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BATE-PAPO COM LUCAS DI GRASSI | Criação de uma Equipe Brasileira de Fórmula 1

Renan Santos · 03/08/2026 · 57 min · Renan Santos
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▶ 00:00:06 Fala, grande Lucas, tudo bom? Como é que tá >> aí, Renan? Prazer, >> cara. Queria muito saber dessa sua paixão pelo automobilismo e esse comentário que você fez que deu um rebolíço aí na internet dessa equipe de Fórmula 1 brasileira. Eu, obviamente, né, quando a gente tem mais ou menos a mesma idade, ah, imagino que essa paixão veio do Erton Sena, pelo menos a minha veio do Airton Sena, e eu segui esse, tive a sorte de poder seguir esse caminho até a Fórmula 1 em 2010 e depois criei Endurance, Fórmula E, enfim, fiz

▶ 00:00:37 minha carreira no automobilismo. Mas queria saber um pouco de você aí, que que da onde vem essa essa paixão e da onde veio essa ideia aí? Olha, eh, então, antes de eu chegar na equipe, né, falar sobre a paixão e vou falar até um fazer um dar uma filosofada aqui, acho que vale. Eu acho que eu e você pertencemos a uma geração que eu chamo geração Sena no Brasil. A gente viveu na infância a, vamos dizer, a presença do Sena e ele morreu, eu tinha 10 anos, provavelmente tinha nove. Então, quando quando o Sena morreu, a gente tava naquele período formativo em que os

▶ 00:01:08 mitos, os heróis surgem, surgem pra gente, assistia os desenhos na TV. Então o Sena tinha uma referência heróica e um espelho de personalidade pr pra nossa geração. Era uma coisa muito poderosa pra gente. Então o a morte do Sena foi um negócio que marcou muito, que foi assim, nossa, os heróis morrem também, a gente não tá acostumado com isso. Agora assim, a gente vem de uma época, não sei se você concorda assim, que é o final dos anos 80 pro começo dos anos 90, em que o futebol definitivamente não passava por uma grande por uma grande fase no Brasil. A seleção brasileira

▶ 00:01:38 perdia tudo. Ela perdeu 86 a Copa e 90 ela foi mal na Copa e ao mesmo tempo que o Sena era um dos talvez junto com Michael Jordan, um dos três maiores esportistas do mundo à época, devia ser Maradona, Sena e Michael Jordan. E era um cara que tinha um um jeito de ser meio místico, né? Ele era muito diferente no no jeito dele de ser. Eh, ao mesmo tempo em que a Fórmula 1 ela parecia ser habitada por, sei lá, cavaleiros medievais. É, os as personalidades eram muito diferentes. Então o Prost tinha uma personalidade

▶ 00:02:09 muito específica, o professor, né, cheio os, vamos dizer, e de uma frieza técnica, o Mansciel, que era o coração de Leão, o Piquê cheiro dos truques, artimanhas, os carros naquela época também eram muito coloridos, tinha aquela Lotus Camel amarela, amarela, amarela. Os carros eram aquela cor saturada, chapada, os formatos eram diferentes. >> É carros diferentes também, né? >> Muito, pô. Aquela época, vamos, vamos falar, vai, final dos anos 80, você tinha motor V8, V10, V12, disputando corrida. Eu tava outro dia fazendo uma uma estatística da temporada de de 90,

▶ 00:02:39 né? 90 teve motor V8 ganhando duas corridas, motor V12 ganhou umas CCO, motor V10 ganhou umas set, foi umas coisas assim, sabe? a gente olha, era, sabe, técnicas completamente diferentes, eh formas de de concepção de carro, depois veio o bico alto, bico baixo, eh, e tudo isso convivento, era uma época muito atrativa. E para mim, eu eu fiquei tão apaixonado, eu eu gostava de forma um, acho que meu pai me botava para assistir, eu me lembro aos 3 anos de idade saber da existência da Lotus Amarela, que era uma coisa para mim meio

▶ 00:03:09 mágica. E aí o Sena foi uma grande figura. E aí eu eu comprava aquelas revistas polyosition, nem comprava, eu ganhava, que era revista que distribuiam na frente do GP Brasil e eu ficava decorando tudo dos carros. Então eu sabia assim, o lubrificante da Jordan de 91, qual era o pneu que a Brabah usava e era bem nesse nível. Então eu sempre amei Fórmula 1, amei e eu amava a Fórmula muito por assim pelos lances técnicos, pela pelos detalhes, pelas disputas de bastidor, pela briga, sabe do Ron Denis com Frank Williams pelo

▶ 00:03:39 Adrian Newway. Eh, eu sempre fui vidrado no no nas leras. >> Com certeza, ó, vou te falar, com certeza você sabia muito mais de carro de corrida do que eu do que eu naquela época, porque esse nível de detalhe eu não entrava, né? Eu tava começando no Kart nessa época, eh, em IT. Eu comecei minha carreira em IT. E só para adicionar uma coisa mais que você falou dessa época mágica aí do final dos anos 80 e 90, a gente tinha o herói que era o Erton Sena, mas a sociedade, o futebol tava apagado, mas a sociedade brasileira tava em alvoro né,

▶ 00:04:10 tava um caos total eh na política, um período de transição forte ali, eh inflação a 1000, né, era realmente um caos e meio que eu eu acho que o brasileiro também usava o cena assim como, né, como um um jeito de escapar pá daquela realidade e todo domingo torcer para alguma coisa que era maior, né, que representava o Brasil no mundo inteiro de uma forma que ninguém nunca tinha feito, né? >> É. E e é uma coisa, o Sena representava um jeito de ser que não era muito comum.

▶ 00:04:42 Tem tem na naquele documentário que a Globo fez o Sena, eles falavam do diziam assim, ó, os japoneses admiravam muito Sena porque viam ele com o mesmo, com a mesma ética, com a mesma disciplina de um samurai. E a gente não é vendido externamente nós brasileiros como pessoas autodisciplinadas, né? O mundo enxerga o Brasil sempre como um lugar de festa, farra. Então o Cena passava pra gente uma imagem de algo que a gente via nos filmes dos outros países do tipo, você tinha, sei lá, o Bruce Willes, um filme ou um desenho japonês, Cavaleiro do Zodíaco, que seja, e a gente via um tipo

▶ 00:05:13 de disciplina, de sacrifício que a gente não encontrava aqui no Brasil nas coisas, mas a gente encontrava no Sena. Então foi um negócio assim muito marcante. Acho que essa geração, isso, isso, pelo menos que eu sinto marcou muita geração nossa. É. E do ponto de vista, como bem você falou, né, o brasileiro até hoje o o brasileiro eh e as empresas brasileiras, né, elas não são vistas como empresas técnicas, né? É difícil eh quando você explica para um gringo aqui, né? Eu moro fora do Brasil já há 23 anos. Eu saí do

▶ 00:05:45 Brasil com 18 e 17 para 18. Tava precisando economia e daí enfim, fui fazer minha carreira na Fórmula 3 inglesa. Fiz o mesmo caminho do cena, quem assistiu o documentário lá, Fórmula 3 inglesa, depois Fórmula 2, Fórmula 1, mais ou menos esse caminho. E quando você fala com gringo eh sobre empresas de tecnologia brasileira, se ele não é um um entendedor, ele acha que ele nunca assim, ele nem sabe que uma Embraer, né? Ele até acha que a Embraer nem é brasileira, assim, ele nem sabe que o avião que ele tá voando ali no eh é é

▶ 00:06:15 construído no Brasil. E e a gente perdeu muito isso, né? Nos anos 80, 70, 80, a o Brasil tinha uma indústria de tecnologia muito forte, né? a a indústria aeroespacial brasileira tinha a órbita que fazia satélite, tinha a Imraer, tinha a Inesa, eh, que eh, né, meu pai foi um dos sócios lá da Engesa, que era uma empresa de tecnologia de ponta que competia de igual para igual para >> Sério. >> É

