eleicoes.ai

← Renan Santos, vídeos de 2026

RENAN VISITA POVO INDÍGENA PARECIS

Renan Santos · 12/08/2026 · 35 min · Renan Santos
↗ assistir na fonte original

Transcrição gerada automaticamente a partir das legendas do vídeo — pode conter erros. Confira sempre no vídeo original.

▶ 00:00:00 Isso é uma escravidão. Isso é uma escravidão. Assim, você quer trabalhar, você quer produzir, você tem os meios, você tem o trabalho e você não pode. Isso, isso é muito absurdo. >> Aí essa daqui é o xix que eu falo, né? >> Ó que cor bonita. >> A flauta é o é uma manifestação divina, é um deus. >> Porque para vocês esse daqui seria como um santo. Lógico. Lógico. É um santo, né? Eu tô visitando a tribo dos Pareici, que fala a língua Auak, aqui no estado

▶ 00:00:32 do Mato Grosso para explicar para vocês como tem muito indígena que quer trabalhar e produzir, mas que são sabotados pelo governo federal e pelas malditas ONGs nacionais ou internacionais que querem ver eles apenas como bons selvagens. >> E qual qual a a a língua da etnia de vocês de qual grupo? Tem, eu sei que tem muitos grupos, tem grupo Tupi, o G. Eh, nós somos do da etnia do povo parecer. Uhum. Com a linguagem Aroak, né? >> Uhum. >> E aqui nós nós trabalhamos com os duas

▶ 00:01:06 associações indígena e os quatros cooperativos, né? >> Uhum. Eh, você vê, né, que hoje nós indígena, até hoje a gente não tem essa, você vê que a terra indígena ele foi demarcado para ser usufruído, mas só que essa garantia a gente não tá tendo, né? Por exemplo, hoje nós temos, você vê, vocês vieram, saíram do do da fazenda do

▶ 00:01:37 Ildo, né? >> Uhum. Aí de lado tem o a eh tem as terras indígenas, né? Você vê que aí ladinho eles comer planta o o o produto nosso é convencional, né? E a gente tá proibido plantar transgênico, né? Então isso dá muita >> você vê que >> Mas por que que vocês são proibidos? >> É, é a gente não sabe, né? Então a gente tem todas essas dificuldades hoje,

▶ 00:02:09 por exemplo, nós temos terra até para plantar, nós financiar, nós temos todas essas dificuldades. Se nós produzimos para nós comercializar, tá sendo difícil. Eh, não podem então, por exemplo, tem as empresas Cajil, o próprio Bong, essas empresas a gente não consegue comercializar e onde a gente tá tendo a nossa dificuldade, né, de de comércio,

▶ 00:02:41 né? E você vê que essas aldeia, as fazendas vizinho aí, né, eles têm boa vontade de ajudar, né? >> Uhum. E e nós por causa dessa inigência das ONG, dos próprios governos, a gente não tá tendo. Então tem on que enche o saco. >> É, a gente fala as UNG, esses que vive a costa, que fala, que trabalha para preservação, tudo, né?

▶ 00:03:11 >> É, eu falo muito dessas ongas. >> Então, então a gente tem essas dificuldades hoje, né? A gente queria sair dessa daí um dia que o governo entrasse, que desse abrisse essa porta para nós, né? Por exemplo, nós temos a imensa terra aí. Se nós conseguíssemos essa porta, nós era um dos o empregador. Você sabe quantos povo que a gente poderia estar empregando? quanto imposto

▶ 00:03:42 que a gente poderia tá pagando pro município, pro estado, ajudando a sociedade e nós saía dessa dessa situação que nós estamos hoje, né? E hoje, né, você vê, né, que nós tá aqui o mesmo lado com imensa quantidade de terra e nós não consegue produzir. É proibido para transgênico. E até hoje >> ele me falou que eles não podem trabalhar com transgênico, >> porque >> mas quem quem a FUNAI a público as internacionais e essas coisas

▶ 00:04:13 >> não assim é é só sabotagem. É, é impressionante. >> Você vê, né? Nós nós poderia pegar, se não existisse tantas essas coisas, né? Nós poderia pegar uma empresa que a gente já conhece, a gente poderia fazer um bom parceria onde a gente conseguiria desenvolver, melhorar com a formação dos nossos filhos, dos nossos netos, melhorar a qualidade de saúde. Você vê que hoje a saúde público tá em calamidade e e o a

