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RENAN VISITA FAZENDA DE TABACO NO RIO GRANDE DO SUL
Renan Santos · 29/07/2026 · 37 min · Renan Santos
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▶ 00:00:00 Uma máquina como essa aí, no mínimo, ela paga em torno de R$ 20.000 em impostos ao governo. >> Isso. Puxa para fora, fecha já. Ela no primeiro dia não ia te pagar diária, tá? Só [risadas] só. >> Agora isso aqui é um produto que faz parte de um setor que o Brasil é o maior exportador do mundo e aí não é oferecer o crédito para comprar. São aquelas coisas que não tem sentido. Olha a quantidade de conhecimento e cultura de trabalho que essas pessoas trouxeram. Tinha um tempo que a gente tinha vergonha de falar que era alemão. >> Meus amigos, eu tô em Santa Cruz do Sul com seu Giovani, terceira geração de colonos aqui do Rio Grande do Sul, que
▶ 00:00:31 produz tabaco e outros gêneros. E a gente vai contar o drama do brasileiro que trabalha e produz, no caso dele, na área de tabaco. Brasil que é o maior exportador do mundo de tabaco e que naturalmente precisa ser sabotado pelo governo federal. Tudo bom, Giovani? >> Tudo bem, Renan? Satisfação recebê-lo aqui e contar um pouquinho do nosso dia a dia na produção de tabaco. Como você falou, sou a terceira geração aqui na propriedade, encaminhando a quarta já. E o tabaco faz parte do nosso dia a dia na propriedade, sem deixar de produzir alimentos que a gente faz também. >> Maravilhoso. Vamos entender a jornada dele e entender como o Brasil sabota um
▶ 00:01:02 cara como ele. >> Ah, só para tu entender, aqui agora nós estamos no processo de produção de mudas e daqui alguns dias vamos estar iniciando o plantil da nova sa. Essa é uma máquina auxiliadora de colheita. Ela custa hoje em torno de entre 150 e 200.000, depende o modelo. Ela tem um imposto aí que gera em torno de R$ 20 R$ 25.000 R$ 1.000 que o governo ganha e eu não consigo financiar ela diretamente pra cultura do tabaco. >> Vou explicar pra galera aqui. Olha só,
▶ 00:01:32 vai me corrigindo, Giovani. O Brasil é o maior exportador de tabaco do mundo. Ou seja, toda a indústria que produz cigarro e gêneros similares de produtos ligados a isso na Ásia, na Europa, na África, acaba comprando produtos na matéria-pra do tabaco vinda do Brasil. É também um tipo de commod, vamos colocar assim, com alto valor agregado. Então, com uma, o Giovan tá me explicando, com uma terra menor, você consegue ter uma produtividade, uma rentabilidade mais alta. Ou seja, é bom pro produtor, é bom pro Brasil, a gente exporta, coloca
▶ 00:02:02 divisas aqui. Aí que que o Estado brasileiro faz? Não, não, não. Você não pode financiar uma máquina agrícola sobre todos aqueles argumentos eh hora politicamente corretos ou mesmo medo da gente produzir e vender coisas. Vamos ser claro aqui. O Brasil tem políticas claras, bem duras com relação ao consumo do tabaco, tabagismo, do cigarro, etc. Agora, boa parte da economia ligada ao tabaco no Brasil é para exportação. E com todo respeito, o problema não é nosso. Se tá exportando, os outros estão consumindo, tá tudo beleza.
▶ 00:02:33 >> E outra coisa, parte das restrições acabam gerando aqui pro Brasil a entrada de cigarros contra bandeiados de outos lugares, sem nenhuma regra, sem nenhum tipo de ah proteção ao usuário, o que faz com que o consumo aqui seja de produtos de pior qualidade, porque esses produtos são contrabandeados. Então, é um tipo de sabotagem estúpida. É uma sabotagem estúpida. E >> e para você entender, nesses 4 haar esse tabaco que nós cultivamos na safra passada, nós fizemos um faturamento bruto de R$ 230.000 em 4 ha.
▶ 00:03:03 >> E se eu plantasse outras culturas não teria essa rentabilidade. Lógico, é um trabalho pra sala, mas gera sim um bom dinheiro pro fumicultor e esse dinheiro circula nos municípios. >> Perfeito. Perfeito. >> E o contrabando, algumas dezenas de de bilhões de reais que o o país deixa de faturar também. Pera o crime organizado. >> E só é só para lembrar que as facções aqui do Rio Grande do Sul, que a gente tava se eh se informando ontem, elas já estão trabalhando com o contrabando cigarro. Então, assim como o PCC trabalha com o contrabando da droga, da cocaína, da pasta base que vai até o porto de Santos, aqui as facções locais
▶ 00:03:35 já estão trabalhando com a importação de cigarro contrabandeado. Você vê que no fim do dia tudo entrar a indústria do crime. >> Vários galpões foram fechados aqui no Rio Grande do Sul já de desse tipo de situação de de contrabando. >> E aí continua, vamos vamos dar vamos lá, >> vamos lá. >> A fumicultura hoje ela se modernizou muito, tá? Isso aqui é uma estufa que nós implementamos nessa nesse último ano, onde [roncando] estamos produzindo a muda. Assim que a muda agora, a partir da semana que vem nós vamos começar a plantar. Agosto vamos ter plantado tudo.