▶ 00:06:45 >> sensacional. Meu pai era meu pai é um engenheiro, engenheiro e sócio da da Inesa. Ele que projetou eh o Inesa, o Jeep, depois os os blindados, enfim. Eh, e ele e eu eu peguei essa parte, né, no quando eu era pequenininho. Mas sim, meu pai foi, ele contava aqui na época, né, disputava pau a pau com com com o governo americano, tal, contratos de defesa, eram tinha muita tecnologia. E por esse protecionismo que a gente teve da nossa indústria, isso foi se

▶ 00:07:15 perdendo, né? Eh, durante décadas aí todo mundo evoluindo e a gente cada vez mais vendendo commodity para importar o produto eh industrializado depois, né? Desde vender cacer eh café, né? Vender para vender o grão de café para importar cápsula até vender cacau para depois importar o chocolate, né? né? Então assim, é um absurdo completo que nem as coisas mais básicas a gente consegue fazer. Eu tive essa experiência própria, né? Em 2016 e 17 eu resolvi fazer uma

▶ 00:07:47 bike 100% brasileira elétrica. Inclusive peguei eh alguns engenheiros da Embraer. O meu time era só composto, ela lá em São José e era só composto por galera daer. A gente tem muita gente muito top, assim, muita gente de altíssimo nível. e fiz a bike e tal. Só que imagina dentro da nossa cadeia de de supply chain, a gente eu não conseguia nem botar, não existe corrente, não tem ninguém que faz corrente no Brasil tinha comprado a China, não tem ninguém que faz, né? Eh, por causa do CD em Manaus, a gente só faz o básico do básico do básico da

▶ 00:08:18 bicicleta para entrar lá dentro do CD para poder importar da China tudo, montar lá, fazer o a listinha do CD e depois vender. Então assim, mesmo uma coisa simples como a bicicleta, hoje em dia a gente não tem nenhum produtor nacional, porque não não faz sentido. Praticamente tudo é produzido na China. E a gente tem poucas empresas hoje que t esse tipo de tecnologia para conseguir fazer um carro de corrida, como você falou, né? botar o motor Veg e fazer a Embraer fazer a aerodinâmica do carro. A gente tem pouquíssimas empresas de

▶ 00:08:49 tecnologia de ponta mesmo. E é uma pena porque o Brasil tem a capacidade eh intelectual para isso. Obviamente a gente precisa melhorar muito a educação, mas tem o ITA, tem a USP, tem eh alguns cursos ainda que tem muita gente muito boa, tem muitos engenheiros brasileiros na Fórmula 1, né? Hoje em dia a gente tem eh bastante pessoal muito bom ali, mas precisamos precisamos mudar muita coisa pra gente conseguir eh realmente tá numa desenvolver tecnologia suficiente para conseguir exportar isso

▶ 00:09:21 pro mundo, né? Essa é minha visão. >> Olha o o como é que pintou a ideia da equipe já assim, mas a conversa vai ser maravilhosa porque eh você contou um pedaço do teu passado e é muito sobre aquela região, aquela região eh do Vale do Paraíba em que tinha todas essas empresas, a Vibras, Inesa, a própria Imbraer, tem o ITA, eh tem até um dos rapazes que tava atéindo montar a live aqui, que é o Riso, Riso de São José dos Campos, eh, pai dele trabalha na Embraera. E ali é o nosso Vale do Silício em alguma medida. Aquela região

▶ 00:09:52 que vai basicamente de Jacareí até quase a fronteira com o Rio de Janeiro. Aquela região ela é uma região abençoada do ponto de vista e tecnológico e intelectual. A foi ali que o Montenegro começou a instalação do ITA, surgiu o projeto da Embraer, então surgiu toda uma indústria bélica e aeroespacial ali. Ela foi desmontada depois, mas a boa parte daquelas pessoas foram realadas em outras coisas. Tem um amigo nosso que é o Vitor Espanha, igual você tava sofrendo para fazer a a bicicleta. Eu vi o drama todo, eu vi os vídeos sobre a zona franca. O Víor Espanheiro tava montando uma uma indústria de drone

▶ 00:10:23 paraa pulverização de defensivos agrícolas para o agro brasileiro. Mas o inferno, umação de saco, uma burocra, tudo é um drama para produzir aqui. E para mim a ideia da equipe de Fórmula 1, ela ela foi um um insight de, eu juro para você, ela pintou como insight na live, que a live, eu tenho uma live que eu faço que fico duas horas falando e é meio que um um processo cerebral que você vai falando, falando e vai jogando. E eu sempre tava falando, olha, a região nossa, a >> a região nossa do Vale do Silício é o Vale do Paraíba. E aí eu falei, cara,

▶ 00:10:54 estar na Fórmula 1 seria o coroar de um desenvolvimento de uma área industrial de ponta, altíssima tecnologia, indústria a espacial, indústria de drone, indústria de software, polo de startups, em que aí sim a a uma equipe de Fórmula 1, ela coroa isso como um exemplo de um de um país que cultura engenharia fina, engenharia de ponta, como um elemento, vamos dizer, eh, fundamental da sua personalidade nacional, vamos colocar assim, né? E aí eu dei o exemplo que para mim suava óbvio, né? Ó, aerodinâmica na Embraer com o motor, os componentes elétricos do

▶ 00:11:25 motor da Veg, que são já dois exemplos brasileiros que contra uma lógica mundial de que o Brasil não é capaz, né? A Veg é hí competitiva, tá agora no mercado de motor até eólico e o o a Embraera, ela é Embraera, tá? Eu vi que ela fez até o a parte aviônica eletrônica da do gripping, né, que é uma um caça dessas últimas gerações que tem. Sim, o se o que o esse croa que foi lançado agora a pouco, né? >> Eu acho que é o ter o terceiro ou quarto país, né, que faz o cas supersônico agora. >> Sim. E a e o e o Brasil conseguindo

▶ 00:11:56 adaptar isso, sabe? O o grippen que é feito agora no Brasil não é igual mais o da Suécia. A Imbraer tá desenvolvendo, tá tá evoluindo ele. Então, e está na Fórmula 1 seria um caminho para mim assim que no se a gente leva o Brasil para e eh para essa linha, seria um caminho natural, né? A gente tava falando, né, assim, o Brasil já teve equipe de Fórmula 1, você comentou, acho que era até legal você trazer um pouco da história, mas a a Coper Fit Pald, ela durou até acho que 81, 82 por aí. >> E o Adrian Newway, que hoje é o mago

▶ 00:12:28 ainda da engenharia da Fórmula 1, que tinha um chamava Harvey Postler, foi grandes projetistas passaram lá, o Kek Rosberg foi campeão, chegou a passar lá, então sabe, foi uma equipe séria. Salvo engano, em 78 a Copa Suprica fez mais pontos que a Ferrari, sabe? Então não era uma não era brincadeira, sabe? Eu não sabia de ser estatística, mas legal. >> É, ela ela ela fez uma pontuação decente, quase certeza. Dá para cravar? Não, com certeza foi 78. Foi 78. 77 o Lauda foi campeão. 79 foi o Sheckter,

▶ 00:12:58 foi em 78. E o na nessa lógica, né, assim, a gente já esteve lá, eu sei que a Fórmula 1 mudou muito, eu sei que hoje é quase impossível conseguir uma vaga dentro da Fórmula 1, as equipes têm que autorizar e tal, mas assim, a Cadilá que entrou muito porque eu já forma americano, os caras ficaram pressionando, pressionando, pressionando. Se faz sentido pra gente ser uma uma potência eh de engenharia, eu acho que faz, eu acho que uma das facetas que o Brasil tem que ter é essa. Faz sentido o Brasil tá na Fórmula 1, se não na Fórmula 1, na Fórmula E com a veg, sabe? Aí eu tô

▶ 00:13:28 falando com um campeão, aí você conhece mais. >> A gente já tentou há bastante tempo. É, com a Veg lá seria seria muito legal. Inclusive a Veg vai nas coisas de forma lá que a gente tem em São Paulo. No eu acho que essa ideia é é muito legal, principalmente do ponto de vista de mostrar pro mundo que o Brasil teria essa tecnologia de ponta, né, para conseguir desenvolver algo eh que pudesse competir com as com as equipes da da, né, do do mundo de uma maneira de igual para igual. O o grande

