Anexo de verificação
Caso 2018 — Fernando Haddad
5 eixos confirmados (3 reforçados), 1 correção parcial (previdência: de omisso para rejeição explícita); delta entre as versões registradas documentado e datado em 11/09/2018.
- Fontes primárias
- Versão registrada com a candidatura Lula (ago/2018): “Plano Lula de Governo — O Brasil Feliz de Novo 2019-2022” (documento-base, 68 pp.) — espelho poder360; arquivo oficial do TSE de 17/08/2018 (62 pp., formato-coligação, com Constituinte) também obtido
- Versão revisada: “Plano de Governo 2019-2022 — Coligação O Povo Feliz de Novo” (62 pp.) — acervo pt.org.br; arquivo oficial do TSE de 11/09/2018 com texto 100% idêntico ao espelho
- Integridade
- Fechada nos arquivos oficiais do DivulgaCandContas — ver adendo de integridade e datação no corpo do anexo.
- Verificação executada em
- 26/07/2026 · conforme Metodologia v1.1, seção 10
Adendo de integridade e datação (26/07/2026)
- Integridade fechada: o arquivo oficial da candidatura Haddad (
proposta_1536702143353.pdf, emfontes/2018-haddad/) tem texto 100% idêntico ao espelho pt.org.br usado neste anexo (62 pp., similaridade 1.0). O arquivo oficial da candidatura Lula-2018/Inapto (proposta_1534530480902.pdf) também foi obtido. - Correção de datação do delta: os timestamps oficiais mostram que (a) a versão registrada com a candidatura Lula em 17/08/2018 é um documento de 62 pp. da Coligação (“Plano Lula de Governo — O Povo Feliz de Novo”) com a Constituinte (7 menções) e todas as âncoras da Camada 1 deste anexo (EC 95, mandato dual, imposto sobre exportação, controles de capital, mandatos no Sistema de Justiça, referendos revocatórios) — o espelho poder360 de 68 pp. usado como objeto primário é o documento-base partidário dessa mesma versão, com conteúdo programático equivalente; (b) a versão sem Constituinte e com críticas nominais a Bolsonaro foi registrada já em 11/09/2018, com a formalização da candidatura Haddad — e não em outubro, como noticiou a imprensa da época (o TSE não registra nenhuma substituição posterior). O delta documentado neste anexo permanece integralmente válido em conteúdo; a data correta da substituição é 11/09/2018. A leitura metodológica não muda: recuo retórico-simbólico sob pressão de moderação (agora datado na troca de titularidade da chapa), núcleo econômico intacto.
Resultado por eixo (dry-run → verificado)
Âncora fiscal — AFROUXA: CONFIRMADO COM EVIDÊNCIA DIRETA. A revogação da EC 95 “lidera a fila” das medidas do capítulo “Revogar o legado do arbítrio” (p. 9) e reaparece como item 1 do novo modelo de desenvolvimento (p. 38). O programa propõe ainda excluir todo o investimento público (União + estatais) do cômputo de qualquer regra fiscal vigente (p. 42) e abater a dívida dos estados (p. 44). Refinamento: o texto afirma que a reforma das regras fiscais gerará “resultados fiscais robustos” e inverterá a trajetória da dívida (p. 44) — mas não há meta de primário, cronograma ou medida de contenção; a âncora prometida é o crescimento. Retórica de solidez sem instrumento não altera a classificação.
Abertura comercial — MANTÉM/FECHA: CONFIRMADO E REFORÇADO. O documento trata acordos comerciais “de nova geração” com países desenvolvidos como risco embutido na política externa do governo Temer (p. 7); a prioridade declarada é Mercosul/Unasul/CELAC, cooperação Sul-Sul e BRICS (pp. 7-8). Reforço não capturado pelo dry-run: o programa propõe controles à entrada de capital de curto prazo e um imposto regulatório sobre exportações com fundo de estabilização cambial (p. 43), condiciona o IDE à estratégia nacional de reindustrialização (p. 46) e promete remontar a política de conteúdo nacional no pré-sal (p. 51). O sinal de fechamento é mais forte no documento do que o piloto registrou.
Previdência — CORREÇÃO PARCIAL (omisso → rejeição explícita). O dry-run classificou “omisso/reverte”. A leitura integral corrige a primeira metade: não há omissão — existe seção dedicada (“Promover o equilíbrio e justiça previdenciária”, pp. 13-14) que rejeita expressamente os “postulados das reformas neoliberais da Previdência” e propõe equilíbrio via retomada do emprego, formalização, ampliação de arrecadação e combate à sonegação, mais o combate a “privilégios previdenciários” e a convergência dos regimes próprios com o regime geral. Classificação verificada: rejeita reforma estrutural, com alternativa arrecadatória não dimensionada — a convergência de regimes é medida real, porém sem desenho nem números. A direção prevista pelo piloto (reversão da agenda de reforma) permanece; a categoria muda de omissão para rejeição ativa, que é sinal mais forte.