▶ 00:04:46 saúde indígena tá mais pior ainda. Nós povos ainda, a gente é sempre é mal falado, mas você pode perguntar para Hildo que dia que a gente tiver problema. Nós temos esse bom relacionamento até hoje. A gente, ele hora que precisa, ele entra aqui dentro. Hora que a gente precisa a gente procura. É uma coisa mais bonito que a gente tem esse relacionamento, né? que enquanto isso,

▶ 00:05:17 né, outras localidades a gente é falta de, eu digo assim mais assim encabeçado das ongas que tem outras nossas irmãs indígenas, né? Então eles vão mais na houve mais as on do que ele seguiu própria vida dele. E aqui nós sos diferente. Meu pai era cacique geral do povo parecido e nunca ele aceitou ong nem a igreja. Ele não ele não aceitava

▶ 00:05:47 de jeito nenhum. E hoje nós estamos seguindo. Você vê que hoje toda maioria das pessoas que trabalham aqui nessas unidades são os indígenas. A unidade de saúde é todo, maior parte é tudo por indígena, né? Então a gente queria assim, né, dos nossos representantes, se Deus quiser, né, você tá nessa batalha aí, né, eh,

▶ 00:06:17 que olhe para o povo, né, porque acho que o mesmo sangue que corre na sociedade envolvente corre na população indígena. Inclusive, nós somos os primeiros habitantes dessa terra e até hoje e nós como povo parecer a terra que a nossa situação tá mais ou menos um pouco. Imagina outras localidades, por causa dessas briga das long, né? O índio morrendo, enfrentando

▶ 00:06:50 atrito com, vamos falar assim, a invasão, essas coisas, né? >> Uhum. Aí ouviram sararé. >> Sararé aqui próximo corte de lacer. É, eu vi ali o assim o o comando vermelho invadiu, matou o índio lá. >> Primeiro, novamente agradecer vocês de nos receberem. A ideia nossa é muito simples. A experiência do que vocês estão fazendo aqui é uma resposta para essas ONGs que acham que vocês têm que viver sempre na penúria e na pobreza. O que aconteceu no Sararé é o exemplo disso. A tribo fica abandonada sem nada

▶ 00:07:21 para poder produzir, sem nenhum tipo de provento que pode ganhar. E aí o espaço tem inúmeras riquezas que podem ser exploradas. No caso deles era mineração. Aí o comando vermelho com garimpeiro invasor toma a área dos caras. Eu visitei, eu entrei no garimpo. É assustador que tinha ali. Prostituição infantil, é um negócio horroroso. E toma a área e a pessoa vive mal. Aí que vem sempre a ONG que aí vai proteger. Vou cuidar de você. E aí quando a gente soube do caso de vocês, é muito bom que vocês não querem ser cuidados. vocês, ó, nós temos uma área aqui, nós podemos

▶ 00:07:51 fazer troca de tecnologia com os vizinhos, nós podemos trabalhar, vamos enriquecer, vamos manter a nossa cultura, mas vamos manter a nossa cultura com uma qualidade de vida material, né? dinheiro, estrutura boa e assim, isso é super legítimo e eu acho que nós precisamos ter mais disso. Então, eu quero aprender o que vocês estão fazendo, eu quero ver as dificuldades que vocês estão tendo, que a gente quer transformar isso num projeto de inspiração nacional pra gente levar isso para outros lugares, porque em muitos lugares aconteceu o o que o

▶ 00:08:22 que o senhor me falou, que é o índio ser usado pela ONG e quem ganha dinheiro é ONG. Eu eu tive um evento com embaixadores de vários países do mundo, com 60, boa parte deles europeus e os europeus são os que tm a que financiam essas ONGs aqui no Brasil. E aí eu falei para eles: "Olha, definitivamente suas ONGs, uma parte importante das vai ter que ir embora do Brasil. Ela não serve para nada. Ela fica atrapalhando o desenvolvimento do Brasil, ela fica causando briga entre as pessoas. Porque assim, por exemplo, aqui tem a briga, aqueles que eu tô tentando gerar, por exemplo, entre índio e produtor no