▶ 00:13:58 problema hoje, se você fosse falar realisticamente, vamos fazer uma equipe de Fórmula 1 brasileira, né? O principal ponto é eh eu acho que não seria um problema para fazer o motor elétrico da da vag, né, da parte híbrida. Isso aí é é não é fácil, mas é relativamente OK de fazer. A bateria seria um problema, mas a bateria todos os times de Formula 1, cada um, ninguém faz a sua própria bateria, né? você tem um supplier que eles fazem a eles acabam comprando célula chinesa, célula daqui, faz a parte eletrônica, o controle de voltagem, então, eh, o principal seria o

▶ 00:14:29 motor à combustão, né? Porque é uma coisa muito específica. O motor à combustão, eh, nos modelos, eh, atuais das regras de Fórmula 1, eles não fazem nem sentido pro desenvolvimento de tecnologia. Eu te dou um exemplo. Eh, pro motor ter muita eficiência, qualquer motor hoje em dia, ele tem o comando de válvula variável. Então, ele muda a geometria de válvula para você otimizar a entrada de mistura de área e combustível para fazer a combustão da

▶ 00:14:59 forma otimizada. Por algum motivo, a Fórmula 1 proibiu isso, falou: "Não pode ter válvula variável". Então você tem que fazer um trabalho de acústica e ondas de choque super específicos para conseguir com comando de válvula fixo ter uma simulação de um variável para você ganhar eficiência. Essa tecnologia é extremamente difícil de fazer, não serve para absolutamente nada, porque todos os carros de rua já usam o comando variável. Eh, e é simplesmente porque alguém inventou no regulamento isso. Então os caras têm que gastar dezenas de

▶ 00:15:30 milhões de dólares para desenvolver algo que não tem nada a ver com que usa comercialmente. Então, acho que o principal problema técnico ali, imagina que a gente tivesse uma equipe de Fórmula 1, seria eh fazer o motor a combustão eh do jeito que é, mas daria para você ser um cliente. Por exemplo, a a Cadilac é um cliente da Ferrari, né? Então assim, ele usa o motor Ferrari ali e compra o Power Trin e acabou. é uma equipe americana, mas usa o o power trank, seria o caminho mais ideal. Não é

▶ 00:16:00 uma dificuldade ter uma equipe da, por exemplo, a Alpin tá à venda. Então, se a gente quiser comprar a equipe, tem lá um valor de mercado, 2, 3 bilhões lá, Alpine, acho que até menos, deve ser 1.8, alguma coisa assim. Eh, mas é ir lá e comprar a licença, comprar a equipe e começar a rodar a equipe. Do ponto de vista de aerodinâmica, do ponto de vista de motor elétrico, do ponto de vista operacional, logisticamente operar do Brasil seria um problema, porque você entra dentro do budget cap e você fazer a logística do Brasil

▶ 00:16:31 entrando e saindo fica muito mais caro que os outros times, porque você tem que sair daqui, depois voltar para cá para, né, para ter como base. É, a maioria dos times estão baseados na Europa e só a Cadilac e acho que só a Cadilac que tá fora e alguns alguns >> a R a RAS foi pra Alemanha. Não, >> R não, a Ras a Ras a Rasa é em é em Bambury, na Inglaterra ali, uma hora de Londres, norte de Londres. A RAS também é, talvez eles tenham algumas coisas >> isso, eles podem ter uma base lá de

▶ 00:17:01 desenvolvimento, alguma coisa, mas o operacional da equipe é na Inglaterra. O vale do silício da Fórmula 1 é ali ao redor de Silverston, né? Eh, das das 11 equipes tem oito lá, né? Só a Ferrari que tá fora, a Sauber que é Audi agora, que tá um pedaço na Suíça, mas o resto fica ali na Inglaterra. Eh, mas tem várias tecnologias muito específicas, né, que daí obviamente precisariam ser desenvolvidas para fazer um carro competitivo, mas a gente hoje em dia não

▶ 00:17:32 tem capacidade de eh nem de produção. Por exemplo, vamos começar pelo material básico, fibra de carbono e e titânio. A gente não tem praticamente nem capacidade de fabricar, né? a gente ter que comprar fibra de carbono, comprar a resina, fazer toda a parte de autoclave, toda a parte de de desenho. Isso aí teria que teria que ser totalmente eh externo, né? a gente não tem nenhum tipo de manufatura de fibra de carbono. Daí a parte de eh simulação de dados, a parte

▶ 00:18:02 de simulação de a parte de desenho, toda a parte de automação de de CAD, né, de e e o uso de, por exemplo, desenhos eh generativos de AI para sair com as peças da melhor forma possível. Isso aí também terá que ser software vindo de fora. A gente não tem ninguém no Brasil que desenvolve esse software do zero. Então assim, a gente, eu acho que seria legal começar com uma equipe de Fórmula 1 para ver se o que que a gente pode chegar dentro de tecnologia. Mas a gente tá tão longe na

▶ 00:18:33 cadeia de supply chain no Brasil que assim fica muito difícil falar, vamos fazer um carro 100% brasileiro. É, hoje em dia é impossível. nem de Fórmula E, nem de Fórmula 1. Tentaram fazer assim mais brasileiro o carro da Stockar e já não deu muito certo. Voltar um pouco para trás. Eh, então assim, a a nossa indústria, é por isso que de novo, eu parabenizo o que vocês estão fazendo, a gente precisa mudar completamente eh nosso como a gente direciona a indústria para voltar a produzir tecnologia dentro

▶ 00:19:03 do país, porque senão a gente não consegue produzir nenhuma bicicleta, quem dirá um carro de Fórmula 1, né? >> Sim, sim. Eu acho que essa essa é a grande provocação nessa história. Eh, quando a gente pega certos setores da de qualquer indústria que é exatamente de ponta, a gente pode falar de indústria aeroespacial. Ah, fala, tá falando da Fórmula 1 agora que ela é como se fosse o topo do topo do topo da indústria automotiva, vamos colocar assim. Eh, a gente percebe as nossas deficiências de o quão ridículo a gente fica quando a gente resolve não disputar eh certos

▶ 00:19:33 mercados e aceita as coisas como elas são. E é ridículo. Eu eu tava amigos nossos tava conversando com gente que trabalhou na indústria aeroespacial brasileira e eles levam assim a discussão nos mesmos termos que você tá levando aqui, olha, a gente não consegue começar a projetar um motor de um foguete. a gente não consegue ir nessa linha, a gente não consegue eh trabalhar a, vamos dizer, a como funcionaria a parte química fina de um combustível, igual a nem para chegar perto do que a SpaceX talvez faça de eficiência no motor e tal. Então é muito assustador. É

▶ 00:20:05 muito assustador. E eu eu gosto de de fazer uma leitura, como você tá colocando assim, que isso serve como um tapa na cara da gente. Ah, porque eh o que você tá colocando assim, nem para fazer as os >> os componentes aerodinâmicos mais simples de fibra de carbono, fazer o spoiler lá, o aerofólio frontal, a gente não tem condição material de fazer, né? Não consegue nem sequer desenvolver ele, né? Então, eh, é bem bizarro. E você falou o preço, né? A gente tava olhando os escândalos recentes de corrupção no Brasil. O cara do Banco Master podia comprar duas, três equipes de forma.

