mais 100 anos, né? >> Hum. >> De tão forte que é. Hoje >> é uma madeira para uso para coisa resistente mesmo de longas. Isso, isso. Para você fazer aí um eh,
▶ 00:42:44 vamos supor, um, você vai construir uma casa na fazenda, você vai fazer um esteio principal da casa com aeira, >> um moeirão de de mangueiro, né? Com aeira. Hoje é uma madeira super protegida, né? >> Hum. Ô Renan, você tá gravando em em vários biomas diferentes do país. Dia inteiro. Graveiões da catinga. Eh, a gente não chegou no Pampa, mas fomos na Serra Gaúcha e a gente vai
▶ 00:43:15 ficar contando histórias assim dos lugares. É bem legal. É, nessa sua andança aí, o que que tem te chamado mais atenção aí com relação e vamos dizer assim, com relação ao meio ambiente, à natureza, assim, >> eu fiquei muito surpreso com a região de Catinga. Eu achei muito bonito. >> Eu achei legal. Eu acho que é é inexplorado em termos de turismo. É, é bem mais bonito do que as pessoas imaginam. Tem algumas umas regiões de Pernambuco que a gente foi, que eu achei
▶ 00:43:45 muito legal. Eh, a parte amazônia, a gente foi lá pra ilha, a ilha do do Marajó. Eh, tem muita coisa muito legal quando você vai explorar. Aham. Bioma, biomas completamente diferentes, né, assim, >> do que do que a gente >> habitualmente tá tem tá costume, né? >> Uhum. Acho que em termos de exuberância, Mata Atlântica é um negócio muito forte. >> O Pantanal é minha casa, né? Então é meio suspeito eu falar, mas é um bioma muito particular. Sim, sim. Porque é uma
▶ 00:44:17 coisa que é eh >> ele é uma zona de transição ou não? >> O ele o o Pantanal, na verdade ele ele ele tem regiões que são eh zonas de transição e ao mesmo tempo ele é um mosaico de biomas. >> Uhum. Ele é um mosaico que que para você ter ideia, a gente costuma dizer que o Pantanal são eh 10 ou 12 pantanais diferente em em um em uma região. Por quê? Porque a gente tem esse mosaico de
▶ 00:44:47 biomas. Você tem parte do do Pantanal que é catinga, você tem parte do Pantanal que é savana, você tem o cerrado pantaneiro, você tem é um bioma mais aí próximo da Mata Atlântica. Então esse esse mosaico, né, é que faz com que tudo isso seja interessante, né, porque você consegue ter várias áreas de transição, né? Transição e >> em comum o que que é o une todas elas é o é o alagar, >> o e exatamente e o o que todas elas têm
▶ 00:45:19 em comum, que são biomas diferentes dentro da maior planícia alagável do mundo, né? >> Hum. Então, eh isso faz com que isso aqui seja eh um um lugar sensacional, né? Uma coisa incrível. >> Sim. Porque >> porque a água vai afetar cada área de uma maneira diferente, né? >> Exatamente. Exatamente. No tempo em um tempo diferente, cada uma dessas regiões ou subregiões, ela tem esse time
▶ 00:45:49 diferente, né? mesmo com a questão da cheia, eh, você tem esses times diferentes para cada subregião dessa. >> Uhum. >> Por exemplo, nós aqui estamos na borda, então a gente tem uma cheia, a cheia primária, onde tudo começa, começa aqui, mas também por outro lado é onde começa a terminar tudo mais rápido que os outros, né? >> Hum. >> Então, quando lá embaixo tá ainda enchendo aqui, para nós já estamos na vazante, né? Uhum. >> Então, é é interessante demais essas
▶ 00:46:21 coisas aqui, ó. Toda essa área plana ali embaixo, tudo é área alagável. Tudo é área que vai no período da estação da cheia, tudo fica alagado ali. Então, a questão que eu te falei, o pantanelo, ele tem que ter área de transição para ele levar a criação dele pro alto, né, para fugir da cheia. E o o assim tem uma colonização antiga que veio para cá, né? >> Do sabe dos bandeirantes, do das
▶ 00:46:51 monções, >> o os bandeirantes, os jesuítas, os espanhóis, o das monções que você se refere é o jesuíta, né? Essa esse tempo aí, né? Então a gente tem uma cultura bem diversificada em função disso, né? >> Porque boa parte assim, eu eu ouço muito a mirater, né? Aham. >> E tem muita música que é específica daqui da região. >> Isso. >> E aí tem inspiração lá dos espanhóis para caramba ali também >> é >> do da música do Paraguai.
