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RENAN EXPLICA PARA O IGOR PORQUE FUNDOU O @PartidoMissao

Renan Santos · 23/07/2025 · 24 min · MBL - Movimento Brasil Livre
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▶ 00:00:00 eh tá envolvido nisso aí agora, eu sei que são 11 anos eh já em no cenário político ou discutindo política de uma forma geral e agora especialmente com com a criação do partido missão. Agora que o jogo fica sério, é assim que tu sente agora, como é que porque assim, eh, o partido missão ele, espero, eu não sei, tá, mas eu suponho que boa parte do partido missão será composto pelos integrantes do MBL. >> Sim, >> né? Faz todo sentido isso daí, né? Então agora, até então todos os os todo mundo

▶ 00:00:31 que tinha sido eleito ou que participou de eleições pelo assim que fazia parte do MBL tava em outros partidos. Eles estavam eh sei lá, eu acho, suponho que vocês eh faziam alguns pedidos ou eh talvez até algumas concessões para para poder participar da da desse dessas eleições por esses partidos. E agora você tem o próprio partido. Agora o jogo ficou sério para valer. >> Mais nivelado. >> Mais nivelado, tu diria? Mais nivelado. Eh, seria mais ou menos isso. Na verdade, se eu fosse fazer uma eh dando

▶ 00:01:02 uma olhada no nos bonequinhos que tem ali atrás, né? Eh, é como se a gente tivesse alcançado talvez nossa armadura de ouro ou chegamos no sétimo sentido, >> entendeu? Ou enviamos super saiadinho. Ou seja, a gente teve uma mudança qualitativa, não quantitativa. Uma quantitativa assim, a gente poderia crescer, aumentar de tamanho. Agora com partida a gente muda de forma, né? Tipo a lagarta que vira borboleta. sei que é um exemplo que vão me zoar, mas é mais ou menos isso, né? A gente tem acesso a mais >> meios de ação. A gente não depende da vontade de lideranças políticas pré-estabelecidas para fazer o que a gente quer. Então um cara como King,

▶ 00:01:33 porque pra gente desenhar pra galera o tamanho do problema, né? Eu posso falar de um cara pequeno que mora numa cidade do interior e na cidade do interior os partidos políticos eles ficam na mão dos coronéis, dos caciques locais. Um cacique local às vezes tem três, quatro partidos na mão dele e ele compra e vende o apoio daquele partido. É um negócio, é um business bem grande. Então um cara que quer, sei lá, eu quero cuidar do esgoto da minha cidade, moro numa cidade que tem baixa cobertura de esgoto e sei lá, tem uma manilha quebrada ou passa um córrego que fede. Esse cara só queria resolver aquilo sendo vereador na cidade dele.

▶ 00:02:03 >> Pois bem, esse cara eventualmente ele não vai conseguir ter a possibilidade de concorrer, porque os partidos vão estar bem arranjados ali e ele não vai ter direito de concorrer. Isso já aconteceu com a gente um caso similar em algumas cidades com jovens nossos que não conseguiam adentrar no partido para concorrer ou quando entrava era num arranjo para assim, ah, bota esse cara para perder e para ajudar um outro cara que vai ganhar ali em cima. É, é um é um modelo nosso. Ho, acho que a gente vai poder falar muito sobre esse tipo de modelo. O outro caso é o no topo. O Kim Kataguiri é o deputado federal mais votado da União Brasil. Ele também foi o deputado mais votado do partido anterior

▶ 00:02:33 que fundiu e virou União Brasil, que era o >> é o deputado mais destacado. Se foram nas redes sociais, no Twitter, por exemplo, do União Brasil, o deputado que eles mais falam. Qu? Porque é o único que eles vão poder ter algum tipo de orgulho, vai produz alguma coisa legal. Pois bem, eu o que pleiteou, >> sendo o deputado federal mais votado do Brasil, do grupo, desse mesmo grupo político, duas vezes, ser candidato a prefeito na cidade de São Paulo. Ele pontuou bem, chegou a ter pesquisa que ele pontuou com mais de 10%. >> Aham. Seria natural o partido dar espaço para ele, mas não. Como quem ele não agradava um determinado arranjo que o