▶ 00:20:35 >> Exato. Eu ia até falar isso. Um vorco, um vorcula 1 durante uns 10 anos. Aí >> é >> tranquilo isso aí. Isso aí. O dinheiro, o problema não é o dinheiro. O Brasil, o Brasil tem dinheiro, né? O Brasil e bem ou mal, né? Essa economia é muito forte, né? O problema é como esse capital é utilizado, né? como existem os incentivos, como você direciona esses incentivos. O Brasil tem capital, estava falando indústria aeroespacial. O que eu acho que você poderia inclusive colocar

▶ 00:21:07 eh no programa de governo, que eu acho que é assim, é a mesma história, o que tá acontecendo agora, que é muito interessante, que tá acontecendo é o seguinte. Da mesma forma que, por exemplo, a África nunca teve linha de telefone, os caras saíram de sem telefone para celular direto, né, o tal, o famoso Lip Frog. >> O que tá acontecendo? Agora você falou de motor de foguete, né? Eu tive uma reunião semana passada com uma empresa que chama Lip 71. É uma empresa baseada em Dubai que tá desenvolvendo um motor de foguete 100% desenhado por AI. Não

▶ 00:21:40 tem nenhum engenheiro que faz desenho de nada. Os caras pegam o seguinte, eles colocam dentro do algoritmo dele, deles as especificações que eles precisam pro motor, o formato, as leis da de as leis da física básicas de cada de cada componente e deixa o sistema desenhar ele mesmo. E depois de eh milhões e milhões de interações, o sistema desenha o o projeto ideal desse

▶ 00:22:10 motor, que daí ele é impresso em 3D. direto, né? Porque alguns tipos de desenho você não consegue fazer com torno nem com nenhum tipo de, você só consegue fazer com eh manufatura aditiva, né, com impressão 3D, que já tá num nível que aguenta a pressão necessária, a temperatura necessária pro motor. E eles fizeram o motor e funcionaram o motor. Inclusive, fizeram dois tipos, né? Fizeram o motor normal e fizeram um aerospike. E os caras estão fazendo esse esse lip. Você não precisa mais. Talvez que a gente não tenha o nem o no componente,

▶ 00:22:41 >> mas a gente vai poder imprimir. A gente tem o material, inclusive o material, um dos materiais mais usados para fazer foguete é o Nióbio que tem no Brasil, né? A liga, o o nióbio adicionado na liga do Iconel, justamente por causa da resistência em alta temperatura, tanto em turbinas quanto em foguete. A gente tem os materiais críticos, os os chamados terras raras, que muitas vezes não é raro. Eh, a gente tem isso no Brasil. Então essa essa capacidade de fazer esse Lip Frog, sair do sem precisar fazer agora a parte de engenharia, a gente conseguir fazer o

▶ 00:23:12 AI, desenhar o motor e a gente ter o melhor lugar do mundo para fazer lançamento de foguete, que é a base de Alcântara. Eh, de repente é um é um processo na qual a gente consegue fazer essa esse pulo do gato aí e consegue reviver a indústria nacional fazendo esse esse salto em algumas áreas. O AI vai ajudar muito nisso, né? Eu acho que o essa capacidade de você eh vai ter uma distribuição de conhecimento muito grande com EI, na qual você vai poder usar e entrar dentro de áreas que antigamente você não conseguirem você

▶ 00:23:43 não conseguiria entrar. E e na Fórmula 1 tá acontecendo exatamente isso. A gente tá num processo agora de implementação do EAI para tomada de decisão. Então mesmo alguns engenheiros da Fórmula 1 e da Fórmula E, né, no meu caso que a gente tá implementando isso, a gente tá vendo como eh não só melhorar, mas implementar esses agentes, o AI para tomar a decisão do carro na pista. Tá mudando drasticamente e mês a mês assim. Então a gente eh, né, como Brasil, a gente tá muito para trás disso, mas acho

▶ 00:24:14 que daria para usar essa tecnologia para várias coisas. >> Então você isso que você colocou é é muito animador, né? O o que se fundo tá querendo dizer assim, se a gente estiver no topo ou na fronteira do conhecimento, por exemplo, nessas áreas de IA e a Generativa que os caras estão falando agora, que ela se auto ela autoconstrói e levar isso pra engenharia fina em diversas áreas, o atraso que a gente com, ah, estamos 30 anos atrás, estamos 20 anos atrás, ele simplesmente você busca o gap, né? o o gap você simplesmente retira e aí vai de uma

▶ 00:24:45 decisão ah política e de país. Porque tem um ponto que aí eu entro o drama que você tava citando ali da para fazer bicicleta ou tem o drama do Víctor Espanha para fazer os drones de pulverização, que assim a gente tem, a gente precisa de desesperadamente uma agenda de competitividade que para contratar e para demitir uma pessoa no Brasil é um inferno, para abrir e fechar uma empresa no Brasil é um inferno, para captar dinheiro é um inferno. A tributação sobre o capital é infernal. Eh, o as leis proteccionistas para diversos diversos materiais, vamos colocar aqui, diversos produtos e são insuportáveis. A

▶ 00:25:16 existência da zona franca de Manaus é uma das coisas mais retardadas que possam existir. Eh, então quando a gente pega, se a gente não assim tem uma verdadeira agenda de competitividade somada a outra coisa que a gente fala de uma agenda fiscal boa, porque o dinheiro no Brasil é muito caro, a gente simplesmente não vai conseguir fazer essas coisas. Porque você estava me descrevendo uma coisa até, eu ia te fazer uma pergunta, né? O o vale do silício do automobilismo é ali na Inglaterra, né? Meio que todos os profissionais ali, >> eh mesmo para equipe francesa é meio difícil. Sempre foi difícil pr os franceses ter equipe fora ali, ter

▶ 00:25:46 equipe no continente mesmo. Os alemães acho que tiveram dificuldade. Só Ferrari, que é uma ilha ali, vamos dizer, longe da ilha inglesa, mas ela acho que com muito dinheiro ela ela compensa ali para ser para tá brigando. Mas eh a pergunta que eu queria deixar sobre isso, numa área como o automobilismo, essa essa, vamos dizer, essa aceleração dada pela inteligência artificial e por essas novas tecnologias que estão vindo, elas permitiriam ao ao empreendedor brasileiro dentro de um projeto de país

▶ 00:26:17 diferente? Ou seja, vamos supor, o Lucas de Grace fala: "Não, eu vou eu vou juntar as forças produtivas aqui, eu vou montar a de Graci Racing, vou falar com a Embraera aqui, vou falar com outro ali." Levantei o capital. É possível com um projeto de médio longo prazo cortar esse gap? A minha pergunta é essa. É possível usando a inteligência a gente quebrar mesmo que manter assim, tem uma equipe lá na Inglaterra, a Coperçu chegou a ser na Inglaterra, ela começou no Brasil, ela foi pra Inglaterra, ela tinha ainda base aqui, mas ela foi para lá, tipo, tem uma base na Inglaterra, tem outra no Brasil, desenvolve tecnologia aqui e ali, aí lança um carro

▶ 00:26:47 de de rua aqui no Brasil de alta performance para porque o branding pegou e não sei o quê. É, é possível construir um caminho nessa linha. Sim, é possível. Eu acredito muito nisso. Eu acho que eu eu acho que o o Brasil, se você construir uma um framework de de leis e regras que se incentivem a indústria, incentivem você trazer esse capital e o capital intelectual pro Brasil, tem um potencial gigantesco. Eu te dou um exemplo onde é

▶ 00:27:17 um benefício claro. Na Fórmula 1, você tem um budget cap, né, que você é o é o o máximo que você pode gastar. Todas as equipes podem gastar lá 150 milhões por ano de operacional, eh, excluindo os pilotos, excluindo o chefe de equipe, mas enfim, todo mundo pode gastar a mesma coisa. Uma equipe Suíça, ela tem um um que é o caso da Audi, que é metade, tá lá, ela tem um pênalti, porque na Suíça qualquer um ganha muita grana, uma secretária ganha duas vezes mais do que ganha uma secretária na Itália. E no Brasil a secretária ganharia 10 vezes mais. Então você teria

▶ 00:27:47 uma vantagem competitiva ter a equipe no Brasil, você teria mão de obra boa e você teria um custo muito baixo. Se você tivesse um eh a parte fiscal arrumada, você teria um incentivo de ter a equipe no Brasil, fazer toda essa parte operacional no Brasil e reduzir o seu budget capt para você conseguir usar para outras coisas, desenvolvimento, eh, enfim, eh, melhoria do carro e tal. Então, sem dúvida. E de novo, usando essa o AI agora, que é um conhecimento