▶ 00:47:24 >> E a gente aqui aqui na fazenda, a gente tenta fazer isso, a gente tenta resgatar essa cultura. Então a gente tem isso que a gente tá fazendo aqui, é claro, é um compacto do que seria o o 100% peão. >> Sim. >> Olha só, conseguiu perceber a mudança de bioma >> para caramba. Então aqui a gente tá no sererrado, você vê que eh num curto espaço aí, ó, a gente já passou por três biomas diferente. Então a gente andou mata ciliar, mata de galeria e agora a
▶ 00:47:56 gente tá dentro do cerrado. Aqui é um cupinzeiro. Esse aí é um cupinzeiro. É o mesmo cupim que dá nas casas lá que come móveis. >> São cerca de 18 espécies diferente desse cupim. Aí arrumar pegar. >> Ah, é, tem espécie à vontade. >> É, >> é uma variedade. E o único predador desse cupim aí é o tamanho do amirim, porque o tamanho do amirim consegue escalar na árvore
▶ 00:48:27 e aí ele vai comer lá as ninfas, eh, que as larvas e ninfas que são desse cupim. >> Não tem aquelas formigas que vão atrás de cupim? >> Tem também. Tem formiga que tem formiga que é predadora >> as guerras. Quando era criança uma vez eu fiz uma, vi uma guerra entre cupim e formiga. >> É, >> parecia uma batalha medieval, só que o coitado, o cupim não consegue brigar com o formiga, >> não. Cupim ele ele é mais para tanto é que aí ele se protege, né? Ele vai formar essas >> cascas aí eles só vai se movimentar
▶ 00:48:59 através de pequenos túneis. >> Uhum. >> É assim. Eu tenho uma experiência que eu faço com com os meus visitantes que eu faço eles comer o cupim. >> Ah, é? >> É. E é interessante que eu faço eles comer sem eu falar o que que o que que ele vai sentir de gosto. >> Então eles colocam na boca e aí a brincadeira é cada um falar o gosto que ele tá sentindo, né? E aí tem, né, um
▶ 00:49:31 monte de eh de chutes que eles dão, mas o cupim em si, ele tem gosto de menta. Quando você mastiga ele, >> você tem a sensação que você tá mastigando uma planta de menta. >> É aqui, só que aqui a gente é aqui é um ponto de parada, >> só segura ela na rédeia que ela para. Ó, a gente vai dar uma pequena parada aqui, tá? Aí, quem quiser descer aí na rampa, pode descer, mas eh mas dá para descer direto
▶ 00:50:03 quem conseguir. Cada um marca qual é o cavalo que tá e tenta levar num num ponto para deixar o seu cavalo para depois ficar fácil para me ajudar. Então, enquanto dona Carmen tá preparando aqui uma a nossa >> paçoca, >> matula >> paçoca de carne em seca, >> aí eu vou vou falar para vocês um pouquinho do berrante, que é esse instrumento aqui de comunicação. >> Eh, quem vai usar o berrante é o ponteiro da da boiada nas comitivas, né? O cara que é responsável ali por eh
▶ 00:50:33 ditar o ritmo, né? Se vai devagar, se vai parar, quanto tempo vai parar. ali quem vai ter essa função é o ponteiro. Então o ponteiro ele ele vai fazer uso do berrante para se comunicar com o restante de de todo os outros peões lá que fazem parte da comitiva. Então tem uns toques >> que aí todos eles já vão vão entender. Então esse toque que eu vou fazer aqui, ó. Você
▶ 00:51:06 [música] vê que ele tem, ele começa um, um toque longo, depois ele dá um um repiquinho e depois termina com esse toque longo. Significa o quê? Por exemplo, eles estão todos ali conversando, são o pessoal da comitiva. Você quer que ele chega aqui pro assunto, você tá chamando >> para pra lida, ó, bora, bora aqui, porque às vezes tem um peão lá com cavalo, o outro tá tomando tereré para lá, então e o ponteiro já quer botar ritmo. Aí ele vai tocar isso.