▶ 00:03:03 partido queria fazer e como o partido aqui pertence a um determinado grupo político, não. O Kim não deve ser candidato. Então assim, a gente já tava montando o partido a missão quando o Kim, enfim, teve a candidatura dele negada, mas aquilo deixou tão claro pra gente que se a gente não tivesse um partido, não vale a pena a gente mais disputar o jogo político no Brasil. E então a assim, o para qualquer jovem, qualquer pessoa que quer participar da política sem participar de um determinado tipo de jogo, o recado que a gente tá deixando, claro, é um, nós temos a porta aberta para você, mas também o recado que a gente deixa é, e é

▶ 00:03:33 para todo mundo entender, a talvez a gente tenha sido o último partido que conseguiu ser formado no Brasil. Acho que as leis vão ficar ainda mais difíceis. Tem uma reforma que tá para passar no Senado que dificulta ainda mais a abertura de partido e da forma como os partidos estão fundindo e fazendo federações e a possibilidade de uma pessoa comum participar do jogo estará cada vez mais restrita. Então a gente fala porque não sei se eu tô, não quero me estender muito, Igor, mas tá todo mundo falando: "Pô, o Brasil tá deixando de ser uma democracia e não sei o quê". No que eu falo, o Brasil talvez nunca tenha sido uma democracia, isso

▶ 00:04:03 vale uma discussão boa, mas a democracia brasileira com esse sistema partidário só vai piorar, porque do jeito que a coisa tá sendo desenhada, você vai ter ainda menos partidos. São os mesmos Cciques, você vai, as decisões no Brasil serão tomadas pelo Casscique do PT, pelo Cassabe, pelo Marcos Pereira, pelo Rueda e pelo Valdemar da Costa Neto. Serão esses cinco caras. E enfim, eh, esse jogo ali vai ser praticamente um jogo de cartas marcadas e a possibilidade de alteração da nossa vida vai ser pequena. >> Por que que tu acha que eh bom, primeiro

▶ 00:04:33 essa reforma aí, você acha que e eles vão endurecer ainda mais a entrada de novos partidos e, portanto, eh controlar melhor quem participa das eleições de uma forma geral? Porque é isso que a gente tá falando aqui, que eh para participar, para entrar no partido e ser um candidato, você precisa conceder algumas coisas. partidos você tem que fazer parte mais ou menos daqueles daquelas ideias ali, ou talvez, suponho que não. Acho que é is a única parte que não discutida é essa. Bem concreto, ninguém liga, pelo menos quando eu já

▶ 00:05:03 tive conversas partidárias, nunca ouvi ou esse seu programa de ideias aqui, vocês estão falando de tal agenda na parte econômidos só querem saber quantos votos você vai trazer e se você não vai encher o saco demais. Se você traz muito voto, eles não vão ligar se você encher muito saco. Então é mais ou menos eh o acordo tá tá esse. >> Encher o saco é o quê? É tipo votar junto com eles, não votar junto com eles. >> Exato. Então se você ã basicamente tem uma votação boa >> Uhum. e você tem um impacto, por exemplo, com uma boa militância e tal, você conquista uma independência, você

▶ 00:05:33 não precisa ficar votando. Quem não é obrigado a votar de acordo com as decisões do União Brasil, nem a Amanda, nem o Guto, nem o Faustino, eles tomam as decisões deles porque além de ter militância, ou seja, os outros políticos, eles ficam com medo de alguma briga com conosco, ah, eles têm voto, então eh isso gera um balanço de poder e para esses caras só interessa meio que, ah, ele tem um voto aí. Entendi. >> Sabe, no fundo é sobre para eles é sobre montar a chapa, ter voto, aumentar a possibilidade com aquele número de votos e com aquele número de cadeiras que o partido tem de no geral os partidos

▶ 00:06:04 botarem a faca num prefeito para conseguir posições ou num governador ou no presidente da República. Esse é um jogo, na verdade, o que a gente chama de sistema político no Brasil é uma gincana. É uma gincana que quanto mais votos você tem, mais dinheiro você tem. E quanto mais políticos você faz, mais dinheiro você tem para colocar mais gente na gincana, que acontece de dois em dois anos, gincana municipal, gincana federal. E você não tem nenhum objetivo concreto de realização de grandes metas nacionais ou cumprir metas que melhor a vida das pessoas. Isso é verdade. >> Objetivo é só captar mais dinheiro.