▶ 00:28:18 que tá disponível ou que vai ficar cada vez mais disponível, né? O conhecimento vai ficar democrático. Qualquer um hoje em dia, por exemplo, eh se você quiser fazer um app hoje em dia, eu não sei Python, eu não sei eh C++, eu não sei linguagem de computador, mas eu entro lá no meu Google EA Studio, eu digito lá, eu faço um app, fiz um app semana passada para o meu clube de de tênis aqui ou sei lá, entendeu? Então assim, o conhecimento coding >> é um não, eu fiz fiz para entender, para ver como é que como é que funciona e

▶ 00:28:50 funciona super bem. Não é nem vibe coding, né? Vibe prompting. Você só precisa escrever o que você quer, ter uma linha de raciocínio e acabou, né? Então assim, isso vai acontecer com desenho de carro, vai acontecer com simulação de carro. Ó que legal. Eh, antigamente como é que você fazia o assoalho de um carro, né? Você pegava o carro, fazia, ah, o a o regulamento fala que o assoalho tem que ser assim, assado, tal. Você desenha o açoalho, coloca ele no CFD, né, que é o o túnel de vento no computador e roda lá eh

▶ 00:29:20 durante dias pro para ler o fluxo e o fluxo saiu mais ou menos. Daí você vai lá e muda manualmente o açoalho para outro formato, roda de novo, mais alguns dias, milhões em computação e daí sai o fluxo. Hoje essa empresa que eu falei agora de que tá fazendo a a o usando o AI, você coloca o fluxo de ar ótimo que você quer e o computador e o AI desenha o assoalho para atingir aquele fluxo ótimo. É ao contrário. Você coloca a

▶ 00:29:52 especif especificação que você quer e o computador desenha. Não é mais o engenheiro que fica falando: "Ah, eu acho que essa letra é mais para cá, essa é mais para lá", tal. O computador desenha otimizado para você já inicialmente. Então isso vai mudar muito como a indústria vai funcionar. E o Brasil e a gente tem eletricidade de base boa, de baixo carbono e barata. E a gente tem espaço para cada vez mais ter fotovoltaico sem problema. Isso aí vai ser o o grande limitador do futuro, vai ser a quantidade de energia. Inclusive,

▶ 00:30:22 né, se você olhar no gráfico, existe uma correlação direta, né, entre quantidade de energia per cápita e desenvolvimento do país. E o Brasil tem um potencial energético, a gente não tem um limite de energia, >> a gente tem todo esse potencial. Então, a gente vai ter computação barata, a gente vai ter esse potencial energético, a gente tem as matérias primas, a gente vai ter agora a esse conhecimento democratizado. A gente só precisa que o governo não atrapalhe, que crie um framework, que incentive às empresas e

▶ 00:30:53 as pessoas a começarem negócios, porque vai dar para explodir o Brasil com esse com essa combinação de fatores, na minha opinião. >> Nossa. Ô, ô, assim, Lucas, ah, isso isso é muito legal que você tá falando, porque eu venho tentando gravar vídeos e tentar explicar isso com uma maneira otimista sobre o Brasil, porque a leitura do do Brasil, da maior parte das pessoas hoje é muito negativa e mesmo do das candidaturas presidenciais estão aí, eu não vou transformar essa live em live de candidato, né? Mas eh assim, a leitura é muito negativa, é muito tipo meio vingativa. Ah, vamos sair fora da

▶ 00:31:24 esquerda, não, não deixa o fascismo voltar. E cara, o, se a gente arruma alguns elementos, você puxar uns botões aqui, é o que você falou, certos pressupostos aqui são fenomenais. Essa questão da energia barata, a gente ainda nem estamos falando de energia nuclear. Se a gente botar, vamos dizer, energia renovável mais energia nuclear, que é uma energia limpa no fim do dia e hoje cada vez mais segura, você tem uma base energética muito grande para fazer data center, para você poder trabalhar com com o IA de maneira intensiva aqui. Ah, e se a gente anda com uma agenda de

▶ 00:31:54 competitividade, é, e você se torna atrativo para trazer, é, nômades digitais e e capital humano de alta qualidade, o que que acontece, que é uma discussão que eu tive, eu tive até com a galera no uma revista americana, chama Paladium lá, lá em São Francisco, uma revista do universo Tech, né, da universo da direita Tec e o pessoal falou muito, cara, o mundo vai ser assim, uma um grupo de pessoas talentosas se muda para um lugar bom de se viver, um lugar legal, com clima legal, monta a empresa, é feliz por um tempo, aí depois constrói em outro lugar e o Brasil é um dos países que tem os ingredientes para você ser feliz. Se a

▶ 00:32:24 gente resolve basicamente a parte de de segurança pública, infraestrutura, energia suficiente, marcos regulatórios corretos e concretos, você consegue ter a instalação de empresas de alta tecnologia e a atração desse capital humano de qualidade. E esse efeito que você tá falando se torna inevitável. Por isso que eh eu acho que o futuro para nós, se nós fizermos essa lição de casa, ele é glorioso. Não é nem que o Brasil vá melhorar um pouco. É tipo, o Brasil tem tudo para ser uma dessas cinco nações mais importantes do mundo, as nações a decidir as coisas. É, é, eh, me

▶ 00:32:54 dá uma agonia isso. >> Sem dúvida. a gente tem eh a gente tem todos os recursos naturais, a gente tem o o potencial e intelectual que cada vez mais vai ficar, de novo, como a gente falou, por causa do EA, vai ficar mais democrático, a educação vai melhorar, a educação vai ficar mais barata, a educação já é disponível, né? Hoje você já pode aprender o que você quiser no YouTube a qualquer momento a custo zero, né? Não existe mais essa desculpa: "Ah, educação eh eu não tenho acesso". Não, todo mundo tem acesso a tudo e fica essa discussão polarizada, discussão sobre

▶ 00:33:25 coisas que não fazem o menor sentido, sendo que o importante é a gente elevar, né, elevar o o piso da da população brasileira, fazer o brasileiro ganhar mais dinheiro, fazer o brasileiro empreender. Essa semana passada aconteceu pela primeira vez um único, uma única pessoa criou uma empresa de mais de 1 bilhão de dólares, né? Eh, o cara sozinho com os agentes de AI, criou uma plataforma de venda de medicamento que tá faturando aí, sei lá, centenas de milhões de dólares por ano, um cara

▶ 00:33:55 sozinho. E ele hoje foi o primeiro cara que criou uma empresa com AI que vale mais de 1 bilhão de dólares. Por poderia ter sido feito no Brasil, isso poderia ter sido feito em qualquer lugar. Então assim, cada vez mais a gente vai ter oportunidade de usar eh de fazer esse pulo, né, do Brasil, desse esse gap de conhecimento que a gente acabou, infelizmente a gente perdeu aí duas décadas, três décadas de um governo pior que o outro, discutindo pautas que são eh passadas já. Aliás, todas essas pautas, a maioria das pautas discutidas

▶ 00:34:27 hoje na eleição são pautas passadas sobre petróleo é nosso, não é nosso, aquela discussão privatiza não sei o quê, estatiza não sei o quê. essas discussões, discussões nos anos 80, discussões nos anos 90, porque a galera que tá lá no poder é a galera que a que saiu dos anos 70, 60, tá tá tudo errado, tá ultrapassado. Por isso que eu acredito que se a gente unir força e conseguir mudar e a se tornar o Brasil atrativo do ponto com segurança jurídica, tornar o Brasil atrativo, a

▶ 00:34:57 gente pode criar equipe de Fórmula 1, a gente pode criar uma indústria aeroespacial ativa, a gente pode fazer parcerias com outros países para usar a o nosso potencial, a gente tem espaço para fazer eh a gente tem espaço praticamente infinito para instalar a placa fotovoltaica, né? Eu eu fiz o cálculo eh pra gente produzir, né? Não tô falando de potência média, mas a produção energética brasileira com uma com uma área de 40 km por 40 km de painel fotovoltaico, a gente produz lá