▶ 00:51:36 >> Tá andando, a boiada tá andando. O cara vai passar naquela estrada, a ponte tá caída, tem a ponte caída de novo, os peão estão lá, estão meio dispersos. Aí ele vai, ó, tem uma emergência. >> [música] >> Então, deu esse repique, os cara, pô, já vai ficar, ó, vamos lá, vamos lá. Tá precisando comunicar, tem, ele quer, quer conversar, quer falar que tem
▶ 00:52:06 alguma situação que ele precisa de ajuda, então deu esse repiquinho e termina com alerta um, né, no final. Então, tipo assim, bem logo e bem rápido aqui. Vamos [limpando a garganta] >> resolveu tudo aí é outro toque. >> Tipo, tá resolvido agora pé na estrada, >> tá? Então esse com as três pausas aí é a
▶ 00:52:38 >> é tipo, >> pode tocar, vamos embora. Então ele deu um toque de alerta. deu um outro sinalzinho e agora vamos embora. É, é, é, é isso daí. Então, não é só o cara tocar. E o que que acontece? Isso o cara vai fazendo todo dia várias vezes por dia, porque o gado anda, para, deixa o gado pastar um pouco, bota ritmo de novo, vai parando. Só que aí vai chegar uma hora de manhã cedo, o cara tocou o berrante, o gado que tá deitado
▶ 00:53:08 começa a levantar tudo, o cara fala: "Pô, mas o gado já sabe, o gado entende o toque". Não é, é habituação. Tá fazendo, tá fazendo, né? e vai se habituando. >> Na verdade não é pro gado, é para >> é comunicação. Tá se comunicando e o gado vai se habituar em consequência disso daí o gado >> Então o próprio gado ouve o toque, ele já vai entender fazer. >> Vai entender, já vai entender. Tipo, eh, força da expressão, força do hábito é é a mesma coisa, né? Se acostuma, né, com aquela com aquela situação e depois vai
▶ 00:53:38 meio que no automático. >> E esses códigos que você passou, eles são meio que universais assim? Então ele ele é eles são é é o código, por exemplo, dos ponteiros de boiada. Ele ele o cara tem que saber daqui da região. >> É da região. O berrante, se você eh eh notar, ele ele é um ele é quase que um um instrumento do pantaneiro, né? Uhum. >> Porque você vai ver na cultura dos peões pantaneiro mesmo, né? O cara tocar o berante. >> É, não tá no Brasil todo berrante, >> não. E aí o que que acontece? Eh, como é
▶ 00:54:11 daqui, então os toques basicamente que um peão ele trabalha numa comitiva, trabalha na outra, mas ele já sabe o que que cada [limpando a garganta] toque acaba sendo e eh todos às vezes muda de um ponteiro pro outro, muda alguma coisa. O tipo do o tipo do repique, o cara faz mais uma graça com berrante, né? Então tem gente que que faz tira até um som aí de músicas conhecidas com berrante, né? Então, e tudo é treino. É treino. >> Então, dá para mudar o tom. Você você tá falando a tom,
▶ 00:54:42 >> ó, por exemplo, aqui, ó, você vai, você tem essa nuance, né, de, de você ter um som mais suave, mais ele mais forte. >> Mas aí o que que você vai fazer? Você vai usar ele dentro do do estoque, né? >> [música]
▶ 00:55:12 >> Então você vai >> criando aí um >> você fez uma melodia. >> É dentro desse, dessa desses tons aí você, você cria, >> você vai apo isso aí, ó. >> E aí come assim, né? >> Isso aí come. Come aí, ó. >> É um cargo que você põe no pilão com farinha. Isso vai bate a carne e depois quando ela tá desfiadinha você vai acrescentando a farinha. >> Ah, esse terer é turminado. >> Não, isso é outra comida que tem no Brasil inteiro. No nordeste tem caçoca para caramba. >> Todo mundo tem. É, é cultural em todo
▶ 00:55:42 canto. >> Todos, cara. É cara, tem no Rio Grande do Sul. >> É tipo assim, >> barato, bom, sustento e não precisa de geladeira, né? >> É. >> É mandioca e carne. É tipo com, é tipo uma arroz, um uma carne com farofa. É isso. >> E o tereré? Hum. Vamos tomar umas cuadas aqui ou não? >> Tomo. Eu gosto de tré. >> O pessoal falou para mim que o nome disso aqui era guampa e não cuia. >> Guampa. Cuia é a do chimarrão. Feita com a com aquela partezinha da do pescocinho