▶ 00:06:35 Então se você olhar assim, é bem descritivo a forma como funciona esse sistema. Ele é um sistema que é um fim em si mesmo. E todo sistema em geral vivo, vai orgânico, que funciona como um fim em si mesmo e fica se reproduzindo sem terminar, em geral parece um câncer, né? com câncer é mais ou menos isso. Então, na verdade, a maior parte dos partidos, por isso que são em geral do que a gente chama de centrão, eles são como se fosse um tumor que fica se espalhando. O tumor é assim, é só um monte de células se reproduzindo à toa. O que que é esse monte de político que a gente não sabe o nome que tá lá em Brasília? Ah, como vota o João Batata,

▶ 00:07:08 sei lá, um cara X, não tô inventando o nome dele, sei lá, ele vota do jeito que mandarem, mas o importante é que ele vai mandar uma emenda pra base dele. Essa emenda vai pro vereador que vai desviar um pedaço de dinheiro. Pesar de dinheiro desviado para comprar voto. O prefeito também usa um pedaço. Eles também fazem caixa pra campanha do João Batata volta a ser candidato a deputado federal. Ele apoia um governador, dinheiro vai daqui, pega no meio uns cargos outro lugar e é uma reprodução. Ninguém sabe exatamente o que tá fazendo. Eles só estão reproduzindo algo. Por isso que parece um câncer. Essa reforma política, ela parece boa?

▶ 00:07:38 >> As reformas políticas, essas mini em geral cham são as reformas eleitorais, >> tá? >> Elas em geral são feitas para ah concentração de poder nos mesmos partidos e fechamento do sistema. Eu acompanhei com maior detalhe essa reforma eleitoral que não sei se vai passar tempo para as próximas eleições, mas eu só acompanhei muito a parte você bem, não reforma política, uma reforma eleitoral, tá? Eleitoral, ela é basicamente um, no acompanha para montagem de partida, um fechamento, fechamento do sistema para novos ingressantes. Ã, aí tem a questúcula,

▶ 00:08:10 por exemplo, estavam comentando agora, ai, será que podemos ter uma um voto distrital misto? O Cassab quer, mas assim, se é voto distrital, se não é distrital, se é voto misso, se isso não interessa. Não interessa assim, o modelo é uma gincana em que quanto mais dinheiro você tem para comprar voto, mais poder você tem. Se for esse modelo, não importa muito o desenho, vai ser uma merda. E é isso. Eh, a gente, >> ninguém tá muito interessado numa reforma política no fim das contas, né? >> Não. E assim, essa é uma das grandes razões, ã, da gente tá montando partido.

▶ 00:08:41 Se não for para alterar o sistema de incentivo disso que eu tô te chamando de gincana, >> não vale a pena, cara. Não vale a pena. Não vale a pena porque você começa a não conseguir fazer nada. E dá para fazer isso, cara, porque precisaria de uma vontade política assim grande de uma galera. Ainda mais agora que eles estão eh querendo, vai e vem na real esse papo de aumentar os deputados aí, vai precisar convencer muita gente para no para para olhar no sentido de uma reforma política e parar de ser eh mais

▶ 00:09:11 ou menos sei que você tá falando mesmo, que é o lance do cara ter a emenda dele lá. Isso aí é tudo que importa no fim das contas. >> Eh, tu tem tu é otimista nesse sentido? Eu eu sou otimista porque vai colapsar o modelo atual. Eh, e não sou eu falando, se for pegar, por exemplo, do Marcos Lisboa falando sobre o colapso das contas públicas para 2028. Se a gente vai vendo, vamos dizer, como a maior parte dos municípios não têm condição de autosustento, eh, o desenho político institucional brasileiro, ele tá ficando muito caro e só o costeio tá ficando caro, os privilégios estão muito caros.