▶ 00:35:28 no Sertão da Bahia a quantidade de energia que a gente gasta por ano hoje. Não é nada, é um pedaço irrisório do tamanho do país. a gente, o nosso potencial fotovoltaico médio é muito maior que a máxima da Alemanha ou da Inglaterra ou de qualquer outro país europeu, porque a gente tá geograficamente muito privilegiado. Então assim, o Brasil tem uma série de de pontos e uma série de de tem tudo para

▶ 00:35:59 dar certo, né? A única coisa que a gente precisa é arrancar esse sistema eh cleptocrático que roda o Brasil, independente de quem é, obviamente muito mais do governo atual e e limpar isso aí e começar do zero, que a gente tem todo esse potencial e enfim, eu torço para isso. Eu como brasileiro, que é uma coisa que eu mais quero eh ver o Brasil com, né, no de novo, no topo do mundo como uma das principais potências. É, é,

▶ 00:36:29 é isso, assim, é o nosso destino. E tem um elemento, tem um elemento assim, ou a gente é, eh, glorioso como nação, ou a gente não será nada. É um amigo, um amigo nosso, ele fez uma pesquisa simples e ele fez um artigo bem interessante sobre isso. Dentre as nações com território de agora eu não sei, agora esqueci a quilometragem, né, os met quadrados, mas dentre as nações com maior território do mundo, eh dentre as nações com um PIB maior do que acho que 1.8 8 trilhões. E dentre as nações

▶ 00:37:00 com população maior do que 200 milhões, do que 120 milhões de habitantes, eh existem cinco nações, que, né, né, dentre todas essas, existem quatro que tem bomba atômica e uma que não tem, que é incapaz de se defender, né? As outras são Índia, China, Estados Unidos, Rússia e aí vem o Brasil. A gente pode contar a União Europeia como território, aí tem a França, a Inglaterra tem arma nuclear. Eu nem era um defensor da ideia de armamento nuclear, nem achava que era um tema a ser discutido, mas no mundo que tá vindo

▶ 00:37:30 aí, o Brasil ele tem todos esses predicados que você lançou e a gente é incapaz, eu volto com incapaz de de se imaginar grande. E ao não se imaginar grande, a gente acaba ficando pequeno diante do do dos desafios do mundo e o mundo vai querer o que nós temos. E assim, o mundo tá ficando muito perigoso. A gente, se a gente fizesse uma retrospectiva e perguntasse há 10 anos atrás, tá tendo guerra no mundo aí no futuro? Pois bem, tá tendo guerra no Irã, tá tendo guerra em Israel, tá tendo guerra na Ucrânia, tá teve guerra na na Venezuela agora, tá? Estamos prestes a

▶ 00:38:01 ter uma guerra entre Taiwan e China. O mundo está bem deflagrado. A gente só não tá chamando isso de guerra mundial, mas há vários conflitos e praticamente todos esses conflitos os Estados Unidos tá envolvido direto ou indiretamente, a famosa guerra proxy. Então o mundo tá ficando complicado. O Brasil ele detém todos esses recursos que você falou, uma capacidade de produção de comida, detentor de terras raras, matériapra de alta qualidade. Ah, estamos falando aqui de uma posição geográfica no sul global interessante. Hoje nem tanto, mas no sul global muito interessante. Estamos falando de água, recursos hídricos,

▶ 00:38:32 energia. Ou seja, o Brasil ele pode simplesmente enquanto nação, deixar de existir se nós não entendermos o nosso papel, porque ele pode muito bem ser dividido. Aí vem uma repartição de nações estrangeiras sobre nós e nada que já não tenha acontecido na história humana várias e várias vezes. Então tem uma uma questão de urgência que eu coloco que é ou a gente se assume uma nação séria, como a gente tava conversando aqui, ou o mundo será muito cruel conosco. Então existe uma espécie de uma necessidade de se assumir como uma nação séria e a gente perdeu isso,

▶ 00:39:03 né? Você tava descrevendo seu seu pai trabalhou na Ingesa? Eh, a Ingesa eu me lembro dos anos 80 me corrig, mas tinha um tanque chamado Osório, que era um tanque que disputava competiçõ. Sim. >> Disputais e ganhava de tanques americanos. Eu acho que a Engesza quebrou. >> Sim, sim. Isso que isso que eu isso que eu falei na na época batia de de batia direto assim com Lockhe, com com empresas americanas pesadas de tecnologia e o Brasil batia de frente,

▶ 00:39:33 de igual para igual. >> E assim, a gente se via até essa esse período, tá? Podem fazer as críticas se quiserem ao regime que tinha ali, ou até o Vargas que veio antes, que eu tenho críticas a todos, mas meu Deus, eh, era um país que tentava se ver como alguém grande, dali em diante parece que a gente foi proibido de se ver como alguém grande. A a gente não pode almejar, tanto que quando eu falei do negócio da Fórmula 1, falei despretenciosamente, aí veio gente, ah, imagina porque ha [risadas] a gente, né, a gente tem condição, a gente tem condição de

▶ 00:40:03 muitas coisas. É que a gente tá, a gente se proibiu ser ambicioso. Não, você não pode ter ambição. Quem pode ter ambição é tipo Daniel Vorcaro, ele pode ter uma ambição. Quem pode ter ambição é um presidente de partido político com orçamento anual de bilhões. Isso é isso é muito grotesco, velho. >> É, desculpa, tô a internet tava tava caindo bastante agora. Eh, deu uma, deu uma travada, mas eu eu entendi grande parte do que você falou. Inclusive, eu tô lendo um livro agora, chama eh tá no meu tá no meu tá no meu Kindle aqui que eu tô lendo. É um livro sobre energia

▶ 00:40:33 nuclear que é que exatamente é aqui, ó, going nuclear. >> Hum. E esse livro aqui é exatamente sobre a a, né, toda a cadeia de produção de energia nuclear, como é feito, como não é feito, como, qual é a história, né, quais são os tipos de reatores, quais são os reatores mais modernos, os SMRs, eh, que é o Small Modular reactors e toda essa parte de de tecnologia. Obviamente a energia nuclear vai fazer parte do nosso futuro. E eu concordo com

▶ 00:41:03 você. Eu acho que tanto do ponto de vista são coisas bem diferentes, né? A produção energética, eu acho que a gente nem precisa ir paraa nuclear porque é muito cara ainda e o Brasil tem espaço. Se a gente usar fotovoltaica e usar hídrica como como base, a gente ainda tem uma margem, né? A gente tem uma gordura muito grande ainda pela frente, dá pra gente produzir muita eletricidade, que vai ser um dos gargalos do AI, né? O o principal gargalo de produção de AI vai ser energético, não vai ser de chip. E a gente tem todo esse potencial, tanto que estão instalando, né, data centers, não, no Nordeste, tão instalando, eh, no

▶ 00:41:34 Brasil inteiro e vão usar cada vez mais, >> né? O TikTok fez um data center gigantesco lá, porque a eletricidade lá é super é super barata, né, por causa da eólica e e fotovoltaica. Aí dá para ser muito mais, né? Tem muito espaço. A nuclear é um pouco mais cara, mas sem dúvida você deter a tecnologia principalmente de do enriquecimento do urânio, né? Nesse caso, eu acho que estrategicamente é super importante, não é a questão de eh ser agressivo ou não, né? Mas você fazer parte de uma eh fazer parte da mesa global de países que t a

▶ 00:42:05 capacidade de defender caso houver um ataque. Porque assim, bem ou mal, né, hoje em dia o Brasil ele tá aberto à China, né? A China eh tá, né? Tá tá tomando a infraestrutura da África inteira, tá vindo pro Brasil com força. E a gente, como você falou, eu acho que eh a chance não é zero de ter países mais fortes querendo os recursos que o Brasil tem. Não tô falando que é muito provável, mas eu tô falando que a chance não é zero. E daí é uma decisão nossa como país. É, a gente vai ter um sistema

▶ 00:42:35 de defesa que vai nos manter eh independentes ou a gente vai fazer uma parceria com um líder global que vai ser ou Estados Unidos ou China, na qual a gente vai ficar dependente, porém protegido. Acho que é só uma discussão que dá para ter de também de alocação de capital, mas só o fato de você ter que desenvolver essa tecnologia, você já tem que criar uma cadeia de de tecnologias que já dão para usar em várias áreas, na área de medicina nuclear, na área de produção energética, enfim, tem tem várias coisas para para para conversar.