▶ 00:56:13 da cabaça. E a guampa é guampa porque é guampa mesmo. É não é não é chifre. As pessoas falam: "Ah, é chifre de boi." Não, o chifre é o que tem dentro ali na cabeça do boi. O que tá aqui dentro é o chifre. O que vai em cima, essa capa aqui que é como a unha, isso é a guampa >> e corno também. As duas expressões corretas, né? Guampa e corno. O chifre ele é maciço, ele é osso. Quem vai ter chifre são os servídios, os veados,
▶ 00:56:45 aqueles da africanos tem chifre aqui, ó. Essa, essa aqui, essa guampa aqui faz um tempo que eu tenho ela. É da época que eu bagaleava ainda, né? Essa essa guampa era do do boi sassi. >> Hum. >> Essa guampa aqui é um e eu amarrei um boi, né? Um N Ele não era boi oano, não era marroá, ele era boi bagual. Então ele tinha, para vocês terem ideia, ó, esse essa guampa é parte da metade do chifre que que eu ganhei do dono do
▶ 00:57:15 fazendeiro, do dono do boi. Então ele tinha mais uma parte assim que ficou para ele, essa aqui que ele me deu, por eu ter pego o boi e ele tinha mais isso aqui de chifre. Aí ó, coloquei a erva aqui, dou uma tombadinha nela de lado e aí eu vou dar essa tombadinha que é para ele vir molhando lá de baixo para cima, né? Você acha que a origem é comum a do chimarrão ou ou não? São tipo isso foi dos índios, né? >> Na verdade é tem várias versões para para isso.
▶ 00:57:46 Então, ó, coloquei sempre o cara vai tomar a primeira, né? >> Uhum. >> Tem que fazer esse barulhinho. >> Hum. Só depois que fez esse barulhinho é que ele tá pronto para para você devolver pro cara que tá cevando. Então essa essa é uma guampa pantaneira mesmo. O tereré
▶ 00:58:17 >> ele ele vem do chimarrão, >> tá? >> No período de guerra houve a necessidade de você ter água limpa, água para beber. Então tinha o conhecimento dos uruguaianos do chimarrão, que o chimarrão originalmente ele vem da cultura uruguaiana. E aí se adaptou o uso da erva do do chimarrão pro para tomar a água limpa. Isso na verdade nada mais era na época do que um filtro para filtrar a água, >> porque a água tava escassa na época, se você tinha só água suja, né? Então
▶ 00:58:48 precisava ter água potável, filtrada. E aí se adaptou o chimarrão e o que é hoje o teleré. >> Agora essa cordinha aqui, pr que que vocês acham que é essa cordinha? >> Pr levar assim junto assim >> pr amarrar. Pr >> amarrar. >> Então é que eu tirei, mas é é essa parte aqui, ó. Ela fica laçadinha na bomba. Por qu eu tô no campo, eu tô lá no meio da cheia, tô tirando o gado, mas eu não tenho tempo de ficar parando para tomar tereré. Então lá de cima do cavalo, ó, eu vou descer ela lá dentro da água do
▶ 00:59:19 corxicho, ó. E ela já tem essa inclinaçãozinha. Encheu, eu puxo, ó, para cima do cavalo e vou tomar o tereré. Aí eu vou descer lá, já pega a água do rio, >> dou uma banadinha assim, ó. Como ele já é um filtro mesmo, eu posso pegar a água lá do coro e encho e vou tomar meu teleré andando com o cavalo andando, entendeu? Por isso tem a tem a cordinha. >> Mas o cara já tem que est muito na habilidade, né? O cara só tacou o negócio, tal, e não cai a bomba. >> Não cai a bomba porque ela fica laçadinha aqui, ó. Ela fica vestida. É
▶ 00:59:50 aqui. Eu tirei para poder, mas ela fica aqui. Quem vai tomar? >> Bora. >> E aí é o seguinte, o tereré, a hora do tereré, a gente hoje tem, é que a gente trabalha, né, na na nas empresas, então a gente tem os horários de tereré. Hoje no Pantanal você tem um teré, você pode parar do seu trabalho para tomar tereré às 9 da manhã e você pode parar para tomar às 3 da tarde, né? >> Fora isso, você pode tomar em casa, >> não pode segurar. Não pode segurar não. >> Você não pode mexer ela. Você tem que