Educação — ACESSO-GASTO: CONFIRMADO, com refinamento. Instrumentos dominantes: meta de 10% do PIB (PNE meta 20), novo FUNDEB permanente com maior complementação da União, Custo-Aluno-Qualidade, royalties e Fundo Social do pré-sal (p. 24), expansão de vagas e interiorização de IFs (pp. 24-26), revogação da reforma do ensino médio (p. 26). Refinamento simétrico ao caso Dilma-2014: o texto contém elementos pontuais de qualidade — meta de alfabetização plena até o final do 2º ano do fundamental (p. 24) e Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente (p. 25) — porém sem desenho de incentivo ou instrumento de cobrança. Enquadra-se na categoria intermediária criada na verificação 2014 (acesso-gasto com retórica de qualidade sem metas operantes), agora testada dos dois lados do espectro.
Estado na economia — AMPLIA: CONFIRMADO COM EVIDÊNCIA DIRETA. Suspensão das privatizações como item de abertura (p. 38); Petrobras devolvida ao papel de “agente estratégico”, operadora única do pré-sal, com interrupção da venda de ativos e política de preços reorientada (p. 51); Eletrobras retomada como “líder na geração e transmissão” (p. 51); revitalização de BNDES/BB/CEF com tributação progressiva sobre bancos privados (pp. 43-44); “setor produtivo estatal reconfigurado para fortalecer setores industriais estratégicos” (p. 46); recuperação da experiência PAC/PIL (p. 42). Item a item, é o espelho do que o programa Bolsonaro-2018 prometia desfazer e a continuidade direta do que o programa Dilma-2014 prometia preservar — o terceiro vértice do triângulo de contraste da Camada 1, agora todo verificado em fonte primária.
Instituições — CONFIRMADO NO RAMO “ENFRAQUECE”, COM ESCOPO MUITO MAIOR QUE O REGISTRADO. O dry-run classificou “enfraquece/mantém” citando apenas “controle social de agências e revisão de reformas”. A leitura integral sustenta o ramo “enfraquece” com um pacote muito mais amplo, todo legível ex-ante: convocação de Assembleia Nacional Constituinte unicameral (seção 1.4, p. 15); mandatos por tempo e novo mecanismo de escolha para ministros do STF e cortes superiores (pp. 12-13); reforma dos tribunais de contas e diagnóstico de que órgãos de controle “extrapolam suas funções” (pp. 11-12); revisão das leis de leniência, delação premiada e antiterrorismo por “comissões de alto nível” (p. 13); novo marco regulatório da mídia com órgão regulador (p. 14); referendos revocatórios para dirimir divergências entre Executivo e Legislativo (p. 10); BC com mandato dual e “novo indicador para a meta de inflação” (p. 43).
Aplicação do subcampo v1.1 proposto (teste de simetria): (i) instituições econômicas — enfraquece: dilui a meta de inflação, revoga a âncora fiscal, não menciona autonomia do BC. (ii) enquadramento do conflito político — deslegitimação do ciclo político vigente: o texto abre declarando o impeachment de 2016 “golpe de Estado” e a prisão de Lula “prisão política” (p. 6), trata o governo em exercício como “ilegítimo” e propõe refundação via Constituinte; em contraste, o enquadramento das FFAA é de subordinação constitucional (crítica à intervenção no RJ, ministro da Defesa civil, p. 9) — o inverso do documento Bolsonaro-2018 nesse subitem. O subcampo capturou sinal institucional real nos dois programas de 2018, com conteúdos opostos: enquadramento heroico-tutelar das FFAA de um lado, refundação majoritária do ordenamento do outro. A régua funciona simetricamente — condição para adotá-la na v1.1.
O delta ago→out (a substituição é sinal)
Comparação integral das duas versões registradas:
Removido: a seção 1.4 inteira (Constituinte) — nenhuma menção propositiva a processo constituinte sobrevive na versão de outubro. Reenquadrado: o adversário passa de Temer/PSDB a Bolsonaro nominal (“representante do atraso, do ódio e da violência”, p. 5; mais 2 menções, p. 7). Adicionada linguagem fiscal à introdução: “Manter equilíbrio fiscal combinado com avanços sociais […] é uma característica dos nossos governos, reafirmada nesse plano” (p. 6); a revogação da EC 95 ganha moldura procedimental: “Proporemos por todos os meios democráticos a revogação…” (p. 6). Plano Emergencial de Emprego renomeado “Meu Emprego de Novo” (p. 5). Mantido (contra a impressão da imprensa da época): revogação da EC 95 (p. 6 e miolo), mandatos e nova escolha para o STF, referendos revocatórios, suspensão de privatizações, Petrobras/Eletrobras, reforma tributária, imposto sobre exportação.