▶ 00:08:55 campo. É assim, lá quando você vai pro Rio de Janeiro, você vai para São Paulo, a briga que eles querem colocar é entre branco e negro. E o dos americanos, eles têm uma campanha que chama Farms here, Forest There, que quer dizer aquela aquela é brava, né? >> Fazendas aqui nos Estados Unidos e florestas lá aqui no Brasil. Ou seja, o próprio fazendeiro americano paga paraa ONG vir fazer campanha aqui. Então, naturalmente tem um uma política de sabotagem com a gente. Certo. >> Essa é uma política internacional de sabotagem. E eu falei na reunião, olha, esta política vai acabar. O embaixador,

▶ 00:09:26 o não é nem embaixador, o representante dos Estados Unidos avisou aqui: "Acabou". Tá aí o que? Que o atual governo americano tirou o dinheiro paraas ONGs deles. Só que a dos europeus continuam. Então, boa parte do problema de vocês continua, porque é um problema muito ligado a dinheiro europeu com essas ONGs. E aí a gente tem eh órgãos governamentais e o Ministério Público que aí você me narrou aqui que o próprio Ministério Público vem encher o saco de vocês e vocês Isso é uma isso é isso é uma loucura tão grande. Isso é uma loucura

▶ 00:09:56 tão grande. E o pior que assim é aquele argumento que utilizam do tipo, ah, o índio tem que ficar completamente, o indígena tem que ficar completamente distante da sociedade moderna. Existem algumas tribos que tão isoladas do mundo, mas é são poucas. Quem tem contato vai ter contato só com o problema, mas não levar, vai levar a parte boa. Então você leva todos os problemas de ter o contato com o o mundo ao redor, mas você não leva nenhum nenhum elemento da parte boa, tipo desenvolvimento econômico, que você pode manter sua cultura ao mesmo tempo em que

▶ 00:10:26 você lida com o mundo moderno. Isso acontece com todas as culturas do mundo, porque só de vocês não pode ter o ter o o provento, o ganho de participar da economia moderna em que vocês podem produzir a agricultura. Eventualmente vocês podem ter uma requeral que vocês podem explorar também. Por que não? Eu acho que e a parte do governo e as mesmas ONGs, eles têm uma visão em que vocês têm que permanecer como, desculpa o termo, selvagens na cabeça dele, >> num estado de natureza. E não, vocês não

▶ 00:10:57 são isso. Vocês são homens e mulheres inteligentes. Vocês são capazes. Vocês querem trabalhar, vocês querem aprender. Você quer botar a escola aqui, você quer que o seu filho seja uma pessoa que tem a condição de competir com filhos de outras pessoas. redor do mundo. Então, por que reduzir você a isso? É, é essa a nossa bronca. E eu acho que essa é a briga que a gente tem que resolver. E aí vê, por isso que a gente veio aqui aprender, por exemplo, a gente vai gravar os vídeos e quando eu poder contar pr as pessoas que você não pode usar mesma semente transgênica que você pode utilizar, é um absurdo. Isso é um

▶ 00:11:29 absurdo. É, é, é, é, é meio assustador. E sabe o que é uma coisa mais interessante? que o transgênico só é uma adaptação genética de uma >> para melhorar, >> que é uma um melhoramento. Agora, a mandioca, o mundo inteiro come mandioca. Os índios fizeram o transgênico da mandioca ao longo da história. Eles foram selecionando as maiores raízes até ter uma raiz que seja boa para alimentar. Isto é uma espécie de transgênico. Várias frutas foram sendo selecionadas para ter mais sabor ao longo da história. Então isto é um

▶ 00:11:59 processo natural de seleção e aí não vai fazer. Então assim, você pode e ele não pode. Isso é um absurdo. Todos deveriam poder. Eu acho que isso motivaria a gente construir uma legislação para resolver de vez esse tipo de caso. >> Nós não temos esse direito ainda, né, de assim usir totalmente. Então essas dificuldades, como repito, mais uma o que que adianta? A gente produz, mas a empresa não cons eles falar que não é produzido dentro da