▶ 00:04:05 Nós já vamos estar colocando slabs, que é um substrato sacado, e vamos estar plantando tomate, pimentão e pepino aqui dentro, usando esse mesmo ambiente que foi feito para produzir a muda. Mas entre safra até fevereiro do ano que vem vamos estar produzindo comida aqui dentro desse >> sensacional. Você não fica com isso aqui parado em momento, >> não fica parado. E esse ambiente aqui é que nem tá chovendo, eu consigo manejar aqui dentro, eu consigo trabalhar aqui dentro, muito mais fácil. Mas a gente até ano passado produzia o canteiro de chão ainda, aquele pequeninho que
▶ 00:04:35 funciona também. >> Uhum. >> Tem um custo R$ 20.000 isso aqui com a podadeira, porém é um nível de vida melhor e a gente aproveita para produzir alimento aqui dentro sem depender do clima, diretamente lá fora. >> Maravilhoso isso. Isso aqui é uma podadeira. O que é? >> É uma podadeira. É uma simples máquina de cortar grama. tira inclusive as próprias rodas [roncando] dela e coloca ali. >> E aí aqui você nivela o nível dela e aí [roncando] você faz a poda. E eu quero te convidar para fazer a poda comigo. >> Ah, eu vou fazer. E e me explica uma
▶ 00:05:05 coisa, eh, quem que desenvolve isso aqui? >> Isso é a mesma empresa que faz a estufa. >> Então, ela já tu pode comprar a estufa sem ou com, >> mas é muito mais prato. Não precisa mais tirar a bandeja aqui. Para vocês ter uma ideia, ó. Se eu não podasse aqui por cima, eu tiraria bandeja por bandeja e podava aqui fora. Dá um serviço a mais, né? >> Sim. >> Essa muda de tabaco quase prontinha já pro início do plantil. >> Me corri isso aqui é hidropônico. >> É o sistema float. >> Hum.
▶ 00:05:35 >> É com água. Simplesmente tem um substrato na bandeja, ela flutua ali dentro e ela fica nesse período ali até ir para campo. >> Maravilhoso. >> Eh, >> é muito engenhoso, né? Você tá falando em R$ 20.000. Pô, em dólares é menos de 4000 montar uma estruturazinha dessa. E é toda engenhosa. Ela você leva isso aqui para cá, para lá. >> Sim. Você vai manejando aqui dentro, né? >> Isso aqui é um exemplo de agricultura familiar com produtividade, certo? >> Sim. >> Porque a gente a gente fica ouvindo muito, sério, uma das coisas que a gente tá propondo é a gente vai para acabar
▶ 00:06:05 com qualquer assentamento de reforma agrária até que os pré-existentes ativam nível de produtividade compatíveis com o mercado. Por quê? Ficam sempre falando de quando fala de agricultura familiar fica falando de invasor de terra. E aí invasor de terra, ai não, ele vai produzir tal coisa quando nunca é o caso. A produtividade deles é baixíssima. Aqui a gente tá vendo um cara que é agricultor familiar só pensando de maneira produtiva. Você tá monta tua estufa, você quando quando o tabaco sai, entra um pimentão. Eu acho isso sensacional. Sensacional. >> Sim. A gente está hoje gerenciando a propriedade como uma empresa e é necessário isso.
▶ 00:06:35 >> A modernidade veio para todos nós, tem o seu custo, mas se a gente saber trabalhar, gerenciar, se paga no final das contas e o nosso nível de vida se torna mais prático também. Hoje não preciso mais estar indo pra cidade para ter nível de vida. Temos isso na propriedade. Porém, o governo poderia nos apoiar, nos facilitar algumas coisas que hoje é tudo em pecíos, né? Cheio de 9 horas. >> Sim, sim, sim. >> Vamos fazer uma poda aqui. Vai no outro lado, tá? Vou te mostrar. [limpando a garganta] >> E aí a gente vai empurando ela sempre em
▶ 00:07:05 sincronia, devagarzinho, tá? Já tá >> muito prático. Você faz o canteiro inteiro todos os lados quem? 5 minutos meio, né? >> 5 minutos. Foi foi, né? Bem prático. Porém tem o seu custo, mas o custo benefício minha vida muda também
▶ 00:07:36 bastante. >> Uhum. Lá você viu, a gente produz a mudinha de verdura pro nosso dia a dia também já aqui. Sim. Cebolinha. Eu vi ali. >> Então a gente faz isso e quase todo fumicultor produz. Se fala muito em diversificar. Não adianta tu diversificar se tu não tem venda pro teu produto. >> Plantar nós podemos de tudo, mas a venda, não adianta plantar sem vender, mas a diversificação da comida grande parte do fumicultor faz. Mas ele tem o tabaco como base porque dá rentabilidade. Ele trocaria essa cultura porque ela é muito trabalhosa. Mas me
▶ 00:08:07 mostre hoje uma outra uma outra cultura que dê essa esse retorno. >> Uhum. >> A gente foi dias atrás no município do Vale de Solo, onde uma família depois de 5 anos investindo em uma floricultura, agora conseguiram chegar nesta fase, vão deixar o tabaco de lado e vão focar nas flores. Mas o tabaco financiou >> sim >> essa troca em 5 anos. Só que agora se mais famílias começarem a produzir flores, vão conseguir vender >> no ar >> o preço. Então algum consegue sair, parabéns. E os outros que ficam t a
▶ 00:08:38 oportunidade de ter sua renda também. >> Uhum. Perfeito. E e como é que como é que é essa parte da comercialização? Você vocês trabalham com cooperados? Você >> empresa integradora. A gente sempre plantou eh com empresa. Nós hoje somos produtores da Philip Mores. >> Ah, legal. >> É, ela é uma cigareira inclusive, né? Temos três cigareiras no Brasil. a Philip, a JTI e a Souza Cruz, a BAT. A Philip e a JTI tem as cigareiras em Santa Cruz. >> Então eles mesmos vem, compram uma produção. >> É sistema integrado. A gente faz o
▶ 00:09:09 pedido, vem orientador na propriedade e ele faz o pedido dos insumos e tudo que tu precisa. >> Eu não preciso sair da propriedade para comprar. Uhum. >> Tá. Então é tudo certinho conforme a lei manda, né? Ok. E aí a gente começa a plantar e aí nesse meio tempo, a empresa vem, ela acompanha, ela ela vem olhar o ela faz as avaliações e aí a gente começa a colheita e aí depois começa o processo da comercialização. >> Aqui aqui é aqui é a estrutura. Então ou seja, nós plantamos o tabaco na lavoura
▶ 00:09:41 e a gente colhe ele. O Virgínia colhe por etapas. O início da colheita até o final leva em torno de 3 meses, porque colhe-se folhas semana após semana, diferente do tabaco burley que se corta o pé inteiro, é um corte só, uma colheita só. E o Virgínia se colhe as folhas. E aí temos essa estufa ali. Hoje tem vários modelos de estufa. É uma das mais modernas que possibilita nós colhermos e em etapas, pequenas partes. Evita a mão de obra de fora, que está cara e escassa, cada vez menos pessoas querem trabalhar.