▶ 01:00:20 tomar sem mexer a bomba. >> Pelo menos o chimarrão você não pode botar uma bomba. >> Não pode. Não pode. Tem tem você tomar tudo. >> Tem que tomar tudo. >> E você só pode falar obrigado depois você não quer mais mesmo. Porque senão E também tem uma, enquanto você não falar obrigado, tá tá passando para você. A roda tá correndo e tá passando para você. >> Então bora terminar. >> E é a hora. O tereré é a hora de pôr o papo em dia, né? de de ter conversa, de você falar, chamar lá o pessoal para tomar o teleré, mas aí você vai falar, você toma conta ali, você vai falar: "Ó,
▶ 01:00:52 você precisa tosar aquele cavalo, você precisa arrumar para mim aquela cerca, e aí como tá sendo seu dia? E aí, como que tá a sua família? Ah, o seu avô ainda tá internado no hospital." Então vocês é troca de de ideia, né? Ali e às 15. >> É, é muito louco isso, né? Tem várias culturas, tipo, é uma coisa assim, na Suécia tem um que eles chamam de fica, que é às 4 da tarde que você tem que parar para comer algo doce. >> A siesta do >> italiano que para depois do almoço e >> obrigada.
▶ 01:01:23 >> E aí a gente eh hoje tem aí no nos mercados você tem erva de de diversos sabores, né? Você tem ela mentolada? Você tem ela? Pô, tomou, eu tava tomando com ele do um de limão rosa. Tinha de limão rosa. >> Aliás, por que que tem tanto limão rosa para cá? >> Então, isso foi trazido, né? O, ele veio muito da cultura mineira. Limão, limão rosa. Ele tá aí na época ainda dos bandeirantes, dos mineiros, né, que que vieram para cá. E é uma planta super adaptável a a à região e resistente, né?
▶ 01:01:53 >> É. Então você acha, você vai andando aí no Pantanalonde passava a rota dos boiadeiros, você acha pé de limão rosa carregado, coisa mais bonita. Aí >> ele é uma mistura de tangerina com limão verde. >> É. >> E é uma delícia. >> É o meu favorito. >> E aqui a a o país ao redor que tem uma cultura mais similar a do Pantaneiro daqui, >> vai ser o Paraguai, né? o Paraguai porque você eh eh a gente tá muito perto, eh então as culturas elas elas eh vão estar ali meio que misturadas, mas
▶ 01:02:24 também a gente tem o Pantanal paraguaio, né, que é o Chaco, né? Então isso faz com que essa cultura seje parecida, né? os hábitos parecidos e a já a Bolívia já diferencia um pouco, já é já é uma cultura >> um pouco mais diferente, mas o que mais se assemilha com com a nossa cultura é a cultura paraguaia >> da Bolívia. Por quê? Porque o o clima, bioma é diferente ou também muito indígena, né? >> É, eu acho que a cultura do povo, do
▶ 01:02:55 povo boliviano mesmo, ela ela é diferente, né? O clima também, é claro que o clima vai eh diferenciar um pouco, mas a cultura do povo mesmo, né? Eles eles estão mais aí, eu diria que e mais puxado ainda pro pros incas, para aquela para aquela cultura lá, né? >> Então já é um pouquinho diferente. >> Muito bom, >> galera. E assim encerramos essa nossa
▶ 01:03:25 aventura pantaneira maravilhosa. Acho que uma das aventuras da pré-campanha mais divertidas, mais legais de todas, em que mais farmamos a todo mundo pode farmar uma aurinha aqui, ó. Six, 67, six. Muito bom. É aquele homem é demais lá, tá? Deu aulas pra gente, aulas, aulas de cultura pantaneira. E muito bom andar cavalo, né? Nossa vida urbana é uma porcaria. Reflexão que fica aí, a gente não vive, cara. A gente tem uma vidinha de merda lá no celular, tal. A gente não, você vê, você começa a fazer um negócio desse, você nem vai querer abrir celular. Você nem quer ver nada. >> É, isso é maravilhoso, cara. Assim,
▶ 01:03:55 vocês do campo, vocês vivem muito melhor do que a gente. Nós somos uns coitados de apartamento. É isso. >> Valeu, galera. Perfeito.