▶ 00:09:42 Eh, uma parte bem grande da população brasileira não é economicamente ativa. E a e o sistema de recompensas dos políticos, por exemplo, Lula, o Lula tava muito focado agora nos últimos dois meses em da luz elétrica de graça, o negócio de gás de graça e tava comemorando o pé de meia. Entendi. O sistema de incentivos é ficar dando coisas de graça. E e gente, ele tava falando disso quando ele lançou Bolsa Família em 2004 2005, já passaram 20 anos e ainda é essa lógica, porque em tese o Bolsa Família era: "Vamos agora ajudar essas pessoas, elas não vão passar fome". E funcionou. evitou mais

▶ 00:10:12 êxodo rural, mas o que que isso deu? Sim, as pessoas estão a três gerações, tem gente a três gerações no bolsa família e a p as pessoas não sairam dessa pobreza. Então, eh, qual o desenho que a gente vai fazer? a gente vai ficar bancando uma população eh economicamente inativa com cada vez mais dinheiro, cada vez mais benef, depois é gás, aí é um pé de meia na escola, é já já um bolsa tigrinho. Do outro lado, ã, a elite do funcionalismo não quer largar o osso, ou seja, querem mais grana para abastecer eles. A classe média viu que a única

▶ 00:10:42 maneira de aumentar a própria renda, sei lá, prestar concurso. E aí, o cidadão, vamos dizer, produtivo, economicamente ativo, do da dona da lojinha e você que tem um podcast ou vamos colocar aí do entregador do iFood, tá um inferno. Não tá valendo a pena. É tudo caro, você vai ter que pagar muito posto para sustentar esse game que não funciona. Você vê fora do Brasil oportunidades gigantes, você fala: "Mano, não tá valendo a pena essa droga desse pacto e tá tudo no nosso colo. Um cara mais novo não vai conseguir comprar um carro, uma casa. Tá uma desgraça isso. Os impostos vão

▶ 00:11:14 aumentar isso. Você quiser pagar essas contas, eles vão ter que ficar aumentando imposto a dar com pau. Isso não vai fechar. E como não vai fechar, a gente vai ter que cortar e aí vai ter que escolher onde cortar. Até o PT começou primeiro como discurso, mas eles estão saindo o discurso a falar em cortes no autuncionalismo. Eles imitaram o projeto do Kim. me fizeram uma versão deturpada que não não resolve muita coisa, mas o fato deles pela primeira vez, sei lá, desde os anos 80 começarem a falar encortar dos aliados deles do alto funcionalismo, já já soua tipo, ok, a gente vai ter que no mínimo começar a endereçar o

▶ 00:11:44 problema, eles não vão tocar, mas, né, já é sintoma, tipo, eles já sentem que vai dar merda. Eh, >> tem a ver com isso que você tá falando do colapso das contas públicas em 28. >> Sim, sim. O Marcos Lisboa é do Insper, ele tem assim muitos vídeos, ele tem documentos que estão rodando e mostrando assim, esse colapso é iminente. O próximo presidente vai pegar e vai demandar, por isso que eu falo uma questão de reforma política, vai demandar uma série de tomadas de decisões. Por exemplo, como é que se a gente cortar, por exemplo, gastos da elite do funcionalismo e super salário,

▶ 00:12:14 dá para cortar aí buscar um corte de uns 50 emenda, que é uma grande inutilidade. O estado brasileiro não tem capacidade de investimento. A gente não consegue investir nada. A gente, isso tem a ver inclusive assim, por que que você não consegue comprar casa? Por que que sua rua é uma droga? Por que que você não tem uma infradescente para exportar? Tudo isso é incapacidade de investimento. Brasileiro, o Brasil não consegue investir. O pouco que tem um restolho fica na mão dos deputados para ficar mandando dinheiro pra cidade dele para fazer praça. Aí acontece aquelas coisas que são completamente distorcidas, que o dinheiro do orçamento

▶ 00:12:44 nosso vai lá para virar uma emenda. Aí vai um deputado, sei lá, o Artur Lira, que era o presidente da Câmara, vai pra Arapiraca, que é a cidade dele em Alagoas, e aí ele decide fazer uma série de praças. Não tem muito esgoto, porque ninguém vê esgoto. Uma praça tem um monte aí, pô, Arapiraca tá com um monte de praça. Que merda. São bilhões indo para obras inúteis. Uma parte bonit dessas obras tem o dinheiro desviado, especialmente no orçamento secreto, que a fiscalização é precária. >> Tem outro nome agora, né? >> É, é. E era o RP9 que mudou de nome agora, enfim. Aham. E >> esse dinheiro vai e é injetado na nas