▶ 00:10:11 >> Uhum. Então a gente consegue colher, vai colhendo, fazendo a cura e guardando no galpão. Então nesses três meses, tu tá colhendo todo dia, toda semana, curando ele. O curar é levar na estufa, amarelar, fixar a cor. Tu precisa formar uma cor pro tabaco, senão >> que é aquele meio amarronzado, caramelado. >> O virgínia é laranja pr assim. Aí tem o R que fica um pouquinho mais escuro. >> E aí se tu forma essa cor que é >> fazer uma pergunta? É porque as diferenças é que dá notas diferentes, o
▶ 00:10:41 cigarro >> Sim. Aí é da indústria, né? Então eles fazem o blend, né? Onde eles misturam, tem o baixo pé, o meio pé e o alto pé, fino, médio e fumo grosso. Então eles fazem lá a mistura, cada cigarro tem um blend diferente. Isso que forma o sabor, né? O açúcar que tá dentro do tabaco. Então a gente faz essa colheita três meses. Alguns já vendem nesse meio tempo, se precisar, porque é o teu ganhapão, né? Mas nós temos a eh o cuidado assim de finalizar a colheita e depois começar o trabalho de separar as classes, enfardar e aí sim mandar pra
▶ 00:11:12 indústria. Hoje no Rio Grande do Sul a compra é no paiol, ou seja, a indústria tem que vir até aqui e classificar ele aqui na propriedade. Santa Catarina Paraná ainda é na esteira, na indústria. >> Ah, você que entregar lá indústria. >> É isso. Aqui ficou mais prático, mas há divergências nesse nesse é igual quando tinha um negócio de exportação, se é no cara que se entrega o preço é no cara ou se o preço >> o cara chegava na indústria daí a indústria paga o preço que quer se uma divergência vem um cara mediado.
▶ 00:11:43 Nós não plantamos muito milho, mas o milho pros animais a gente tem o ovo, o leite, a carne, a gente carneia um boizinho, um porco, faz linguiça. Então o milho em grão nós temos na propriedade. A gente produz isso para alimentar os nossos animais, para não comprar de fora. Só que nós não vendemos o grão. >> Você faz linguiça aqui? >> Sim. >> Ô louco, muito bom. Senhor perguntou, o senhor bom, senhor, senovani, senhor. É italiano? >> Não, alemão. Weber. >> Mas Giovani Weber. Aí o cara [risadas] traiu os alemães aí, né? >> Eu não tenho nenhuma, toda a minha família não tem nenhum outro sobrenome.
▶ 00:12:14 É tudo alemão mesmo, né? E a Alemanha perdeu ontem, né? É. É. [risadas] >> Aqui, >> Paraguá. Aqui então, ó, é uma estufa moderna, tá? Ela vem com computador. Então aqui o painel de controle é tudo por botão, diferente. Nós começamos com estufa de taco, onde tu amarava com a mão, depois com a tecedeira e a modernidade veio. Uma estufa dessa aqui hoje está em torno de R$ 200.000. >> Consegue arrumar financiamento para ela? >> Pelo governo? Não. >> Então, deixa eu entender um negócio. Só
▶ 00:12:44 comentar uma coisa para vocês que é bem interessante, tá? Porque eu eu andei estudando esse caso. O Geraldo Alkim incluiu no meio do plano safra o plano de industrialização dele. Ou seja, no meio do plano de financiamento entrou um financiamento para certas máquinas agrícolas específicas. Já tinha um financiamento anterior, ele falou: "Viu estou industrializando o Brasil. Agora isso aqui é um produto que faz parte de um setor que o Brasil é o maior exportador do mundo. Ele é linkado ao processo de produção e aí não é oferecendo o crédito para comprar. São aquelas coisas que não tem sentido. E a máquina é feita aqui, só para entender, é brasileira. indúria aqui em Santa Catarina, litoral catarinense e também a
▶ 00:13:15 máquina auxiliador também é em Santa Catarina. >> Então, só para quem tá nos assistindo entender, existem empresas em Santa Catarina que fornecem equipamentos industriais >> de estufa para um setor que já está no Brasil, que já é competitivo e que exporta pro mundo, sendo que é o primeiro do mundo. 100 países. >> Aí a gente não arruma financeir, é inacreditável, cara. É, ele literalmente ele ele deixa nós plantar, mas ele não dá nenhum incentivo pra gente poder facilitar sabotagem. É sabotagem sentido
▶ 00:13:46 >> aqui, ó, para você entender aqui. Então são salas, ó. Todo dia quando eu começo a colher, ó, tem 1 2 3 4, no outro lado tem 5, 6, 7, 8. Todo dia eu encho uma sala. São 40 grampos que vão numa sala assim, tá? Todo dia. Então é colheita fácil, rápida, 40 g. E aí eu não preciso mais de mão de obra, porque a mão de obra hoje é, como eu falei, cara, escassa, e as leis trabalhistas estão aí por tudo, né, querendo com o fim da escalaça, isso por um, não se prepare. É que você não tá, você já não usa, né? >> Não. >> Agora, uma pergunta, você pendura aqui?