Leitura metodológica: os 6 eixos classificam idêntico nas duas versões — a revisão removeu o item de maior custo político-simbólico (Constituinte) e adicionou retórica fiscal, sem alterar nenhuma direção estrutural. Pelo índice de custo do sinal (achado 2002): recuo de segundo turno para agradar o eleitor mediano é sinal barato — não altera classificação nem credibilidade da direção; a manutenção integral do núcleo econômico sob pressão máxima de moderação é, ela sim, evidência de que o núcleo era compromisso real. O episódio valida a regra operacional já anotada para 2026: baixar e versionar os programas no registro e capturar substituições durante a campanha.
Teste A — CONFIRMADO E REFORÇADO
Compromissos de gasto/renúncia identificados no texto: revogação do teto e da reforma trabalhista; Plano Emergencial de Emprego (retomada de obras, MCMV com meta de 2 milhões de moradias até 2022, p. 56; reforço do Bolsa Família); metas de 6% do PIB para saúde (p. 28) e 10% do PIB para educação (p. 24); 1% do orçamento da União para cultura (p. 35); isenção de IRPF até 5 salários mínimos (p. 44); abatimento da dívida dos estados (p. 44); renda básica de cidadania (p. 31); 1 milhão de cisternas, 500 mil kits fotovoltaicos/ano, desoneração de 46,5% do custo tributário do investimento verde (pp. 50-51, 62). Receitas: tributação de dividendos, grandes patrimônios e heranças, tributação de bancos, revisão de gastos tributários — nenhuma quantificada; o tributo de carbono é declarado neutro por desenho (p. 50). O reforço: o próprio texto se autolimita a “estabilizar, ao longo do mandato, a carga tributária líquida no patamar do último período” (p. 44) — expansão de gasto de vários pontos do PIB com carga líquida constante, sem medida de contenção nomeada. Veredito ex-ante do dry-run (“gap material não explicado”) documentalmente sustentado e agravado pela restrição autoimposta.
Teste B — CONFIRMADO (com a assimetria declarada)
Dependência de PEC ou supermaioria em quase todo o núcleo: revogar a EC 95, IVA, mandatos para o STF, reforma política, Constituinte. Nenhum item da agenda tinha patrocínio próprio do Congresso eleito em 2018 (quarto componente, achado 2018.2). Score ex-ante médio-baixo confirmado pelo documento. Conforme a regra de assimetria (achado 2014.4), sendo candidato derrotado, o backtest valida apenas detecção e consistência — nenhuma conclusão sobre desfecho hipotético é licenciada.
Ajuste metodológico decorrente (changelog)
- Confirmação de simetria do subcampo institucional (v1.1 proposto). O subcampo “enquadramento do conflito político” criado a partir do caso Bolsonaro-2018 captura sinal real também no programa do campo oposto (deslegitimação do ciclo político + refundação constituinte), com as FFAA enquadradas em chave inversa. Registro de que o ajuste não é direcionado: a mesma lente lê os dois lados. Apto a consolidar na v1.1.
- Protocolo de delta intra-campanha (novo, para v1.1). Substituições de programa registradas no TSE durante a campanha passam a exigir: comparação integral versão a versão, classificação do delta em estrutural (muda eixo) vs. retórico (muda enquadramento), e leitura pelo índice de custo do sinal. Precedente calibrador: Haddad out/2018 — delta 100% retórico, direção estrutural intacta.
Síntese do caso
Primeiro caso verificado de candidato derrotado e primeiro com duas versões registradas. A fonte primária confirmou as 6 direções estruturais do dry-run (nenhuma inversão), corrigiu uma categoria (previdência: de omissão para rejeição explícita — sinal mais forte, não mais fraco) e revelou que o dry-run subestimou a densidade de sinal do documento em três eixos (abertura, âncora e instituições). O par Bolsonaro × Haddad 2018, agora ambos verificados, documenta que os dois programas eram estruturalmente opostos e ambos legíveis ex-ante — inclusive na dimensão institucional, desde que lidos pela régua do subcampo v1.1. A verificação do delta ago→out estabelece o precedente calibrador do protocolo de substituição de programas para 2026.