▶ 00:12:29 terra indígena, ninguém quer comprar. Então nós estamos tendo toda essa dificuldade, como tinha falado, né? Porque se nós tivesse essa liberdade, a gente poderia pegar o o parceiro aqui, né? como eles têm. A gente poderia na nós vamos plantar, você cede a dobra, você nós planta e nós pagar e nós faz um tipo de uma parceria que vai ficar bom para amba parte, mas só que a para

▶ 00:12:59 plantar você não consegue plantar porque não tem financiamento. você planta para você comercializar porque é convencional, não tem preço, não tem e o confissional sai mais caro dobro, né? Não, a gente tem financiament tem financiamento, eles não entrariam num plano safra, por exemplo. >> Eles não conseguem, >> não pode nem pegar o financiamento. >> Não pode, >> gente, só isso é um absurdo, assim, isso é uma escravidão. Isso é uma escravidão. Assim, você quer trabalhar, você quer produzir, você tem uns meios, você tem o

▶ 00:13:29 trabalho e você não pode. Isso, isso é muito absurdo. Isso é muito, muito absurdo. Isso assim, avisando pra câmera nossa que tá me filmando ali, eh, já pensar num projeto de lei pra gente construir, para quebrar isso aí. Isso é um absurdo total e completo, independente de eu ganhar a eleição, tá? Dá para A gente tem deputado no partido nosso, vamos entrar. >> Então, acho que se você projeto de lei fazer matéria, né? Vamos lá na casa tradicional. >> Vamos lá. E como é que é na tua cabeça? Você fala duas línguas que são muito diferentes, né? Elas não tm nada a ver português com a com a tua língua.

▶ 00:14:00 >> Por exemplo, nossa linguagem é a arru, né? >> Hum. Uma pergunta, como é que é pedra em Auak? >> Pedra Serrali. >> Serrali. Ah, deixa eu ver. Fogo. >> Idicate. >> Aham. >> Água. >> On. >> Aham. >> E onça. >> Chini. >> Chini. Nossa, é, não tem nada a ver com tupi. Nada a ver. Nada a ver. Nada, nada em comum.

▶ 00:14:30 >> Porque assim, as pessoas acham que, né? Ah, tem os índios. Na verdade, vocês são nações muito diferentes, grupos linguí linguísticos muito muito diferentes. >> Essa casa aí é a casa tradicional do povo parec. A aldeia é assim, né? A casa tem que ser em frente com a outro. E e aqui nessa nessas casas aonde faz a a festa

▶ 00:15:02 tradicional, né? Aonde faz xixa, faz aqueles coxo de buriti, né? Que fermenta. E esse é um terreiro. >> Posso perguntar o que que é xixa? Xixa, eh, que a gente fala, né, de água de eles eh xixa que eu falo, é é feito de purvilho,

▶ 00:15:32 eh, >> de milho, >> de mandioca >> lá, de mandioca. >> Aham. Então ele é fermentado para você fazer xixa mesmo, né? >> Que é tipo uma bebida fermentada. >> É, é tipo uma bebida fermentada. Aí tem uma bebida no Peru que chama xixa morada. >> Aham. Então essa daqui é a casa tradicional. Dentro dessa casa, né, que a a primeiro na chegada, a dança aqui é fora. Pode

▶ 00:16:04 entrar. >> A palha é o malaláali. >> Não, esse daqui é guariroba em mané derramato se lata. >> Nossa, que que legal aqui dentro. Então aí essa daqui é o xixa que eu falo, né? Que efeito de porvilho, eles faz de porvilho, de próprio eh mandioca, muitas vezes de milho, essas coisas, né?

▶ 00:16:35 Então aqui só que minha festa não tá aqui. Eu tinha uma festa sagrada, mas só que tá na outra localidade, né? que tá tendo uma festa tradicional lá e levaram para cá, para lá, né? Então, na nas festas, né? Aqui é cheio de co cheio de bebida, né? Se alguém quiser experimentar, fica à vontade. >> Pode experimentar? >> Pode. Deixa eu pegar um. >> Ah, eu vou provar um pouco, então, >> só para você ver, né? O gosto, né?