▶ 00:14:18 >> É, deixa eu pegar um grampo lá. O que que é a estufa? Ela é uma secadeira no fundo. >> Seca. >> É o tabaco ele é colhido, é maduro. Tem que colher maduro. Quando ele, ele é verde, ele começa a amarelar a folha. Aí tu colhe ele, aí tu traz [roncando] ele, pendura ali dentro. faz fogo, tá? Ela é elétrica, mas o fogo faz o calor e a e o motor faz o ar circular. >> Mas a fumaça vai junta? >> Não, a fumaça sai pela chaminé. Não, não é só não, é só ar quente mesmo, tá? E aí, >> ó, esse é um grampo, tá? Esse é uma, tu
▶ 00:14:49 tem um aparelho lá que tu coloca o grampo assim, enche isso aqui de tabaco até esse nível e aí você coloca esse grampo. Cuida que tá afiado. >> Coloca ali. Aí você, ó, ele trava. E aí, aí você vem com o tabaco, depende do tamanho do tabaco, 15 kg, 20 kg, 25 kg, você vai entra lá no fundo, né, e começa lá no fundo. E aí você coloca ele assim, ó, parte de cima, parte de baixo, vai trazendo, vai 40 g assim, 20 embaixo e 20 em cima. Aí o
▶ 00:15:19 primeiro e o segundo dia, o calor é é básico. Tu vai murchando o fumo, tu vai esquentando, ele vai forçar a amarelar. >> Uhum. Aí no terceiro dia tu começa a expulsar a umidade. Uma folha de tabaco tem de 85 a 90% de água. Ou seja, 1 kg de tabaco verde, eh, 10 kg de tabaco verde dá 1 kg de tabaco seco, >> 9 kg evapora. E aí no segundo, no terceiro dia ele começa a a fixar a a cor, né, secar e aí vai se dias até
▶ 00:15:50 finalizar a cura, ele sai seco. >> E esse processo gasta muita energia? >> Hum. Essa estufa é uma das que menos gasta energia. E nós temos também as placas solares que hoje nos suprem, né? Então hoje o senhor tá tudo completo. >> Ah, nós fizemos esse investimento focando em empresa. Então a terceiro ano que nós temos a a essa isso instalado. >> É alemão, né? Esses caras são [risadas] É, >> muitos produtores têm isso hoje. Mas aí um outro ponto, em vez do governo
▶ 00:16:20 baratear a instalação de placas solares, o imposto sobe cada vez mais. Ele não pode ver alguma coisa. >> Então o a gente estaria produzindo energia limpa >> sem gastar, mas aí parece que é errado. Uhum. >> Enfim. Então esse é o processo aqui que dura 3 meses em torno de 100 dias até finalizar a colheita. Daí essa estufa aí desliga ela >> e aí ela não tem, ela fica parada durante e fica te dando a a colhei tem uma época específica de colheita ou >> aqui a nossa, vamos dizer assim, o auge da colheita. Hoje se colhe tabaco, se
▶ 00:16:50 planta o ano inteiro, mas o o forte mesmo é agora, final de junho, julho, agosto, a nossa região. Tu vai pro sul do estado, inicia a final de agosto, setembro, mais frio lá, né? Então nós aqui iniciamos o plantil agora na próxima semana que é já julho, iniciamos a colheita, se o clima colaborar, finalzinho de setembro, aí vai outubro, novembro, dezembro, final de dezembro, início de janeiro, conforme o clima, nós finalizamos a colheita. Bem no auge do verão, né, que aí é quente, né? >> Uhum. Mas é e é um serviço braçal, mesmo
▶ 00:17:21 tendo a máquina, tu precisa est colhendo manualmente folha por folha. >> Hum. Tá. >> Mas é um processo que a gente se acostumou, né? >> O virginia é o folha folha, né? >> É folha. O burlei é o é corta o pé inteiro e aí burlei pendura ele e seca ele ao vento. Não faz nada com fogo. Ele seca. >> Pergunta por a diferença dos >> ele precisa. Virgínia tem que ser laranja, o burlei tem que ser escuro caramelos. E aí quanto mais devagar ele secar, mais caramelo, mais escuro ele fica, mais valor ele tem. E aí também,
▶ 00:17:51 >> qual é mais caro? >> O Virgínia, só que também dá mais trabalho, mais gasto, né? Lenha, energia, mão de obra, por isso que ele é mais caro também. >> E ele, desculpa tá entrando ness por e assim qual a diferença que dá de um pro outro? >> É que o eles fazem depois as misturas, né? Eu sei, mas o o esse Burley ele é mais o qu? Ele é mais >> não, ele é normal, ele só fraco. >> Ele nós não lidamos com ele, né? >> Mas ele tem, para mim ele é mais forte, né? >> Hum. >> Então é o pé do tabaco assim é um pouco diferente também, mas olhando de longe é
▶ 00:18:22 não vê diferença, só chegar perto. O o grande diferencial é a colheita, >> tá? >> Corta-se uma vez só, pendura-se e seca-se ali ao vento, 40, 50, 60 dias conforme o clima. E depois tu testala ele, enquanto nós vamos colher já a folha na lavoura, depois tu testala ele no galpão. Tu precisa quebrar as folha do talo e aí tu faz a venda dele. É que o tabaco é uma cultura de verão. >> Você inicia ela plantando ela e no final no inverno, mas o auge dela é no verão.
