Anexo de verificação
Caso 2022 — Luiz Inácio Lula da Silva
3/3 afirmações do dry-run confirmadas + primeira classificação completa dos 6 eixos; PDF oficial do TSE byte a byte idêntico ao espelho usado.
- Fontes primárias
- “Diretrizes para o Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil — Lula Alckmin 2023-2026” (21 pp., 121 tópicos, ago/2022, Coligação Brasil da Esperança) — espelho CartaCapital, conferido byte a byte com o PDF oficial do DivulgaCandContas
- Versão comparativa: diretrizes de jun/2022 (17 pp., 90 tópicos) — espelho poder360
- Integridade
- Fechada: arquivo oficial do TSE idêntico ao espelho (hash conferido); segundo arquivo oficial é re-registro do mesmo texto.
- Verificação executada em
- 26/07/2026 · conforme Metodologia v1.1, seção 10
Nota sobre o piloto compacto
o backtest 2022 foi executado em formato compacto — a Camada 1 do dry-run afirmou três coisas verificáveis (revogação do teto explícita; documento curto e genérico; aliança Alckmin como sinal de costura), sem tabela completa de 6 eixos. Este anexo verifica essas três afirmações e produz a primeira classificação documental completa dos 6 eixos, que passa a ser a referência do caso.
Resultado por eixo (dry-run → verificado)
Âncora fiscal — AFROUXA: CONFIRMADO COM EVIDÊNCIA DIRETA. “É preciso revogar o teto de gastos e rever o atual regime fiscal brasileiro, atualmente disfuncional e sem credibilidade” (tópico 51, p. 10) — a afirmação central do dry-run está literal no texto. O substituto prometido é um regime com “credibilidade, previsibilidade e sustentabilidade”, “flexibilidade” e “atuação anticíclica” (t. 52, pp. 10-11) — direção expansionista com retórica de responsabilidade e zero parâmetro numérico, o mesmo padrão retórico verificado em Haddad-2018. Pelo achado 2022.vi, promessa custosa-zero para a base: crível como direção. (Desfecho, só para pontuar: PEC da Transição + arcabouço de 2023 executaram exatamente isso.)
Abertura comercial — MANTÉM/FECHA, COM ACENO A ACORDOS (classificação documental nova). Prioridade explícita: Mercosul, Unasul, Celac e Brics, “novas diretrizes para o comércio exterior” (t. 101, p. 18); reindustrialização com compras governamentais e conteúdo estratégico (t. 61-63, p. 12); “reverter a desnacionalização do nosso parque produtivo” (t. 62, p. 12). Na direção oposta, um aceno: “ampliação dos acordos comerciais internacionais relevantes ao desenvolvimento brasileiro” (t. 64, p. 12) e desoneração progressiva de exportações de maior valor agregado (t. 53, p. 11). O saldo estrutural é mantém/fecha moderado — política industrial e prioridade regional dominam, sem nenhum compromisso tarifário.
Previdência — REVERTE (PARCIAL), VIA ARRECADAÇÃO: classificação documental nova. Tópico 17 (pp. 4-5): “reconstrução da seguridade e da previdência social… por meio da superação das medidas regressivas e do desmonte”, com “modelo previdenciário que concilie aumento da cobertura com financiamento sustentável” ancorado em “desenvolvimento econômico, geração de empregos e inclusão previdenciária”. É a terceira ocorrência verificada da mesma fórmula arrecadatória (Aécio-2014, Haddad-2018, Lula-2022) — a resposta previdenciária padrão do sistema político brasileiro em campanha, transversal aos campos: nomear sustentabilidade, prometer receita, omitir parâmetros. A régua 2026 deve tratar essa fórmula como categoria própria reconhecível.
Educação — ACESSO-GASTO: classificação documental nova. Retomada das metas do PNE, “da creche à pós-graduação”, reversão de desmontes (t. 21, p. 5) e um programa conjuntural de recuperação de aprendizagem pós-pandemia (t. 21). Sem meta mensurável de aprendizagem, sem desenho de incentivo. O elemento pós-covid é a única especificidade nova.
Estado na economia — AMPLIA: CONFIRMADO COM EVIDÊNCIA DIRETA. Oposição nominal à privatização da Petrobras/PPSA (t. 77), da Eletrobras (t. 78) e dos Correios (t. 79, pp. 14-15); Petrobras de volta a “empresa integrada de energia”; “recompor o papel indutor e coordenador do Estado e das empresas estatais” (t. 76, p. 14); fortalecimento de BB, CEF, BNDES, BNB, BASA e FINEP (t. 80, p. 15); “abrasileirar o preço dos combustíveis” (t. 58, p. 11); estoques reguladores (t. 57); “vigoroso programa de investimentos públicos” (t. 71, p. 13). É o mesmo cluster — estatais + bancos públicos + preços administrados + investimento público — verificado em Dilma-2014 e Haddad-2018, agora pela terceira vez em fonte primária. A série textual do partido é internamente consistente ao longo de três eleições; o eixo é o mais estável e mais legível da Camada 1.