▶ 00:43:06 Inclusive, eu almocei com o secretário nacional de fusão nuclear há uns meses atrás. Eu nem sabia que o Brasil tinha um secretário nacional de fusão, não é nem de fissão, né, do urânio, de fusão nuclear. E eles estão fazendo um centro de fusão nuclear eh no interior de São Paulo, uma cidadezinha pequena que eu esqueci o nome, perto de Sorocaba ali. Eh, vão fazer tipo o acelerador de partículas que tem em Campinas, vão fazer lá em eh vão fazer essa essa essa esse centro de fusão, porque fusão nuclear não é só a fusão nuclear, a

▶ 00:43:37 gente tá falando de supercondutores elétricos, que são fios que não tem resistência. né, que trabalham a temperaturas baixíssimas, você consegue transmitir energia, por exemplo, se você tiver essa tecnologia, você consegue armazenar e transmitir energia eh sem perda nenhuma. Isso é um, né, é o é o é o holy grail aí da da engenharia, principalmente da da parte de de transformação elétrica, né, de de inversores e tal, enfim. Eh, a gente tem essa capacidade, a gente tem que ter essa discussão e isso é o que deveria

▶ 00:44:08 ser discutido, esse tipo de edição estratégico e não ficar passando 45 minutos eh, né, em rede nacional falando, um fala do filho, o outro fala de não sei o quê, o outro você vê uma discussão assim sem pé nem cabeça e e que, enfim, não vai levar nada pro nosso país, né? Mas esse tipo de discussão que a gente que eu gostaria de ver, né, os e os nossos líderes, para onde a gente tá indo e como é que o Brasil vai e qual é a estratégia de longo prazo do país, que é uma coisa que ninguém discute, >> não é assim? E, e cara, eu posso te

▶ 00:44:39 colocar, Lucas, eu tô tentando conversar com muita gente sobre muitos temas, porque tô montando plano de de pré-campanha paraa presidência da República. E o que você tem são, vamos dizer, esses pontos, ilhas de excelência e tentativas quase quichotescas em algumas áreas que a gente consegue igual o lance do acelador de partículas, sabe? Você tem um acelerador de partículas, você tem um membra e é um fica isolado e não se espraia, que a parte a parte de partícula, acho que no hemisfério sul, né? >> É, é. é um caso único do acelerador de

▶ 00:45:09 partículas e e o que nos assusta assim, não a a o não espraiamento do desenvolvimento tecnológico, porque quando você tem uma uma tecnologia de ponta que você desenvolve aqui, em tese, se fosse uma nação com os Estados Unidos, que é uma nação eh em que a competitividade tá dada, o dinheiro é barato, você tem uma cultura de trabalho já pré-montada, é fácil abrir as empresas. Se você cria uma tecnologia numa universidade, várias empresas vão pegar aquela tecnologia e vão sair fazendo as derivadas daquilo e você começa a criar um ecossistema. E aquilo se espalha para um grupo de cidades ao

▶ 00:45:39 redor. Aí você começa a ter pessoas migrando para aquelas cidades porque surge as empresas. De repente aquela cidade tá contratando um chinês que desenvolve uma tecnologia e a e a coisa dinamiza aqui por alguma razão, né? Isso eu eu é uma das coisas que eu comecei a anotar nas viagens agora que eu tô fazendo pelo Brasil. Isso não acontece que por mais que tem uma iniciativa isolada, sensacional, ela termina nela. Porque o cara que, sei lá, um um funcionário da Unicamp do acelerador de partículas, vamos colocar aí, e ele quer montar uma empresa X de tecnologia, uma startup com amigos dele para fazer um

▶ 00:46:10 componente só para ele tentar abrir a empresa, já seria o inferno. Ele não ia conseguir abrir empresa, ele não ia conseguir contratar a galera, ele não ia encontrar o dinheiro, não ia encontrar o financiamento, o cliente ia desdenhar e ele simplesmente ia falar: "Quer saber? Vou prestar um concurso para auditor da receita e, né, ensinando. Isto é o desesperador. Isso é o desesperador. Eu acho que resolver essa questão é é é fazer com que todos esses polos de excelência eles virem multiplicadores. E isso tem um efeito econômico colossal, cara. Colossal. Isso é, isso é muito desesperador, velho. Muito, muito. Quer

▶ 00:46:40 ver uma coisa, por exemplo? >> É, a fala >> não é que assim, eu instalaram eh a fábrica da Fiat numa cidade chama Goiânia lá em lá lá em Pernambuco, né? Eh, não é a Goiânia de Goiás, lá elá perto de Recife. E aí o que acontece, >> né? Beleza? Não é ou falar que a indústria uma montadora ali não é exatamente uma indústria de ponta, mas é uma fábrica moderna que tem os sistemas, você tem uma a cadeia de fornecedor que poderia ficar ao redor e aí você poderia ter, né, ao redor da cidade você vai

▶ 00:47:10 criando um universo correlato. Pois bem, quase ninguém que trabalha na Fiatmore em Goiânia, as pessoas vêm de ônibus de Recife, de João Pessoa. É, a fábrica era uma ilha e a cidade em volta não tem quase nenhum resultado econômico, nenhuma melhor coisa, mas nenhuma consequência econômica da instalação da fábrica. Isso é exemplo assim de de que é algo muito errado no sistema político e econômico brasileiro, de modo que as coisas virem, quando você tem uma iniciativa, ela só é um uma coisa pontual, ela nunca ela nunca se firma.

▶ 00:47:42 É, eu acho que o principal nesse caso, né, principalmente nessa área de inovação, o principal o principal culpado é o custo de capital, né? Custo de capital no Brasil hoje e o risco que você tem, a segurança, a segurança jurídica baixa, né? O risco de capital alto, o risco trabalhista que você tem, né? Acho que o ano passado foi o recorde, né, de eh de processos trabalhistas da história lá, não sei quantos bilhões de reais em processo. Então, todos esses riscos somados eh desincentiva você a abrir qualquer coisa. você ou vai pegar, vai comprar

▶ 00:48:12 título do governo e vai ficar vivendo de rentismo, que é o que se você tem dinheiro no Brasil, você faz porque juros a 15% não tem nenhum lugar do mundo nesse patamar, você não vai tentar abrir um negócio, né? essa e isso que o pessoal não entende. Isso que eu acho que talvez seja, né, o o mais difícil de entender é que não sei se as pessoas são capazes de de entender isso, mas se você cria uma linha de incentivos pro cara não abrir negócio, pro cara não

▶ 00:48:43 empreender, você nunca vai, o brasileiro nunca vai empreender na média. Pode ter um aqui, outro ali, mas você não tem uma cadeia de incentivos que que fazem o cara querer fazer, abrir qualquer coisa, fazer qualquer tipo de negócio novo, né? Nos Estados Unidos é exatamente o contrário. Você tem pouco risco, você consegue eh tomar capital emprestado, você consegue se alavancar, você consegue eh juntar uma galera para fazer essa empresa. E essas empresas vão ser as empresas que vão dominar o mundo. Essas empresas são os Googles, são os Facebooks, são todas essas empresas que

▶ 00:49:14 começaram do nada e viraram empresas de o El Musk, por exemplo, empresas de trilhões de dólares, eh, que são hoje. E o Brasil zero, né? Eu acho que eu li um eu li há pouco tempo atrás, com esse juros do jeito que tá, uma a cada quatro empresas do Bovespa já não consegue gerar fluxo de de caixa para pagar os juros da dívida. Eh, assim, eh, não existe, né? Não tem como sobreviver o Brasil assim. >> Sim. É por isso que quem sobrevive sobrevive por meios políticos. A o caso