▶ 00:17:08 Ah, que legal. Deixa eu ver esse daqui. Éí, >> só para experimentar mesmo. >> Nossa, mas que cor bonita. >> Ó que cor bonita. Porvilho fervento. >> Daí é porvilho fervento. Muito bom. >> Muito bom. Muito de verdade. >> Isso que é o polvilho.

▶ 00:17:38 >> É polvilho. >> E aí? Não, e é de mandioca. Porvilho de mandioca. Esse daí é um pouquinho de porvilho. E o próprio Raman, deixa eu mostrar para você. Assim que a gente prepara, >> ele fica doce assim, >> a gente assim que a gente prepara ele, né? Prepara ele. Esse daqui, né? Ele é socado e depois depois de socado, ele fica tudo branquinho, né? onde vai coar ele

▶ 00:18:08 tudinho, faz todo o processo para fazer esse preparo, né? Cozinha, né? Agora esse esse daqui, só que esse daqui é o provisório, né? >> Esse daqui é igual um esse da os antigamente aqui que colocava massa, colocava porvilho, coloca caça. >> Ah, aqui >> faz um moqueio, né? Porque o fogo tá aqui >> que é o é o defumado de vocês. >> É isso mesmo. Isso. Isso é um OK. Então

▶ 00:18:40 não é maravilhoso porque é uma técnica de preservação, mas vira quase um churrasco também, né? >> Então é assim. E aqui na festa tradicional ele é depois de meia-noite as pessoas começa a dançar aqui, né? >> E quando tem menina moça, eles fazem uma tampada. Só que quando tem a festa n aqui não fica nada de tira tudo, né? Aqui ele faz uma tampagem, né? Para colocar o menino a moça, né?

▶ 00:19:11 Tem alguns que no passado era um ano de reclusão, até que ela começa a aprender fazer muita, daí faz uma festa tradicional, convida todas as aldeias para poderem participar, né? Maravilhoso. >> E aqui hoje quase aqui nesse pátio aí de manhã a partir de 7 horas era cabeça bol até a tadezinha, né? >> O que é cabeça bol? >> Cabeça bol é é e >> ah o aquele jogo do do jogo tradicional. >> E é muito antigo esse jogo, né? Nas

▶ 00:19:43 Américas todas isso aí. >> Então é assim, né? Deixa mostrar aqui para você. Vamos sair aqui um pouco fora, né? Então isso é uma forma de uma aldeia, né? Aqui, deixa eu ver. Você tá vendo aquela casinha lá? Aquela lá é uma casinha de jararaca, flauta sagrado. Nossa, nova vou levar você até lá para você dar uma olhada. Então aqui terreiro é a da de escoreceu da só até

▶ 00:20:13 meia-noite. Depois de meia-noite entra dentro da casa. Então isso daqui é a casinha da flauta sagrada que nós vamos estar chegando nela, né? Então nós temos toda a nossa cultura e nós estamos inteiro, né? >> Eh, procurando melhor, né? Como a gente não, porque hoje se você não tiver qualquer uma renda, não produzir, com

▶ 00:20:45 que a gente vai manter as nossas tradiçõ? >> É óbvio. É óbvio. Aí aí as as crianças da tribo vão indo embora porque não tem como se manter. >> Então você quer entrar aqui só para ver aí como que é. Deixa eu ser seu no carro uma coqui esse daqui que eles dança.

▶ 00:21:22 Então é assim, agora o som pode ser filmado, né? fazer ele não. >> É aqui a casa dele. É dele. >> A mulher não entra aqui. Só homem pode. Só homem pode ver. >> Só homem. Entendi. >> Então, e nós estamos com essa flauta, nós estamos com a nossa cultura inteira. >> E o que significa o som da flauta para pr para vocês? Qual é o impacto dela?

▶ 00:21:53 Não, Impacte, por exemplo, que ele canta assim, conta a história, eh, no cântico fala da história, fala da das coisas boa, né? E quando faz festa, até antes da festa, né? Lá dentro sai uma fala dos principais donos das festeiras, né? pedindo por proteção para todo, pedindo eh o saúde, né, pastor fala, né?