▶ 00:18:54 >> E essa é uma diferença nossa aqui, Renan. A na Bahia a Philip Morbs tem a maior fazenda de tabaco do Brasil. São acho que 4 5000 haares de tabaco na Bahia. >> É, eu falei com o pessoal dessa fazenda, >> só que >> é lá pra parte de do Luís Eduardo, não é >> isso? Isso é só que assim, ó, o tabaco para ele ter aquele açúcar que tu não sente, se tu masticar uma folha de tabaco, ela não é doce, mas ela tem um açúcar que a indústria precisa, >> ela precisa, [roncando] por isso que nós somos o maior exportador. Nós estamos aqui no no
▶ 00:19:24 mundo, naquela faixa onde o o melhor tabaco se produz. pega o frio, pega o frio e pega o calor. Isso faz a planta metabolizar o açúcar dela, >> entende? O frio faz ela parar de crescer e o calor depois. Então [roncando] é é uma coisa que eu não sei te explicar, mas é algo que é importante para nós aqui, né? >> É igual mais ou menos pra uva, né? Se tem essa questão das estações da do controle do açúcar também precisa ter >> uva tem azeitona, tem esse lance. É >> e isso no final depois tudo interfere, né? >> Eu achava que os Estados Unidos nosas
▶ 00:19:55 placas solares, ó. É, é, era melhor para produzir tabaco do que o do que a gente, >> não. A nós somamos aqui a referência, né? >> Mas e aí >> eu participei ano passado da convenção e da COP que aconteceu na Suíça. >> Hum. Aí quando você tá lá em 160, 70 países junto e os cabeça de fora dizem assim: "Nós não entendemos como o Brasil, que é o maior exportador de tabaco do mundo há mais de 30 anos, quer botar regras em restringir algo que é
▶ 00:20:26 tão positivo pro país. >> É porque só tem admissão no Brasil. Bom, falando em COP, né? Teve a COP eh do meio ambiente, a COP 30 lá, e onde Brasil trouxe um monte de ONg lá de fora que fica sabotando a produção nossa aqui. A gente é um país de idiota, cara. >> Só tem idiota mandando aqui. É idiota por todos os lados. Então, se é o número um no setor. Não, eu vou sabotar isso. Então, aqui é alemãozada para todo lado nesses colonos. E aqui é tanto que a travessa aqui se chama Stbeck, travessa Stolben. Foram os primeiros moradores na
▶ 00:20:57 região. É comum aqui na região os nomes serem dos primeiros sobrenom dos primeiros moradores, né? Aqui para você ter uma ideia, esse é o nosso talhão de ter que são 7 ha e aí tem mais os 4, 5 ali. Então ali tá verde ainda, nós desse então olha só, eu me lembro uma vez da Vera, ela disse que as lavouras de tabaco são degradáveis. Cara, é só tu circular. Olha isso aqui. Nós fizemos aqui uma incorporação de adubação verde de verão que está incorporada no
▶ 00:21:27 camalhão, apodrecendo. Fizemos mais uma cobertura de inverno que tecamos agora. E aqui esse dia choveu no domingo, a água sai limpinha porque a palha protege. Então o fumicultor, como ele lida em pequenas áreas, ele tem esse tempo, ele tem essa manejo de conseguir cuidar, fortalecer o solo. Não que os outros produtores não façam isso, mas nós sempre somos vistos como, né? Ah, vamos destruir, vamos sugar a terra. Não, pelo contrário. Só quem realmente nunca visitou uma propriedade para falar
▶ 00:21:58 essa asneira. Então aqui agora mais 14 dias essa palhada vai dar bem no chão e aí o processo é da gente plantar o tabaco aqui por cima, né? >> Isso aqui é o quê? Essa essa palha >> isso é uma aveia, é uma cobertura, é uma a graminha de inverno, né? Que é semeada aí, que a gente desse né? Então agora aqui é o manual, a gente duas pessoas, um vai com a bandeja do lado e vai jogando a muda e a gente vai plantando, né? E aí >> e só entender, é essa distância mesmo? Sim, uns 60, 60, 65 cm, mais ou menos. É
▶ 00:22:31 no olho. >> Uhum. >> Vai aprendendo isso na prática, né? >> Uhum. >> Então aqui é no sistema manual. >> Faz um pouquinho. R. >> Cadê? Vamos. Posso tentar um pouco? >> E aí já faz como como G. >> Vamos lá. Vamos lá. >> Calma. Aqui abriu. É que fechou. >> Você tem que sempre fechar e colocar no chão. Fincou no chão, já abriu. Puxa para fora. E já fechou de novo. >> Abriu. Então vamos lá. Isso. Puxa para fora. >> Fecha já ela. Isso e vai indo. Seria nesse sentido. Tá. Tá. >> Puxa para for. É isso. >> Isso aí. Seria nesse sentido.
▶ 00:23:01 >> Não pode caminhar por sempre. Aí deixa a faquinha aqui. >> Ah, entendi. Aqui quando você abre já vai a semente. >> A muda. É. A muda vai jogar >> aí do sempre ó. Pronto, jogou a muda, ela cai ali fechado, >> abriu. Isso é que nem uma máquina de plantar milho, isso é automático. Tu vai indo, tu vai indo, isso não. E o cara do lado vai metendo a muda, né? Pode caminhar por cima do camaleão, sem problema. >> Faz mais esquema. Pode caminhar por cima. >> Então, pum, abriu. Pera aí. Depois que abriu,
▶ 00:23:33 começou errado. >> Tudo bem. O primeiro dia eu não ia te pagar a diária, tá? Só [risadas] só, só pra comida mesmo. Mas no segundo dia nós já íamos estar planejando algo se tu ia ficar na propriedade. [risadas] >> Ó, sempre mantém ela assim, ó, aberta. >> E fechada embaixo. Enfia. >> Enfiei. Aí eu faço isso aqui. >> Enfiou. É. Enfiou. Ascenso n >> Agora isso. Puxa para fora. Abre de novo. Enfia. >> Botou a planta >> sempre assim. Daí, nesse sentido, assim.