▶ 00:13:16 campanhas políticas e na no sistema de compra de voto. O eleitor que não é herói, não é vítima, é cúmplice. O eleitor vende voto. Porque se tem alguém comprando, alguém também tá vendendo. Ninguém botou uma arma no eleitor para ó, aceita esse saco de cimento aí mais R$ 500 pelo voto da tua família. Não, a pessoa aceita, é uma relação transnacional. Ah, isso custa demais. São 40, 50, acho que 40 B. Vamos botar na mesma. Vai, vamos ter que cortar esse esquema, vai ter que cortar esse desenho e a gente vai ter que achar uns 100, 200 B. para cortar, a gente vai ter que preservar certas funções essenciais do estado e precisa, porque

▶ 00:13:46 as pessoas basicamente que estão numa condição de muita pobreza não vão poder perder auxílios, >> mas a gente vai ter que alterar o sistema de recompensa para que >> as pessoas que trabalham e produzam elas não se sintam otárias. E hoje a pessoa que trabalha e produtos tá cada vez mais sentido otária. Da dona da loja, talvez a você que é um cara que é um empreendedor ou a um motoboy que tá entregando. Cara, não tá fechando, não tá, não tá rolando. >> Tu acha que é mais eh possível que role esses cortes aí, que termine, por exemplo, algo como as emendas ou que a

▶ 00:14:17 gente imprima mais dinheiro? >> O problema é que a impressão de dinheiro, assim, não vai ter quem quem compre os títulos nossos, né? E uma hora o gringo também começa a falar: "Ó, isso aqui a casa tá caindo". E já começou a acontecer, a gente já teve problema de rolagem de dívida nesse governo. Então, eh, com com um colapso em com falta de credibilidade, aí vira uma argentinização. Ah, eu vou começar a imprimir dinheiro, vou emitir título, vou precisar de jogar os juros na [ __ ] que pariu. E aí, sabe? Eh, isso não fecha, >> vai precisar mexer. >> A questão é assim, a gente tem que criar

▶ 00:14:47 uma massa crítica política. E eu de chamo massa crítica política é tem que ter um discurso e e que saia de um lance assim: "Ah, isso acontece porque o Lula é do PT. Ah, ele tem nove dedos, ele é comunista. Assim, o Lula é um merda, mas não é isso. Ou, ah, isso acontece porque o Bolsonaro é um golpista. Não é, cara. O problema é muito mais profundo. Então, um cara que tem que chegar no poder com um projeto para tocar isso, ele tem que explicar, eu tenho que resolver esta bagaça. Só que hoje a discussão com a internet, a internet, poxa, ela permitia

▶ 00:15:17 pra gente uma série de discussões, [ __ ] a internet, vou discutir economia, segurança e tal, mas parece que a discussão ficou mais [ __ ] com a internet, porque ela ampliou tanto e aí você, ah, não, eu sou desse time, eu sou daquele time e a gente não consegue discutir os assuntos. Então tem uma crise iminente, vai dar merda daqui dois anos. >> E as nossas discussões são as mais idiotas possíveis hoje. As mais os o grande debate político, se a gente olhar o que tá acontecendo agora, ah, o Xandão mandou que o Eduardo Bolsonaro não pode falar com o Jair, parece uma novela.

▶ 00:15:47 Parece uma novela. E é ridículo que a gente tá nessa novela, né, Adnaus, um negócio, vai, vai, é uma novela, cara. Enfim, cara. Eentend, >> mas vai dar merda assim. O ponto é vai dar merda. E a gente vai ter que ver como se utiliza da merda para gerar um projeto e e falar com o projeto gerar uma força suficiente para fazer as partes ceder. Então o autoofuncionalismo vai ter que ceder, a política vai ter que ceder, mas uma mas ceder muito e aproveitar este momento para criar um novo sistema de incentivos. O que que é

▶ 00:16:18 um novo sistema de incentivos? definitivamente a gincana eleitor, que é uma coisa que eu quero propor, quero jogar aqui pra galera discutir gente de qualquer lado político, porque isso aqui que eu tô falando é muito mais sobre centrão e muito mais sobre sistema do que direito ou esquerda. Eu quero colocar o seguinte, o sistema de incentivos para um partido investir numa candidatura, já que agora já vou virar dirigente partidário, vou ficar gordo, aquelas coisas. Eh, é o seguinte, qual o sistema o qual game você vai e você tem que pegar pessoas populares ou pessoas que têm uma estrutura política e esses caras vão