▶ 00:22:27 Aí ele tá conversando, mesma coisa fazendo uma reza ou mesma coisa eh porque aí nesse momento a gente tá focado, votado, falando com nossos espíritos, né, pedindo a proteção. >> Nossa, sensacional. Quando nós faz caça, aí a gente tem que oferecer primeiro pra flauta sagrada para comer e aí depois distribuir para a flauta não, a flauta é o é uma

▶ 00:22:57 manifestação divina, é um deus. Porque para vocês esse daqui seria como um santo, lógico, lógico. É um santo, né? >> Agora deixa eu falar o negócio. >> Só que a flauta, então, quando você toca ela é como se tivesse expressando. Ah, sim, sim. Nossa, por isso que não pode filmar, é óbvio. Exatamente. >> E o povo parecia se ele plantou mandioca, >> plantou cará, plantou milho. >> É, primeira coisa, antes de você consumir, você pega ele lá da roça, você

▶ 00:23:29 faz, prepara, daí você mata uma caça, oferece para ele. Depois que você oferecer, aí tá pronto para consumir. Então, por exemplo, nós estamos plantando milho lá na lavoura. Não sei se é vocês quer que a gente vai até >> Não, eu quero ver a lavoura, com certeza. >> Aham. Nós vamos lá. Daí, eh, >> antes de fazer, >> eh, antes de, eh, você sair a colheta, >> a gente faz uma oferenda de milho, a

▶ 00:24:00 gente faz oferenda paraa soja, para, porque para nós, o campo ele tem o dono, o rio ele tem o dono, o mato ele tem o dono, tudo. Então nós oferece para esse dono que é, por exemplo, no caso da produção de soja, milho, essas coisas a gente oferece para o o dono do campo. Então aí a gente consome, daí eh não

▶ 00:24:31 acontece nada para nós, né? que a gente ofereceu e eh daí ele olha para nós e dá mais proteção. Essas coisas é assim que funciona. >> É como se fosse uma um ciclo, né? Você oferece, ele vai ele ele aceita a oferenda, ele vai te ofer, vai te ajudar a ter mais é a mesma coisa. Eu não posso de porque para isso o povo parecer para mesma coisa você derrubar uma um uma um

▶ 00:25:04 árvore, se você não coloca nada dele, não fala nada para ele lá na frente, ele pode fazer então toda a nossa cultura e tem que ter primeiro conversar, né? Todas as coisas é assim. A flecha sa. >> Mas é isso. Então >> tem a flecha também. >> Tem a flecha mesmo. Mas só que a minha flecha tá lá na outra localidade, né? Festa tradicional tendo aí. Aí levaram. >> Teve festa tradicional e levou. Aí você flecha sagrada.

▶ 00:25:36 >> Agora se eu sei que ir lá na lavoura, nós vamos subir com você lá. >> Pois é, galera, agora a gente tá indo visitar basicamente a lavoura deles, né? Eles já fazem, eles têm máquinas, eles dispõem de equipamentos, mas a eles, eu volto a colocar, não é permitido financiamento, nem tem modalidade de financiamento para eles, porque eles não conseguem obter as licenças para trabalhar. Eles não conseguem comprar as sementes, então eles não conseguem ir numa Bung e ir atrás numa Monsanto, sei lá, ir atrás da das sementes transgênicas para poder trabalhar o

▶ 00:26:06 mesmo nível de produtividade que os vizinhos deles, que são, vamos botar aqui o Homem Branco, né, trabalhando na região. É, eles não conseguem é os certificados. Então, se eles têm uma colheita e eles querem vender, por estarem em reserva indígena, eles não conseguem um certificado para poder fazer uma venda oficial. Então, tá tudo interditado para eles. Eles não conseguem trabalhar. E eu conheci eles hoje, pô, são todos homens inteligentes, homens capazes, eh, que tem planejamento. A, a região aqui da tribo

▶ 00:26:37 super arrumadinha, escola de ensino fundamental, escola de ensino médio. >> Falam muito bem também, né? >> Falam bem. São poliglotas, né? Polapról que eles falam a língua deles que para que vocês gostam de história, sei que vocês estão acompanhando comigo, é é um grupo linguístico completamente diferente do grupo linguístico que a gente considera majoritário no Brasil, que seria, vamos ser o tupi ou guarani, né? As palavras, por exemplo, pra pedra, eu até perguntei para pedra, fogo, onça, não tem nada a ver, né? Na uma parte da