▶ 00:24:03 Tirei. >> Isso. >> Abre, abre, abre, abre. >> Isso. >> Botou a planta. Planta. >> Isso aí. >> Agora o cara tem uma Aí eu abro. Aí é isso aqui, né? >> Que aí tem naquele ritmo que ele falou, né? >> Só que a palha também estaria mais no chão, já que ainda não tá pronto pro plantil ainda. Tá só para tu saber. Então assim, bem assim. Isso aí. Tranquilo. >> E aí a pessoa ao lado vai botando a muda, >> vai botando a muda, vai jogando ela. Para quem paga muito e para quem ganha também é bem pago. >> R 350 já >> com café da manhã, almoço e café da
▶ 00:24:35 tarde. >> E mesmo assim não consegue. Mesmo assim não consegue. >> Mano, os memeiros nossos lá mandaram tudo para cá. Ó, >> esse homem é muito, ó. Você devia falar, você fala muito bem. >> Sensacional. inteligente. Sério mesmo? Sério? >> E olha só o que que eu sempre falo. Eu tenho sua quinta série, mas a educação que a gente recebe nos bons modos e tudo mais, perder um pouquinho a vergonha, tudo isso faz parte, né? >> Esquece, ó. Falando pra câmera, esse homem aqui tem um KI alto, tá? Ele tem um K alto. Ele não fez a Sta aqui ca, não importa. Você viu como ele é organizado, como ele é estruturado, como
▶ 00:25:06 fala muito bem. Esquece. Isso aqui é produto alemão. Muito bom. >> Vamos lá, então. Ah, aqui, ó, a máquina é assim, ó. você, esse aqui o colhedor que só colhe lá tem um também e um que dirige. No caso eu dirijo ela. Deixa eu ligar. Tu dirige ela na roda da frente, ó. Ela só mole, molha ali. Cuida que ela vai virar, ó.
▶ 00:25:38 Uh! >> Se tem um declive, você ajusta ela para ficar sempre parelhinho na lavoura. E aí você colhe o tabaco sentado na sombra, sem muito lero ali abri um lado, ó. Aqui também abre um lado do recolhe para passar no caminho mais estreitinho. A gente planta com ela, a gente aduba com ela, a gente colhe com ela, a gente passa o defensivo com ela. Então uma máquina que ela é chamada de auxiliar,
▶ 00:26:09 auxiliador de colheita, mas ela faz todas as atividades na lavoura, na cultura, então facilita muito trabalho. >> Entendi. >> Se tivesse um incentivo a mais pro fumicultor comprar, o nível de vida dele seria melhor. Quanto geraria mais de impostos, tudo isso ia movimentar a economia. Mas não, hoje quanto menos vender, parece que é melhor pro governo. Aqui você abre as baras de pulverização, ó. Você abre cada lado, ela pega oito vergas de fumo. Aí você abaixa isso ou sobe com a hidráulica. Aí você faz o trabalho de pulverizar na lavoura lá. Aí
▶ 00:26:41 agora já arrancou mandioca na vida? >> Pr ser sincero já. >> É. >> É. Vamos lá. Como é que, >> só pr você ter uma ideia, a gente planta fumo, ó, mas uma verga de mandioca, assim, nós temos comida pro ano inteiro, a gente guarda no freezer e ainda sobra para tratar os animais. É um trato barato e um sustento, tu trata um porco com mandioca, um boizinho, cara, isso dá uma sustância, isso engorda. Sim, sim. É um >> que é um carboidrato bom, né? A mjoca. >> Ótimo. Aí tu não joga nada fora. Joga nada fora, né?
▶ 00:27:12 E agora tá em plena época da gente arrancar ainda e guardar, né, no freezer. Rama saudável. A gente guarda ela, não pode pegar a geada porque daqui a gente depois faz a muda de novo, né? >> Ah, você aproveita a rama dela. >> É, ó, aqui é o olho dela, tá vendo? >> Todo, toda a folha tem um olhozinho >> ali. Depois quando tu quando tu for plantar, ó, tu faz as raminhas desse assim, tu deixa uns quatro, cinco olho, >> mas você planta o que volta. Ela assim, depois em setembro, outubro, quando
▶ 00:27:42 passar o frio, tu inteira ela e aí depois de 14 dias, três semana, esse olhozinho aqui brota. >> Ele brota. E aí tem outro segredinho para tu saber que a raiz fica tudo num sentido, é só plantar assim, ó. O olho tá para cá, a raiz vai para lá. Então ela sempre vai trazer a raiz nesse sentido, nunca para cá. Então, se você sempre colocar o olho para cá, para cá, a raiz toda ela vai sem num sentido. >> Aí você consegue organizar ela >> sim, ela não fica com as raízes atravessadas e no outro lado não tem
▶ 00:28:12 nada. Então essas coisinhas tu aprende como lidando. O >> homem é bom demais, né? >> Lidando na colônia, né? >> E aí tu tem que guardar porque a geada mata e depois quando tu começa a plantar, tu dá um cortezinho, ó. Tá vendo leitinho branco ali? Se não sair isso, a rama tá inutilizada. Não adianta plantar. Ele ele sabe tudo de todas as culturas que ele planta aqui. Ele sabe montar estufa, ele sabe montar a construção do galpãozinho que vai fazer ali, ele sabe administrar ali a a secadeira, ele sabe plantar. O que eu
▶ 00:28:43 quero dizer, desculpa, é que o o as pessoas ficam atacando quem veio colonizar o Brasil. Seus antepassados vieram para cá. Olha a quantidade de conhecimento e cultura de trabalho que essas pessoas trouxeram. >> O Brasil é o maior exportador de tabaco do mundo por culpa dessas pessoas. Tem os antepassados que vieram para cá e construíram isso. E e aí tem gente que vem recriminar isso, cara. Eu volto a colocar, é por isso que a gaúchada tá colonizando todos os outros estados do Brasil. É por isso que a gaúcho que fez o sul do Maranhão, gaúcho que fez o Mato Grosso, gaúcho tá fazendo Rondônia.