Instituições — MANTÉM, EM CHAVE RESTAURADORA — com moderação documentável vs. 2018. O texto compromete-se com “respeito ao resultado das urnas” (t. 6, p. 3), “observância integral à Constituição” (t. 104, p. 18), repúdio a “qualquer espécie de ameaça ou tutela sobre as instituições” (t. 105, p. 18), FFAA “cumprindo estritamente o que está definido pela Constituição” (t. 103, p. 18), diálogo com o Judiciário “com respeito a sua independência” (t. 117, p. 20), e restabelecimento dos instrumentos de combate à corrupção “respeitando o devido processo legal” (t. 112, p. 19). O achado relevante é o delta entre plataformas (regra do achado 2002, aplicada ao eixo institucional): em relação ao programa Haddad-2018, desapareceram a Constituinte, os mandatos para o STF, os referendos revocatórios e o órgão regulador de mídia (restou “amplo debate no Legislativo” sobre comunicação, t. 118, p. 20); e o silêncio sobre a autonomia do BC — aprovada em 2021 e não contestada no texto — é omissão informativa: aceitação tácita. A moderação institucional 2018→2022 é mensurável por comparação textual direta, era legível ex-ante, e o desfecho institucional 2023+ foi coerente com ela.
Aplicação do subcampo v1.1 (quarto teste de simetria): (i) econômicas — mantém (revoga âncora fiscal, cala sobre BC); (ii) enquadramento do conflito político — o adversário é deslegitimado moralmente (“governo negacionista”, “criminoso”, “ameaça totalitária”, t. 2, 97, 99), mas o conflito é enquadrado dentro da ordem constitucional (urnas, CF, poderes) e as FFAA são reconduzidas à subordinação constitucional. Contraste completo com os dois polos de 2018: nem refundação constituinte, nem tutela militar.
Índice de especificidade — CONFIRMADO (o meta-sinal do caso)
O documento tem ~8,3 mil palavras para 121 tópicos — nenhum contém número, data, meta quantificada ou instrumento operacional (as únicas exceções são retrospectivas: “reduzimos em quase 80% o desmatamento”, t. 93). Comparativo verificado: o plano Haddad-2018 tinha 27,6 mil palavras; as diretrizes Aécio-2014, 21 mil. A afirmação central do achado 2022 (“favoritos produzem programas sistematicamente mais vagos; a vagueza é informação”) está documentalmente sustentada no caso do vencedor.
O delta jun→ago (registro)
A versão de junho (90 tópicos) foi expandida para 121 no registro — delta aditivo, não subtrativo: entrou “agronegócio sustentável” como frente estratégica (t. 66, 68 — o aceno ao agro noticiado pela imprensa) e detalhamento setorial (segurança pública, esporte, pessoa com deficiência). O núcleo econômico é idêntico nas duas versões: a revogação do teto está literal em ambas (jun t. 39 = ago t. 51). Mesmo padrão do delta Haddad out/2018: ajuste de superfície eleitoral, direção estrutural intacta.
Teste A — CONFIRMADO (gap não quantificável por desenho)
Compromissos de gasto: Bolsa Família “renovado e ampliado” rumo a renda básica universal (t. 20), valorização do salário mínimo (t. 16), revogação da reforma trabalhista com nova legislação protetiva (t. 13), retomada de investimentos em infraestrutura e habitação (t. 15, 71), recomposição do SUS e do PNE (t. 21-24), renegociação de dívidas das famílias (t. 60). Receitas: reforma tributária progressiva não quantificada (“os super-ricos pagando impostos”, t. 52-54) e combate à sonegação. Não há um único número no documento — o Teste A não computa um gap: registra que o dimensionamento inteiro foi transferido para depois da eleição (desfecho: PEC da Transição, R$ 145 bi fora do teto, negociada entre a vitória e a posse). Para a régua 2026: vagueza total no Teste A é em si um veredito — “o custo fiscal deste programa é indeterminável pelo texto; a promessa expansionista é a única âncora”.
Teste B — CONFIRMADO
Item central (revogar o teto) exigia PEC — e o próprio documento exibe a coalizão que a viabilizaria: 9 partidos na capa, VP do campo adversário histórico, convocação a “superar eventuais divergências” (t. 98). Executabilidade alta legível ex-ante no texto, confirmada pelo desfecho (PEC da Transição aprovada antes da posse), no modelo pós-2020 de Congresso orçamentariamente empoderado (precedente datado do achado 2018.3).
Ajuste metodológico decorrente (changelog)
- Categoria padrão “sustentabilidade previdenciária arrecadatória” (novo, para v1.1). Três textos verificados de campos opostos (Aécio-2014, Haddad-2018, Lula-2022) usam a mesma estrutura: nomear o equilíbrio, prometer receita via emprego/formalização/fiscalização, omitir qualquer parâmetro. A Camada 1 ganha essa categoria nomeada para o eixo Previdência, exibida como tal — distinta de “reforma” e de “omisso”.
- Confirmação do delta institucional entre plataformas como sinal. A comparação Haddad-2018 → Lula-2022 mostra que o eixo Instituições também deve ser lido em série histórica (regra do achado 2002, até aqui aplicada só à direção econômica): a remoção de propostas de refundação é tão informativa quanto sua presença.
Síntese do caso
As três afirmações verificáveis do piloto compacto sobreviveram intactas à fonte primária, e a classificação completa dos 6 eixos — agora com citação de tópico e página — confirma a direção “afrouxa + amplia” com a evidência mais direta possível (revogação do teto literal no texto). Os dois achados novos são ativos para 2026: a fórmula previdenciária arrecadatória como categoria transpartidária, e a moderação institucional 2018→2022 documentável por comparação de plataformas — precedente direto para ler o programa que o mesmo candidato registrar em agosto de 2026.