▶ 00:27:07 da dessa das línguas, vamos dizer tupi, a onça tem jaguá, né? Tipo, eh, gosto, por isso que tem muitas cidades que chamam Jaguariuna, tal, Jaguar, que vai até o termo Jaguar, o animal jaguar, o deles, Johnson, era outro nome. Por quê? Porque é um outro grupo linguístico, representa uma outra onda migratória que cruzou o estreito de Bering e veio pras Américas. E aí lá na casa deles e a gente visitou e ele mostrou a a técnica de defumação que muitas culturas indígenas no Brasil utilizam, que é o do moquen, que é você basicamente após

▶ 00:27:39 assar uma carne, a carne de caça deles, você coloca sobre uma espécie de uma esteira de palha e aí a fumaça vai defumando. É uma técnica de defumação. Eu fiquei lá especulando, acho que pegou nas imagens ali a gente conversando sobre a defumação, porque a defumação é uma é uma estratégia de de preservação antiquíssima, das mais antigas. Ela vem antes da preservação por sal. >> E o homem alguma época percebeu que ao você jogar fumaça naquele alimento, aquele alimento ele se preserva. E a

▶ 00:28:11 gente usa até hoje, né, defumação e ela dá um gosto muito bom na comida. muito. Eu estou especulando aqui, então, antropólogos, historiadores, mas especialmente antropólogos, né, me corrijam aí nos comentários. Mas provavelmente isso deve ter sido trazido para por eles da Ásia, porque os indígenas das Américas eles atravessaram Streit de Bering, eles vieram da Ásia há muito tempo atrás e vieram de regiões siberianas, regiões geladíssimas. E a defumação era uma estratégia de sobrevivência, de preservação utilizada

▶ 00:28:42 nesses espaços, é utilizada até hoje. E eu especulo, tô especulando que essa técnica deve ter sido trazida e ela deve ter sido difundida aqui. Ela é muito comum, né? Ele deu o mesmo nome que é o moquen que outros usam. Inclusive o a gente usa muito o verbo moquear. Ah, vou moquear, não sei o que. Moquear quer dizer esconder. Que o moquem é você coloca as palhas e aí coloca a carne e você ela fica meio que escondida. E inclusive o nome moqueca vem muito disso, >> né? Do moquear, do moquem.

▶ 00:29:12 >> É, então uma é uma técnica de cocção ali sobre fogo que eles têm e tudo muito muito interessante assim, muito legal. Então, outra coisa que é legal colocar aqui, tá? Que enfim, a gente visitou ali a uma espécie de templo que eles têm, né? A flauta, ele chamava a flauta de ele >> e era um mais do que objeto. Ele parecia ser uma uma encarnação de um deus. Então, quando eles tocam a flauta, a gente não podia filmar porque

▶ 00:29:42 é como se fosse Deus se expressando ali. E aparentemente também tem a flecha sagrada deles. E vai entrar um outro ponto que é muito legal também pra gente estudar disso, que é assim: todas as grandes, é, os grandes sistemas religiosos, eh, mais antigos são baseados num ciclo de sacrifício, em que você oferece um sacrifício pro seu Deus, o seu Deus fica feliz e aí ele te dá mais daquilo que foi sacrificado em abundância. O ritual original dos indoeuropeus era o

▶ 00:30:12 sacrifício da vaca, que você sacrificava uma vaca com Deus, aí Deus ia lá ficava muito feliz e te dava mais rebanho. Aí você com rebanho sacrificava uma vaca, dava para ele. Então você ficava naquele ciclo de uma espécie de troca de um favor entre você e a divindade, tá? E isso tá presente em todas as regiões do mundo. Isso é uma coisa muito humana. A ponto de vocês olharem vai o Velho Testamento, ela cheio de sacrifícios animais, né? Eh, o caso de Abraão, vai, um dos mais

▶ 00:30:44 famosos, mas, por exemplo, na Índia você vai lá, você tem ainda sacrifícios dos mais diversos. Acho que agora com oferendas de leite, de frutas, tem eliminaram o sacrifício da vaca muito tempo atrás. Mas onde eu quero chegar, né? Porque vocês entenderem, eh, a base da religiosa do mundo é essa relação com os deuses do da oferenda de sacrifícios, né? Há religiões que não têm isso, mas quase todas têm. E o que o cristianismo tem, que é uma gigantesca inovação,