▶ 00:29:13 Vocês são cara. >> Fazer o qu, né? Que nem aqui, ó. Ó, >> eu gosto que fazer o qu, né? Aí, ó. >> E esse você gosta de fazer linguiça, conte para mim. [roncando] >> Linguiça a gente aprendeu. É, é, é, existem vários, é, jeitos, né? Nós temos uma nossa que é prática. A gente pega 50% de carne de rez. Sabe o que que é rez? >> R é boi jovem. >> É o boi. É o novilho. Nós chamamos de rez, né? E 50% de porco. Mas tu pode pegar só rez, só que aí >> ah, é. Você faz aquela misturadora. >> É. Se tu pegar só rez, ela fica uma linguiça seca. >> Sim. Tem que ter o porco.
▶ 00:29:43 >> Se tu pegar só porco, ela fica uma linguiça bem gordurosa. >> Sim. >> E aí, outro detalhe, não é só pegar os refugos. Muita gente pega só os refugos da carne, fica uma linguiça mais dura. A gente pega cortes nobres também. E aí a gente tempera 20. Eu quero guardar ela no freezer. Eu defumo ela e vou guardar no freer. >> Ah, você defuma ela. >> É, a gente dois dias defumado a a fumaça. E aí tem um segredinho. >> Tem oi. >> Onde se defuma? >> Tem um pai tem um um cantinho lá que é um cubículo lá que é específico para
▶ 00:30:13 isso, né? >> Uhum. Aí tem uma erva, um capim plantado por aí nas barancas que tu coloca ele em cima, dá uma fumaça, um cheiro, dá um um sabor de novo. São tudo coisinhas, né? Mas vamos voltar. 50 de carne, >> 25 g de sal por kg de carne. Agora eu quero deixar ela pendurada para comer cru, tipo salame. Aí eu coloco 28, 30 g, >> que ela fica no ambiente. Aí eu preciso salgar um pouco mais. No inverno não é problema, mas no verão ela precisa não sala mais. Um dente de alho por quilo de
▶ 00:30:45 carne. >> Aí eu tenho gosto. Ah, eu gosto de mais forte de alho, bota mais. Ah, eu não gosto de alho, coloca menos. Nós não colocamos pimenta. Aí é opcional. >> Do reino, se disse. >> É, tem uns que colocam, mas aí nós não colocamos. Nós colocamos um pouquinho de nós moscada, >> tá? >> E aí mistura isso. Tem que misturar a carne até ela desgrudar. Quando tu começa a mexer, ela gruda. Quando de repente ela vai começar a desgrudar na mão, ela fica lisa. É o ponto. Aí tu começa a colocar ela dentro da tripa, aí defuma ela dois dias. Se tu quer vender
▶ 00:31:15 aquele esqueminha na porque quanto mais tu defuma, mais ela seca, >> menos peso ela dá. Quer vender, muita gente faz meio dia defumação, já tá vendendo. Vira, vira um salsichão, né? Mas para nós sempre é dois dias no defumação. >> Madeira também ou é eucalipto ou é laranjeira. Se tu pegar laranjeira é melhor. >> É só que não tem nem a gente não vai cortar os pé de laranja. Quando uma laranjeira more, a gente já aguarda para fazer esse fim. A gente a gente aprendeu isso, sabe? E aí são aquelas coisas pequenas no nosso dia a dia que fazem a
▶ 00:31:46 diferença. Só que a juventude tá perdendo isso porque não está mais aprendendo. Eu tento ensinar isso, né? Eu, você franco, agora te conheci, comecei a te conhecer por causa do Evandro. >> Uhum. >> A gente olha muita coisa até te, mas não dava bola. O Evandro começou, aí eu comecei a te acompanhar. Eu gosto da tua fala também. Você é espontâneo, eh, natural. Espero que sempre >> fique assim. >> Sim. >> Não mude, né? Isso que nós precisamos falar o que precisa ser feito. Às vezes tem que falar umas verdade que dói para
▶ 00:32:16 alguns, >> mas não adianta tampar o sol com a peneira, >> né? Então, um sucesso para ti. Eu tô fazendo o possível para te apoiar no máximo que eu consegui, tá? >> Pô, que honra, que honra, que honra, que honra. É, sabe? Ele vai me apoiar, de repente parece um galpão na minha casa montado [risadas] por ele, né? O cara, mano, é uma máquina de trabalhar, cara. Isso é muito louco. Isso é muito legal. >> Eu trabalhei 5 anos fora. Minha esposa também. Aí foi o que eu conheci, ela era professora e aí nós, mas sempre morei no interior e aí a gente decidiu voltar. Eu sou filho único, né? O pai e a mãe.