▶ 00:49:44 do Banco Master, eu eu fico falando muito dele, porque assim, o último grande fruto do capitalismo brasileiro foi um branco, um banco fraudulento que comprou o ministro do Supremo, né? E e e é sintomático, não chorar mesmo, né? >> É o Brasil não tem acho que IPO para valer de empresas, para valer assim de 2021 para cá, nem sei se teve. Deve ter tido uma ou outra coisa. Posto isso, um banco que era claramente um golpe, um esquema de pirâmide, ele foi a a maior sessão meteórica do capitalismo brasileiro, né? O que leva a gente a a a

▶ 00:50:15 a refletir sobre isso, né? no mercado com uma silicão alta, com insegurança jurídica, é óbvio que só a picaretagem vai escalar. Só só sendo muito picareta você escala. E sendo um picareta, você cria, você elimina qualquer qualquer incentivo a você fazer um projeto honesto, ou seja, assumir o risco de maneira honesta, eh, baseando-se em ideias honestas e obter um lucro honesto. Deveria ser a regra isso aqui. Não, não é. E aí você sente ridículo, porque mesmo você for tentar isso, vai ter todo o incentivo dado para você, na verdade, ser um vorco, te atropelar e e

▶ 00:50:48 e crescer. Eu vi assim os casos todos aí do que envolvem, vamos dizer, a o mercado mobiliário brasileiro nesses últimos anos e a relação promíssa política que não se restringe só ao master, né? O master é o caso mais óbvio, eles dão o tom disso, cara. É um capitalismo que não tá funcionando, é um capitalismo que falhou. E aí, cara, a gente falar de realmente, aí eu indo pro outro lado da moeda, a gente falar do Brasil de hoje em ter equipe de Fórmula 1, lançar foguete, ser um país eh eh competitivo do ponto de vista energético, isso para as pessoas soua

▶ 00:51:18 piada, sou assim, vocês estão maluco, isso é conversa de doido. É, eu eu acho que eu tô com você, eu acho que não é conversa de doido, mas conversa de doido é, né, esse nosso sistema eh socioeconômico brasileiro que gera essas aberrações, como master, como enfim, tantas outras empresas que vivem, não só o master, o master foi picaretagem pura, né, mas tantas empresas que vivem de algum tipo de subsídio ou algum tipo de lei específica

▶ 00:51:49 com algum lobby que gera algum benefício para aquela empresa. Eu não acho que a gente vive num capitalismo no Brasil. Eu acho que o capitalismo, né, na verdade é uma, o capitalismo como essência, né, uma ausência de sistema, é na qual todo mundo tem a mesma chance de competir e quem faz o melhor produto pode vender o seu produto, pode abrir uma empresa, pode gerar competitividade, pode fazer o que quiser. E no Brasil não. Para você começar uma empresa, você precisa de toda a parte de regulação que é burocrática. Você precisa, você vai, se

▶ 00:52:19 você for lutar dentro de um segmento que já é tomado por alguma empresa, você vai ter lobby para não conseguir fazer aquilo, por mais que você faça melhor, ou vai ter um esquema de picaretagem na qual o cara tem tanta vantagem competitiva que é impossível você começar um business naquela naquele segmento, abrir um negócio que é melhor. Eu acho que a gente não vive um capitalismo no Brasil. Eu acho que a gente vive eh uma mistura de eh oligarquia com socialismo. É um é uma mistura de eh que não pode até soar como

▶ 00:52:52 capitalismo, mas não tem nada a ver como com o capitalismo real. Eu acho que o que realmente a gente precisa é tirar, né, todas essas leites, todos esses subsídios, gerar, transformar o Brasil inteiro numa zona franca. Se a zona franca funciona lá em Manaus, por que não faz uma zona franca no Brasil inteiro? Imagina se o Brasil inteiro fosse uma zona franca de Manaus, né? Daí, daí sim você poderia falar: "Ah, beleza, agora é capitalismo, você tem a zona franca de Manaus no Brasil inteiro, você pode importar, você tem uma competição, você pode exportar, você pode competir com eh players externos". Isso sim seria o o o caminho paraa gente

▶ 00:53:25 abrir a competitividade, trazer tecnologia e daí sim fazer uma equipe de Fórmula 1, fazer uma equipe fazer indústria aeroespacial, indústria nuclear e trabalhar com tecnologia de ponta, porque o pessoal também não entende o valor, eh, né? A gente vai conseguir evoluir como nação se a gente tiver tecnologia, se a gente desenvolver tecnologia. Não existe progresso sem desenvolvimento tecnológico. E se a gente não focar nisso e não for o principal ponto, falar como que a gente alinha todos os incentivos para ter

▶ 00:53:56 desenvolvimento tecnológico, o Brasil não vai para lugar nenhum. >> Olha, Lucas, é assim uma baita baita reflexão, tá, cara? Assim, tô sendo bem honesto, cara, assim, um grande live e não foi, na verdade, nem foi uma live sobre Fórmula 1, sobre desenvolvimento de uma equipe, mas al verdade nem sei, nem falamos muito de Fórmula 1, né? falamos mais do Brasil, mas mas valor, >> mas é mas é que é verdade. É porque assim, esse enfoque eh assim, a gente falou hoje aqui sobre um como como o os

▶ 00:54:27 ganhos de tecnologia a dados pela inteligência artificial vão permitir que a gente possa cortar o gap, que existe, existe um gap gigante, a gente pode diminuir esse gap ao mesmo tempo. E como a gente tem uma autossabotagem, a tendência é que o gap, se a gente não fizer nada, ele aumente, né? Porque de nada vai adiantar ter a tecnologia se você não conseguir implementar, você não você conseguir abrir a empresa, se o custo de capital para colocar ela para funcionar, simplesmente não vale a pena, que é o que tá se tornando o Brasil. O Brasil tá se tornando um país que o juros chegou num num num limite que é

▶ 00:54:57 inaceitável e a parte tributária continua subindo. Então o custo dos produtos aumenta e o custo de dinheiro é caro. Nós somos escravos. Eu acho que e quem é escravo não faz nem time de Fórmula 1, não faz nem nada. Eu acho que essa reflexão final, achei maravilhoso o bate-papo, velho. Sério mesmo. >> É isso aí. Eu estamos bom, estamos junto. A gente pensa muito parecido. Eu torço muito por vocês aí para que vocês consigam fazer o máximo que der nessa eleição e que essa nova geração aí do do Brasil que não quer ficar vivendo de

▶ 00:55:27 Bolsa Família, não quer ficar vivendo de esmola do governo, o cara que quer fazer a própria vida, o cara que quer ganhar o próprio dinheiro, o cara que quer realmente melhorar de vida, sair da pobreza, sair da classe média, ganhar dinheiro, esse cara que vai puxar o Brasil, que a gente tem que simplesmente criar a melhor estrutura para esse cara desenvolver a vida dele. esse essa nossa geração da nossa para baixo é quem vai ser dona do Brasil daqui pra frente. Então assim, eh, eu acho que o que vocês estão fazendo tá tá de parabéns e

▶ 00:55:58 vamos aí, o que vocês precisarem, a gente tá tá tá disposto a ajudar para melhorar o Brasil. >> Maravilhoso, Lucas. Essa missão mesmo, inclusive, essas pesquisas que a gente vem tendo recentes foram nessa linha. As gerações mais novas literalmente querem viver no Brasil sem bolsa família, um Brasil produtivo e tá impaciente. Por isso que até a gente botou o nome do partido Missão, não é mais sobre a ideia a B ou C, é sobre vamos botar para acontecer. Obrigado, meu velho. Valeu pela oportunidade de falar com você. Uma honra, uma honra. Já torci muito por você já, cara. >> A honra é minha. Vamos, vamos se

▶ 00:56:28 encontrar aí quando eu tiver no Brasil. Vai ser um prazer tomar um café >> fechado. Valeu, velho. Até mais. Valeu,