▶ 00:31:14 eh, a ideia de o próprio Deus se materializar e ele ser objeto de sacrifício e aí não precisar mais ter esse ritual de sacrifício. Aí na Igreja Católica, quando você vai e a missa tem a Eucaristia, que é quando você tem a a Deus tomando o corpo através da do vinho e do pão, você está repetindo o sacrifício que ele fez anteriormente, quebrando o ciclo anterior de sacrifícios, porque próprio Deus foi o alvo do sacrifício. É como se, né, eh,

▶ 00:31:44 você faz um sacrifício para o Deus, mas aí ele se torna o próprio sacrifício, ele se sacrifica com nome da verdade. E aí ele elimina a necessidade de sacrifícios. Eh, interessante. Interessante. É a lavora da cooperativa COP Rio, né, que dá um total de eh 2800 com 400 e pouco, 400 e pouco população, cento e pouco família. >> Veja só a diferença. De um lado, a

▶ 00:32:15 fazenda, a lavoura de um agricultor convencional. Ali nós temos algodão transgênico de alta produtividade. Já desse lado aqui, a cooperativa indígena, eles não podem trabalhar com esse algodão. Eles tm que trabalhar com o milho convencional, um milho tradicional, que vai ter necessariamente uma produtividade menor. Aqui é a área comum onde eles guardam as máquinas e tocam atividade produtiva. Veja, a cooperativa indígena tem uma área produtiva super bem arrumada e é bem legal porque é uma mistura de maquinário moderno, construções

▶ 00:32:47 modernas com as construções tradicionais deles, tá? Isso é uma coisa muito legal. Isso é manutenção da cultura dentro de um ambiente de competitividade, que é uma coisa que a gente sempre preza. Agora, olha o desafio, né? Eles têm um maquinário, eles estão se estruturando, motaram cooperativa, estão tentando pegar as licenças, mas a cultura que eles têm que trabalhar é de um milho convencional, não é nem um milho de última geração. É como se falassim, ó, se Renan, você vai começar a produzir celular, ah, vou montar uma faca de celular, mas você só pode fazer aquele Nokia, lembra aquele Nokia que a gente

▶ 00:33:18 tinha antigamente que não quebra? Não, como ninguém quer usar, todo mundo quer smartphone. Pois bem, obrigam ele a produzir algo antiquado, com menor produtividade, sem as mesmas licenças e certificados para poder vender para fora. E aí querem me dizer que isso não é querer manter os indígenas no Brasil na pobreza, é sabotagem. Recordação você não >> sério. Quero não. Eu pelo amor de Deus. Nossa, >> de lembrasse pela visita, né? Procedendo o cocá e a visita dele foi muito bom

▶ 00:33:48 para para o povo parec, né? E a gente quer continuidade desses nossos projetos pra frente. >> Maravilhoso. E eu posso falar para você, tá? até não deixar cair que agora isso aqui é uma posição de poder, tá com esse cocar. Eh, foi uma honra e assim o que o seu exemplo e o exemplo da sua nação inspire todo mundo, porque isso aqui, a sua postura, é a postura de uma liderança que pode resolver um grande problema nacional. Eu acho que a a

▶ 00:34:18 cultura ou a tribou, a nação indígena quiser ficar isolada, fica [música] >> que fique. A que não quiser ficar isolada e que quiser >> desenvolver, >> desenvolva. É, vocês têm o direito de escolha, não querem que vocês tenham direito de escolha. e querem que nós fiquemos em conflito [música] como permanentes inimigos. Não, essa é uma nação muito grande. Esse é um país muito grande. Todo mundo pode prosperar e o Brasil só vai dar certo quando todos nós prosperarmos. Então, o seu recado é um recado inspirador pro Brasil inteiro. Esse vídeo vai ser muito ouvido. Muito obrigado por ter nos recebido. Queria te dar um abraço. [música]

▶ 00:34:48 Obrigado mesmo. Aqui, ó, eu por enquanto não sou nada, mas esse aqui é um chefe de estado de verdade, tá? Muito obrigado, galera. У.