▶ 00:32:47 Então um dia eu tenho que cuidar deles, né? Então a gente decidiu e hoje nós temos uma empresa aqui. Nós às vezes não temos o dinheiro na mão, mas nós temos um capital cara que passa de milhão. >> Sim. Não, tranquilamente. >> Só não temos o dinheiro às vezes em em mãos. de giro, então a gente tem que saber controlar. Então hoje eu me sinto um empresário rural e tento mostrar isso nos meus vídeos para mais pessoas seguirem isso, para não ter a corda no pescoço. O problema na colônia é tu tá com a corda no pescoço e fazer dívida não conseguir pagar. Pá, aí é complicado, né? Sim.
▶ 00:33:17 >> Porque quando tu tem as contas paga, >> sobra um dinheirinho, tu tu vive melhor. E na colônia, cara, tem tudo ao redor, né? >> Sim. >> Só que tem que trabalhar, nada vem de graça. >> Sim, sim. É, mas assim, o exemplo que você tá dando aqui é o seguinte, para fazer o que você faz, eh, você é uma pessoa muito completa naquilo que você faz. Você conhece tudo de praticamente todas as áreas. É como se você fosse uma empresa vertical que faz todas as fases do processo dentro dela. Então, você faz todas as etapas do fumo, você faz todas as etapas da produção eh dos do seu
▶ 00:33:47 material da comida de subsistência. que você cuida, você sabe aí a receita da linguiça que você tá fazendo, sabe montar o galpão. >> Isso, uma pergunta, isso é uma arte perdida no sentido de que os mais novos não tão tendo esse conhecimento mais amplo ou você diz que não? Que onde eu for vou encontrar coluna assim? >> Eh, eu viajo muito hoje, tá? Eu viajo os três estados, eu sempre tô na estrada, eu encontro muito disso ainda, mas da minha idade, da minha idade para cima, eu tô com 49, da minha idade para baixo,
▶ 00:34:18 cada vez menos. Essa juventude que nem a minha filha e meu gênero de 20, 22 anos, quase ninguém mais se eh faz isso. A modernidade chegou, eu compro as coisas pronta, entende? Uhum. >> Isso tá acontecendo muito. Nós estamos assim na última geração que ainda está mantendo isso. E aí a rede social veio a benefício, né? Hoje eu consigo mostrar isso para os quatro cantos. >> E aí eu fico feliz. Esse dia eu fui no sul do estado lá, tinha um um evento lá, um casal de idosos sentados ali me olhavam, de repente eles vieram a
▶ 00:34:48 senhorinha lá com uma bengala, daí meio tímido, tem medo de chegar até na gente, né? Daí eu comecei a puxar conversa. Aí ela disse assim: "Nós nunca acertávamos fazer linguiça. >> Olhamos teu vídeo e fizemos 70 kg". Falei: "Meu Deus [risadas] do céu, 70 kg de uma vez. Nós fizemos 20 já é muito, né?" >> E eu disse: "Como é que ficou?" Maravilha, ó. Então, eu me senti bem. Eu consegui ensinar para um casal de idade que não tinha esse gosto, essa esse jeito de fazer linguiça. Eles aprenderam. >> De fazer uma pergunta da linguiça.
▶ 00:35:18 >> Hum. >> Quem te ensinou a receita dessa linguiça? >> Minha mãe. Meu pai. >> Porque não é uma linguiça italiana. Italiana não faz linguiça com boi. >> Não. A italiana é diferente. Nós somos alemão. Alemão. É coisa de alemão mesmo. Interessantíssimo. >> E através e eu ainda me lembro do meu vô, minha avó que eu me criei junto, né? Eu eu vivi muito com meus avós, né? Todas essas fases. Na época era tudo manual, hoje é tudo, a gente tem a maquininha elétrica, então facilita muito, mas a receita continua a mesma, né? Sensacional. E eles defumavam já seus >> sempre, sempre a linguiça sempre defumava.
▶ 00:35:48 >> E também é coisa de alemão defumar. É italiano ele cura, >> ele que deixa só curá-la. Não, a gente defuma na fumaça mesmo. >> Muito interessante. Muito interessante que se a gente vê os resquícios culturais que vem dos seus antepassados aí, né? Acho isso sensacional. E tinha um tempo que a gente tinha vergonha de falar que era alemão. Hoje eu me orgulho, né? >> Por quê? >> É que a gente foi criado. Eu fui, eu fui, quando eu comecei a ir na escola, eu não falava brasileiro, o português, eu falava só alemão. A gente prender o português na escola, era. >> E aí depois assim, a gente era debochado, tu ia para centro lá com meus
▶ 00:36:18 20 anos, assim, profissão, fazia uma comprinha lá, fazia um crediário, né? Profissão colono, te olhavam assim, tipo, é a sobra da sociedade, é alemão, batata. E eu costumo passar isso nos meus vídeos, no comentários. Semana passada eu fiz um vídeo, só que eu hoje tenho essa consciência. Eu falo a primeira parte em alemão >> e aí eu traduzo ele em português, porque eu acho chato, a pessoa não entende. E as pessoas às vezes dizem assim: "Me chamam de algumas coisas que se botasse no pé da letra eu ia processar eles."
▶ 00:36:48 Mas >> assim, eu vi uns vídeos, por exemplo, daquelas festas de polenta de italiano, aí você abre os comentários nossos vídeos muito bonitos. Ah, vocês são brasileiros, cala boca. um negócio super preconceituoso e tipo como se a pessoa tivesse que abandonar a origem dela. Você só pode ter orgulho no Brasil de determinadas origens, de outros tem que ter vergonha. [música] Te agradeço, Renan, por ter vindo hoje aqui entender um pouquinho do nosso dia a dia aqui na [música] colônia. >> [risadas]