▶ 00:16:49 ganhar eleições. Eh, você ganha de fundo eleitoral por eleito, se eu não me engano, é R$ 12 milhões deais de fundo eleitoral a cada 2 anos por deputado eleito. Fora o valor proporcional de fundo partidário, fora a cota de televisão que você ganha com isso. Então, o sistema de incentivo é preciso eleger esses caras aos montes. Se esse cara é um bom deputado federal ou ruim, >> não importa. >> Não importa. Esse cara tem direito à emenda. Se ele tá no bom esquema, ele pega a emenda com orçamento secreto, joga na base dele. Na base dele alimenta

▶ 00:17:19 prefeito, vereador, dois anos tem eleição. Esses caras que uma base de uma estrutura super capilarizada para comprar voto. Aí eles vão na gincana de de 24, como foi só o último e vai ser a próxima em 28, comprar voto ali no Varejinho. Chega a eleição de 26, a eleição grande, deputado, presidente, aí tem as compras no atacado. >> Aham. Essas estruturas, o sistema de incentivo todo é emenda, dinheiro, compra de voto, políticos que tenham capacidade de executar isso.

▶ 00:17:50 Próximo ano se repete, o dirigente partidário aumenta o poder e aí um dirigente partidário faz nomeações em grandes estatais, participa de grandes contratos, faz grandes lobbies e você alimenta essa estrutura, vamos dizer, de de parasitagem. É um é um é é um é um parasitismo puro e simples como o fim em si mesmo. Então o que que eu acho que a gente tem que aproveitar essa crise? Temos que trocar o sistema de incentivo. O, a gente não vai eh, a não sei que eu fale assim, ah, vamos instituir uma ditadura e não é o caso. A gente não vai

▶ 00:18:21 dar uma marretada e sumir com dirigentes partidários ou sumir com uma cultura que acho que vem desde o período colonial brasileiro. A gente tem que só falar assim, cara, o seu incentivo é o seguinte, muda o incentivo. Seu incentivo for, se o seu prefeito, vamos o prefeito lá da cidade do Artur Lira, eh, Arapiraca, se você melhorar tantos por c o seu sua cobertura de esgoto, você ganha um ponto. Você gan um pontinho aqui, um pontinho azul. Se você ganha melhora seu ranking do IDEB, seu desempenho metrificado, objetivo, eh, em educação, tal, mais dois pontinhos, é,

▶ 00:18:52 você reduziu o número de homicídios e assaltos, tá, tá, tá, ganha mais três pontos. Você soma uma pontuação, cada ponto significa tanto em ou o fundo eleitoral ou essa município poder receber uma emenda. Aí, cara, esses caras que não são trouxas, um Cassab, um Valdemar, eu preciso de bons prefeitos, bons gestor público, porque a grande, o jogo tá aí, >> o jogo como tá, o sistema de recompensa é dado por um elemento muito subjetivo, que é o eleitor no dia da eleição, que pode estar com fome, querendo um saco de

▶ 00:19:22 cimento, querendo um eh eh que alguém faça a cobertura do telhado dele em vários municípios, em Minas, no Nordeste, São Paulo também tem isso, ó. te dou as telhas, te dou material de construção é muito bom porque é um material que se desvia da da obra superfaturada, né? você já faz o game todo, >> já tá inteiro ali. >> E esse cara eh se a gente quebra, né, desculpa, eu acabei olhando um saco de cimento, acabei fal assim, se a gente quebra esse sistema de incentivo e usa o sistema de incentivo paraa gestão, eles vão reorientar a lógica política para

▶ 00:19:52 atender isso. >> Nossa, mas tu vai precisar de muito esforço, assim, precisaríamos de muito esforço para essa transformação aí ou de uma de uma crise assim irremediável. Eu acho que enfim, como não vai haver boa vontade dos caras e como mesmo no nosso projeto no partido, eu não acredito que a gente vai mobilizar metade da população brasileira neste ponto específico, eh, eu acho que é uma crise, ela vai ajudar as pessoas a se atentarem pro problema, porque já tá tendo, vou dar um exemplo, os a maior parte dos prefeitos de cidades pequenas, eh, a

▶ 00:20:24 gente monta um índice, inclusive no, na equipe nossa valete para pesquisar sobre isso, a as cidades pequenas assim, especialmente norte, nordeste, minas, bastante, tem algumas São Paulo, mas tem em todos os estados do Brasil. Eh, inúmeras cidades elas são incapazes deir auto sustento em termos econômicos. Elas a uma boa parte da população vive, por exemplo, ou de auxílio BPC, Bolsa Família, ou tá empregada na prefeitura. Ou seja, se você isolar aquela cidade do mundo ao redor, aquela cidade ela é incapaz de se sustentar. Ela depende do dinheiro que vem de outras cidades que

▶ 00:20:54 vão pra federação e a federação distribui. Esse arranjo é impossível. E como tá faltando dinheiro pro governo, tá faltando dinheiro também para fazer repasse paraas prefeituras. como tá falando dinheiro para fazer para as prefeituras, a prefeitura tá, né, teve greve de prefeito em 2023 e que foi uma loucura, assim, foram mais de 100 cidades, os prefeitos fizeram greve porque acabou o orçamento e eles sabiam que acabava o orçamento. Eh, os do Nordeste foi muito engraçado que eles acabaram, eles esperaram para reclamar após o São João que eles se endividaram, fizeram o São João que você precisa entregar o São João e aí depois acabou o dinheiro e foram fazer uma greve. Não

▶ 00:21:24 dá. O coberturo, o cobertor tá muito curto. Isso que eu tô propondo é uma proposição de direita, de esquerda. Eh, eh, é >> anticentrão. >> É, é uma anticentrão, né? É assim, porque o no no fundo a a indústria que alimenta essa eh esse jogo de carta marcada, essa essa gincana que eu tô falando, é o centrão, é aquilo que a gente chama centrão. Por excelência, um município que não funciona direito, que é pobre, tem IDH baixo, analfabetismo, que não se banca e que tem um cara

▶ 00:21:55 comprando voto dessas pessoas pobres, é um município administrado pelo centrão. E a gente provou, provou, a gente fez um estudo, tá, tá na, na revista Valete, que quanto mais baixo o IDH e menor esses índices que eu descrevi, maior a quantidade de volta no centrão, em quantidade do centrão. Então existe uma correlação. O centrão é o parasita que vive da pobreza. A discussão se é esquerda ou direita acontece em geral com pessoas que já subiram um grau ali. Então você vai ter em lugares por aqui o DH mais alto e você tem uma renda maior

▶ 00:22:25 das pessoas e as pessoas são mais autossuficientes. Aí elas vão tomar decisões de voto baseado, por exemplo, em ideologia. >> Aham. A gente tem esse problema que vem antes, que é, OK, eu preciso acabar com o sistema de compra de votos no Brasil, porque os políticos que vendem comproto não tem compromisso em votar com nada e o que interessa para eles é ter grana para se manter se replicando. Eu diria que esse é o problema número um do Brasil, de longe. Esse é o grande problema do Brasil. Se a gente um dia conseguir resolver esse problema, eu não digo que os outros problemas vão se resolver sozinhos, mas a capacidade

▶ 00:22:56 da gente fazer grandes reformas para mudar o Brasil se altera, porque a dinâmica em Brasília se altera, porque os políticos no Brasil se alteram e a natureza toda do jogo se altera. >> Para isso precisa de uma de uma nova constituição, por exemplo. >> Ã, não, não. Por incrível que para isso, isso que eu tô falando, esse sistema de recompensas não precisa de nada. é uma lei, ele você pode fazer uma alteração na lei dos partidos políticos, eh, e na lei própria que rege o sistema, nem sei se é lei eleitoral, sabe? Porque ela é, eh, é basicamente uma lei que dispõe sobre partidos políticos, remuneração e a parte de emendas, talvez seja uma lei

▶ 00:23:27 eh acho que não é nada material constitucional, lei normal, lei complementar. Acho que é, acho que é seria algo simples. Ela não passa, ela não é discutida porque ela altera uma tradição política nossa, que a gente dá o nome de patrimonialismo, que para mim é a razão do nosso subdesenvolvimento. A razão do subdesenvolvimento brasileiro é essa. E é isso que precisa ser combatido.